A Capital do Império e quem a financia

01/09/2018

O costume.

Pagam todos os contribuintes Portugueses. Desde os provincianos do Minho, Norte e Trás-os-Montes, aos provincianos das Beiras, Alentejo e Algarve.

Os que têm empregos que pagam pouco, ou nenhum emprego mesmo. Os que ficaram sem urgências ou maternidades. Os que vêem os filhos terem de fazer uma hora de autocarro até à escola mais próxima.

Beneficiam os mesmos, os de Lesboa. Que na sua maioria, pelo simples facto de viverem na “capital do império” têm já por si várias benesses.

Os que têm empregos bem pagos e cheios de regalias, no sector público ou nas grandes empresas nacionais e multinacionais. Os que têm os melhores hospitais, escolas, lojas do cidadão e todos os serviços à porta de casa.

Os burlões que governam – e fazem parte da Cúpula de Lesboa – dizem que é um “problema central do país”. Porque o país é Lisboa e o resto é paisagem.

Têm a distinta lata de dizer que até sabem de uma “possível fonte de financiamento” como se essa fonte não fosse sempre a mesma – os impostos pagos pelos contribuintes.

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Google? Tive um déjà vu (PT/Sócrates/Bava)

25/01/2018

António Costa anunciou: a Google vem para Portugal, abrir um Centro de Serviços e Hub Tecnológico, que vai criar 500 empregos qualificados e servir Europa, o Médio Oriente e África.

Segundo o Primeiro-Ministro e o Partido Socialista, esta é uma enorme conquista. E o mérito é todo do Governo liderado por António Costa. Como não poderia deixar de ser, o investimento é na zona da grande Lisboa (Lagoas Park, Porto Salvo, Oeiras).

De repente tive um déjà vu… há não muitos anos atrás, o Primeiro-Ministro José Sócrates acompanhado pelo CEO da PT Zeinal Bava e o Presidente da Câmara de Santo Tirso Castro Fernandes, anunciavam a abertura de um Centro de Relacionamento e Apoio Técnico a Clientes no meu concelho.

O investimento iria criar 1.200 empregos qualificados, e o centro seria equipado com tecnologia de última geração. Castro Fernandes afirmou, na altura, “estes não serão empregos precários“.

A verdade é que passados estes anos sabemos que foi criado um Call-Centre com metade dos postos de trabalho anunciados, e que esses postos são tudo menos qualificados. Gente que conheço e trabalhou lá, diz mesmo que o emprego não só é precário como existem práticas inaceitáveis (ex. não permitir idas ao WC).

Portanto, vindo de Socialistas, mais vale não embandeirar em arco e esperar para ver, tal como São Tomé fez. A verdade é que o Centro de Serviços e Hub Tecnológico da Google, que vai criar 500 empregos qualificados, pode acabar por ser mais um Call-Centre onde se oferece emprego precário a recém-licenciados desempregados.

Para além disso, causa-me vergonha alheia ver o que a Reuter escreveuWe have invested strongly in education, we are highly language-proficient” and have a large pool of skilled engineers, Costa said in a slightly broken English, adding, with a smile, that he was an exception to the rule“.

Um Primeiro-Ministro que, não só se habituou a mentir (ou a ocultar our dizer meias-verdades), e que o faz sempre com um sorriso na cara – uma cara sem vergonha absolutamente nenhuma.

 


Este Governo é inaceitável

07/07/2013

Paulo Portas aproveitou-se da situação do país e usou-a para chantagear Pedro Passos Coelho. Resultou! Portas acabou numa posição ainda mais confortável e poderosa do que aquela que tinha quando se demitiu.

Na verdade, se Paulo Portas fica com a coordenação da política económica, da reforma do Estado e das negociações com a Troika, na realidade é ele quem ditará o rumo do Governo, e não o Primeiro-Ministro.

O cargo de Vice-Primeiro-Ministro é um cargo de enorme relevância e responsabilidade. E por isso deve ser ocupado por alguém com grande sentido de Estado, e da total confiança do Primeiro-Ministro.

Se dúvidas havia, o recente episódio demonstrou claramente que Pedro Passos Coelho não pode confiar em Paulo Portas, e que este não tem qualquer tipo de sentido de responsabilidade e muito menos de Estado.

Penso que faz sentido haver um Vice-Primeiro-Ministro em duas situações distintas: Num Governo constituído por dois partidos em coligação pré-eleitoral; Num governo constituído pelos dois maiores partidos.

