Conflito Israelo-Palestiniano. Gasolina para a mente

20/07/2014

Nos últimos tempos, os portugueses foram como que obrigados a economizar. E a maioria levou-o longe demais. A crise levou a maioria dos portugueses não só a economizar no seu rendimento mas acima de tudo a economizar no seu intelecto.

Já sabiamos que a maioria dos portugueses tinham opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Era como se houvesse um pouco de Nuno Rogeiro em cada um. Mas nos últimos tempos começaram a opinar sobre tudo de forma superficial. Como se o vírus Prof. Marcelo tivesse atacado.

Bem sei que isso se deve muito à quantidade e à velocidade a que a informação nos é passada hoje, através da internet e das redes sociais. Mas custa-me a aceitar que isso seja desculpa para que a maioria escreva e diga coisas ignorando profundamente a realidade.

Pelo contrário. Em 5 minutos qualquer ignorante (Dicionário da Língua Portuguesa: aquele que não sabe ou não tem conhecimento) pode, através da internet, encontrar informação que lhe permita ter uma ideia ou ajude a construir uma opinião minimamente fundada.

Isto vem a propósito das coisas que tenho lido e ouvido nos últimos dias sobre o conflito israelo-palestiniano. Em que a maioria alinha pelo diapasão e pelo que é considerado – em Portugal – políticamente correcto. Isto é, os Israelitas são os “maus” e os Palestinianos são os “bons”.

Contar-se-ão pelos dedos de uma mão, aqueles que, quando questionados, serão capazes de explicar e argumentar esta sua opinião. Opinião essa que tem de tudo menos “sua”. É apenas a opinião de “todos”. A da “maioria”. Aquela que à partida parece a melhor.

Tenho muitos amigos que se deixam caír nesta tentação. E como os prezo, tenho entrado em saudáveis discussões com alguns deles. Tentando evitar que sejam confundidos com carneiros, sem capacidade intelectual ou personalidade, tomando para si a opinião que “fica bem”.

O que tenho feito é simples. Apresento alguns factos e opiniões, na esperança que estes os façam ligar o motor do intelecto. É que se há assuntos que não são passíveis de terem apenas um lado A e um lado B, o conflito israelo-palestiniano é um deles.

Há o lado religioso, mas também o lado político, geográfico, militar, histórico, etc. Há milhares de anos que aquela zona está, como se costuma dizer, em “pé de guerra”. Exemplo? Jerusalém foi destruída 2 vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes, e capturada e recapturada 44 vezes.

Naturalmente que ninguém pode dizer que foram os israelitas que provocaram isto. No ano 3.000 A.C. Israel estava a quase 5.000 anos de existir. Pelo que é errado tentar fazer dos israelitas os “maus da fita”, num conflito que é muito mais do que aquilo que as TVs nos mostram.

Tal como fiz, e continuo a fazer, com os meus amigos, vou lançar aqui alguns factos e opiniões para que o leitor pense neles e reveja, mude ou até confirme sua opinião. É como que gasolina para a mente. A ver se o motor do intelecto começa a trabalhar.

a) A Terra Santa é-o para muitas religiões, e Jerusalém é a Cidade Santa dos Cristãos dos Judeus e dos Muçulmanos. Nela se encontram o Muro das Lamentações, um dos locais mais sagrados para os Judeus. A Basílica do Santo Sepulcro (onde se diz que Jesus Cristo foi crucificado, sepultado e onde ressuscitou), um dos locais mais sagrados para os Cristãos. Ou a Mesquita de Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados para os Muçulmanos.

b) O Sionismo (movimento que defende o direito à autodeterminação dos Judeus, e à existência de um Estado judaico em Israel iniciou-se nos finais do século XIX. Os Judeus começaram a ir para a Palestina à procura de uma vida melhor na Terra Santa. Nos anos 1930 já eram cerca de 300.000. Nessa altura Muçulmanos da Palestina, liderados pelo Grand Mufti, Haj Amin al-Husseini, começaram uma série de ataques violentos aos Judeus.

c) Muitos portugueses, desde há muitas décadas, emigram para terras que não são suas, e lá se estabelecem, na procura de uma vida melhor. Contam-se aos milhões aqueles que são portugueses ou de origem portuguesa a viver fora de Portugal. Os casos mais flagrantes e conhecidos são os de França, onde há cerca de 1 milhão (300.000 só em Paris), Venezuela, Luxemburgo ou Canadá. Não creio que alguma vez tivessem sido hostilizados de morte.

