Partidos Novos, Santana Lopes, PSD

Um ponto prévio

Sim, é verdade. Houve um grupo de pessoas no PSD que destratou e desconsiderou Pedro Santana Lopes. Fê-lo mais do que uma vez, propositadamente, e para evitar que o Pedro pudesse exercer e praticar aquilo em que acredita – que está, sem dúvida alguma, dentro daquilo que são os ideais do PSD, fundado por Francisco Sá Carneiro e seus companheiros.

Esse grupo de pessoas no PSD, fê-lo por puro preconceito, e por receio que o Pedro, com a irreverência e determinação que o caracterizam, pudesse confrontar um status quo em que essas pessoas tinham interesse. E ao fazê-lo prejudicaram não só o partido mas também o país (abrindo a porta ao mais corrupto governo de sempre, que destruiu o país).

O problema não é o partido

Dito isto, penso que o problema não está nos partidos, mas nas pessoas. Os partidos não são entidades abstractas, mas organizações de pessoas. Que eu me lembre, os partidos “tradicionais” portugueses não mudaram a sua matriz. E por isso o problema não está no facto de os partidos se poderem ter esgotado, mas nas pessoas que tomaram conta deles.

Perante a multiplicação de novos partidos por essa Europa fora, e olhando aos resultados conseguidos em eleições recentes, é muito mais fácil dizer que os partidos “tradicionais” se esgotaram (até porque é esta a natureza da opinião precoce e descartável do mundo em que vivemos) do que parar para observar, analisar e pensar sobre o assunto.

A novidade dos partidos novos

A verdade é que não é preciso fazer uma análise longa e aprofundada, para nos apercebermos que a maioria dos partidos novos pouco ou nada trazem de diferente. Alguns configuram mesmo uma união de partidos satélites dos “tradicionais” que, por isso mesmo, não encontram o seu espaço e, juntando-se, têm como único objectivo ganhar força eleitoral.

Um bom exemplo é o Bloco de Esquerda, que se criou da união entre UDP, PSR e Política XXI. Todos eles com ideais idênticos aos dos “tradicionais” PS e PCP e, por isso mesmo, sem força eleitoral. A prova de que nada traziam de diferente é que alguns foram fundados por pessoas que abandonaram, e mais tarde se voltaram a juntar, a esses mesmos partidos.

A saber. A maioria dos fundadores do Política XXI, entre eles Miguel Portas, Daniel Oliveira, Joaquim Pina Moura, José Luís Judas, Mário Lino, José Magalhães e José Jorge Letria, eram dissidentes do PCP e, como é sabido, viriam depois a filiar-se no PS, acabando por ser figuras de proa socialista, anos mais tarde, em governos liderados por José Sócrates.

O verdadeiro propósito

Esta não só é uma prova de que a maioria dos partidos novos nada trazem de novo, como também põe a descoberto uma outra verdade indesmentível – alguns desses partidos foram formados como projectos de poder pessoal, fundados por pessoas que pura e simplesmente não encontraram o seu espaço pessoal nos partidos “tradicionais”.

Há excepções! Com certeza que sim. Mesmo sem conhecer a fundo o projecto, quer-me parecer que, por exemplo, a Iniciativa Liberal traz de facto algo novo e diferente ao debate político Português. E também me parece que nasce do facto de haver uma lacuna no espectro político, e não de uma qualquer facção de um partido “tradicional”.

Voltando ao meu partido

Tudo isto para dizer o seguinte:

  1. o PSD continua a ser o maior partido português;
  2. o PSD não está esgotado;
  3. o PSD não mudou ou se desviou da sua matriz;
  4. o problema do PSD são um grupo de pessoas/aparelhistas;
  5. o lugar do Pedro é no PSD, onde indubitavelmente tem o seu espaço.

E é por isso mesmo que vejo com pena o Pedro a abandonar o partido que ajudou a fundar (não foi fundador mas ajudou a criar e fortalecer as fundações). E será com preocupação, pela simpatia e estima que nutro por ele, que o verei a fundar outro partido. Partido esse que poderá correr o risco de não conseguir trazer novidade ou algo de diferente.

Limpar o partido

É por isso que não creio fazer sentido abandonar o PSD nesta altura. Pelo contrário, as novas lideranças do PSD e da JSD (não só a nível nacional, mas também local – veja-se o exemplo do PSD Porto) parecem ter um claro objectivo de limpar o partido e credibilizar a política. E eu gostaria de ver o Pedro ter ainda mais vontade de ficar e ajudar a “re-fundar” o PSD.

Um PSD liderado por pessoas com sentido de missão, imbuídas de princípios e valores. Pessoas competentes, íntegras e honestas. Pessoas de mente aberta e jovem. Pessoas que queiram fazer política com risco, mas acima de tudo com ética. Pessoas que apenas queiram servir os interesses de Portugal e de todos os Portugueses.

Em conclusão

Estou seguro que esse PSD é o partido que o Pedro, e todos os militantes de bem, gostariam de ter. E que seria nesse PSD que o Pedro poderia colaborar, vencer e vingar muitas das boas ideias que tem e foi partilhando ao longo da sua carreira política. Algo que com toda a certeza não seria difícil dado que na verdade as bases sempre o acarinharam.

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