Aeroporto? Os provincianos pagam

10/01/2019

Pouca gente tem noção da dificuldade que é viajar, em transportes públicos, entre as cidades da região assinalada no mapa.

Por exemplo, uma viagem de comboio entre Santo Tirso e Viana do Castelo, tem no mínimo 2 trocas (Lousado e Nine) e demora entre 2 horas e 3 horas.

Isto significa que um Tirsense que tenha de ir a Viana em trabalho ou passeio demora entre 3 a 4 horas para chegar ao seu destino, mais 3 ou 4 horas para voltar!

Um dia inteiro em viagem, para ir a uma cidade que fica a 75 km de distância. Naturalmente que isto só é comparável com países de terceiro mundo.

Note-se que a região assinalada no mapa é uma das mais populosas, e que em tempos foi O MOTOR do país – com a forte indústria que lá nasceu, criada pelas suas gentes – gerando muita da riqueza criada em Portugal.

Uma das razões pela qual essa mesma indústria começou a desaparecer, e a região começou a empobrecer, foi o centralismo. Que desinvestiu nela, e a deixou ao abandono.

Mas na verdade, quem é que se interessa pelas necessidades e bem estar das gentes de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Verde, Braga, Guimarães (o berço da Nação!), Santo Tirso, Trofa, Esposende, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, etc.?

Vamos investir na capital do império! E construir mais um aeroporto na região de Lesboa! Os provincianos pagam!

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Centeno, o Ministro que não sabe, não leu e não fez

03/01/2019

Mário Centeno foi escolhido como o “ministro das Finanças do ano” pela publicação The Banker, que pertence ao Financial Times.

Tenho particular apreço por pessoas que são agraciadas com este tipo de prémios. Tenho ainda mais admiração por aquelas pessoas que os atribuem. E tenho infinita reverência pelos lorpas que acreditam nelas – em particular a comunicação dita social portuguesa.

É que em termos de Finanças, em Portugal, as contas pelas quais Mário Centeno é responsável, são fáceis de fazer. Bem como os diagnósticos e as consequências. Como bem explica Helena Garrido, no Observador de hoje.

Deixo apenas um excerto: “Um país que deve mais de 700 mil milhões de euros paga por cada um por cento de juros sete mil milhões de euros por ano. Um crescimento de 3% para um PIB da ordem dos 200 mil milhões de euros dá seis mil milhões de euros. Não crescemos o suficiente sequer para pagar os juros da dívida”.

Só alguém muito ingénuo pode pensar que o “fim” de Mário Centeno não será o mesmo de outras, muito recentes, personalidades da elite portuguesa. De repente vem-me á cabeça Zeinal Bava.

> 2010 – Zeinal Bava eleito o melhor CEO da Europa
> 2011 – Zeinal Bava eleito melhor CEO do sector na Europa
> 2013 – Zeinal Bava reconhecido como melhor CEO da Europa
> 2013 – Zeinal Bava sai da presidência da PT para a brasileira Oi
> 2014 – Zeinal Bava oficializa saída da PT Portugal
> 2015 – Zeinal Bava, o CEO que não sabe, não leu e não fez
> 2017 – Zeinal Bava, o gestor mais premiado de sempre diz que foi “traído”


Reforma do sistema político e eleitoral

23/12/2018

Recebi o email abaixo, enviado pelo PSD. Aplaudo o facto de o meu partido ter gente sem medo de afrontar o status quo, e com vontade de construir uma democracia mais forte. Ciente que sem essa mudança, o regime existente se irá esgotar, correndo mesmo o perigo de se transformar numa qualquer ditadura (de esquerda ou direita). Para este combate o PSD tem todo o meu apoio.

Nos últimos 25 anos, a degradação da confiança dos cidadãos nos órgãos de soberania e nos partidos políticos acentuou-se de forma preocupante, conduzindo a uma profunda erosão da credibilidade das instituições e dos partidos políticos. Tem para isso contribuído não só a forma desajustada como os partidos políticos se organizam e funcionam fechados sobre si próprios, mas também um sistema eleitoral que não privilegia a ligação efetiva entre eleitos e eleitores, e um sistema político extraordinariamente opaco e pouco transparente. 

