Aeroporto? Os provincianos pagam

10/01/2019

Pouca gente tem noção da dificuldade que é viajar, em transportes públicos, entre as cidades da região assinalada no mapa.

Por exemplo, uma viagem de comboio entre Santo Tirso e Viana do Castelo, tem no mínimo 2 trocas (Lousado e Nine) e demora entre 2 horas e 3 horas.

Isto significa que um Tirsense que tenha de ir a Viana em trabalho ou passeio demora entre 3 a 4 horas para chegar ao seu destino, mais 3 ou 4 horas para voltar!

Um dia inteiro em viagem, para ir a uma cidade que fica a 75 km de distância. Naturalmente que isto só é comparável com países de terceiro mundo.

Note-se que a região assinalada no mapa é uma das mais populosas, e que em tempos foi O MOTOR do país – com a forte indústria que lá nasceu, criada pelas suas gentes – gerando muita da riqueza criada em Portugal.

Uma das razões pela qual essa mesma indústria começou a desaparecer, e a região começou a empobrecer, foi o centralismo. Que desinvestiu nela, e a deixou ao abandono.

Mas na verdade, quem é que se interessa pelas necessidades e bem estar das gentes de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Vila Verde, Braga, Guimarães (o berço da Nação!), Santo Tirso, Trofa, Esposende, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, etc.?

Vamos investir na capital do império! E construir mais um aeroporto na região de Lesboa! Os provincianos pagam!

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#RyanAir: O fascínio tuga pela coisa rasca

19/02/2014

A Ryan Air anunciou que irá iniciar uma rota Porto – Lisboa (ou será Lisboa – Porto?) nos próximos meses. Naturalmente uma rota que ira ter preços Low Cost.

As redes sociais em Portugal já estão todas excitadas por ter a possibilidade de voar entre Porto e Lisboa, como se fosse algo que necessitassem como de pão para a boca.

É o fascínio tuga por coisas rascas.

Nenhuma viagem Porto – Lisboa de avião compensa, por mais barata que seja, em comparação com uma viagem de comboio no Alfa Pendular. Senão vejamos.

Quem está no centro do Porto tem de se deslocar à Maia para se servir do aeroporto. O que de Metro (desde a Casa da Música) levará cerca de 25 minutos (e custa 1,85€).

A viagem de avião exige que se esteja no aeroporto pelo menos 1 hora antes. E a viagem demora pouco menos de 1 hora (incluindo uma optimistica avião – saída do terminal).

Do Aeroporto até Santa Apolónia – para se ter um termo de comparação válido – o metro leva cerca de 40 minutos (e custa 1,40€).

O comboio pode-se apanhar perfeitamente estando na estação com 15 minutos de antecedência. A viagem do centro do Porto (Casa da Música) até Campanhã demora 10 minutos (e custa 1,20€).

O Alfa Pendular demora cerca de 2h30m a fazer o percurso directo entre Porto – Campanhã e Lisboa – Santa Apolónia, e custa 55€.

Ou seja,

– Viagem de Avião:

  • Tempo – 3 horas e 5 minutos
  • Custo – 3,25€ + bilhete de avião

– Viagem de Comboio:

  • Tempo – 2 horas e 55 minutos
  • Custo – 1,20€ + bilhete de comboio (55€)

Já para não falar no facto de os vôos da Ryan Air serem apenas de manhã, o que obrigaria muita gente a pernoitar em Lisboa – pagando alojamento + alimentação.

A isto, soma-se o excelente serviço do Alfa Pendular versus a forma vergonhosa como a Ryan Air trata os passageiros. E também o evitar de passar em controlos e seguranças.

Mas claro, o tuga fica todo excitado com a Ryan Air, e o Low Cost. O mesmo tuga que, de certezinha, continuaria a querer a construção do TGV.

