A Capital do Império e quem a financia

01/09/2018

O costume.

Pagam todos os contribuintes Portugueses. Desde os provincianos do Minho, Norte e Trás-os-Montes, aos provincianos das Beiras, Alentejo e Algarve.

Os que têm empregos que pagam pouco, ou nenhum emprego mesmo. Os que ficaram sem urgências ou maternidades. Os que vêem os filhos terem de fazer uma hora de autocarro até à escola mais próxima.

Beneficiam os mesmos, os de Lesboa. Que na sua maioria, pelo simples facto de viverem na “capital do império” têm já por si várias benesses.

Os que têm empregos bem pagos e cheios de regalias, no sector público ou nas grandes empresas nacionais e multinacionais. Os que têm os melhores hospitais, escolas, lojas do cidadão e todos os serviços à porta de casa.

Os burlões que governam – e fazem parte da Cúpula de Lesboa – dizem que é um “problema central do país”. Porque o país é Lisboa e o resto é paisagem.

Têm a distinta lata de dizer que até sabem de uma “possível fonte de financiamento” como se essa fonte não fosse sempre a mesma – os impostos pagos pelos contribuintes.

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A coerência – Exemplo #537

28/05/2018

13 de Maio de 2018

27 Maio 2018


IPSS levantem-se e façam-se ouvir

22/12/2017

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Em 2009, Vieira da Silva era Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social no governo PS liderado por José Sócrates. Nessa altura, deu 100 mil euros a uma IPSS presidida pela sogra.

Toda a gente que lidou de perto com IPSS, principalmente aquelas que não têm dimensão nacional, sabe que obter subsídios do Estado é extremamente difícil. E quando eles chegam são pequenos. Na ordem dos milhares ou, com muita sorte, dezenas de milhares de euros.

Ora Vieira da Silva resolveu saltar directamente para as centenas de milhar, e dar 100.000€ do dinheiro dos contribuintes, a uma IPSS local, que curiosamente era presidida pela mãe da sua mulher (a deputada Sónia Fertuzinhos).

Poucos meses depois, qual coincidência, a sogra decidiu pagar-se a si mesma 1.000€ por mês. Oferecendo-se a si própria um aumento de 20% em 2016. O que a adicionar à sua reforma lhe dava uns confortáveis 2.300€ por mês.

Isto é nojento e repugnante. É inaceitável e inadmissível.

A esmagadora maioria dos contribuintes tem níveis de vida inferiores ao que desejaria porque não só paga demasiados impostos, mas porque sempre que precisa do Estado (ex. Saúde, Educação, Segurança) ele não consegue corresponder.

A fatia dos impostos destinada a solidariedade social já é pequena. Por contra-ponto aqueles que precisam mais de ajuda são cada vez mais. E o que acontece a esse dinheiro? É roubado (sim, roubado, sem aspas) por um bando de gente asquerosa e corrupta.

Existem milhares de IPSS em Portugal. Pelas minhas contas são cerca de 5.000. Para as quais devem trabalhar (funcionários e voluntários) centenas de milhares de pessoas. Na sua esmagadora maioria gente decente e bem intencionada.

É preciso. É imprescindível. É obrigatório. Que essas pessoas façam ouvir a sua voz. Bem alto. Porque o que se está a passar neste momento – com os casos que involvem o Ministro Vieira da Silva e a sua mulher, a Deputada Sónia Fertuzinhos – põe em risco uma das mais nobres actividades da sociedade.

As IPSS arriscam caír total e definitivamente em descrédito. Pessoas e empresas que oferecem dinheiro e géneros irão certamente começar a dar menos. Voluntários que oferecem tempo e vontade irão certamente começar a desaparecer.

E quem sofre com isso são os mais desfavorecidos. Aqueles que precisam mais. Os que não têm mais ninguém a quem acorrer.

 


Da incoerência e falta de vergonha

02/07/2017

Em Junho 2017 o Ministro disse:


Em Abril 2017 o Ministro dizia:


O estado do PS e o seu futuro

03/10/2015

Alguns poderão pensar que esta catastrófica campanha do PS foi obra do acaso ou do azar, mas essas são coisas que não existem em política. Nada acontecem por acaso e nada acontece por infelicidade.

Outros poderão pensar que se deveu a  um incompetente director de campanha, mas a verdade é que demitiram Ascenso Simões e o que parecia mau passou a pior, com muito mais episódios e incidentes.

