Raríssimas. Esta gente não chega lá sozinha II

11/12/2017

Quando ontem escrevi que gente como Paula Costa “só chega a estas posições se for ajudada ou empurrada” e que chegando lá, só se mantêm, roubando cada vez mais, se outros forem incompetentes e irresponsáveis” estava longe de saber que o Ministro Vieira da Silva, o Secretário de Estado Manuel Delgado, ou a Deputada Sónia Fertuzinhos não eram os únicos políticos a chafurdar neste lamaçal.

Foi o artigo da Visão “Como a política, a banca e os negócios apadrinharam Paula, a Raríssima” que nomeou outros, da auto-denominada elite portuguesa. Entre eles vários políticos e ex-governantes. Leonor Beleza, Graça Carvalho, Maria de Belém ou Roberto Carneiro, todos eles ex-Ministors. Fernando Ulrich, Teresa Caeiro, Isabel Mota ou António Cunha Vaz.

Tudo gente que, repito, tinha obrigação de ter mais responsabilidade quando ajuda ou promove alguém. Quando se involve e aceita fazer parte de alguma coisa. Parece-me evidente que todos lá estiveram, ou ainda estão, porque fica bem, e não por se interessarem, o mínimo que seja, pela actividade da tal instituição. Como foi possível isto passar-se debaixo dos seus narizes?

Todos eles fizeram parte dos orgãos da instituição. Fosse no Conselho Consultivo ou na Assembleia Geral. Está bem à vista que apenas fizeram figura de corpo presente. Sendo incompetentes nas suas funções de fiscalização. Se tivessem o mínimo de vergonha, ou respeito pelo dinheiro dos contribuintes, viriam imediatamente a público retratar-se, pedir desculpa, e cooperar com a investigação em curso.

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Contorcionismo Político

15/08/2017

Li no Observador de hoje: “Miguel Albuquerque refere que a monitorização das árvores faz parte da área da autarquia e não do Governo Regional “Eu, como presidente do governo, assumo as minhas responsabilidades. Quem tem outras de jurisdição, tem as suas”.

Isto não soava tão mal se o Miguel Albuquerque não tivesse sido presidente da Câmara do Funchal durante quase 2 décadas! – entre 1994 e 2013.

Acho absolutamente incrível a forma como os actuais políticos da nossa praça se apressam a fugir às suas responsabilidades, políticas e de outra natureza.

Também acho muito curiosa a habilidade que todos eles demonstram a sacudir a água do capote, em exercícios de contorcionismo dignos do Cirque do Soleil.

Como o Miguel Albuquerque, outros (com o primeiro ministro António Costa à cabeça) foram politicamente responsáveis pela morte de 64 pessoas no Pedrogão, mas passados 2 meses sobre essa tragédia, não se vislumbra nem um pingo de vergonha, nenhum sinal de mea culpa, ou a mais pequena aceitação de responsabilidade.

Uma vergonha de país, este Portugal, governado por gente menor, a caminhar a passos largos para o abismo. E desta vez, sem retorno.


Cacique. Primeira razão pela qual Portugal está moribundo

21/07/2017

Alguns ainda se deixarão surpreender por notícias como a que o Observador (e bem) publicou hoje: Carrinhas, listas e cacicagem. Todos os detalhes da guerra pelo poder no PSD/Lisboa

Outros, já não só, não se deixam surpreender como admitem o cacique como práctica corrente e, ainda pior, como prática aceitável e incontornável.

Já muito escrevi neste blog sobre caciques. E sobre aqueles que o praticam. Nomeadamente no PSD Santo Tirso – que é o exemplo que conheço mais de perto.

Um exemplo foi o de Abril de 2014, onde num artigo para um jornal local escrevi que o PSD Santo Tirso teria sido “atacado por várias doenças” nomeadamente um “fatal Cancro do Cacique“.

Esta é, na minha opinião, a primeira razão pela qual Portugal está moribundo, e a caminho do abismo. Que acabará, mais tarde ou mais cedo, em forma de ditadura (comunista ou fascista).

E é, porque o estado do país se deve em muito à má estratégia, às más políticas, às más decisões, tomadas pelas pessoas que estão à frente do governo de Portugal.

Não só as que estão no Governo da República mas também aquelas que estão nos lugares de liderança de outros orgãos (políticos, empresariais, judiciais), nomeados pelos primeiros.

Esses que na esmagadora maioria dos casos, emergiram dos partidos políticos, nos quais a única forma de chegar às lideranças e lugares de decisão, parece ser o tal cacique.

Da maneira como os partidos estão organizados, são os tais que promovem e controlam os caciques, que decidem quem será o candidato à Junta, à Câmara, à Assembleia da República.

E serão depois os mesmos a decidir quem será o nomeado para a Direcção Geral, o Governos Civil, a CCDR, e muitas outras instituições e orgãos que governam o país.

A verdade é que não há cacique sem “carneiros”. Se quem promove e controla o cacique tem falta de carácter, o que dizer daqueles que se deixam levar em carrinhas para votar.

Esses são, para mim, tão maus ou piores. É preciso ser-se muito invertebrado para deixar que outros pensem pela sua própria cabeça. Para se vender por “um prato de lentilhas”.

Da mesma forma, aqueles que são coniventes com o cacique, ou que se aproveitam dele sem “sujarem” as mãos, são também gente muito pouco recomendável.

É também por isso que sempre defendi, que a responsabilidade do estado do país não é exclusiva dos políticos. Mas de todos os portugueses. Nomeadamente dos acima mencionados.