Mas o que se há-de fazer? Comboio é para o “pobre”… nós, o tuga “rico” (mas pobre de espírito) gostamos é de coisas sofisticadas como Aviões e TGVs.


Em Portugal, uma carnificina que ninguém quer ver

26/12/2011

Já escrevi sobre este assunto em 2008, 2009 e 2010. Volto a fazê-lo em 2011. Faço-o depois de saber o resultado da “Operação Natal” da GNR. Em 3 dias morreram 10 pessoas nas estradas portuguesas. E não se sabe se os 13 feridos graves irão engrossar aquele número.

Todos os anos se repete este cenário. No Natal, no Carnaval, na Páscoa, no Verão, etc. Com ou sem Operações por parte das autoridades são milhares de pessoas que morrem nas estradas portuguesas, sem que algo seja feito para inverter este fatídico rumo que levamos.

Lembro os números da Guerra do Iraque. Entre 2003 e 2009 morreram 675 militares/ano num total de 4700 mortes. Em Portugal, entre 2003 e 2009 morreram nas estradas 971 pessoas/ano num total de 6800 pessoas. Em 2010 foram 747 pessoas. Em 2011 já passamos as 700.

Faz-me confusão como o país assiste impávido a esta chacina. A população já não liga. A comunicação “dita” social revolta-se com as mortes na Guerra do Afeganistão, mas despreza estas. As autoridades congratulam-se por ter havido menos 1 morto que o periodo homólogo.

Sinto que estou num país de loucos. Será possível que nada seja feito para parar este morticínio? Como podemos estar preocupados com uma iraniana que pode ser condenada à morte (Deus a salve!) e borrifarmo-nos para os nossos compatriotas? Perdoem-me, mas isto não é normal!


Para haver equidade… Portagens no IC19

19/12/2011

Desde dia 8 Dezembro que estão em funcionamento portagens nas ex-SCUT A22 (Algarve), A23 (Beira Interior), A24 (Beira Alta e Trás-os-Montes) e A25 (Beira Litoral e Interior), que levantaram violentos protestos de (alguns) populares.

Sou por princípio apologista do princípio do utilizador-pagador. Aceito no entanto que haja excepções em certo tipo de situações. Como por exemplo em auto-estradas que servem zonas mais desertificadas do país (praticamente todo o interior).

Mas valores mais altos se levantam. Portugal está de tal forma endividado que não tem por onde fugir. A situação económica e financeira é de tal ordem que não se pode dar a luxos. E por mais que custe, há que taxar o que é supérfulo.

A correcção da asneira de PS/Guterres começou na zona mais afectada pela crise e pelo desemprego, o Norte do país. Portagens foram instituídas, e bem, na A4, A17, A28, A29, A41 e A42. Bufou-se, mas paga-se.

Muito se fala em equidade, de Norte a Sul e Ilhas, da Esquerda à Direita, de sector em sector. E por isso é com justiça que se vêem chegar as portagens às restantes SCUT. Mas não chega. Ainda há mais para taxar.

O IC19 vai de Sintra a Lisboa, e todos os dias suporta cerca de 100.000 automóveis. É provavelmente a estrada mais congestionada do país, com mais acidentes e trânsito mais intenso. Porque não taxar este percurso?

Dirão que não é uma auto-estrada e não pode ser taxada. Eu respondo que tem 3 faixas em permanência e 4 faixas em alguns troços. Dirão que milhares o utilizam para ir trabalhar. Eu sugiro que usem transportes públicos.

Ao taxar o IC19 com portagens gerava-se receita para os cofres do Estado. Também para isso contribuia o aumento da utilização de transportes públicos. Diminuia-se a poluição (dos gases de escape) e também a dependência do petróleo.


Culpas no buraco dos transportes

08/11/2011

As empresas de transportes públicos têm uma dívida acumulada de 10.000 M€. 10 vezes mais que a dívida da Madeira e 5 vezes mais do que se gastou no BPN (casos em que a opinião pública e publicada se revoltou).

