Geringonça viola Constituição

28/07/2019

Governo poderá obrigar jovens médicos a permanecer no SNS durante algum tempo: “Ideia é compensar o Estado pelo investimento na sua educação e faz parte do conjunto de medidas que o Estado está a estudar para reter médicos durante mais tempo nos hospitais públicos“.

Esta notícia demonstra perfeitamente a maneira como Portugal tem sido governado desde que a chamada Geringonça chegou ao poder.

  1. A prioridade é a manutenção do poder;
  2. O populismo é a forma mais fácil de agradar;
  3. As políticas estão submissas a uma ideologia;
  4. As medidas não seguem qualquer raciocínio lógico;
  5. O dinheiro dos contribuintes é do Estado, e o Estado é o Governo.

Ora, este governo e os partidos que o apoiam, com as medidas que implementaram e outras que têm anunciado, não só deterioram a qualidade do ensino superior, mas também violam a Constituição. Senão vejamos…

A Geringonça anuncia que quer abolir as propinas. Mas depois não tem como financiar as bolsas de estudos e as residências que garantem aos mais pobres igualdade de oportunidades.

A Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 76.º diz: “O regime de acesso à Universidade e às demais instituições do ensino superior garante a igualdade de oportunidades e a democratização do sistema de ensino”.

A Geringonça anuncia que quer abolir as propinas. Mas depois quer privar os jovens recém-licenciados da sua liberdade de escolha, forçando-os a trabalhar no sector público nacional.

A Constituição da República Portuguesa, no seu artigo 27.º diz: “Ninguém pode ser total ou parcialmente privado da liberdade”.

Praticamente todos os dias assistimos a violações da Constituição, da Lei, e dos Direitos dos Portugueses. Tudo isto perpetrado por uma Geringonça que governa o país a seu bel-prazer, porque tem a conivência de uma comunicação “dita” social que come da mesma gamela.

A maioria dos Portugueses – uns embevecidos pelo prato de lentilhas que recebe e pelo imediato; outros completamente resignados e desligados da sociedade – assiste, impávido e sereno, à destruição do país e do futuro dos seus filhos.


Ver para crer… Sobre a Educação

27/05/2018

Foi nesta semana que passou, que José António Salcedo esteve na Comissão de Educação e Ciência (na Assembleia da República) para participar na conferência “Tecnologia e pedagogia: o que ensinar? Como ensinar?

Podem ver o vídeo, na íntegra, neste link. A intervenção principal do Zé António é de 17 minutos, e está entre o minuto 34 e o minuto 51.

Já por várias vezes elogiei aqui as ideias do Zé António. Portanto vou apenas deixar algumas das coisas que disse na sua intervenção, por forma a aguçar o vosso interesse.

“educar significa formarmos pessoas com autonomia intelectual”

“educar é o contrário de instruir… instruir é meter coisas na cabeca das pessoas”

“educar, não para igualdade de resultados, mas para igualdade de oportunidades”

“orientação sistematica à resolução de problemas… é a atitude que mais valor pode criar”

“através do processo educativo, aprender a pensar e a criar valor”

“o modelo de educação centralizante em Portugal é rígido e desresponsabilizante”


Houvesse mais Josés Antónios…

06/03/2015

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Uma vida de dedicada aos lasers, in Sol

Era adolescente, estava longe de pensar em cursos ou universidades, e já conhecia o José António Salcedo. Não pessoalmente, mas pela história que o meu pai não se cansava de contar. A deste amigo e colega de curso dele, que no início dos anos 70, era um brilhante aluno da FEUP, e depois de ter construido, sozinho e em casa, o primeiro laser em Portugal (que depois veio a oferecer à FCUP) foi tirar o doutoramento para a Univ. de Stanford, onde tinha como professores alguns prémios Nobel.