Os partidos políticos, em particular, enfrentam atualmente uma tremenda incapacidade de dialogarem e de envolverem os cidadãos na sua intervenção e na definição da sua mensagem.

A forma como os partidos políticos se encontram atualmente estruturados remonta a um modelo típico do início do século XX, que se encontra totalmente desajustado da nossa realidade social e política. A revolução digital em curso produziu uma verdadeira rutura no modo como tradicionalmente as organizações se estruturam e como as relações sociais e políticas se estabelecem, persistindo os partidos políticos ignorando as consequências dessas transformações. 

O surgimento, um pouco por toda a Europa, de novos partidos políticos resulta, em certa medida, justamente, da dificuldade demonstrada pelos partidos tradicionais em se adaptarem às exigências e expectativas dos cidadãos. O ressurgimento dos nacionalismos, o reforço de relevância eleitoral e social de movimentos racistas e xenófobos na Europa e a aparente falência do multilateralismo são fenómenos aos quais não podemos ficar indiferentes e que resultam da desadequação das respostas que os sistemas políticos e os partidos políticos tradicionais têm oferecido aos cidadãos.

Neste contexto, é essencial que se proceda à reformulação dos processos organizativos internos dos partidos e dos mecanismos de participação nas decisões políticas, tornando-os atrativos aos cidadãos. A modernização dos partidos políticos é uma necessidade de regime de que depende a qualidade da nossa democracia. 

Mas é igualmente determinante desenvolver-se o caminho necessário para a introdução de uma urgente reforma da lei eleitoral, de forma a potenciar a aproximação entre os eleitos e os eleitores, aprofundando, assim, a responsabilidade daqueles perante estes. Como se demonstra também central que se repense a arquitetura do sistema político, introduzindo mecanismos de maior transparência no processo de decisão público, envolvendo os cidadãos na gestão dos assuntos públicos, não deixando de introduzir maior transparência no processo decisório dos órgãos de soberania. 

As reestruturações do sistema eleitoral e do sistema político são, assim, reformas urgentes para a credibilização do sistema democrático e das suas instituições. 

O PSD, consciente da necessidade de contribuir para o reforço da qualidade da nossa democracia e ciente da sua responsabilidade no contributo que deve dar para a reforma do sistema político, à reforma do sistema eleitoral e à reforma do funcionamento dos partidos políticos, promoverá, por decisão do Presidente do Partido, Dr. Rui Rio, um conjunto de iniciativas envolvendo as universidades, associações cívicas, os órgãos do partido e todos os militantes, com o propósito de apresentar propostas nesses domínios. 

Este é o tempo de o PSD liderar este debate e apontar caminhos para reformas que são absolutamente urgentes. Não só porque, em nome da transparência, devemos submeter as nossas propostas ao escrutínio dos eleitores nas próximas eleições legislativas, mas também porque delas depende a saúde e o equilíbrio do nosso sistema democrático. Continuar a ignorar a necessidade de liderarmos este debate significa pactuarmos com a persistente erosão da credibilidade das instituições democráticas e do progressivo afastamento dos cidadãos do sistema político.

Mas esta tarefa exige o empenho e envolvimento de todos os militantes e cidadãos preocupados com o nosso sistema democrático. Assim, queremos contar com o seu entusiasmo, o seu empenho e a sua disponibilidade neste desafio que temos pela frente. Envie-nos os seus contributos, as suas reflexões e as suas preocupações e, juntos, vamos construir o PSD 4.0 – O Partido dos Portugueses!

Pedro Rodrigues

Coordenador da Comissão para a Reforma do Sistema Político, Sistema Eleitoral e do PSD 


Conforta-me saber que não votei nele

01/08/2018

“Cientistas portugueses poderão ter encontrado uma cura para o cancro”

“A portuguesa que ajudou a descobrir o que pode ser a cura para o cancro”

“Investigadora portuguesa descobriu mecanismo que poderá ajudar no tratamento do cancro ou da doença de Alzheimer”

É só fazer uma pesquisa no Google para se encontrar uma enorme quantidade de notícias parecidas com estas, nos últimos anos.