A verdade é que a desgraçada campanha eleitoral do PS se deveu ao estado em que se encontra o partido. Entregue aos despojos do socratismo. E é isso que vai fazer com que António Costa não consiga ser PM.

E o estado do PS é de tal forma funesto que após a demissão de António Costa, o partido é bem capaz de considerar, ou mesmo eleger, António José Seguro.


Je suis Charlie quando dá jeito

03/05/2015

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Há umas semanas atrás António Costa era “Charlie”. Mesmo ao centro, nesta foto cheia de outras “figuras” da política portuguesa. Indignava-se e lutava pela liberdade de expressão dos jornalistas daquele jornal francês.

Agora, António Costa manda SMS a jornalistas de jornais portugueses. Tentanto coarctar a liberdade des estes escreverem o que pensam do PS, de António Costa e do seu programa/ideias para Portugal.

É a hipocrisia e a falta de vergonha no seu limite.

Infelizmente o povo que vota já demonstrou por várias vezes ter memória curta e, daqui a uns meses, certamente que mais de 1 milhão de portugueses irá votar e eleger este escroque para Primeiro-Ministro.

Aos que vivem em Portugal e, sem culpa nenhuma, irão ver o seu futuro nas mãos desta gente, desejo boa sorte. Aos outros, os que votam, espero que tenham aquilo que merecem.


Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

07/12/2014

Em Portugal é tradição beatificar qualquer figura pública que morra. Pode, em vida, ter sido o pior exemplo do ser humano, o mais arrogante, o maior corrupto, etc. Mas a partir do momento que morre, passa automaticamente a ser a melhor pessoa do mundo. E criticá-lo é blasfémia. Assim sendo, vou aproveitar que Mário Soares ainda está vivo para escrever este texto.

Respeitava muito Mário Soares pelo papel que, bem ou mal, desempenhou na construção da democracia portuguesa. No entanto, ao contrário de outros, nunca lhe coloquei o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes (a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre muitos outros), mas esteve longe de ser o principal ou único responsável.

Em 1996, Mário Soares terminou o seu segundo mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Na altura achei bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos parecia ter tomado a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de Ministro, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Deputado Europeu. Retirava-se um homem que teria contribuido imenso para a construção do país.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve, deveria ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar da política e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande.

Infelizmente, para ele e para os portugueses, Mário Soares não soube, não quis, ou não pôde sair. E os últimos anos – marcados pela avançada idade – foram catastróficos. Várias vezes me perguntei se ele não teria filhos em casa que lhe pedissem para se abster. Depois pensei melhor e realizei que, sem o papá na ribalta, os filhos seriam ninguém.

E também não é menos verdade que o PS nunca se conseguiu libertar das amarras e da teia (o termo é apropriado) de Mário Soares. Sempre fez o que quis. Até considerar Sócrates “o pior do guterrismo” e depois dizer que foi “um Primeiro-Ministro exemplar”. Deixou a liderança do PS em 1986, mas desde aí liderou sempre oficiosamente. Manietando Almeida Santos, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, AJ Seguro e, mesmo com 90 anos, António Costa.

A re-candidatura à Presidência da República em 2006 foi só o início da desgraça política Soarista dos últimos anos, marcada por falta de memória, discernimento, bom senso, prudência, sentido de Estado, responsabilidade, ou mesmo, e muitas vezes, vergonha na cara. Basta lembrar as críticas que fez a Passos Coelho e ao Governo PSD/CDS por estes cumprirem o MoU.

Mário Soares acusou o Governo e o Primeiro-Ministro de estarem demasiado presos ao acordo da Troika, esquecendo-se que, como disse Camilo Lourenço “não houve período em que Portugal tenha sido mais subserviente para com o FMI do que em 83-85, quando Soares, então primeiro-ministro, recorreu a ajuda externa”.

Isto, depois de em Fevereiro 2012 se ter vangloriado de forçar José Sócrates a pedir apoio ao FMI. “Tive uma discussão com ele gravíssima, porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido”.

