Da incoerência e falta de vergonha

02/07/2017

Em Junho 2017 o Ministro disse:


Em Abril 2017 o Ministro dizia:

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O estado do PS e o seu futuro

03/10/2015

Alguns poderão pensar que esta catastrófica campanha do PS foi obra do acaso ou do azar, mas essas são coisas que não existem em política. Nada acontecem por acaso e nada acontece por infelicidade.

Outros poderão pensar que se deveu a  um incompetente director de campanha, mas a verdade é que demitiram Ascenso Simões e o que parecia mau passou a pior, com muito mais episódios e incidentes.

A verdade é que a desgraçada campanha eleitoral do PS se deveu ao estado em que se encontra o partido. Entregue aos despojos do socratismo. E é isso que vai fazer com que António Costa não consiga ser PM.

E o estado do PS é de tal forma funesto que após a demissão de António Costa, o partido é bem capaz de considerar, ou mesmo eleger, António José Seguro.


Je suis Charlie quando dá jeito

03/05/2015

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Há umas semanas atrás António Costa era “Charlie”. Mesmo ao centro, nesta foto cheia de outras “figuras” da política portuguesa. Indignava-se e lutava pela liberdade de expressão dos jornalistas daquele jornal francês.

Agora, António Costa manda SMS a jornalistas de jornais portugueses. Tentanto coarctar a liberdade des estes escreverem o que pensam do PS, de António Costa e do seu programa/ideias para Portugal.

É a hipocrisia e a falta de vergonha no seu limite.

Infelizmente o povo que vota já demonstrou por várias vezes ter memória curta e, daqui a uns meses, certamente que mais de 1 milhão de portugueses irá votar e eleger este escroque para Primeiro-Ministro.

Aos que vivem em Portugal e, sem culpa nenhuma, irão ver o seu futuro nas mãos desta gente, desejo boa sorte. Aos outros, os que votam, espero que tenham aquilo que merecem.


Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

07/12/2014

Em Portugal é tradição beatificar qualquer figura pública que morra. Pode, em vida, ter sido o pior exemplo do ser humano, o mais arrogante, o maior corrupto, etc. Mas a partir do momento que morre, passa automaticamente a ser a melhor pessoa do mundo. E criticá-lo é blasfémia. Assim sendo, vou aproveitar que Mário Soares ainda está vivo para escrever este texto.

Respeitava muito Mário Soares pelo papel que, bem ou mal, desempenhou na construção da democracia portuguesa. No entanto, ao contrário de outros, nunca lhe coloquei o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes (a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre muitos outros), mas esteve longe de ser o principal ou único responsável.

Em 1996, Mário Soares terminou o seu segundo mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Na altura achei bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos parecia ter tomado a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de Ministro, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Deputado Europeu. Retirava-se um homem que teria contribuido imenso para a construção do país.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve, deveria ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar da política e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande.

Infelizmente, para ele e para os portugueses, Mário Soares não soube, não quis, ou não pôde sair. E os últimos anos – marcados pela avançada idade – foram catastróficos. Várias vezes me perguntei se ele não teria filhos em casa que lhe pedissem para se abster. Depois pensei melhor e realizei que, sem o papá na ribalta, os filhos seriam ninguém.

E também não é menos verdade que o PS nunca se conseguiu libertar das amarras e da teia (o termo é apropriado) de Mário Soares. Sempre fez o que quis. Até considerar Sócrates “o pior do guterrismo” e depois dizer que foi “um Primeiro-Ministro exemplar”. Deixou a liderança do PS em 1986, mas desde aí liderou sempre oficiosamente. Manietando Almeida Santos, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, AJ Seguro e, mesmo com 90 anos, António Costa.

A re-candidatura à Presidência da República em 2006 foi só o início da desgraça política Soarista dos últimos anos, marcada por falta de memória, discernimento, bom senso, prudência, sentido de Estado, responsabilidade, ou mesmo, e muitas vezes, vergonha na cara. Basta lembrar as críticas que fez a Passos Coelho e ao Governo PSD/CDS por estes cumprirem o MoU.

Mário Soares acusou o Governo e o Primeiro-Ministro de estarem demasiado presos ao acordo da Troika, esquecendo-se que, como disse Camilo Lourenço “não houve período em que Portugal tenha sido mais subserviente para com o FMI do que em 83-85, quando Soares, então primeiro-ministro, recorreu a ajuda externa”.