Notícias essas, que merecem zero destaque na comunicação “dita” social, ou na opinião publicada.

E é também por essa razão, que não vemos o Presidente da República (e demais políticos) receber, homenagear, publicar mensagens ou simplesmente twittar sobre estes – os verdadeiros heróis.

A “bola” isso sim, é a única coisa neste país – pequeno, tacanho, moribundo e infeliz – que conta.

Roubos em tancos? O Presidente é o Chefe Supremo das Forças Armadas? Eh pá, não incomodem com coisas menores.

Marcelo é uma enorme desilusão como Presidente, e até com político. Mas pelo contrário, sente-se que a maioria do país o adora.

Enfim… conforta-me apenas saber que não votei nele – nem agora, nem no passado (para qualquer cargo) e, muito provavelmente, nem no futuro.


A Carta de Cavaco e Eurico em 1982

15/04/2018

Em 1982, Pinto Balsemão liderava o Governo de Portugal. A Aliança Democrática distribuiu 10 pastas ministeriais ao PSD, 8 pastas ao CDS, 1 pasta ao PPM e 3 pastas a independentes.

Estes eram alguns dos nomes mais conhecidos do Governo:

  • Freitas do Amaral, Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa
  • Gonçalo Ribeiro Telles, Ministro de Estado e da Qualidade de Vida
  • João Salgueiro, Ministro das Finanças
  • Ângelo Correia, Ministro da Administração Interna
  • Basílio Horta, Ministro da Agricultura, Comércio e Pescas
  • Francisco Lucas Pires, Ministro da Cultura e Coordenação Científica

Dois anos passados sobre a morte de Francisco Sá Carneiro – que abriu a porta à chefia do Governo a Pinto Balsemão – o país passava por uma altura difícil, e o Governo não parecia capaz de “dar conta do recado”.

Cavaco Silva tinha sido Ministro das Finanças e do Plano de Sá Carneiro. O meu avô, Eurico de Melo era na altura Ministro da Administração Interna. Ambos muito próximos do líder do partido, da sua visão, e das suas ideias.

Descontentes com o status quo, escreveram uma carta aberta (clicar no link para abrir ou descarregar), em Julho de 1982. O Governo caíria em Junho de 1983, com a demissão de Pinto Balsemão. Seguir-se-ia um desastroso Governo do Bloco Central, liderado por Mário Soares.

Em Novembro de 1985, Cavaco Silva e o PSD vencem, sozinhos, as eleições legislativas, e ficam no Governo até 1995. Pelo caminho obtiveram duas maiorias absolutas. O meu avô esteve no Governo até 1990. Primeiro como Ministro de Estado e da Administração Interna, depois como Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa.


Boas Festas da Senhora Deputada

01/01/2018

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Um dos maiores problemas de Portugal está, na minha opinião, na frequência da Assembleia da República.

A começar pelo seu presidente, Eduardo Ferro Rodrigues, que por diversas vezes, ao longo da sua carreira política, demonstrou falta de integridade, competência ou dignidade, para ocupar tão alto cargo – segundo na hierarquia da República Portuguesa.

Mas principalmente nos deputados, que salvo raríssimas excepções (para as quais este escrito é injusto), demonstram todos os dias sofrer do mesmo mal. Falta de integridade, competência ou dignidade para ocupar tão importante lugar e desempenhar tal função.

A recente polémica da Lei do Financiamento dos Partidos é apenas mais uma prova disso mesmo. De que a Assembleia da República é mal frequentada. Por pessoas que não têm sentido de missão ou de responsabilidade, não têm honra ou brio, não têm respeito ou vergonha.