Escusado será dizer que meses mais tarde, em Maio 2012, a opinião mudava outra vez. Soares dizia que o MoU tinha sido assinado por José Sócrates (como se o PM não estivesse a assinar o MoU em nome do país) e nessa medida o PS teria sido obrigado a aceitá-lo. Mas com a eleição de Hollande e AJ Seguro (note-se onde estes já vão) o “mundo mudou” e portanto a obrigação de cumprir o MoU teria chegado ao fim.

Mas há mais. Em Junho 2013, num comício organizado pela esquerda-caviar de Lisboa, juntamente com muitos bloquistas e afins, Mário Soares para além de quebrar todas as regras da ética e da democracia, quebra também o artigo 46º da Constituição, apelando à revolta popular e à violência para destituir o Governo PSD/CDS eleito com maioria apenas dois anos antes.

Por falar em regras democráticas, lembrar também como, no dia das eleições Autárquicas 2005, ao lado da mesa de voto, Soares apelou ao voto no seu filho. Violando portanto o artigo 177º da Lei Eleitoral, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto. Violação essa que é punida com pena de prisão até 6 meses. Isto depois de ter feito o mesmo nas eleições Legislativas.

Mais inofensivos, mas ainda assim graves, foram outros episódios. Alguns bem recentes. Como o da multa por excesso de velocidade que o levou a dizer ao polícia “o Estado é que vai pagar a multa”; o do encontro com Isaltino Morais, depois de este ter sido condenado a prisão, onde o caracterizou como “um grande presidente de câmara, que foi injustiçado“.

Muitos pensarão que estes episódios e histórias são fruto da idade avançada. Que Mário Soares está, como muitos (incluindo eu) já disseram, chéché. A verdade é que basta recordar tudo o que Soares, sua família e amigos, fizeram para rapidamente se concluir que nada disto é por acaso, e que estamos na presença de um mau exemplo de homem e político.

Durante o Estado Novo, enquanto outros lutavam contra o regime, e pela democracia, em Portugal, Soares exilou-se em Paris, frequentando hóteis e restaurantes de luxo à custa não se sabe bem de quem (onde é que eu já vi isto?). Voltou como herói depois do 25 Abril 74 e tomou conta da ocorrência, sendo um dos responsáveis pelo processo de descolonização, durante o qual o filho João Soares quase morre, num avião cheio de diamantes.

Depois de duas passagens pela liderança do Governo, marcadas pelo fracasso e pela vinda do FMI para salvar Portugal, candidatou-se a Presidente da República e depois de vencer as eleições, fundou a Emaudio onde os seus testas de ferro geriram vários negócios milionários pouco transparantes, como por exemplo o do aeroporto de Macau. Onde estava envolvido o Governador de Macau, Carlos Melancia, nomeado por Soares.

Depois da Emaudio lhe ter financiado a re-candidatura presidencial em 1991, foi a Fundação que lhe financiou a vida pós-presidencial, e para a qual levou valiosos documentos e presentes que recebeu oficialmente enquanto Presidente, e que deveriam ter ficado na Presidência. Isto depois de ter dado o equivalente a 22 voltas ao mundo como Chefe de Estado, batendo recordes de visitas.

Como ex-Presidente, para além de todas as mordomias a que tem direito por lei (carro, motorista, reforma milionária, escritório) continuou a receber subvenções e subsídios de milhões, através da Fundação (à qual não se conhece nenhuma função) oferecidos pelos seu filho e seus companheiros de partido no Governo, na CM Lisboa e até mesmo na CM Leiria.

Fundação essa que foi construída num lugar nobre de Lisboa (em frente à Assembleia da República) violando o PDM, e depois de o IGAT ter anulado a licença de obra. Curiosamente o relatório do IGAT e demais documentos sobre o assunto desapareram da CM Lisboa quando o PS (incluindo o filho João Soares) a lideraram.

E ai de quem se atrevesse a tocar nestes assuntos. José António Cerejo (no jornal Público, liderado por José Manuel Fernandes) foi silenciado depois de ter começado a investigar. Joaquim Vieira (na revista Grande Reportagem, detida pela Controlinveste) foi despedido depois de ter feito uma reportagem sobre o livro de Rui Mateus.

Resumindo e concluindo, beatifiquem quem quiserem. Ainda em vida, ou depois de morto. A verdade é que Mário Soares fez muito mais mal do que bem. Ou melhor, o mal que fez, apagou o bem que terá feito. Mas o país que santifica políticos como este, merece ser liderado por eles. Até ao fim da IIIª República.


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