O porquê das (pelo menos) 17 derrotas do PSD Santo Tirso

28/02/2015

Artigo de opinião que escrevi para a edição de Fevereiro 2015 do jornal Notícias de Santo Tirso.

Desde 1998, ano em que a Trofa se separou de Santo Tirso e se tornou concelho, o PSD Santo Tirso averbou 12 derrotas eleitorais. Sim, uma dúzia! A saber…

01 – Legislativas 1999

02 – Autárquicas 2001

03 – Legislativas 2002

04 – Europeias 2004

05 – Legislativas 2005

06 – Autárquicas 2005

07 – Europeias 2009

08 – Legislativas 2009

09 – Autárquicas 2009

10 – Legislativas 2011

11 – Autárquicas 2013

12 – Europeias 2014

A estas podemos juntar mais 5 derrotas em eleições Autárquicas entre 1982 e 1997. O que dá, em termos locais, um total de 9 derrotas. E a caminho vem a 10ª. A continuar assim, disso não tenhamos dúvidas.

Foram derrotados candidatos de todos os tipos, de todos os perfis, de todas as profissões. Candidatos mais e menos experientes, mais e menos competentes, mais e menos preparados. O PSD Santo Tirso foi derrotado em alturas em que, a nível Nacional, o partido estava na mó de baixo, em alturas em que estava taco-a-taco com o PS, e mesmo em alturas em que o PSD estava na mó de cima. E ainda que o adversário tenha sido sempre o mesmo (o PS Santo Tirso de Couto e Fernandes), o PSD Santo Tirso nunca conseguiu vencer.

A constatação destes factos pode levar a concluir que, se a responsabilidade maior nas derrotas não foi dos candidatos, nem das conjunturas políticas, então só pode ter sido da estratégia. Estratégia essa que tem sido sempre deliniada pela Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Estratégia essa que, do meu ponto de vista, tem 3 dimensões chave.

Táctica: Maquiavel dizia que há duas formas de fazer política. Dizer bem de si próprio ou, se não o puder fazer, dizer mal do adversário. O PSD Santo Tirso nunca conseguiu a primeira. Nunca teve pensamento, programa ou projecto político para apresentar. Daí que há mais de 30 anos tenha escolhido atacar o adversário. Esta táctica é ainda mais evidente nos últimos anos em que o ataque pessoal e político (a Fernandes ou Couto) é constante, não se conhecendo uma única ideia ao PSD Santo Tirso. Limita-se a criticar, atacar ou ser contra o que quer que seja que o PS apresente.

Equipa: Nenhum homem ou mulher, por mais capaz que seja, consegue vencer uma batalha sozinho. Seja essa uma batalha militar, desportiva, política ou outra. Houve alturas em que o PSD Santo Tirso teve bons cabeças de lista (ex: David Assoreira ou João Abreu) mas não soube escolher equipas à altura. Tudo porque quem domina o partido a nível local sempre exigiu lugares para si e para os seus amigos, esquecendo que para vencer um campeonato não é suficiente ter apenas um bom avançado mas é preciso também bons guarda-redes, defesas e médios (bem como um bom treinador).

Propósito: Política vem do grego “politikos” e significa “de, para, ou relacionado com os cidadãos”. Ou seja, os políticos só devem ter um propósito que é o bem comum. Aquilo que se deve pretender alcançar é o interesse geral. A verdade é que no PSD Santo Tirso a finalidade foi, tem sido, e continua a ser o interesse pessoal. Quem lidera o PSD Santo Tirso continua a colocar o seu interesse pessoal à frente do interesse geral, na procura de um qualquer lugar que lhe traga, acima de tudo, o dinheiro e o poder que lhe garanta o bem estar pessoal e dos que o rodeiam.