d) Em meados dos anos 1930 os Muçulmanos da Palestina liderados pelo Grand Mufti, Haj Amin al-Husseini, aliaram-se a Adolf Hitler e a Benito Mussolini, partilhando o mesmo objectivo de exterminar uma comunidade cuja raça não lhes agradava, os Judeus. O que aconteceu nessa altura aos Judeus de toda a Europa (e do Mundo) é conhecido. O Holocausto matou 11 milhões de pessoas, entre os quais 6 milhões de Judeus.

e) Israel – constituído como Estado independente em 1948, depois de uma resolução da ONU votada favoravelmente por 72% dos países – viu-se envolvido em varias guerras. Na sua maioria, Israel foi atacado por Norte, Este e Sul (a Oeste está o Mar Mediterrâneo), estando em enorme inferioridade numérica em termos de tropas, em relação aos países que o atacavam: Egipto, Iraque, Syria, Líbano, Jordânia, Palestina, entre outros.

f) As tropas palestinianas armazenam as suas armas debaixo de escolas e hospitais, e quando atacam fazem-no a partir de zonas residênciais. Motivo? Usar civis palestinianos como escudos humanos. As mesmas tropas quebram as regras do cessar fogo ou acordos de tréguas, atacando território israelita, enquanto há médicos, militares e outros, a tentar ajudar os civis, vítimas dos “danos colaterais”.

g) Todas as semanas as autoridades de Israel enviam para Gaza vários camiões TIR com comida e medicamentos – mesmo em períodos em que não há guerra. Uma grande parte destes carregamentos é desviado ou embuscado pelas tropas do Hamas. O objectivo, dizem, é não deixar que se abra um sentimento positivo nos palestinianos para com Israel e os israelitas.

h) Em Israel, a população total é de cerca de 8 milhões. Dos quais 6 milhões são Judeus e 2 milhões são Muçulmanos. Na primeira pessoa, pude ver que esses Muçulmanos vivem, trabalham e gostam de Israel. A maioria tem, como acaba por ser natural, amigos Judeus com quem se dá bem, e não compreende o porquê do conflito, mas principalmente das atitudes de grupos como o Hamas.

i) Acho que vale a pena ver este vídeo de uma jovem palestiniana, que por acaso não é Muçulmana nem Judia, é Cristã. E está a ser ameaçada de morte por partilhar a sua experiência com o mundo.

Finalizo com uma declaração de interesses: Acho que Israel é tão culpada deste conflito como os grupos terroristas palestinianos, tendo em conta todas as dimensões do conflito. Estou convencido que existe gente imbecil e sádica dos dois lados, bem como gente boa. Visitei Israel por duas vezes em 2014, e estou longe de ter morrido de amores pelo país. Em 10 dias de estadia em Israel tive mais más experiências do que boas, apesar de estas terem valido a pena. Nunca tive – talvez por preconceito – boa imagem dos Judeus, e depois da visita a Israel isso não mudou.

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Zeinal, o melhor CEO do Universo, com amnésia

11/07/2014

Cheguei a ter algumas saudáveis discussões com amigos meus, a propósito dos sucessivos prémios atribuídos a Zeinal Bava, de melhor CEO (da Europa ou do Mundo), na área das telecomunicações.

Muitos, por interesse político ou provincianismo, embandeiravam em arco. Esquecendo quem era e o que fazia Zeinal Bava, desde que tinha chegado à presidência executiva de uma empresa monopolista.

Eu não esqueço. Da sua defesa incansável a José Sócrates (numa entrevista a Judite de Sousa na RTP). De, entre outros, ter cozinhado com o ex-PM a compra da TVI para calar um meio de comunicação social incómodo.

Também não esqueço, na minha terra, em Santo Tirso, a forma como abriu um contact-centre da PT, para fazer um favor político a José Sócrates e ao PS, que precisava de show-off antes das Legislativas/Autárquicas 2009.

Agora, o grande e competentíssimo CEO, vê-se envolvido nas falcatruas do BES. E em mais um caso de amnésia. Foi Oliveira e Costa, depois Ricardo Salgado e agora Zeinal Bava.

Todos eles se esquecem, ou não se lembrarm, de operações das suas empresas que envolveram cerca de mil milhões de euros (em alguns casos, mais do que isso). É fantástico, não é?