Há muitas razões para que estas empresas tenham acumulado uma dívida desta dimensão. Entre elas estão as seguintes:

a) Falta de política estratégica de transportes.
b) Incapacidade e incompetência na gestão.
c) Má (ou péssima) prestação de serviços.
d) Regalias e “direitos adquiridos” a mais.
e) Manutenção de vantagens para familiares e outros.
f) Excesso de passageiros que não pagam títulos de transporte.

a) A culpa é da tutela. Em última instância, dos Ministros responsáveis pela pasta dos Transportes. Não tem havido vontade ou coragem para se alterar o status quo. É necessário reformar empresas, juntando-as. É essencial integrar transportes. Solução poderia ser juntar transportes da área metropolitana numa só empresa.

b) A culpa é dos administradores. O problema começa logo na escolha das pessoas, através de nomeações políticas que previlegiam o nepotismo e a filiação partidária. A isso junta-se a falta de formação, de capacidade e de competência. Não há avaliação ou responsabilização. Têm ordenados e prémios milionários mesmo não cumprindo objectivos.

c) A culpa é dos trabalhadores. Está enraízado o “funcionarismo público”. Não há patrão, não há objectivos, não há avaliação, não há despedimentos. Não é portanto necessário fazer esforço para ser cada vez melhor. A ideia é que estão a fazer um favor ao utente. Prolifera a arrogância, o desleixo, a negligência, a incúria.

d) A culpa é dos 3 anteriores, e dos sindicatos. Prémio de 200€ por completar dia de trabalho? Prémio de 125€ pela assiduidade? Prémio de 70€ por não faltar mais de 5h/mês? Mas não é obrigação de qualquer pessoa trabalhar e ser assídua? Principalmente num ramo onde tudo depende de horários! 30 dias de férias e 100% vencimento em caso de baixa?

f) A culpa é de todos os anteriores. Cônjuges, pais, filhos, enteados, etc. Todos viajam à borla. Militares, juízes e outros funcionários do Estado. Isto fazia sentido quando as mães não tinham emprego (porque ficavam em casa a tomar conta dos filhos) ou quando militares e juízes eram o garante da Segurança e da Justiça. Hoje é absurdo.

f) A culpa é da mentalidade tuga e falta de fiscalização. Todos os dias ando nos transportes públicos, e garanto que há tanta gente que paga como aquela que não paga. E se dantes havia vergonha e se tentava entrar à sucapa, agora é “na boa”. O que vão fazer os motoristas e revisores? O que ganham eles? Habilitar-se a serem insultados ou espancados? Mais vale estar quieto.


Passe social: a cegueira do Daniel Oliveira

31/08/2011

Há gente que tem como profissão dizer mal de tudo. Muita dessa gente emprega-se em orgãos de comunicação “dita” social. Porque de facto isso (dizer mal) vende. Não é por acaso que a imprensa aposta nisso. O “tuga” gosta de dizer (e ouvir) mal de tudo.

O Daniel Oliveira é uma dessas pessoas. Aliás, é um excelente profissional. Ele sabe que tem de dizer mal de tudo. Se não disser, não interessa ao jornal onde escreve ou TV onde comenta. Porque as pessoas não compram para ouvir elogiar algo ou alguém.

Tenho para mim que o Daniel Oliveira pertence àquela “esquerda caviar” (tipo Louçã) que não passa dificuldades na sua vida, mas se arroga o direito de falar em nome dos pobres. Está sempre a dizer que os Governos não dão nada aos pobres, só aos ricos.

Mas quando os Governos apresentam medidas que beneficiam os pobres, o Daniel arranja sempre maneira – nem que para isso esteja a ser desonesto intelectualmente – de dar a volta ao texto, e criticar a medida em causa anunciada pelo Governo.