Anos volvidos, e já aluno de Eng. Eletrotécnica na FEUP, tive a sorte de me cruzar com o José António. Tinha voltado à FEUP, e calhou de ser meu professor na cadeira de “Ondas”. Foi, no mínimo, surpreendente e refescante ter um professor com tamanho talento para ensinar e para motivar. Um Professor Catedrático que estava completamente fora dos padrões da academia portuguesa. Acessível, disponível, humilde, paciente. Ao que aliava uma incrível experiência prática e profissional na área em que leccionava.

Foi responsável pela minha melhor nota no curso. Curiosamente numa cadeira que à partida me despertava pouco interesse. O que só pode atestar da capacidade do José António como professor. Todos os meus colegas mais próximos partilhavam desta opinião. O José António não pertencia ao “nosso planeta”. No ano seguinte isso confirmou-se. Voltou a deixar a FEUP. Na faculdade dizia-se que o teria feito por discordar do rumo que levava a FEUP e a Academia. E quanta razão tinha, e tem.

O INESC, que ajudou a fundar, é uma brilhante organização. De onde já saíram muitas ideias, invenções, produtos e empresas. Mas a FEUP, a UP, a nossa Academia podia ser muito mais, se tivessem ao leme mais Josés Antónios. A capacidade e o potencial dos nossos alunos e das nossas Universidades (principalmente na área das technologias) é imenso. Mas perdem-se na mesquinhez daqueles que lideram a Academia e nos jogos de poder. Quando poderiam ser um dos motores de uma economia e de um país.

Aproveito para deixar aqui, mais uma vez, o vídeo de uma “aula” que o José António deu há um par de anos, e que é de ver e rever para crer.


O objectivo não foi tirar os títulos, foi dá-los!

05/07/2014

A Assembleia Municipal de Torre de Moncorvo decidiu “abolir os títulos académicos das suas sessões”. Acabaram com o “Sr. Doutor”, o “Sr. Engenheiro”, o “Sr. Professor”, o “Sr. Arquitecto” quando se dirigem uns aos outros em plenário.

Portugal praticamente acordou com esta notícia na crista da onda. E muitos se apressaram a partihá-la nas redes sociais, como se se tratasse de um grande feito. Um exemplo a ser seguido pelo resto do país (organizações e pessoas).

Ora eu acho que mais valia envergonharem-se…

Primeiro, porque estamos em pleno século XXI, e em Portugal embandeira-se em arco com uma coisa que já deveria ter sido adoptada há muitos anos.

Segundo, porque ao invés de (como escrevi no parágrafo anterior) adoptarmos esta maneira de ver as pessoas, sem títulos, ela tem, mais uma vez, de nos ser imposta.

Terceiro porque a intenção da decisão é má. A A.M. Torre de Moncorvo decidiu acabar com o “Sr. Doutor, Engenheiro, Professor, Arquitecto” mas substituiu-o pelo “Sr. Deputado” e “Sr. Vereador”.

Disse o presidente da Assembleia Municipal que “não há maior condição do que ser deputado municipal“. Ou seja, o objectivo não foi tirar o título a quem já o tinha, mas dar um título a quem não tinha.


Post Scriptum 1 – Sou Engenheiro Electrotécnico, formado numa das melhores escolas de engenharia do mundo, a FEUP. Tenho orgulho na minha licenciatura, na minha formação, na minha especialidade. Mas o meu nome é Luís. Compreendo que por vezes, por ser mais fácil, tratemos certas pessoas por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro”, também o faço. Mas não confundamos as coisas. O problema é que em muitos meios portugueses (especialmente na política) os títulos são abusivamente utilizados como uma maneira de as pessoas se superiorizarem às outras.

Post Scriptum 2 – Este é um tema que tenho abordado muitas vezes, quando se trata da política Tirsense. Em Santo Tirso, os políticos gostam muito dos seus títulos, porque os fazem sentir superiores ao próximo. Apesar de se conhecerem há anos, tratam-se uns aos outros, em público, por “Sr. Doutor” ou “Sr. Engenheiro” e assinam documentos com o título em prefixo/sufixo (ex. “António Alberto Castro Fernandes, Eng°.). Um conhecido vereador, candidato derrotado e ex-presidente do PSD até chegou a confessar em privado que iria tirar um curso nocturno num universidade privada, para poder subir na hierarquia do partido.


