CA Trofa e Frederico Gil, que importa?

09/05/2010

Podia reproduzir aqui, quase integralmente, o que escrevi no dia 4 de Maio de 2009. Poucas diferenças há passados 370 dias. Em vez de “tri” o CA Trofa é “tetra” campeão nacional de voleibol feminino, e em vez de ter sido na Trofa, a vitória final foi nas Lajes do Pico. De resto, tudo na mesma. Os vencedores são praticamente os mesmos e a vergonhosa actuação da FPV é protagonizada pela mesma direcção.

Desta vez além de não haver representantes da FPV a ver os jogos da final, de estes não terem honras de transmissão na TV, e de não haver entrega de prémios, nem sequer houve a dignidade de enviar a estatística. Ou seja, na próxima gala da FPV, os prémios para as melhores atletas vão ser sorteados, atribuidos a olhómetro, ou então serão apenas mais uma farsa.

No meio disto, há que dar os parabéns ao CA Trofa (seus técnicos, atletas e dirigentes) pelo conquista do 5º campeonato, e também ao CD Ribeirense (seus técnicos, atletas e dirigentes) que foi um digno vencido. Estas duas equipas são o exemplo do que melhor há no abandonado e esquecido voleibol feminino. Trabalho, exigência, dedicação, esforço, sacrifício são palavras que estas atletas bem conhecem.

Este feito do CA Trofa (5 campeonatos + 4 Taças em apenas 6 anos) obviamente não terá o relevo que merece por parte de uma comunicação “dita” social que está “reservada” para a mentira do futebol. Isto acontece num fim-de-semana em que também se escreveu história no ténis português (o feito de Frederico Gil é equivalente a um clube de futebol estar na final da Taça UEFA) mas que nada interessará.

O zé povinho quer é bola e Benfica… e o poder (político e económico) dá-lhe isso mesmo. Assim pode continuar a fazer o que bem lhe apetece e a viver às custas do povo. De resto, como diz a música: Vamos cantando e rindo alegremente, deixando que a merda nos chegue aos ouvidos.


Feminino, um problema de mentalidades

23/04/2010

Na semana passada o “universo do andebol ficou em choque com o anúncio do abandono de Alexandrina Barbosa da Selecção Nacional“. Além disto a melhor jogadora portuguesa de sempre confirmou que irá naturalizar-se espanhola. Alexandrina justificou esta sua radical opção com a “forma como o andebol feminino português está, e é tratado“. Segundo a atleta que alinha actualmente pelo Itxaco de Espanha, o andebol em Portugal “nunca evoluirá mais do que aquilo que já evoluiu” apesar de garantir que “há bastante valor entre jogadoras e técnicos“. A atleta, que se pode sagrar campeã espanhola este ano, disse ainda “tenho jogado ao mais alto nível e não posso mais trabalhar nestas condições“.

Não posso condenar esta atleta pela sua decisão. E não posso fazê-lo porque tenho bem presente que o desporto feminino português, nos moldes em que é gerido actualmente, não passará do amadorismo. E por isso é impossível que mulheres talentosas possam vingar numa carreira desportiva. Nem sequer têm a possibilidade de ingressar numa carreira internacional porque, como diz e bem a andebolista, não há condições para evoluir a nível técnico, táctico e psicológico.

Portugal é sobejamente conhecido pela sua disparidade e desequilíbrio em certas áreas. Isso está correlacionado com a mentalidade retrógrada da maioria dos portugueses. Algo que se verifica com grande incidência no que toca à discriminação da mulher na sociedade, seja em casa, no trabalho, na política ou até no desporto. Mas depois todos se regozijam quando vêem aprovadas leis que obrigam à inclusão da mulher. Mas em que século vivemos? No século XVIII? Em que país vivemos? No Sudão? Proclamamo-nos como um país de 1º mundo, europeu, desenvolvido e depois temos de ser “obrigados” a tratar de igual forma as mulheres?

O desporto feminino em Portugal, não tem só um problema de falta de aposta, de falta de investimento. Tem um problema gravíssimo que está directamente ligado à mentalidade dos dirigentes, adeptos, patrocinadores e comunicação social. Mentalidade essa que quando se vê confrontada com os factos se apressa a fugir às responsabilidades e a dar como argumentos medidas avulsas que pretendem apenas “tapar o sol com a peneira”. No voleibol, tenho a certeza que se alguém criticasse a FPV pelo abandono da modalidade no género feminino, os seus responsáveis viriam logo dizer que até contrataram uma treinadora cubana de renome para as selecções. Como se isso resolvesse alguma coisa.

Temos provas de que há mulheres tão ou mais talentosas que os homens em várias modalidades. Mulheres essas que podem levar bem alto o nome de Portugal, tornar-se modelos para os mais jovens e contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e rica. Mas insistimos em deixá-las cair, desperdiçando assim um capital que elas nos podem oferecer. No voleibol temos imensas atletas com potencial para crescer e estar entre as melhores. Infelizmente elas não têm condições para evoluir, nem oportunidades para se mostrar. Não há possibilidade dos clubes participarem nas provas europeias, e a selecção nacional é tão fraca e esquecida pela FPV que as melhores abdicam de a representar.