Diz o Daniel que o Passe Social + terá de se “pedinchar com um atestado de pobreza“. Ele sabe bem como aplicar a palavra “pedinchar” para parecer uma coisa humilhante. Como queria que se fizesse o pedido? Era chegar e dizer “olhe, sou pobre, dê-me o Passe Social +“?

Naturalmente que para pedir o Passe Social + a pessoa terá de fazer prova que tem rendimentos abaixo de 545€. O Daniel diz que o Governo lança uma medida que cobre apenas “alguns miseráveis“. Ainda bem! Então o Daniel queria que os miseráveis fossem mais?

Depois diz que, o que o Governo tem para oferecer nesta medida são “migalhas“, e que faz disto uma propaganda descarada. Ora, caro Daniel, quem faz (ou não) a propaganda, são os orgãos de comunicação “dita” social. Eles é que podem dar (ou não) mediatismo da coisa.

A demagogia do Daniel vai ao ponto de dizer que o Passe Social e os Transportes Públicos abrangidos por ele foram mortos pela construção de auto-estradas. Pena é que o Passe Social seja apenas usado em viagens de transportes urbanos ou suburbanos. Não é Daniel?

Numa coisa dou-lhe razão: “Ao contrário do que se passa em muitas cidades europeias, multiplicam-se os títulos de transporte” e não há “coordenação tarifária ou mesmo de percursos“. Apesar de tudo já é agora possível ter viagens de Metro, Autocarro, Eléctrico no mesmo título.

O síndrome do “novo rico” que prolifera em Portugal – e leva as pessoas a preferir automóvel ao transporte público – não foi introduzido pelo Estado. Foram as próprias pessoas que compraram os seus carros. Que se saiba, o Estado não andou a distribuir automóveis.

Só a imbecilidade do “tuga” o faz preferir estar 2 horas em fila de manhã, e mais 2 horas à tarde, para ir de carro para o trabalho. Porque ao contrário do que diz o Daniel, o transporte público não é um quebra cabeças. Tem até vias próprias e prioritárias.

O problema do Daniel é que provavelmente não entra num transporte público desde os 18 anos. Eu tenho um automóvel híbrido (que até gasta pouco) mas estou extremamente contente por, nos últimos meses, ter a possibilidade de ir de autocarro para o trabalho.

Aliás, nos últimos tempos, o carro nem sai da garagem. Vou para todo o lado de autocarro, metro e comboio. Evito perder horas de vida e paciência no trânsito, poupo em gasolina e estacionamento, ajudo o meio ambiente, e até a dependência energética do país.

O Daniel compara o preço do transporte público com o automóvel. Vamos a contas: Passe Social = 360€/ano. Com 360€ compra-se 240l de gasolina, o que dá para percorrer 4000km. Essa é distância que um morador da periferia de Lisboa/Porto percorre em 4 meses.

Para além do combustível há que pagar o automóvel. Que se saiba, não há automóveis abaixo dos 10.000€. Num crédito a 4 anos a mensalidade nunca seria abaixo de 200€. Ou seja, em vez de 30€/mês (transporte público) a pessoa despenderia 300€/mês (automóvel).

Mas torno a concordar com o Daniel: “Os transportes públicos dão prejuízo porque foram mal geridos“. Há dias numa conversa no twitter com o Carlos Vargas (jornalista, director RTP Mobile) ele dizia-me que os transportes públicos tinham de dar prejuízo.

Como é óbvio discordei. Se assim fosse, como raio existiam empresas privadas de transportes colectivos? E porque raio quereriam empresas privadas e estrangeiras (como a Barraqueiro ou a Transdev) tomar conta do Metro, da Carris, da Fertagus e da CP Urbanos?

Conclusão o Passe Social + é uma boa medida para ajudar quem menos tem. Vai permitir-lhes ter o Passe Social praticamente ao preço antes dos aumentos. O Passe Social normal, por mais que suba, ficará sempre mais barato que andar de carro. A escolha é das pessoas.


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