Isto, depois de em Fevereiro 2012 se ter vangloriado de forçar José Sócrates a pedir apoio ao FMI. “Tive uma discussão com ele gravíssima, porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido”.

Escusado será dizer que meses mais tarde, em Maio 2012, a opinião mudava outra vez. Soares dizia que o MoU tinha sido assinado por José Sócrates (como se o PM não estivesse a assinar o MoU em nome do país) e nessa medida o PS teria sido obrigado a aceitá-lo. Mas com a eleição de Hollande e AJ Seguro (note-se onde estes já vão) o “mundo mudou” e portanto a obrigação de cumprir o MoU teria chegado ao fim.

Mas há mais. Em Junho 2013, num comício organizado pela esquerda-caviar de Lisboa, juntamente com muitos bloquistas e afins, Mário Soares para além de quebrar todas as regras da ética e da democracia, quebra também o artigo 46º da Constituição, apelando à revolta popular e à violência para destituir o Governo PSD/CDS eleito com maioria apenas dois anos antes.

Por falar em regras democráticas, lembrar também como, no dia das eleições Autárquicas 2005, ao lado da mesa de voto, Soares apelou ao voto no seu filho. Violando portanto o artigo 177º da Lei Eleitoral, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto. Violação essa que é punida com pena de prisão até 6 meses. Isto depois de ter feito o mesmo nas eleições Legislativas.

Mais inofensivos, mas ainda assim graves, foram outros episódios. Alguns bem recentes. Como o da multa por excesso de velocidade que o levou a dizer ao polícia “o Estado é que vai pagar a multa”; o do encontro com Isaltino Morais, depois de este ter sido condenado a prisão, onde o caracterizou como “um grande presidente de câmara, que foi injustiçado“.

Muitos pensarão que estes episódios e histórias são fruto da idade avançada. Que Mário Soares está, como muitos (incluindo eu) já disseram, chéché. A verdade é que basta recordar tudo o que Soares, sua família e amigos, fizeram para rapidamente se concluir que nada disto é por acaso, e que estamos na presença de um mau exemplo de homem e político.

Durante o Estado Novo, enquanto outros lutavam contra o regime, e pela democracia, em Portugal, Soares exilou-se em Paris, frequentando hóteis e restaurantes de luxo à custa não se sabe bem de quem (onde é que eu já vi isto?). Voltou como herói depois do 25 Abril 74 e tomou conta da ocorrência, sendo um dos responsáveis pelo processo de descolonização, durante o qual o filho João Soares quase morre, num avião cheio de diamantes.

Depois de duas passagens pela liderança do Governo, marcadas pelo fracasso e pela vinda do FMI para salvar Portugal, candidatou-se a Presidente da República e depois de vencer as eleições, fundou a Emaudio onde os seus testas de ferro geriram vários negócios milionários pouco transparantes, como por exemplo o do aeroporto de Macau. Onde estava envolvido o Governador de Macau, Carlos Melancia, nomeado por Soares.

Depois da Emaudio lhe ter financiado a re-candidatura presidencial em 1991, foi a Fundação que lhe financiou a vida pós-presidencial, e para a qual levou valiosos documentos e presentes que recebeu oficialmente enquanto Presidente, e que deveriam ter ficado na Presidência. Isto depois de ter dado o equivalente a 22 voltas ao mundo como Chefe de Estado, batendo recordes de visitas.

Como ex-Presidente, para além de todas as mordomias a que tem direito por lei (carro, motorista, reforma milionária, escritório) continuou a receber subvenções e subsídios de milhões, através da Fundação (à qual não se conhece nenhuma função) oferecidos pelos seu filho e seus companheiros de partido no Governo, na CM Lisboa e até mesmo na CM Leiria.

Fundação essa que foi construída num lugar nobre de Lisboa (em frente à Assembleia da República) violando o PDM, e depois de o IGAT ter anulado a licença de obra. Curiosamente o relatório do IGAT e demais documentos sobre o assunto desapareram da CM Lisboa quando o PS (incluindo o filho João Soares) a lideraram.

E ai de quem se atrevesse a tocar nestes assuntos. José António Cerejo (no jornal Público, liderado por José Manuel Fernandes) foi silenciado depois de ter começado a investigar. Joaquim Vieira (na revista Grande Reportagem, detida pela Controlinveste) foi despedido depois de ter feito uma reportagem sobre o livro de Rui Mateus.