Chega de palavras vazias e de atitudes hipócritas que nada resolvem. Está na altura de haver uma verdadeira revolução de mentalidades. É hora de começarmos a olhar para a mulher e cumprirmos o que está estabelecido no acordo da ONU: “A mulher deve ter o direito à igualdade e a estar livre de todas as formas de discriminação“. Deixemos de olhar, gerir e pensar o desporto feminino – em particular o voleibol, que é o mais praticado – como se de caridade se tratasse. Vamos apostar forte e confiar nas capacidades das nossas mães, irmãs, filhas, primas, sobrinhas ou amigas. Elas têm esse direito.

Nota: Aproveito para deixar aqui também uma curta e interessante entrevista feita há uns tempos pela revista “a página” à Prof. Paula Botelho – Presidente da Associação Portuguesa Mulheres no Desporto


Sovolei Vídeos

04/01/2010

O site de voleibol – único em Portugal exclusivo desta modalidade, a 2ª mais praticada no país a seguir ao futebol – para o qual colaboro, o Sovolei, começa 2010 em grande e dá hoje mais um importante passo.

Depois de cumpridos objectivos como a ultrapassagem de 1000 visitas diárias (30.000 visitas/mês) ou a organização de eventos (como o 3º Torneio Município Trofa), o Sovolei sobe mais um degrau e abre oficialmente o Sovolei Vídeos através do Youtube.

Este canal deverá servir para a divulgação de vídeos realizados pela equipa do Sovolei, pelos seus leitores, ou por qualquer adepto do voleibol. Para que possam ser publicados, os vídeos deverão ser enviados para videos@sovolei.com


Uma solução para o voleibol

28/09/2009

Como interessado no desenvolvimento do voleibol em Portugal, e analisando a realidade da modalidade no nosso país, sugeri uma hipótese para solucionar o problema, escrevendo este artigo de opinião no Sovolei.

Em Portugal a modalidade de voleibol, comparada com outras, é de uma pobreza extrema. E isto passa-se em todas as áreas que envolvem a actividade desportiva. O voleibol não tem comparação sequer, com outras modalidades praticadas no nosso país. Isso vê-se bem se analisarmos os resultados obtidos em competições de nível internacional. De 5 em 5 anos temos uma equipa que faz pequenas surpresas no estrangeiro (Castêlo da Maia, Vitória, CA Trofa, CD Ribeirense). Temos, todos os anos, equipas que têm direito a participar nas provas europeias e abdicam. E porquê?

Actualmente, os clubes pagam tudo. As despesas são com os atletas (mesmo quando estes estão ao serviço das selecções), os árbitros, as viagens, as estadias, os pavilhões, etc. E, hoje em dia, que clubes podem suportar isto? Só temos meia-dúzia de clubes totalmente profissionalizados e mesmo esses perdem dinheiro com o voleibol. Conseguem é suportar-se noutras receitas, vindas principalmente do futebol (como SL Benfica e Vit.Guimarães) das autarquias ou dos governos regionais (casos de CD Ribeirense e CS Madeira). Esta é a razão para o nosso voleibol ser tão fraco.

Podemos com toda a certeza dizer, que a modalidade sobrevive apenas por causa do esforço tremendo dos atletas, do trabalho incrível dos técnicos, da dedicação imensa dos directores e da muita carolice de outros amantes da modalidade. Para quem gosta de voleibol e vive esta modalidade com paixão, chega a ser cruel a forma como são (des)tratados todos estes intervenientes, pelas autoridades que têm a responsabilidade de gerir o voleibol.

Parece-me evidente que passados tantos anos, a solução só pode passar por criar uma Liga de Clubes, para que seja esta a gerir os campeonatos nacionais. Assim, os reais interessados (os clubes) poderiam fazer um melhor trabalho, já que sabem bem as dificuldades e necessidades que têm. Mais ainda, sendo eles os interessados zelariam sempre pelo seu desenvolvimento em vez de andarem a trabalhar em prol de objectivos pessoais ou políticos. Em conjunto, os clubes saberiam gerir melhor os horários das partidas, as transmissões na TV, as incursões nos orgãos de comunicação social, os direitos publicitarios, etc.

Em todos os países – que são actualmente as maiores potências do voleibol – existem Ligas de Clubes que organizam os campeonatos nacionais. Na Europa, veja-se bem o exemplo da Itália que é talvez o expoente máximo do voleibol europeu. Basta visitar e pesquisar um pouco o site da Liga (feminina: www.legavolleyfemminile.it e masculina: www.legavolley.it), para se perceber o porquê da dimensão do voleibol neste país.


O estado do voleibol português

06/07/2009

Interesso-me pelo voleibol português e impressiona-me, tal como noutras modalidades, a discriminação que é feita em relação ao género. Envergonha-me também que todas as federações deste país tenham como dirigentes, gente que olha apenas pelos seus interesses. Enoja-me o facto de a comunicação social e a sociedade, juntamente com os intervenientes (atletas, dirigentes, treinadores, etc) nada fazerem contra isto.

Uma pedrada no charco. É o que se pode dizer desta entrevista de Manuel Barbosa, treinador da equipa feminina de voleibol do Clube Académico da Trofa (tri-campeão nacional).


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