De outra forma, admito que um Governo constituído por um só partido possa ter um Vice-Primeiro-Ministro no caso de o Primeiro-Ministro não ter o necessário peso político, e precise dessa figura para o apoiar.

Voltando à situação actual, creio que esta mudança no executivo é inaceitável. E tenho para mim que o Presidente da República não a devia aceitar. Por duas razões essenciais…

Primeiro porque resulta de uma inqualificável e irresponsável jogada táctica de Paulo Portas que tem por objectivo cumprir um sonho pessoal (que de outra forma sería inatingível) ser Primeiro-Ministro.

Segundo porque a mudança proposta desvirtua o resultado eleitoral das Legislativas 2011, onde claramente o povo português mandatou o PSD para dirigir o Governo do país, com apoio minoritário de outro partido.

Este Governo não é viável. Como também não o é qualquer Governo que integre uma coligação entre o PSD e o CDS, mas sem Paulo Portas e Passos Coelho. No caso de eleições, seria pior a emenda que o soneto.

Pelo que, nesta altura, e perante a gravíssima situação do país, parece-me que a única saída possível é um Governo de iniciativa Presidencial onde estejam representados PSD e PS (e quiçá CDS) respeitando o resultado das Legislativas 2011.


Um povo que não se governa nem se deixa governar

05/07/2013

Esta semana ficou provado novamente que em Portugal a política continua dominada pelo mero interesse pessoal e partidário. O interesse público, o interesse colectivo, o interesse nacional são de somenos importância. Basicamente: O país que se lixe, importante é eu/o meu partido estarmos por cima.

Não vale a pena tentar assacar responsabilidades a A ou a B. São todos, sem excepção, uma cambada de irresponsáveis! Partidos do Governo e partidos da Oposição. No entanto, no meio desta maralha, há quem seja estreante e há quem seja reincidente. Falo naturalmente de Paulo Portas, líder do CDS-PP.

Vou tocar neste ponto apenas porque tenho o CDS como partido essencial à democracia portuguesa (a história prova-o) e para dizer que o facto de o partido não ter conhecimento da decisão de Paulo Portas demonstra que ela foi pessoal (naturalmente com prioridade sobre o interesse nacional).

À excepção de um (que confirma a regra) todos os militantes do CDS que conheço ficaram calados durante 24 horas. Foram também apanhados de surpresa e custava-lhes assumir que o CDS é um partido de um homem só. Que o usa a seu bel-prazer, num desrespeito total pelos demais militantes e dirigentes.

A oposição também ficou estupefacta e, depois de Passos Coelho ter dito que não se demitia, sem saber o que fazer. Bradam agora ao PR. Ora, se PS, PCP e BE se juntarem ao CDS, conseguem demitir o Governo. Só têm de apresentar uma Moção de Censura na AR, e aprová-la. Não precisam de Cavaco Silva.

O problema é que, constitucionalmente, apenas o BE a pode apresentar, já que PCP e PS desbarataram a sua oportunidade de apresentar uma Moção de Censura em alturas em que tentavam “sobreviver” a circunstâncias conjunturais – no caso do PS, foi quando José Sócrates voltou de Paris para a RTP. Mais uma vez, o interesse pessoal/partidário.

Entretanto, do lado do PSD berra-se por Rui Rio. Quem até hoje preferiu os Relvas, os Isaltinos, os Ruas, e outros que tais, ao ver-se em risco de perder o controlo do Poder, vira-se agora, em desespero, para a única alternativa aparentemente viável. É tarde meus caros! É já muito tarde para isso.

Aliás, perante os acontecimentos dos últimos anos, está bom de ver que os portugueses não querem alguém como Rui Rio a liderar os destinos do país. Ele quereria – a bem ou a mal – reformar definitivamente o Estado, mudar o rumo do país e o paradigma da política em Portugal. E não é isso que se pretende.

O que se pretende é que tudo continue na mesma. Que o país continue a viver às custas do dinheiro dos parceiros da UE/Bancos, e que os “direitos adquiridos” – ainda que sem sentido ou insustentáveis – continuem a beneficiar os mesmos de sempre. Foi para isso se elegerem Guterres, Durões, Sócrates e outros que tais.

Entretanto continua a ladainha de que a culpa é dos políticos. As pessoas não conseguem (ou não querem) discernir que os políticos são o espelho do país, dos portugueses. Foram os portugueses que os escolheram e que os elegeram – ou deixaram outros eleger por eles. Não foi a Sra. Merkel nem o Sr. Barroso que os impuseram.