Ou seja, o PSD Santo Tirso tem sido derrotado dezenas de vezes por causa da estratégia seguida pelas suas Comissões Políticas. Não adianta mudar-se o candidato ou esperar-se por uma conjuntura política favorável. O que é preciso é mesmo mudar o perfil e a acção da Comissão Política Concelhia. A consequência disso será a alteração na estratégia, nas probabilidades de vencer e, finalmente, na mudança que se exige para Santo Tirso e para os Tirsenses.

Conclusão: O momento mais importante para a vitória do PSD em Santo Tirso nas próximas eleições Autárquicas não é Outubro 2017 ou sequer uns meses antes na escolha do candidato. O momento chave é agora! Os simpatizantes e militantes do partido (activos, menos activos e inactivos) não podem adiar mais ou esperar que apareça alguém que puxe por eles. Se querem a mudança têm de se mobilizar (aos próprios e uns aos outros) de maneira a criar condições para que, nas próximas eleições internas, haja uma alternativa ao status quo. A responsabilidade é de todos e cada um.


Governar, à lá António Costa

15/02/2015

Nos últimos tempos tem ficado bem patente a forma de Governo de António Costa…

  1. Benefeciar os que mais podem: Câmara de Lisboa perdoa 1,8 milhões de euros ao Benfica
  2. Discriminar os que menos podem: Veículos anteriores a 2000 proibidos de circular na Baixa de Lisboa
  3. Governar sem transparência: António Costa recusa mostrar relatório sobre obras em Lisboa

… mas ainda há muito boa gente a pensar votar no alcaide de Lisboa.


Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

07/12/2014

Em Portugal é tradição beatificar qualquer figura pública que morra. Pode, em vida, ter sido o pior exemplo do ser humano, o mais arrogante, o maior corrupto, etc. Mas a partir do momento que morre, passa automaticamente a ser a melhor pessoa do mundo. E criticá-lo é blasfémia. Assim sendo, vou aproveitar que Mário Soares ainda está vivo para escrever este texto.

Respeitava muito Mário Soares pelo papel que, bem ou mal, desempenhou na construção da democracia portuguesa. No entanto, ao contrário de outros, nunca lhe coloquei o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes (a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre muitos outros), mas esteve longe de ser o principal ou único responsável.

Em 1996, Mário Soares terminou o seu segundo mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Na altura achei bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos parecia ter tomado a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de Ministro, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Deputado Europeu. Retirava-se um homem que teria contribuido imenso para a construção do país.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve, deveria ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar da política e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande.

Infelizmente, para ele e para os portugueses, Mário Soares não soube, não quis, ou não pôde sair. E os últimos anos – marcados pela avançada idade – foram catastróficos. Várias vezes me perguntei se ele não teria filhos em casa que lhe pedissem para se abster. Depois pensei melhor e realizei que, sem o papá na ribalta, os filhos seriam ninguém.

E também não é menos verdade que o PS nunca se conseguiu libertar das amarras e da teia (o termo é apropriado) de Mário Soares. Sempre fez o que quis. Até considerar Sócrates “o pior do guterrismo” e depois dizer que foi “um Primeiro-Ministro exemplar”. Deixou a liderança do PS em 1986, mas desde aí liderou sempre oficiosamente. Manietando Almeida Santos, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, AJ Seguro e, mesmo com 90 anos, António Costa.

A re-candidatura à Presidência da República em 2006 foi só o início da desgraça política Soarista dos últimos anos, marcada por falta de memória, discernimento, bom senso, prudência, sentido de Estado, responsabilidade, ou mesmo, e muitas vezes, vergonha na cara. Basta lembrar as críticas que fez a Passos Coelho e ao Governo PSD/CDS por estes cumprirem o MoU.

Mário Soares acusou o Governo e o Primeiro-Ministro de estarem demasiado presos ao acordo da Troika, esquecendo-se que, como disse Camilo Lourenço “não houve período em que Portugal tenha sido mais subserviente para com o FMI do que em 83-85, quando Soares, então primeiro-ministro, recorreu a ajuda externa”.

