Sócrates faz escola… no PSD (I)

04/10/2010

Para contextualizar, recordo que há cerca de 10 anos o Ministro do Ambiente de então, José Sócrates, decidiu criar em várias zonas do país aterros sanitários e de resíduos. Rapidamente se instalou a confusão pelo facto de haver poucos factos a sustentar a decisão, por ela ter sido tomada à pressa, e por haver interesses obscuros pelo meio.

Estive por dentro do processo que levava à criação de um aterro no concelho da Figueira da Foz. Na altura a Junta de Freguesia (PS) a Câmara Municipal (PSD) e especialistas da Univ. Coimbra deram pareceres negativos. Isto porque o local ficava abaixo da linha do mar, a menos de 1,5 Km de uma povoação e a menos de 500m do rio Mondego.

Travou-se uma luta (liderada pelo então Presidente da Junta) desigual entre a população e o Governo, e conseguiu-se suspender o avanço do aterro. Para isso foi preciso que vários intervenientes vincassem bem a sua honestidade e integridade, não cedendo a interesses obscuros ou lobbys.

Passados estes anos soube-se nos bastidores que a Câmara Municipal (agora PS) e a Junta de Freguesia (agora PSD) dariam o aval para o avanço do aterro. Provavelmente cedendo aos tais interesses obscuros e lobbys, porque os contras da localização são evidentes. Mas a população está atenta e, por enquanto, continua tudo suspenso.

No entanto, o que importa nesta história é denunciar a cara de pau do actual presidente da Junta que esta semana veio, numa entrevista ao Diário de Coimbra, dizer que foi ele que ganhou a luta antiga e árdua de não deixar avançar o aterro.

Logo ele que: não mexeu uma palha na luta pela suspensão do aterro; por trás, tentou até boicotar algumas acções dos que lutavam; concordou que o aterro avançasse quando tomou posse em 2009… haja descaramento !!!


Mais vale remediar que prevenir (III)

18/08/2010

Em mais uma notícia publicada hoje pelo jornal i, se confirma o que escrevi no post de ontem. Este governo despreza a gestão da floresta e a prevenção dos fogos. Francisco Moreira, investigador do Instituto Superior de Agronomia, diz que “Se se viu algum avanço desde os anos críticos de 2003/2005 foi no combate. Na prevenção e na gestão florestal está tudo praticamente na mesma“. Diga-se que o avanço no combate tem sido apenas atirar Canadairs (ou seja, mais dinheiro) para cima do problema.

Confirma-se também o que escrevi em relação ao combate. É mesmo preciso formação para bombeiros, em especial os seus comandos. Joaquim Sande Silva, especialista da Liga para a Protecção da Natureza, diz que “os reacendimentos reflectem a formação e dispersão dos meios […] o rescaldo continua a fazer-se com água, quando deveria limitar-se a área queimada com ferramentas manuais. Os bombeiros voluntários não têm essa apetência“.

Isto demonstra que não só as prioridades do governo estão ao contrário, como também este é um executivo autista, já que não faltam pessoas especializadas (Engenheiros, Técnicos, etc) na gestão, prevenção e combate ao fogo. Pessoas essas preteridas pelos “afilhados” e “enviados” com cartão de militante da côr do partido do Governo.


Mais vale remediar que prevenir (II)

17/08/2010

Este artigo do jornal i confirma o que escrevi neste post. Não há efectivamente em prática um plano para a prevenção dos incêndios nas florestas. O relatório de avaliação do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios detecta várias falhas que acabam por ser decisivas e redundar em tragédia.

Tal como estava à vista, todas as lacunas são relacionadas com a aposta na prevenção. Escrevi há dias: “Não há investimento na gestão e segurança da floresta portuguesa“. O relatório confirma: A taxa de execução da gestão de áreas florestais é de 17% em terrenos públicos e 13% nas áreas privadas.

O relatório diz que é notório o atraso na elaboração dos planos municipais de defesa da floresta, e falta informação para avaliar a sua execução. Isto é consequência de, tal como já disse, a gestão da floresta estar nas mãos de políticos (ou dos seus “afilhados”) ao invés de ser da responsabilidade de técnicos qualificados.

Também na área da prevenção, as acções de formação de população e GNR está abaixo do previsto, e não foi adquirido equipamento essencial para o cumprimento da missão florestal. Eu acrescento que é necessário formação de combate aos bombeiros e também (quiçá mais importante) de estratégia de combate aos seus comandos.

Além disso devia-se acabar também com as nomeações políticas para lugares chave na prevenção e combate. Como por exemplo na ANPC, GTFs das Câmaras Municipais, ou corporações de bombeiros (Voluntários e Municipais).


Mais vale remediar que prevenir

12/08/2010

Sócrates, o Governo e o PS já nos habituaram a ter as prioridades e os princípios todos ao contrário, de pernas para o ar. Já não é novidade, e foi até provado em quase todas as áreas de governação, que para Sócrates (o seu Governo e o seu PS) o 2 vem antes do 1.

Preferem subir os impostos e atacar o défice pela receita ao invés de baixar a despesa. Preferem acabar com os chumbos nas escolas ao invés de ensinar e cultivar a exigência e o mérito. Preferem gastar milhões de euros em combate aos fogos do que preveni-los.

De há uns anos para cá, todos os verões o país é literalmente consumido pelas chamas, e nada é feito para o prevenir. Quando chega a essa altura, venham de lá os milhões para pagar meios terrestres, meios aéreos, prejuízos materiais e até mortes.