Os últimos anos também serviram bem para perceber que as reformas não se fazem por culpa da falta de coragem ou determinação dos políticos. Elas não se fazem porque o povo não quer (ou não deixa). Liderado por uma súcia de terroristas sociais, sai à rua assim que alguma medida de reforma é anunciada.

Nota: Este foi o meu último post no Nova Esperança. Felizmente a vida profissional e pessoal anda muito ocupada. Infelizmente o tempo para fazer tudo aquilo que desejava escasseia. Um agradecimento enorme ao Diogo Agostinho por me ter convidado para fazer parte daquele blogue, e agora me ter libertado.


O Governo tem que cair porque…

04/07/2013

Nos últimos tempos temos assistido a uma catadupa de razões apresentadas pela oposição para que o Governo caia. Todas as semanas aparece uma nova.

O Governo tem de cair porque…

– … está a aplicar o dobro da austeridade do MoU
– … já não tem o apoio do povo
– … o Ministro dos Assuntos Parlamentares se demitiu
– … o Ministro das Finanças se demitiu
– … o Ministro dos Negócios Estrangeiros se demitiu
– … está em causa o regular funcionamento das instituições

E mais hão-de aparecer. Eu ajudo e sugiro.

O Governo tem de cair porque…

– … a Assunção Cristas está grávida
– … o PSD e o CDS são partidos de Direita
– … o número de Ministros é 13
– … o Adolfo Mesquita Nunes usa lenço no bolso do casaco
– … o Pedro Lomba não faz a barba

Se precisarem de mais, eu poderei ser mais criativo… Ou então lembrem-se que em Portugal vigora um regime Democrático em que os Governos são eleitos pelo voto do povo, para mandados de 4 anos.


Sobre o trabalho do Governo, é bom recordar que…

24/02/2013

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na primeira vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em Manuela Ferreira Leite.

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na segunda vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em José Pedro Aguiar Branco.

Após ter tomado a liderança do partido Pedro Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva, conseguindo unir o partido e construir uma alternativa.

A construção dessa alternativa ficou demonstrada com a vitória nas Legislativas 2011, onde foi sufragado um programa de governo inovador.

A má imagem da política pedia um Governo forte e credível. A escolha dos Ministros provocou um sentimento agridoce (p.ex. Paulo Macedo vs Miguel Relvas).

A situação do país exigia a coragem e determinação que o Governo demonstrou em vários momentos. A situação dos portugueses exigia o bom senso que nem sempre esteve presente.

À oposição pedia-se responsabilidade, honestidade e sentido de Estado. O que ela tem oferecido é demagogia, populismo, eleitoralismo e descaramento.

É bom recordar que, apesar de tudo, bem ou mal, este Governo e este Primeiro-Ministro estão a tentar cumprir o programa de ajuda pedido e assinado pelo PS. Programa esse que pretende corrigir os erros de década e meia de “socialismo”.


Manual Vitor Gaspar para tótós

03/10/2012

É pá concordo convosco, o Vitor Gaspar é um chato. Tal e qual como o António Borges, tecnicamente é muito competente mas politicamente é um falhanço. Com estas comunicações ao país não contribui nada para a nossa felicidade, e além do mais o povo não consegue entender as contas.

Mas ainda bem que há pessoas como eu, que se prestam a explicar “tim-tim por tim-tim” o porquê das coisas. Ora vejamos, com estas medidas de austeridade o Estado pretende ir buscar 2.000 M€ para corrigir as contas públicas. Esses 2.000 M€ estão distribuídos da seguinte forma:

  • Expo-98: 2.000 M€
  • BPP: 450 M€
  • TGV: 300 M€
  • Fundações: 270 M€
  • Campus Justiça de Lisboa: 250 M€
  • Centro Cultural de Belém: 200 M€
  • Aeroporto Beja: 150 M€
  • Casa da Música: 110 M€
  • Estádios Euro-2004: 100 M€
  • Infra-estruturas Euro-2004: 80 M€

É pá espera lá! Já temos mais de 2.000 M€! O total já vai quase no dobro, 3.860 M€! E eu que ainda tinha aqui mais uns “pozinhos” para colocar, tipo Edifício Transparente do Porto (15 M€) ou a Auto-Estrada Lisboa-Porto paralela há A1.

Bem, está explicado. Perceberam agora?


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