Isto, depois de em Fevereiro 2012 se ter vangloriado de forçar José Sócrates a pedir apoio ao FMI. “Tive uma discussão com ele gravíssima, porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido”.

Escusado será dizer que meses mais tarde, em Maio 2012, a opinião mudava outra vez. Soares dizia que o MoU tinha sido assinado por José Sócrates (como se o PM não estivesse a assinar o MoU em nome do país) e nessa medida o PS teria sido obrigado a aceitá-lo. Mas com a eleição de Hollande e AJ Seguro (note-se onde estes já vão) o “mundo mudou” e portanto a obrigação de cumprir o MoU teria chegado ao fim.

Mas há mais. Em Junho 2013, num comício organizado pela esquerda-caviar de Lisboa, juntamente com muitos bloquistas e afins, Mário Soares para além de quebrar todas as regras da ética e da democracia, quebra também o artigo 46º da Constituição, apelando à revolta popular e à violência para destituir o Governo PSD/CDS eleito com maioria apenas dois anos antes.

Por falar em regras democráticas, lembrar também como, no dia das eleições Autárquicas 2005, ao lado da mesa de voto, Soares apelou ao voto no seu filho. Violando portanto o artigo 177º da Lei Eleitoral, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto. Violação essa que é punida com pena de prisão até 6 meses. Isto depois de ter feito o mesmo nas eleições Legislativas.

Mais inofensivos, mas ainda assim graves, foram outros episódios. Alguns bem recentes. Como o da multa por excesso de velocidade que o levou a dizer ao polícia “o Estado é que vai pagar a multa”; o do encontro com Isaltino Morais, depois de este ter sido condenado a prisão, onde o caracterizou como “um grande presidente de câmara, que foi injustiçado“.

Muitos pensarão que estes episódios e histórias são fruto da idade avançada. Que Mário Soares está, como muitos (incluindo eu) já disseram, chéché. A verdade é que basta recordar tudo o que Soares, sua família e amigos, fizeram para rapidamente se concluir que nada disto é por acaso, e que estamos na presença de um mau exemplo de homem e político.

Durante o Estado Novo, enquanto outros lutavam contra o regime, e pela democracia, em Portugal, Soares exilou-se em Paris, frequentando hóteis e restaurantes de luxo à custa não se sabe bem de quem (onde é que eu já vi isto?). Voltou como herói depois do 25 Abril 74 e tomou conta da ocorrência, sendo um dos responsáveis pelo processo de descolonização, durante o qual o filho João Soares quase morre, num avião cheio de diamantes.

Depois de duas passagens pela liderança do Governo, marcadas pelo fracasso e pela vinda do FMI para salvar Portugal, candidatou-se a Presidente da República e depois de vencer as eleições, fundou a Emaudio onde os seus testas de ferro geriram vários negócios milionários pouco transparantes, como por exemplo o do aeroporto de Macau. Onde estava envolvido o Governador de Macau, Carlos Melancia, nomeado por Soares.

Depois da Emaudio lhe ter financiado a re-candidatura presidencial em 1991, foi a Fundação que lhe financiou a vida pós-presidencial, e para a qual levou valiosos documentos e presentes que recebeu oficialmente enquanto Presidente, e que deveriam ter ficado na Presidência. Isto depois de ter dado o equivalente a 22 voltas ao mundo como Chefe de Estado, batendo recordes de visitas.

Como ex-Presidente, para além de todas as mordomias a que tem direito por lei (carro, motorista, reforma milionária, escritório) continuou a receber subvenções e subsídios de milhões, através da Fundação (à qual não se conhece nenhuma função) oferecidos pelos seu filho e seus companheiros de partido no Governo, na CM Lisboa e até mesmo na CM Leiria.

Fundação essa que foi construída num lugar nobre de Lisboa (em frente à Assembleia da República) violando o PDM, e depois de o IGAT ter anulado a licença de obra. Curiosamente o relatório do IGAT e demais documentos sobre o assunto desapareram da CM Lisboa quando o PS (incluindo o filho João Soares) a lideraram.

E ai de quem se atrevesse a tocar nestes assuntos. José António Cerejo (no jornal Público, liderado por José Manuel Fernandes) foi silenciado depois de ter começado a investigar. Joaquim Vieira (na revista Grande Reportagem, detida pela Controlinveste) foi despedido depois de ter feito uma reportagem sobre o livro de Rui Mateus.

Resumindo e concluindo, beatifiquem quem quiserem. Ainda em vida, ou depois de morto. A verdade é que Mário Soares fez muito mais mal do que bem. Ou melhor, o mal que fez, apagou o bem que terá feito. Mas o país que santifica políticos como este, merece ser liderado por eles. Até ao fim da IIIª República.


Costa e a Comunicação “dita” Social

25/10/2014

Durante os próximo 12 meses, e até às eleições, muito se revelará. Alguns políticos que até agora andaram protegidos pela sombra vão agora ter de andar ao sol. Mas há mais quem vá ter de se queimar… a comunicação “dita” social.

Todos sabemos que, para a comunicação “dita” social, o que é novo é bom. Por isso mesmo, por ser novidade. É notícia, e vende. Mas ainda é melhor se for de esquerda (o quadrante político preferido das redacções portuguesas).

Não é novidade que António Costa sempre teve boa imprensa. Porquê? Não sei. Talvez porque faz parte da corte de “Lesboa”, porque tinha uma irmão influente no sector, ou porque não se pode criticar um “escurinho” correndo o risco de se ser confundido com racista.

A verdade é que António Costa é dos políticos menos coerentes da praça. E a razão é só uma. Ele não tem uma ideia, uma convicção, um ideal. É daqueles que vai conforme o vento (leia-se, opinião pública). Só diz o que é políticamente correcto, popular e circunstâncial.

Ora isso seria uma galinha dos ovos de ouro para a comunicação “dita” social portuguesa. Nos próximos 12 meses teria infinito material para ir buscar ao passado recente, e comparar com o que António Costa diz agora que é candidato a PM.

Aguardo com curiosidade e serenidade. É que para mim, também a comunicação “dita” social portuguesa se vai revelar (pelo menos para aqueles que ainda julgam que ela é imparcial e independente).


João, agora aguenta-te à bronca

11/09/2014

Conheço o João Lemos Esteves há uns anos. Apreciei os seus primeiros posts no Psicolaranja, mas rapidamente o seu estilo e opiniões se afastaram daquilo que advogo. A saída do Psicolaranja fê-lo começar uma carreira de blogger “a solo”, que teve como ponto alto a publicação de uns vídeos no YouTube, onde o João imitava (e bem) o estilo do seu “herói” (e sua referência política), Marcelo Rebelo de Sousa. Algo que foi até mencionado e mostrado por Pacheco Pereira (outro do mesmo estilo) no seu programa da SIC Notícias, Ponto Contraponto.

A sua proximidade ao Professor Marcelo, e os conhecimentos e diligências deste, foi o que levou o João a conquistar espaço num blog no Expresso online, o Políticoesfera, que se estendeu depois a um espaço de comentário num programa da SIC Radical (onde mais uma vez dava notas, imitando o Professor) e agora um espaço de opinião no SOL online. Esta é a minha opinião, mas admito poder estar errado, e o João ter sido capaz de ter estes “palcos” por mérito próprio.

O que sinceramente eu acho duvidoso. A forma como o João escreve, e o que ele escreve, não se adequa aos cenários, está invariavelmente fora de tom, contém várias imprecisões (para não dizer erros, propositados ou não, de julgamento) e tem, como é apontado neste post, muitos erros de ortografia e de sintaxe – o que, na verdade, pouco admira nestes dias em que tanta gente (jornalistas e opinion makers incluídos) escreve horrivelmente.

