10 anos de uma grande viragem política

16/12/2011

Faz hoje 10 anos que o país passou por um dos momentos políticos mais marcantes da sua história. No dia 16 Dezembro 2001 o PSD vencia de forma clara as eleições Autárquicas, levando mesmo à queda inesperada do Governo do PS liderado por António Guterres, que viria a ser sucedido pelo PSD e Durão Barroso.

Contra todas as expectativas e sondagens, o PSD venceu 159 dos 308 municípios portugueses. Sublinhar as vitórias surpreendentes em concelhos chave como Lisboa, Porto, Sintra, Cascais ou Coimbra. Era eleitos Pedro Santana Lopes, Rui Rio, Fernando Seara, António Capucho e Carlos Encarnação.

Passados 10 anos nota-se que todos estes concelhos chave evoluíram imenso, excepto um. É inegável que Porto, Sintra, Cascais e Coimbra beneficiaram da competência e continuidade dos seus presidentes de câmara. Já Lisboa, ficou a meio caminho, com a saída de Pedro Santana Lopes.

Valores e deveres mais altos se levantaram, e Pedro Santana Lopes foi chamado ao cargo de Primeiro-Ministro. Episódios menos claros de quem ficou na CML levaram à queda do executivo liderado por Carmona Rodrigues e precipitaram a eleição de António Costa, que se mantém até hoje.

Se Pedro Santana Lopes tivesse ficado na liderança dos destinos da autarquia nos últimos anos, talvez se visse algo mais em Lisboa e por Lisboa…

Ver para crer… A obra de Pedro Santana Lopes em Lisboa (2002-2004)


Sócrates faz escola… no PS (II)

04/11/2010

Ao visitar os sites das Câmaras Municipais podemos encontrar a habitual mensagem do Presidente da autarquia. Santo Tirso não foge à regra, e na área reservada ao tema, o site da CM de Santo Tirso tem um exercício a que os políticos nos têm habituado. Ou seja, o que lá escreveu o Engº Castro Fernandes não é mais do que a descrição de um concelho que só existe na sua imaginação. O concelho côr-de-rosa, a par do país côr-de-rosa tantas vezes desenhado pelo seu chefe, José Sócrates.

Na mensagem do presidente podemos ler que “Santo Tirso prossegue a sua inequívoca trajectória rumo ao futuro“. Ora se pensarmos que há cerca de 30 anos atrás – altura que coincide com a subida do PS ao poder local – Santo Tirso era um concelho com o dobro da população e o dobro da área, não vemos esse futuro risonho. Se pensarmos que Santo Tirso era um dos concelhos que mais produzia para o país, mercê da sua muita e competente indústria (nomeadamente têxtil e metelomecânica), duvidamos da trajectória que foi percorrida.

Castro Fernandes diz que existe uma “permanente aposta na criação de cada vez melhores condições de vida” para os Tirsenses. Ora se pensarmos que com uma aposta forte o concelho perdeu o Hospital novo, a maternidade e a urgência 24h no Hospital velho, a dependência da EDP, o Cine-Teatro, e outros serviços, o que seria se não tivesse havido aposta. Se em pleno século XXI continuamos em perigo de saúde pública – devido ao facto de mais de metade do concelho não ter sistema de saneamento e água canalizada – dá que pensar no que seria, se não fosse a tal aposta.

Diz o presidente da CMST que está “a construir um município mais bonito, mais verde e mais desenvolvido“. Apetece perguntar se o município mais bonito contempla mamarrachos como o prédio em ruínas numa das principais entradas da cidade. E será que na parte do município mais verde, se refere por exemplo à construção de prédios em massa, na zona do Picoto, sem sequer se acautelar (conforme exige a lei) os respectivos jardins? Quanto ao mais desenvolvido, basta dizer que no último ranking do Indicador de Desenvolvimento Municipal (estudo efectuado pela Municípia, SA) estavamos em 306º lugar entre 308 concelhos.

No entanto sou obrigado a concordar com o que Castro Fernandes diz mais à frente: “estamos a revolucionar o conceito de viver em Santo Tirso“. Isso está, com toda a certeza! Há uns anos os Tirsenses viviam desafogados, sossegados, em segurança, tinham emprego e estavam em família. Agora vivem no desemprego, preocupados, agitados e longe dos familiares. Se querem ter futuro têm de o procurar nos concelhos vizinhos ou ainda mais longe. É uma revolução no conceito de viver, sem dúvida alguma.

Imitanto os políticos a que estamos habituados o presidente da CMST diz ainda que “Santo Tirso está a crescer e a mudar para melhor“. É no mínimo revoltante, ouvir o Engº Fernandes proferir estas palavras. A “crescer” só se for o desemprego, já que população, indústria, juventude, cultura e serviços estão todos a diminuir a olhos vistos. A “mudar para melhor” só se for a vida de alguns iluminados (com cartão de militante) que à custa de bons empregos (pagos com o dinheiro dos nossos impostos) vão subindo na vida.


%d bloggers like this: