Henrique Neto… Para variar um bocado

17/05/2015

Esta manhã, enquanto corria, ouvi a entrevista de Henrique Neto à TSF. Uma excelente entrevista. No entanto Henrique Neto não disse nada de extraordinário. Aliás, muito do que disse é, para mim, óbvio. Mas ele disse-o. Não teve medo de o dizer. Com frontalidade e sem qualquer respeito por essa regra nojenta do políticamente correcto. E é por isso que se diferencia da mediocridade política que pulula no país, e que vale a pena ouvir o que ele tem a dizer. Mais, justificou as suas convicções, opiniões e ideias de forma clara, objectiva e sem rodeios. Não vai a jogo com discursos redondos e propostas demagógicas e populistas.


O barrete serviu, ao apoiante de Alírio

28/02/2014

(Artigo publicado na edição de Fevereiro 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

Marcelo Rebelo de Sousa é uma das pessoas mais inteligentes que o país mediático conhece. E, como tal, percebeu a mensagem e enfiou a carapuça. A verdade é que nem sequer era preciso ser muito perspicaz para auferir o que estava implícito no texto que Pedro Passos Coelho publicou descrevendo o perfil do seu candidato a Presidente da República.

Sempre apreciei muito as capacidades intelectuais de Marcelo Rebelo de Sousa. E pensei muitas vezes que ele poderia ser uma mais valia para o PSD e para Portugal, no campo da política (já o é como distinto advogado e professor universitário). Marcelo ganhou um capital e um crédito ímpares junto dos portugueses pela sua clarividência, sagacidade e liberdade de pensamento.

Mas a certa altura a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem. A partir desse momento damos por nós a concordar plenamente com muito do que ele diz, e também muitas vezes a discordar profundamente.

E é precisamente isso mesmo que se espera de um “catavento de opiniões”. É como a lógica do relógio parado: está sempre certo duas vezes por dia. Isso fez com que a maioria daqueles que seguiam “religiosamente” o seu comentário ao Domingo (fosse na TVI ou na RTP), de repente deixassem de ir à sua “missa”. Deixaram de o ouvir, ou de acreditar no que dizia.

Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se em actos do tipo daquele em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à CM Santo Tirso.

Para além do mais sempre foi um covarde eleitoral. Diz-se disponível para todo e qualquer cargo partidário ou político (ainda há bem pouco tempo, na queda de Ferreira Leite, se disponibilizou para ser presidente do PSD e candidato a Primeiro-Ministro), mas na hora “H” coloca sempre uma condição: “clima de unidade”. Quer sempre vencer por falta de comparência.

Marcelo sempre teve medo de ir a votos, de ir à luta. Sempre teve receio do combate eleitoral. Só aceita ser candidato quando tem a certeza de que vence. Foi presidente do PSD quando mais ninguém o queria ser – entre 1996 e 1999 nos “anos de ouro” do PS. Desde então apresentou-se várias vezes mas acabou sempre por recuar por não haver o tal “clima de unidade”.

O Professor nunca fará o que Manuel Alegre fez. Não por se preocupar com o partido ou, como diz, achar que não faz sentido dividir o eleitorado social democrata, mas porque sabe que dessa forma nunca vencerá, correndo mesmo o risco de ser “eliminado” na 1ª volta. O medo de perder é mais forte do que o “dever de consciência” ou do que o suposto sentido de missão.

Mas desengane-se quem acha que Marcelo se auto-afastou definitivamente. Ele sabe perfeitamente que Passos Coelho pode perder as Legislativas de 2015. E nesse caso, chegados a 2016, o presidente do PSD pode ser alguém que, mediante as circunstâncias, prefira o candidato Marcelo ao candidato Durão Barroso. Mas nessa altura outro “problema” se levantará, o outro forte candidato a candidato, que anda por aí.

Nota: Entretanto o XXXV Congresso Nacional do PSD aconteceu e o que escrevi confirmou-se. Marcelo apareceu a reposicionar-se como candidato presidencial (e conseguiu) e Santana Lopes “respondeu à letra”.


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