A velocidade do poder. Do cheque ao nariz do prostituto

Aproximam-se as eleições, e começa a ser ainda mais evidente a pobreza de espírito que reina na nossa sociedade. Aquela que, aliada à falta de valores e princípios, bem como à falta de vergonha, tem vindo a corroer um país já de si esfrangalhado.

Alguns dirão que a política e os políticos de hoje são o corolário do “país que temos“. Discordo. Para mim são o espelho do “país que somos“. Uma selva, onde impera apenas uma lei: a do mais forte (leia-se, a do poderoso e do endinheirado).

A campanha para as eleições Autárquicas começa sempre com apelos e afirmações de que “somos diferentes” e “vamos fazer diferente” – nos dias que correm, isto significa que vamos puxar ao sentimento, ao afecto, ao humanismo (marcelices!).

Mas não tarda a que a realidade bata à porta, fazendo ver que isso não ganha eleições em países do terceiro mundo (como Portugal!). Vai daí, a vergonha é lançada borda fora, e a suinísse (sim, de suíno, de porco) começa em todo o seu esplendor.

Claro que tudo isto não era possível sem o essencial contributo de todos. Os políticos para comprar, têm de comprar alguém. Para corromper, têm de corromper alguém. A corrupção não se faz só com corruptores, mas também com corrompidos.

Santo Tirso, o meu concelho, não foge à regra. Lá, o corruptor passa de “Zé Ninguém” a “Benfeitor” à velocidade a que o cheiro a poder chega de um cheque ou um maço de notas, ao nariz do corrompido (ou neste caso, do “Prostituto“).

Esta é uma sociedade podre e pobre de espírito. Com pessoas e instituições – algumas delas centenárias, e muitas lideradas por gente pouco recomendável e sem escrúpulos – que se vendem por “um prato de lentilhas“.

Tudo isto, num absoluto desrespeito por quem nelas confia, para quem elas contribui, e de quem delas depende. Sim, porque quem lidera (momentâneamente) instituições, não é dono destas, e não se pode esquecer daqueles que serve.

Um exemplo, que conheço bem, e admiro. E que não tem nada que ver com o caso que critico acima. Quem lidera a ASAS não se pode esquecer dos princípios e valores que contribuiram para a sua criação, e daqueles que a fundaram.

Não se pode esquecer daqueles que, todos os dias, desde o dia da sua abertura, contribuiram para o seu propósito e crescimento. Não se pode esquecer daqueles que todos os meses pagam as suas quotas, ou recebem os seus merecidos salários.

Não se pode esquecer, acima de tudo, daqueles que dependem da ASAS para poder ter uma vida. Sim, só isso. Uma oportunidade de vida. As crianças, neste caso, que não têm, infelizmente uma família. E que precisam da ASAS para vingar.

Felizmente a ASAS, e quem a tem liderado, tem sido uma instituição exemplo. E é também por isso que sou associado. Desejo que assim continue. Se bem que temo. Porque já vi, ao longo dos anos, outras instituições serem “assaltadas”.

Quem lidera instituições desta (e de outra) natureza tem obrigatóriamente de se lembrar disto. E ter uma imensurável integridade. Não se pode vender ou deixar corromper por quem quer que seja. Muito menos por estes políticos que agora nascem do chão.

Eu, tenho vergonha alheia, de certas instituições do meu concelho. E é por estas e por outras, que não sou associado. Não vou contribuir para que gente pouco recomendável se aproveite delas para promoção pessoal. Era só o que faltava.

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