Não somos todos iguais

No dia anterior às eleições, um amigo perguntou-me se era verdade o que se dizia em surdina. Que Joaquim Couto me teriam pago 5.000€ para escrever os artigos que publiquei no Era Mais um Fino nos últimos meses, criticando Andreia Neto e a sua candidatura. E que iria pagar mais 15.000€ se o PS vencesse as eleições. Respondi-lhe que me sentia insultado!

Então diz-se que a candidatura que espalhou esse boato pagou 40.000€ a uma outra pessoa, para que esta escrevesse a favor da Andreia Neto e contra o Joaquim Couto, e a minha escrita valeria menos? Claro que o meu caché seria mais elevado! Aliás, porque o meu blogue tem, muito provavelmente, mais leitores que a outra publicação.

No dia seguinte às eleições, um outro amigo perguntou-me se era verdade o que se dizia em surdina. Que a razão pela qual eu critiquei Andreia Neto e a sua candidatura, era porque queria ser eu próprio, o candidato do PSD à Câmara em 2021. Respondi-lhe que agora já não precisava. O caché pago pelo Joaquim Couto permite-me pagar a campanha como candidato independente.

Vá, chega de parvoíces e vamos ser sérios. Em política, adoptar prácticas e estratégias de campanha ignóbeis é uma opção, e não um requisito. Se uma candidatura quer comprar jornais, instituições e pessoas, está à vontade para o fazer. Desde que essas se deixem comprar. Com dinheiro, com géneros ou com promessas. Mas felizmente que não somos todos iguais.

Nem sequer falo de Joaquim Couto, de quem não sou nem nunca fui advogado de defesa. Falo de mim. Não compro, nem me deixo comprar. Em primeiro lugar porque os meus valores e princípios não têm preço; em segundo lugar porque as minhas ideias e convicções não estão à venda; em terceiro lugar porque graças ao meu trabalho e esforço profissional, não preciso de esmola.

Mais vezes do que deviam, aquelas prácticas e estratégias de campanha ignóbeis (em que literalmente se compram votos) venceram. Uns ofereciam frigoríficos, outros empregos, e houve quem preferisse oferecer ambulâncias. Uns compravam jornais, outros blogues, e houve quem preferisse comprar perfis de Facebook. Mas desta vez, felizmente, esses perderam.

O problema é que em política, nunca se perde de vez, ou para sempre. Esses, os mesmos, irão voltar. E irão tentar voltar mais cedo do que se pensa. Por isso, e se queremos mantê-los afastados do poder e do dinheiro dos nossos impostos, temos de estar vigilantes e activos. E trabalharmos em equipa, para os podermos vencer novamente, e criar uma verdadeira alternativa política.

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