Não há, em prática, estratégia para prevenção do fogo. Não há investimento na gestão e segurança da floresta portuguesa. Como é possível termos a gestão da floresta entregue aos responsáveis dos jardins dos municípios? Como é possível termos guardas-florestais de parques nacionais parados por falta de dinheiro para a gasolina? Onde estão as ZIF?


O Portugal que não quero (IV)

19/07/2010

Um presidente de junta de um concelho que conheço bem, cometeu um crime ambiental mandando arrancar uns carvalhos, devastar um eucaliptal e até destruir uns plátanos na sua freguesia. Foi naturalmente “condenado” pela população, mas já não havia nada a fazer.

Para limpar a face pensou mais tarde plantar umas árvores mas, para não cometer nova asneira, resolveu consultar alguém. Depois do que fez, ninguém ligado à área florestal o apoiaria e por isso virou-se para uma jovem recém-licenciada em Arquitectura Paisagista, que era moradora na freguesia e estava desempregada.

Vai daí o xôr Presidente prometeu-lhe um emprego em troca de um parecer favorável à nova plantação. Mas entretanto soube que a Portucel/Soporcel oferecia árvores para plantação. Assim sendo, oferecidas por tão credível empresa, achou que já não precisava da inocente menina, desprezando-a. De qualquer forma não deixou de espalhar que tinha consultado a “especialista”.


Junta comete crime ambiental na Fig. da Foz (III)

12/02/2010

Ainda há muito quem diga que o actual executivo da Junta de Freguesia de Maiorca – na Figueira da Foz – não cometeu nenhum atentado ambiental. Será que esses não percebem o que deve uma junta fazer? Deve zelar pelo bem estar da população e deve trabalhar pelo desenvolvimento da terra. Deve andar para a frente, como se costuma dizer. Vejam então as fotografias do parque de merendas junto à fonte, onde se “assassinaram” plátanos lindíssimos que davam a vitalidade aquele local. Digam se Maiorca (e a sua população) andou para a frente… ou para trás.

O belo cenário no passado

A alegria de há uns tempos atrás

A triste imagem actual

O desolador cenário de hoje


Junta comete crime ambiental na Fig. da Foz (II)

09/02/2010

As “obras” do novo executivo da Junta de Freguesia de Maiorca:

Corte ilegal de Carvalhos junto ao Campo de Futebol

Devastação do Eucaliptal junto ao Parque do Lago

Destruição dos plátanos da Feira Velha

Poda “assassina” dos Plátanos junto ao Parque da Fonte

(Caricatura da autoria de Fernando Campos)

O autor moral da “façanha” (Caricatura da autoria de F.Campos)


Junta comete crime ambiental na Fig. da Foz

27/01/2010

Dois crimes ambientais foram cometidos na freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz. E por mais improvável que pareça (ou não) estes crimes tiveram a mão da nova Junta de Freguesia, eleita há pouco mais de 3 meses, e presidida por Filipe Dias. A poda que a Junta mandou fazer aos plátanos da “feira velha” transformou-se – por manifesta incompetência e ignorância – num massacre. Cortaram os fortes ramos com motoserras, e deixaram as árvores em estado lastimável (como disse o autor do blog figueiranafoz, citando alguns moradores).

Não contentes, por terem destruído os plátanos que estavam na “feira velha”, e eram até hoje o pórtico na entrada da freguesia, os membros da actual Junta deram ordem para devastar o eucaliptal junto do Parque do Lago (que nem sequer pertence à Junta, mas à Câmara Municipal). Tal como diz o Diário de Coimbra: Aquele eucaliptal dava acesso a um espaço privilegiado… e que contempla designadamente um moinho, a piscina, o largo da feira […] onde “muita gente no Verão fazia piqueniques, aproveitando a sombra“, dizia um maiorquense. Outro habitante disse que “a outra junta gastou tanto tempo e dinheiro a tratar disto, para agora virem estes e deitarem tudo abaixo“.

Filipe Dias, já consciente da borrada que fez, tenta explicar dizendo que “os eucaliptos já não dão mais“. Desculpa esfarrapada e fácilmente rebatida por Francisco Caetano que em comentário à notícia dizia: “devido ao seu porte, localização e idade, assumem características de povoamentos em espaço de protecção e lazer cujo valor patrimonial e paisagístico vais sempre aumentando.”

Outro comentador e Figueirense indignado sabe do que fala. António Patrão (Engº Florestal) da Autoridade Florestal Nacional dizia: “É pena que em Portugal a democracia ainda consiga elejer a imbecilidade… Há crimes irreparáveis?“. Era precisamente com este tipo de especialistas que a Junta se devia ter aconselhado antes de fazer tal barbaridade. Algo que o anterior Presidente da Junta, José Ligeiro, conscientemente fez: há uns anos atrás, pediu ao especialista Francisco Coimbra (considerado como uma referência em termos de árvores florestais e ornamentais), que aconselhasse “e ele veio dar explicações como se devia cortar. A opinião era que nem se devia mexer, mas a cortar, nunca se deve cortar os troncos, para preservar“.

Fernando Campos, no seu blogue, diz que “Os animais que perpetraram esta selvajaria têm nome e, pelos vistos, impunidade: Filipe Dias, o jovem presidente da Junta de Freguesia de Maiorca“. Eu concordo e acrescento que isto não se tratou só de ignorância e incompetência. Tratou-se de um acto arrogante e provocador á população. Uma tentativa de “mostrar quem manda” á sociedade civil maiorquense. Mas saiu o tiro pela culatra. Cometeram um erro irreparável. Exige-se um pedido de desculpas publico á população. E os maiorquenses não podem ficar calados. Têm de o exigir.


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