Ver para crer… José Salcedo sobre Responsabilidade

30/08/2013

Mais uma excelente aula dada por José António Salcedo. Neste caso num contexto diferente (a Univ. Verão do PSD) e sobre um tema diferente, a “Responsabilidade”.

O José António foi meu professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, leccionando a cadeira de “Ondas”. De longe o melhor professor que tive no meu curso.

Foi responsável pela minha melhor nota no curso, curiosamente numa cadeira que à partida me despertava pouco interesse. O que atesta sobre a sua capacidade como professor.

Muitos elogios já aqui lhe fiz. Até já sugeri o seu nome para Ministro de um Governo. Hoje sugiro apenas que vejam este vídeo na íntegra. Vale mesmo a pena.


Alunos mentecaptos a favor da greve

17/06/2013

Hoje, no Telejornal, ouvi um aluno de Braga dizer “Queríamos impedir os nossos colegas de fazer o exame. Tentamos ao máximo incomodar. Gritamos, cantamos, batemos às portas e às janelas, invadimos as salas. Depois fecharam-nos as portas e não nos deixaram entrar, o que não me parece que seja permitido“.

Este mentecapto, imbecil, mal educado e mal formado ao invés de ter tido os seus minutos de fama em horário nobre, deveria era ter uns pais que lhe assentassem umas lambadas bem dadas por ter feito semelhante figura triste na frente das câmaras de TV para o país inteiro ver.

Mas naturalmente que, muito pelo contrário, hoje quando chegar a casa terá o aplauso do seu pai e da sua mãe (ou dos dois pais ou duas mães, caso seja co-adoptado), que terão muito orgulho de contar no café e no trabalho o brilhante feito do seu filho, qual líder revolucionário do 12° A.

O que aquele idiota e os seus amigos néscios fizeram foi apenas e tão só um acto de vandalismo e selvajaria consequência de um enorme egoísmo e de falta de respeito pelos seus próprios colegas. O que ele acha perfeitamente legítimo. Já o facto de o impedirem, a ele não lhe “parece que seja permitido”.

O destaque dado a esta escola, onde falaram mais 2 ou 3 alunos – obviamente escolhidos a dedo para cumprir o objectivo da reportagem – e um professor sindicalista que nem sequer leccionava naquela escola, contrasta com muitas outras em que alunos condenaram a greve e os professores.


cc: Membros de todas as academias do país

09/11/2012

Algo a que já nos habituamos nos últimos tempos. Todos querem cortes na despesa do Estado desde que não seja no seu sector.

Hoje mais um exemplo, na Educação. O Jornal de Negócios publicou: Reitores: “Sem universidades, a soberania nacional ficará diminuída”.

A propósito disto José António Salcedo escreveu no seu Facebook:

Os Reitores afirmam que, com cortes orçamentais nas universidades, a soberania nacional ficará diminuída. Eu tenho outra opinião, e proponho que metade das instituições de Ensino Superior em Portugal sejam ou extintas ou estimuladas a fundir-se num prazo máximo de 12 meses. É que o actual corporativismo e miserabilismo (ausência de massa crítica com elevada qualidade) das instituições de Ensino Superior que temos, são factores importantes de diminuição da soberania nacional. Esses sim. E, já agora, os Reitores deveriam ser contratados por concurso público internacional, porque o actual modelo de gestão universitário (de que eles beneficiam) é medieval. Abram as janelas, senhores reitores, estimulem a excelência, internacionalizem as vossas escolas (atraindo professores e investigadores estrangeiros bons) e ganhem juízo“.

Não posso estar mais de acordo com este meu ex-professor (na altura, Catedrático) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.


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