Há muito que deixei de ler os textos do João. Desde os tempos em que ainda escrevia no Expresso. E dei-lhe conta disso. O seu ódio a certas pessoas (principalmente as do PSD que não alinham com Marcelo Rebelo de Sousa) tolda-lhe a visão e o julgamento. Os seus artigos de opinião estão cheios de demagogia e politica pequena. Faz acusações sem fundamento e sem sentido. De tal maneira que acaba por caír no ridículo. Aliás, o seu estilo hoje aproxima-se mais de Pacheco Pereira do que de Marcelo Rebelo de Sousa.

A melhor demonstração disso foi quando, em pleno programa da SIC Radical (o tal em que comentava semanalmente) o Prof. Marcelo (na altura convidado do programa, para delírio do João) lhe disse, ele próprio e cara a cara, que o João se devia acalmar e levar as coisas mais “numa boa”, e não estar sempre a dizer mal de tudo e de todos só “porque sim”. Para além de que gozou com o facto de o João estar sempre a imitá-lo.

Numa ou duas ocasiões dei-me ao trabalho de expressar ao João a minha opinião sobre o que ele escrevia. Fi-lo através do Facebook, em comentários aos seus posts ou por mensagem. Acho que até, nessa altura, lhe disse que corria o risco de cair em descrédito total e de perder os “palcos” que tinha. O João não quis saber, continuou a fazer ainda pior. E tinha razão. Depois disso ganhou mais palcos na comunicação “dita” social.

Tudo bem. Melhor para ele. É deste estilo que o “meu povo gosta”. Mas depois arrisca-se a levar com isto. Só espero é que tenha “arcaboiço” para aguentar com estas críticas. É que elas, além de pertinentes, são consequência e resultado da exposição pública que ele tanto procurou. Agora, “aguente-se à bronca”.


O preço a pagar por ser filho de político

16/08/2014

Nova indignação esta semana, pelo facto de Luís Durão Barroso – filho do ex-Primeiro Ministro e Presidente da Comissão Europeia – ter sido contratado pelo Banco de Portugal (BdP). Muitos vieram de imediato bradar nepotismo. Outros, pelo contrário, vieram tentar defender e justificar.

Eu sou dos que critico esta contratação. Mas não pelos mesmos motivos que a maioria dos críticos apresenta. Não faço parte do grupo do 8 (que diz que esta contratação é perfeitamente normal) nem do grupo do 80 (que diz que esta contratação é uma descarada e vergonhosa cunha do papá).

Para mim é um problema de princípio. Ele está na falta de ética, moral e vergonha. Ou seja, no cumprimento de regras de conduta e dos princípios da honestidade, decência e integridade. Na falta de pudor e de receio de desonra.

Durão Barroso, o seu filho Luís, e o Governador do BdP, deveriam saber melhor do que ninguém que a contratação iria dar polémica, descredibilizar as suas imagens e colocá-los numa situação profissional e pessoal difíceis.

Então porque avançaram com isto? Ainda por cima numa altura em que: a) o BdP está sobre máxima pressão por causa do caso BES e b) se fala que Durão Barroso poderá ser candidato a Presidente da República. Não parece de todo inteligente.

Os contornos do caso ficam ainda piores quando se sabe que o Luís foi contratado sem concurso, e que o BdP esconde o seu salário. A estes tiros no pé soma-se a tentativa de justificação: “a regra no BdP é contratar por concurso salvo situações de comprovada e reconhecida competência profissional“.

Mauro Xavier vem no Facebook dizer “Gostava de saber quantos doutorados há da LSE (..) com menos de 35 anos (..) inveja a mais e qualificações a menos em Portugal”. O Mauro parece um daqueles provincianos que se deslumbra com um título em inglês. Mauro, há centenas ou milhares deles. E um canudo da LSE não dá, por si só, “reconhecida competência profissional“.