O objectivo não foi tirar os títulos, foi dá-los!

05/07/2014

A Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo decidiu “abolir os títulos académicos das suas sessões”. Acabaram com o “Sr. Doutor”, o “Sr. Engenheiro”, o “Sr. Professor”, o “Sr. Arquitecto” quando se dirigem uns aos outros em plenário.

Portugal praticamente acordou com esta notícia na crista da onda. E muitos se apressaram a partihá-la nas redes sociais, como se se tratasse de um grande feito. Um exemplo a ser seguido pelo resto do país (organizações e pessoas).

Ora eu acho que mais valia envergonharem-se…

Primeiro, porque estamos em pleno século XXI, e em Portugal embandeira-se em arco com uma coisa que já deveria ter sido adoptada há muitos anos.

Segundo, porque ao invés de (como escrevi no parágrafo anterior) adoptarmos esta maneira de ver as pessoas, sem títulos, ela tem, mais uma vez, de nos ser imposta.

Terceiro porque a intenção da decisão é má. A A.M. Torre de Moncorvo decidiu acabar com o “Sr. Doutor, Engenheiro, Professor, Arquitecto” mas substituiu-o pelo “Sr. Deputado” e “Sr. Vereador”.

Disse o presidente da Assembleia Municipal que “não há maior condição do que ser deputado municipal“. Ou seja, o objectivo não foi tirar o título a quem já o tinha, mas dar um título a quem não tinha.


Post Scriptum 1 – Sou Engenheiro Electrotécnico, formado numa das melhores escolas de engenharia do mundo, a FEUP. Tenho orgulho na minha licenciatura, na minha formação, na minha especialidade. Mas o meu nome é Luís. Compreendo que por vezes, por ser mais fácil, tratemos certas pessoas por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro”, também o faço. Mas não confundamos as coisas. O problema é que em muitos meios portugueses (especialmente na política) os títulos são abusivamente utilizados como uma maneira de as pessoas se superiorizarem às outras.

Post Scriptum 2 – Este é um tema que tenho abordado muitas vezes, quando se trata da política Tirsense. Em Santo Tirso, os políticos gostam muito dos seus títulos, porque os fazem sentir superiores ao próximo. Apesar de se conhecerem há anos, tratam-se uns aos outros, em público, por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro” e assinam documentos com o título em prefixo/sufixo (ex. “António Alberto Castro Fernandes, Eng°.). Um conhecido vereador, candidato derrotado e ex-presidente do PSD até chegou a confessar em privado que iria tirar um curso nocturno num universidade privada, para poder subir na hierarquia do partido.


Onde está o risco sistémico?

04/07/2014

Nunca fui cliente do BES. Nunca gostei do BES. Nunca fui com a cara do Ricardo Salgado. Coincidência ou não, sou cliente dos únicos dois bancos que (ainda) não mostraram dificuldades: Santander Totta e BPI.

Quando estava na Novabase, trabalhei em dois projectos do BES (no BEST e no BESI). Odiava o ambiente no banco. Aliás, pedi mesmo para saír do segundo projecto.

Estive contra qualquer nacionalização ou salvação de bancos quando a crise rebentou. BPN, BPP, BCP.

Mas agora que o BES está em dificuldades… o que é feito do “Risco Sistémico”?

Aquele que levou o governo socialista (com a conivência de outros responsáveis políticos de todos os quadrantes políticos) a decidir salvar/nacionalizar esses bancos?

Aquele que obrigou os portugueses absorver (e pagar!) os milhares de milhōes de euros dos buracos negros criados por má gestão e ilegalidades?

Havia risco sistémico quando se tratava de bancos menores, e agora não há quando se trata do maior banco privado português?

Por aqui se vê que não havia risco sistémico nenhum. Houve foi um primeiro-ministro e um governo (e outros responsáveis políticos) que quiseram encobrir os crimes que foram cometidos nesses bancos, e que arrastariam muitos deles.

Desta vez, há um governo que parece não ter esse receio. E portanto disse não. Não irá usar dinheiro dos portugueses para corrigir má gestão e hipotéticas ilegalidades num banco privado.

O tempo continua a mostrar que Passos Coelho continua a surpreender, pela positiva. O tempo continua a mostrar que José Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro, que desgraçou Portugal.


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