Sim, sei que foram eleitos, e ainda bem que assim foi. Sou um acérrimo defensor da democracia representativa e participativa. Infelizmente, por razões que não vale a pena dissecar neste post os Portugueses conseguiram eleger para seus representantes o pior que a sociedade tinha para oferecer.

A fotografia acima é apenas mais uma, muito pequena, prova. Andreia Neto, minha conterrânea, deputada do PSD eleita pelo círculo do Porto (não por mérito mas para cumprir a Lei da Paridade nas listas) enviou para minha casa dois postais de “Boas Festas”.

Uma hipocrisia. Andreia Neto tem liderado um cacique no PSD Santo Tirso, que tem por único objectivo servir-se do partido e dos lugares que consegue para proveito próprio. Eu tenho sido um dos maiores críticos da sua acção política. Como fracos políticos profissionais Andreia e o seu cacique levam as coisas para o campo pessoal.

No entanto Andreia envia não um, mas dois postais, e atreve-se a assinar “com amizade“. Quando sabe perfeitamente que nunca fomos, nem somos, amigos – independentemente da vida partidária ou diferenças políticas. Quando ela sabe, que eu sei, que estes postais não são de todo sinceros.

Um desperdício. De papel e de dinheiro dos contribuintes. Se Andreia Neto, os seus colegas deputados, ou a Assembleia da República tivessem um mínimo de respeito pelos Portugueses (e já agora pelo ambiente) enviavam um email (estamos no séc. XXI) que não tinha custos ou, no limite, uma carta por agregado familiar.

Pus-me a pensar. Será que todos os 230 deputados enviaram estes postais de “Boas Festas”, em duplicado ou triplicado, para todos os Portugueses? Para todos os eleitores? Para um grupo restrito de pessoas que alguém, por eles, escolheu? Quantos postais e envelopes? Milhões? Centenas de milhar? Dezenas de milhar? Milhares? Quanto custou?

A verdade é que estas coisas, por pequenas (postais de “Boas Festas”) ou grandes (Lei do Financiamento dos Partidos) que sejam, nem sequer lhes passam pela cabeça. Porque na sua maioria sofrem de Dunning-Kruger Effect, e o poder sobe-lhes à cabeça de tal maneira que pensam que são iluminados ou enviados. Que podem dizer e fazer tudo. Sem nunca se questionar a si próprios, quanto mais serem questionados – os donos deste país.


Raríssimas. Esta gente não chega lá sozinha II

11/12/2017

Quando ontem escrevi que gente como Paula Costa “só chega a estas posições se for ajudada ou empurrada” e que chegando lá, só se mantêm, roubando cada vez mais, se outros forem incompetentes e irresponsáveis” estava longe de saber que o Ministro Vieira da Silva, o Secretário de Estado Manuel Delgado, ou a Deputada Sónia Fertuzinhos não eram os únicos políticos a chafurdar neste lamaçal.

Foi o artigo da Visão “Como a política, a banca e os negócios apadrinharam Paula, a Raríssima” que nomeou outros, da auto-denominada elite portuguesa. Entre eles vários políticos e ex-governantes. Leonor Beleza, Graça Carvalho, Maria de Belém ou Roberto Carneiro, todos eles ex-Ministors. Fernando Ulrich, Teresa Caeiro, Isabel Mota ou António Cunha Vaz.

Tudo gente que, repito, tinha obrigação de ter mais responsabilidade quando ajuda ou promove alguém. Quando se involve e aceita fazer parte de alguma coisa. Parece-me evidente que todos lá estiveram, ou ainda estão, porque fica bem, e não por se interessarem, o mínimo que seja, pela actividade da tal instituição. Como foi possível isto passar-se debaixo dos seus narizes?

Todos eles fizeram parte dos orgãos da instituição. Fosse no Conselho Consultivo ou na Assembleia Geral. Está bem à vista que apenas fizeram figura de corpo presente. Sendo incompetentes nas suas funções de fiscalização. Se tivessem o mínimo de vergonha, ou respeito pelo dinheiro dos contribuintes, viriam imediatamente a público retratar-se, pedir desculpa, e cooperar com a investigação em curso.


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