Mais, a verdade é que ao verificar o CV do Luís, o seu percurso profissional contém: a) 2 estágios em sociedades de advogados, b) 2 docências universitárias e c) 2 lugares de investigador em universidades. Diga-se que, para quem tem 31 anos, não me parece que o percurso profissional seja assim tão brilhante e proeminente.

No entanto consigo entender o que disse o Nuno Ferreira no Twitter. Ele acaba por ter a sua razão. Em Portugal “És filho de um político, figura pública ou és rico? (…) O teu mérito nunca será reconhecido. E qualquer emprego será sempre cunha“.

À partida, e se queremos ser verdadeiramente justos e democratas, ninguém deveria ter um handicap por ser pobre e desconhecido ou rico e filho de um poderoso. Mas o problema é que este mundo em que vivemos não é perfeito. O verdadeiro equilíbrio não existe.

Pelo que, se ser pobre e desconhecido tem as suas desvantagens em muitas circunstâncias da vida, ser rico ou famoso também tem de as ter. Não podemos achar que é aceitável uns terem todas as desvantagens e outros terem todas as vantagens, e mais algumas.

Ser filho de um político, em Portugal, tráz as suas responsabilidades e as suas desvantagens. Uma delas, respeitando os princípios e os valores da ética e da moral, seria o Luís não ir trabalhar para o BdP e arranjar emprego noutro sítio qualquer. Afinal de contas, se ele é assim tão bom não faltariam empregos à sua espera noutras empresas.

Mas não seria isso injusto? Privá-lo de trabalhar no BdP só por ser filho de um político? Mesmo que ele tivesse sido contratado por concurso? Sem dúvida. Uma desvantagem. É verdade. Mas seria o preço a pagar por ser filho de quem é. Tal como o filho do Zé da Esquina paga todos os dias o preço por ser filho do merceeiro.


Fim dos anos 80. O meu avô era Vice-Primeiro-Ministro. Vivia a minha adolescência em Santo Tirso. Queria fazer o que os meus amigos faziam. Tocar às campaínhas e fugir, roubar rebuçados no supermercado, andar à pancada, atirar balões de água da janela, faltar às aulas, etc.

Todos se safavam… menos eu. No próprio dia a minha mãe já sabia (toda a gente sabia quem eu era). Castigava-me e dizia-me que o avô era uma pessoa conhecida e respeitada. Que tinha um cargo de muita responsabilidade. E que por isso eu não podia fazer certas coisas que os outros podiam, e tinha de dar o exemplo.

Era, naquela altura, uma desvantagem ser neto de político? Era. Mas era o preço a pagar. Há certas coisas que muitos podem fazer, e que os filhos dos políticos (ou outros famosos e poderosos) não podem. Nem que seja por uma questão de princípio!

… como por exemplo, fumar um charro… o que acaba, essa sim, na minha opinião, por até ser uma vantagem 🙂


No futebol como na política…

02/03/2014

No futebol como na política, não há adversários, há inimigos. Se não estás comigo, estás contra mim. Eu estou sempre certo, e tu sempre errado.

No futebol como na política, o membro do meu clube (ou partido) é melhor do que o dos outros. Independentemente de factos mostrarem o contrário.

No futebol como na política, os discursos estão completamente desalinhados da realidade. Atletas, técnicos e dirigentes pintam o que lhes interessa.

No futebol como na política, os sócios, adeptos e simpatizantes têm um gosto especial em ser enganados e engolem qualquer banalidade ou barbaridade.

No futebol como na política, a maioria dos sócios dos clubes (militantes dos partidos) não têm pensamento próprio. São apenas carneiros submissos.

No futebol como na política, quem está envolvido na estrutura não representa quem nele votou. Representa os seus interesses e dos seus amigos.