Mas também daqueles que se deixam vencer por estas práticas e estas pessoas. Aqueles que, ao saber do cacique, desistem de lutar e deixam a coisa acontecer. Também esses são culpados.

É por isso que, apesar de me doer muito, nunca deixei de me fazer ouvir, e de agir. Não só a nível nacional, mas acima de tudo na minha localidade, em Santo Tirso.

Candidatei-me várias vezes contra os caciques. Perdi sempre. Testemunhei os autocarros. Dei de caras com muitos “carneiros”. Provei a desfaçatez e falta de vergonha de quem promove e controla os caciques.

Tenho muita pena que o meu partido, o de Francisco Sá Carneiro, se tenha tornado nisto. E é por isso que não apoio candidatos que, tenho a certeza, sairam deste lamaçal.


Trump vs Obama – a opinião de um Cubano

27/04/2017

São 23:00 em Las Vegas, no estado de Nevada, Estados Unidos da América. Chamo um Uber para me levar ao hotel, e o Rodolfo aparece em 2 minutos. O Rodolfo é simpático, diz que nos vai levar pela “strip”, apesar de o GPS aconselhar a auto-estrada (interstate 15), porque afinal de contas estamos de visita e é sempre bonito ver as luzes e o buzz.

Depois de responder que somos de Portugal, devolvo a pergunta. O Rodolfo é cubano. Está nos EUA há 20 anos, e tem a mulher, filhos, irmãos e sobrinhos em Vegas. Pergunto se visitou Cuba desde que chegou aos EUA. Rodolfo diz que sim, um par de vezes. Mas que não quer voltar, nem gosta muito de lá ir.

Pede para não confundir. Diz que é um orgulhoso cubano, que Cuba é linda e que deviamos mesmo lá ir. A comida, as praias, o mar, as cidades. Diz que tudo é lindo e vale a pena visitar. Mas para viver… “Não sou comunista. O comunismo não é bom para as pessoas“.

A minha mulher pergunta então o que acha de Donald Trump e acho que ambos esperávamos uma onomatopeia e um torcer de nariz. Mas… “Trump has not messed with us. I have no complaint”… e mais “Obama was the one who passed a law which would not allow cubans from coming to the USA and stay“.


O feriado do 25 Abril é Arcaico, Obsoleto, Patético e Hipócrita

25/04/2017

Vou voltar a repetir o que já escrevi variadíssimas vezes, desde a criação deste blogue, a propósito do 25 de Abril.

Já passaram 43 anos desde o 25 de Abril de 1974, mas Portugal continua a ter um gigantesco lastro da revolução dos cravos, que impede o país de andar para a frente e se desenvolver. Uma âncora enorme e bem enterrada. Umas amarras ao passado que não permitem ao país conquistar o futuro.

No feriado do 25 de Abril o que se pode assinalar é apenas a conquista de um sistema eleitoral. Nada mais. Porque continuamos a não poder assinalar a conquista da verdadeira Democracia, da verdadeira Liberdade, da verdadeira Justiça Social.

E os maiores culpados disso são os arlequins que neste dia fazem a maior festa. Os políticos que durante o ano inteiro, na sua maioria, tratam das suas vidinhas. Na Assembleia da República, nas Câmaras Municipais, nas Assembleias de Freguesia. E que depois, neste dia, falam de grandes valores nas “casas da democracia”. As mesmas que servem para os seus negócios e jogos partidários.

E depois, todos os anos é a mesma conversa, quando se aproxima o feriado do 25 de Abril. Certos sectores querem apoderar-se da data e deixar o resto da sociedade portuguesa de fora, como se o tal “dia da Liberdade” fosse só deles. Como se fossem donos da tal Liberdade.

Ora, como bem disse a JSD há uns anos atrás “se a liberdade tivesse dono, era uma ditadura”. O feriado do 25 de Abril é um dia em que não se trabalha. Um dia em que basicamente se comemora a altura em que se começou a ter direito a tudo, sem ter de se fazer nada por isso.

O Luís Cirílo, no seu blogue Depois Falamos, foi assertivo há uns anos atrás, num post sobre o tema. Um país que não celebra a conquista da sua própria independência (24 Junho 1128) e que deixou de celebrar a sua própria reconquista (1 Dezembro 1640), continua agarrado àquilo que foi apenas uma saudável mudança de regime, e que é agora, claramente, uma pedra na engrenagem.

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional e acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Mais, este permanente saudosismo é patético e hipócrita.


Portugal ainda não bateu no fundo

16/02/2017

É verdade que José Miguel Júdice – um dos que toda a vida comeu da gamela do Estado, e cujo escritório de advogados foi muito provavelmente dos que fez (e faz) leis à medida – disse em directo na TVI que…

“A mentira, na Política, é inevitável. Sejamos sérios.”

… mas alto, que ainda falta muita merda para chegarmos ao actual estado da Venezuela. Esta gente ainda está a aquecer.


Os Boys… tal e qual

15/12/2016

Recentemente tropecei, literalmente, na série Os Boys da RTP. Vi o primeiro episódio e fiquei vidrado.

Durante duas semanas vi um episódio por dia. A série tem apenas 13 episódios ao todo e está na RTP Play.

Vou escusar-me de qualquer comentário para evitar algum spoiler. Recomendo ver para crer.

Tenho alguns amigos e muitos conhecidos na política. Reconheço que nem todos são iguais ou maus.

Mas que me perdoem. Esta série pretende ser uma sátira, mas a verdade é que a realidade é tal e qual.

Infelizmente…

 


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