A megalomania de Andreia

Ainda a campanha eleitoral não tinha começado e já se ouviam as típicas promessas estapafúrdias, daqueles candidatos que tomam os eleitores por parvos. Em Coimbra prometeu-se um aeroporto internacional, na Guarda uma moeda nova para o concelho, e em Santo Tirso a construção de um novo Parque Empresarial (desta vez em Água Longa).

Santo Tirso tem uns quantos Parques Empresariais, que mais parecem cidades fantasma, e em que infelizmente há poucas ou nenhumas empresas dignas desse nome. Mas a candidata da coligação “Por Todos Nós” quer gastar o dinheiro dos impostos dos Tirsenses, em mais uma obra megalómana.

O erro de Andreia Neto é o de muitos outros autarcas do país. Acham que se atrai ou cria empresas assim. Ora nenhuma empresa digna desse nome se estabelece num concelho só porque há um “Parque Empresarial” ou uma “Zona Industrial”. Tal como não se atrai investimento só porque há uma “Incubadora”. É preciso mais, muito mais.

Para além disso, a promessa do Parque Empresarial em Água Longa tem mais pontos de integrrogação. Esta semana recebi um email de um Tirsense atento e interessado – que mora em Água Longa e é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – no qual apontava algumas razões para o projecto ser inviável.

1. A promessa referia que o parque teria 750 mil m2 de área. Ora o Professor diz, e bem, que este espaço poderia alojar várias centenas de empresas. E que se olharmos aos números de empresas no Concelho, em particular de empresas criadas ou atraídas nas últimas décadas, facilmente se percebe que este é um número descabido e irrealista.

2. Segundo o Professor, a área onde Andreia propõe a construção do Parque Empresarial é protegida. Pelo que o projecto iria destruir 150 hectares de mancha florestal em reserva ecológica. Ora, só por pura hipocrisia a candidatura pode ter no seu programa eleitoral um capítulo dedicado ao Ambiente e Sustentabilidade, no qual se lê: “A sustentabilidade ambiental e a consequente melhoria da qualidade de vida será uma prioridade“.

3. Por fim o Professor coloca a questão do trânsito. Sendo que os habitantes das freguesias do Vale do Leça já hoje sofrem com o trânsito da N105, repleta de camiões (principalmente depois da abertura de um entreposto da Jerónimo Martins) o que seria se, por um milagre, este projecto fosse para a a frente.

Este Tirsense atento, morador de Água Longa, termina dizendo que só por falta de conhecimento destas freguesias Andreia Neto pode fazer este tipo de promessas. Já que não quer acreditar que a candidata pretenda intencionalmente prejudicar as populações do Vale de Leça.

Eu diria mais e diferente. Estou convencido que Andreia Neto é inteligente o suficiente para saber que esta é uma promessa irrealista e estapafúrdia. E que o projecto é inviável e insustentável. Mas pretende fazer os Tirsenses de parvos usando discursos redondos do tipo: “uma localização privilegiada, a 20 minutos do Porto de Leixões, do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, da Exponor, e a 30 minutos do Centro de Congressos da Alfândega do Porto“.

Ora, se Andreia Neto quer saber de algo nesta área que é de facto de valor, leia a notícia do Expresso de há umas semanas: Hotelar recupera Fábrica Rio Vizela e deixe-se de megalomanias. Já chega de políticos que nos tomam por parvos e não têm noção nenhuma de estratégia, gestão, planeamento, ou interesse público.

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