No futebol como na política, quem é sócio (ou militante) há mais tempo arroga-se de mais direitos e de uma automática superioridade moral.

No futebol como na política, ganha eleições quem faz mais promessas – que invariavelmente são irrealistas, inviáveis, e não são cumpridas.

No futebol como na política, os dirigentes do meu clube (ou partido) são impolutos, enquanto que os outros dirigentes são prevaricadores corruptos.

No futebol como na política, um caso que vise o meu clube (ou partido) é uma cabala. Mas se visar os outros é um facto demonstrativo de corrupção.

No futebol como na política, os comentadores televisivos criticam, nos que exercem funções, exactamente aquilo que praticaram quando lá estiveram.

No futebol como na política, não há árbitros que zelem pelo cumprimento das regras, apenas há juízes que formam juízo próprio, condenam e sentenciam.

No futebol como na política, o que interessa não é a verdade dos factos e o que realmente se passou, mas a percepção que ficou na opinião pública.

No futebol como na política, erros que prejudicam o meu clube (ou partido) são consequência de má fé e corrupção. Os outros, são lapsos involuntários.

No futebol como na política, a maioria dos adeptos (ou simpatizantes) não apoia o clube (ou partido) que faz mais sentido, mas aquele que ganha.

No futebol como na política, se as coisas correrem mal para o nosso clube (ou partido) não se pode criticar em público, apenas nos “locais próprios”.

No futebol como na política, as leis são feitas à medida. E os castigos aplicados aos intervenientes dependem da sua posição na hierarquia do Poder.

No futebol como na política, a comunicação “dita” social não informa os leitores/espectadores. Apenas passa a mensagem do clube (ou partido) A ou B.

O futebol, tal como a política, transformou-se num negócio. Desporto e Serviço Público são palavras que apenas servem para encher discursos redondos.


Fosse Santana Lopes, e Salgueiro Maia invadia o Terreiro

29/12/2013

Já alguns disseram, por variadíssimas vezes, que António Costa tem “boa imprensa”. Mas muitos não acreditavam. Achavam que isso era apenas “dor de cotovelo” por o socialista ser “querido” entre a população de Lisboa e “respeitado” por uma boa parte dos portugueses.

A verdade é que a greve de cantoneiros veio demonstrar que aqueles tinham razão. O lixo amontoa-se nas ruas de Lisboa, e ainda falta uma semana para o final da greve. As imagens de poluição visual vão correr mundo (com consequências para o Turismo). E há um sério perigo para a saúde pública.

Mesmo assim António Costa consegue passar por entre os pingos da chuva. Da mesma forma que passou durante os anos em que foi Ministro – e depois apoiante – dos desastrosos Governos de José Sócrates. Nem os sindicatos o acusam de tentar “furar” a greve quando ele ordena a colocação de contentores.

Fosse Pedro Santana Lopes o Presidente da C.M. Lisboa e neste momento já Salgueiro Maia invadia o Terreiro do Paço com uma coluna de xaimites, para regozijo dos lisboetas e do resto do país. A comunicação “dita” social incendiava os ânimos. A esquerda e os sindicatos pediam a sua demissão.

Valha a António Costa o facto de ter boa imprensa (seja dos orgãos de comunicação onde o irmão tem influência ou noutros). Valha-lhe ser visto como o Messias do PS, um homem de esquerda, à esquerda do PS. Valha-lhe o facto de a honestidade intelectual do Zé “que faz falta” e da Roseta terem um preço.


PS: O povo é néscio e a CRP é anti-democrática

23/10/2013

O PSD avançou, na Assembleia da República, com uma proposta de referendo à co-adopção de crianças por homossexuais.

O PS – que durante os últimos 10 anos contribuiu para que o parlamento perdesse o seu tempo em propostas do género (o casamento homossexual, o aborto, o divórcio, etc.) ou em intrigas dos casos mais mediáticos – vem agora acusar o PSD de tentar distrair o parlamento e diz que é preciso centrar as atenções nos graves problemas económicos e sociais do país. O descaramento e a falta de vergonha na cara deste PS até dá vontade de rir.