Resumindo e concluindo, beatifiquem quem quiserem. Ainda em vida, ou depois de morto. A verdade é que Mário Soares fez muito mais mal do que bem. Ou melhor, o mal que fez, apagou o bem que terá feito. Mas o país que santifica políticos como este, merece ser liderado por eles. Até ao fim da IIIª República.


António Costa preparado para ser PM

30/11/2014

Ao pequeno almoço liguei a RTP Informação para saber as novidades do congresso socialista, e deparo-me com o habitual painel de comentadores políticos.

Segundo alguns desses comentadores António Costa provou neste congresso que está preparado para liderar o PS e levar o partido novamente ao Governo de Portugal. Porquê? Duas razões essenciais:

a) Conseguiu fazer com que ninguém proferisse o nome de José Sócrates, dentro da sala do congresso ou para a comunicação “dita” social. Mesmo Mário Soares e Manuel Alegre, que têm estatuto para dizerem o que quiserem, e normalmente dizem o que lhes vem à cabeça.

b) Apesar de saber que quando chegar ao Governo (se lá chegar), a mesma realidade que tramou o seu colega Hollande vai obrigá-lo a entender-se com os partidos “ditos” do centro-direita (PSD e CDS), conseguiu disfarçar bem o discurso e as acções, para captar o eleitorado à esquerda.

Concordo com os comentadores. Costa está preparado para ser Primeiro-Ministro de Portugal. Tem tudo o que é necessário… passa uma esponja pelo passado (o seu e o do PS), mostra autoritarismo (qual ditadorzinho a silenciar o incómodo), consegue enganar o eleitorado (bem como outros partidos e organizações da sociedade) e está nas graças da comunicação “dita” social de Lesboa.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte VI

26/11/2014

Há não muito tempo atrás, Mário Soares fez questão de visitar Isaltino Morais. Nas suas palavras “um grande presidente de câmara” que foi “injustiçado” porque “não fez nada“.

Hoje, Mário Soares fez questão de visitar José Sócrates. Nas suas palavras “um primeiro-ministro exemplar” que está “inocente” e é vítima de uma “cabala política“.

Entretanto, sublinhar dois pormenores:

a) As visitas no Estabelecimento Prisional de Évora são às Terças e Quintas-feiras. Mário Soares visitou Sócrates numa Quarta-feira. Porquê? Porque neste país funciona assim. Há uns que fazem o que quiserem e quando lhes bem aprouver.

b) À saída da visita, Mário Soares – que não conhece o processo nem as acusações (ou será que conhece, bem demais?) – atacou o Juíz e mandou os jornalistas transmitirem a sua opinião. Porquê? Porque neste país uns mandam e os outros obedecem.


Costa e a Comunicação “dita” Social

25/10/2014

Durante os próximo 12 meses, e até às eleições, muito se revelará. Alguns políticos que até agora andaram protegidos pela sombra vão agora ter de andar ao sol. Mas há mais quem vá ter de se queimar… a comunicação “dita” social.

Todos sabemos que, para a comunicação “dita” social, o que é novo é bom. Por isso mesmo, por ser novidade. É notícia, e vende. Mas ainda é melhor se for de esquerda (o quadrante político preferido das redacções portuguesas).

Não é novidade que António Costa sempre teve boa imprensa. Porquê? Não sei. Talvez porque faz parte da corte de “Lesboa”, porque tinha uma irmão influente no sector, ou porque não se pode criticar um “escurinho” correndo o risco de se ser confundido com racista.

A verdade é que António Costa é dos políticos menos coerentes da praça. E a razão é só uma. Ele não tem uma ideia, uma convicção, um ideal. É daqueles que vai conforme o vento (leia-se, opinião pública). Só diz o que é políticamente correcto, popular e circunstâncial.

Ora isso seria uma galinha dos ovos de ouro para a comunicação “dita” social portuguesa. Nos próximos 12 meses teria infinito material para ir buscar ao passado recente, e comparar com o que António Costa diz agora que é candidato a PM.

Aguardo com curiosidade e serenidade. É que para mim, também a comunicação “dita” social portuguesa se vai revelar (pelo menos para aqueles que ainda julgam que ela é imparcial e independente).


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