Isabel Moreira considera que a proposta de referendar este tema é “um acto antidemocrático e do ponto de vista política até pouco leal“. A excelsa deputada do PS, profunda defensora da Constituição não leu o Artigo 10º da mesma, onde o número 1 diz “O povo exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição“.

O referendo está previsto no Artigo 115º cujo número 1 diz “Os cidadãos eleitores (…) podem ser chamados a pronunciar-se directamente (…) através de referendo (…) mediante proposta da Assembleia da República ou do Governo (…)” e o número 3 diz “O referendo só pode ter por objecto questões de relevante interesse nacional“. O PS e a deputada Isabel Moreira fazem uso do texto da Constituição quando lhes convém, e esquecem-se dele quando não lhes dá jeito.

Para piorar o caso, o PS considera que “esta matéria é demasiado complexa para que os portugueses possam pronunciar-se directamente“. Ou seja, nós os portugueses somos uma cambada de imbecis que para aqui andamos. Somos uns néscios que não temos capacidade para discernir e emitir uma opinião sobre o assunto. Para o PS o povo é quem mais ordena, mas quando não dá jeito o povo é inepto.


O compromisso de Seguro e do PS

20/07/2013

Compromisso. É esta a palavra preferida de António José Seguro nos últimos meses. O líder do PS profere mais vezes a palavra Compromisso do que António Guterres proferia “Diálogo”.

Seguro acha que esta palavra lhe dá credibilidade. A sua intenção é passar aos portugueses uma imagem de homem sério, de político honesto que – ao contrário dos outros – cumpre.

Significado de Compromisso no dicionário da língua portuguesa:

1. Obrigação contraída entre diferentes pessoas
2. Promessa mútua
3. Concordata de falido com os seus credores
4. Acordo político

Recordo um Compromisso que o PS assinou em 2011. Um dos maiores e mais sérios Compromissos de sempre. Porque servia para salvar Portugal e os portugueses da bancarrota. Chamava-se MoU.

O MoU – Memorando de Entendimento – foi negociado e assinado pelo PS e também pelo PSD e CDS com a Troika do FMI/BCE/UE. Em troca de 78 mil M€ os partidos faziam o Compromisso de:

– Reduzir os esquemas de saúde ADSE, ADM e SAD
– Reduzir as pensões acima de 1500€
– Congelar as pensões
– Redução dos benefícios fiscais e deduções no IRS
– Aumentar as receitas do IVA
– Aumentar os impostos sobre o consumo
– Privatizar transportes (ANA, TAP, CP Carga)
– Privatizar energia (GALP, EDP e REN)
– Privatizar comunicações (Correios de Portugal)
– Privatizar seguros (Caixa Geral Depósitios Seguros)
– Rever e aumentar as taxas moderadoras do SNS
– Cortar substancialmente benefícios fiscais da saúde
– Reduzir subsídio de desemprego para 18 meses
– Facilitar despedimentos
– Aumentar salário mínimo apenas e só se houver evolução da economia

Estas, entre muitas outras medidas, estão escritas no Compromisso que o PS negociou e assinou com os seus credores (ver significado 3). Basta ir lá ler novamente.

Agora o PS queria rasgar este Compromisso com a Troika e assinar outro com PSD e CDS que incluísse exactamente o contrário do primeiro. Grande Seguro!

Mas com uma nuance, Portugal não iria cumprir o Compromisso mas a Troika tinha de continuar a cumprir a sua parte. Ou seja, continuar a “passar para cá o dinheiro“.

Esta gente é brilhante. São uns génios autênticos. Gente séria, honesta, cumpridora, coerente. O meu desejo é que rapidamente voltem ao Governo, para salvar o país.


%d bloggers gostam disto: