Rui Rio e os deputados incompetentes

20/07/2019

Em Portugal, é suposto um membro da Assembleia da República (ou, mais comummente, deputado), representar aqueles que o elegem. Por exemplo, os 17 deputados eleitos pela coligação PSD/CDS no círculo eleitoral do Porto, nas eleições legislativas de 2015, deveriam ter representado os interesses dos 380.000 eleitores que depositaram neles o seu voto.

Entre eles estava Andreia Neto, que foi indicada pela Comissão Política Concelhia do PSD de Santo Tirso, para representar aqueles Tirsenses (militantes e simpatizantes) que, tal como eu, apoiavam os ideais do PSD, bem como as ideias e medidas apresentadas no seu programa de governo. Andreia Neto foi eleita no lugar número 12.

Uma visita à página do parlamento que regista a actividade dos deputados, mostra-nos que a actividade de Andreia Neto, ao longo da legislatura está longe de ser satisfatória, está a anos-luz de ser impressionante, ou sequer ligada aos mais prementes interesses daqueles que deveria representar – os eleitores de Santo Tirso, primeiro, e de todo o distrito do Porto.

Aliás, em 4 anos, há apenas um registo (um único) em que se menciona “Santo Tirso“. Foi numa sessão em que se falou da reversão de hospitais para o Ministério da Saúde, Andreia Neto interveio para dizer: “O PSD e as populações de Santo Tirso e de São João da Madeira não vão esquecer mais este ataque aos seus legítimos interesses e direitos a uma prestação de serviços de saúde digna, alargada e próxima das populações“.

De resto, alguns exemplos da sua actividade parlamentar abaixo…


Iniciativas Apresentadas: Alteração ao Código Penal, criminalizando a conduta de quem mate, sem motivo legítimo, animal de companhia.

Perguntas Apresentadas: Quais as medidas adotadas pelo Governo para travar o flagelo dos acidentes rodoviários no Distrito de Évora?… Grave Situação Financeira em que se encontra Bombeiros Voluntários de MourãoEnvolvimento da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil nas filmagens de telenovela.

Nomeações como Relator – Petições: Contra o encerramento da 10.ª esquadra PSP de Lisboa (Arroios-Areeiro)

Intervenções: Pelo fim do Outsourcing na prestação de cuidados de saúde e de acompanhamento psicológico nos estabelecimentos prisionais… Voto de Pesar pelo falecimento de Fidel de Castro.


Os deputados são quem, na Assembleia da República, tem poder legislativo. Quem cria, propõe, e aprova decretos ou leis. Quem decide quais são as regras do jogo (aquele que alguns, loucos, preferem chamar “as nossas vidas”). Regras essas que têm um impacto DIRECTO nas vidas dos portugueses.

A Comissão Política Concelhia do PSD de Santo Tirso não pode cair no erro de nomear, novamente, gente incapaz e incompetente para representar os seus eleitores. A Comissão Política Distrital do PSD do Porto não pode cair no erro de colocar essa gente em lugar elegível na lista candidata. A Comissão Política Nacional do PSD não pode permitir a aprovação de nomes que manifestamente não servem os interesses dos seus eleitores.

Não podem. Sob pena de o povo Português, cada vez mais insatisfeito com os actuais partidos políticos, castigar nas urnas um partido que nasceu e cresceu precisamente apoiado pelo povo (e não por um qualquer regime ou interesse internacional). Sob pena de arriscarem o fim do partido mais Português de Portugal, e da memória de Francisco Sá Carneiro, que faria ontem 85 anos.

Acredito que com Rui Rio, os tais incompetentes – na sua maioria representantes de caciques – não verão vingada a sua intenção de se juntar à “Cúpula de Lesboa” apenas para comer da gamela do Estado (vulgo, o dinheiro dos contribuintes Portugueses).


A defesa da deputada, pelo ex-presidente

29/09/2018

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Caro Carlos Valente, nem todos queremos ser presidentes do Rancho Folclórico, presidentes da Associação Recreativa, presidentes da Junta de Freguesia, presidentes dos Bombeiros, presidentes do Clube de Futebol ou presidentes da Câmara. Alguns de nós têm ambições diferentes, que não passam pela política. Temos carreiras profissionais, família, e muitas outras coisas que nos fazem felizes. E não precisamos de ter um cargo político para nos sentirmos realizados.

Mas isso não nos impede de ser militantes de um partido político. Aliás, o facto de não querermos (ou podermos) abraçar o serviço público torna o dever cívico e de militância activa ainda maior, porque nenhum cidadão se deve demitir das suas responsabilidades em democracia. Nem que essa seja a do “simples” voto e fiscalização dos seus eleitos. É exactamente aquilo que eu faço.

Sou militante do PSD há 20 anos, mas há muitos mais que ando na vida partidária. Sem qualquer interesse pessoal ou objectivo político. Faço-o por acreditar na militância activa e no projecto social democrata do PSD. Ao contrário do Carlos, que apenas está habituado a dar a cara e fazer campanha quando é candidato ou tem algum interesse, eu tenho dado o meu contributo ao PSD sem calculismos.

Fiz campanha de Norte a Sul. Percorri o Minho, de Terras de Bouro a Montalegre, ou de Vieira do Minho a Vila Verde. Percorri Trás-os-Montes de Mirandela a Vila Real, ou de Bragança a Macedo de Cavaleiros. Percorri o Doutor Litoral, do Porto a Amarante, de VN Famalicão a Felgueiras. Percorri a Beira Litoral, Beira Alta e Beira Baixa, da Figueira da Foz ao Fundão, ou da Guarda a Idanha a Nova.

Fi-lo em campanha para eleições Legislativas, Europeias, Presidenciais, e Autárquicas. Nestas, levantando cartazes e outdoors, apoiando, dando a cara, falando com as pessoas, distribuindo bandeiras, autocolantes, canetas e aventais, por candidatos que na maioria das vezes nem conhecia. Por gente como José Manuel Fernandes (na altura desconhecido candidato a Presidente da Câmara de Vila Verde, distrito de Braga), hoje um dos mais competentes deputados Europeus, e capazes quadros do PSD.

E também o fiz por alguns que conhecia bem, em Santo Tirso. Não falhei um dia das campanhas autárquicas de David Assoreira ou João Abreu. E nessas, fiz campanha por vários candidatos às Juntas de Freguesia. Como Alírio Canceles, Manuel Mirra, ou mesmo o Carlos Valente. E só por isso o Carlos devia ter mais respeito. Porque o fiz sem ser candidato a nenhum lugar, com abnegação e desinteresse.

Não me arrependo de até ter perdido anos na faculdade, por ter andado demasiado dedicado ao partido e envolvido em campanhas. Nem de ter feito esforços na vida pessoal e profissional para me meter sozinho em carros de som, a percorrer freguesias e a distribuir panfletos com a cara do candidato, ao som dos hinos do PSD e da campanha. Um desses foi Manuel Mirra, e outros como o Carlos, que agora se sentem muito incomodados com a minha opinião.

Muitas vezes, por esse país fora, trabalhei para o PSD, acompanhado por vultos do partido, como Amândio de Azevedo ou Fernando Alberto Ribeiro da Silva. Fundadores e figuras de proa do PSD, que provavelmente o Carlos e a Andreia nem conhecem, porque estes nunca andaram na política para apareceram em eventos a tirar selfies. Nem nunca puseram interesses ou objectivos pessoais, à frente dos do PSD e do país – como os vossos amigos Luís Montenegro ou Marco António Costa.

Sou cidadão Português, e como tal exerço o meu direito e dever civil e político naquele que ainda é um estado livre e democrático. Ao contrário da maioria (com muita pena minha) não abdico dos meus direitos, e acima de todos está o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Estarei longe de ter sempre razão, mas nunca abdicarei nem esconderei a minha opinião. Nem com ameaças de processos em tribunal, nem com ameaças de confronto físico. O Carlos e a Andreia podem convencer-se disso.

Finalmente, estranho esta nova forma de estar do Carlos. Que ainda há poucos anos concordava comigo e até era posto no mesmo saco pelo caudilho que na altura liderava o PSD Santo Tirso. Tanto que o Carlos até vinha ao meu blogue defender posições e atacar aqueles a quem hoje se juntou (basta procurar os comentários nos vários posts publicados).

Parece que bastou a amizade (circunstancial) com a sra. Deputada, um lugar elegível na lista de vereadores, e uma ilusão de proximidade ao poder, para o Carlos agora se prestar a fazer estes papéis. Não só o de vir “defender a honra” da Andreia Neto, mas também de vir puxar dos galões, assinando o seu comentário com “Carlos Valente, P. Junta Vila das Aves de 2002/2013 eleito pelo PSD, 3 Vitórias com maioria absoluta onde o PSD nunca tinha ganho”.

As suas conquistas políticas, como tenho a certeza compreenderá, impressionam-me pouco. E parefraseando o presidente do PSD, Rui Rio – a mim ninguém me cala, e estou cheiinho de medo das ameaças que (em público ou privado) o Carlos e a Andreia me fazem. De resto, convivo bem com o pluralismo e democracia. E, ao contrário do Carlos e da Andreia, tenho estômago para ser criticado, e elevação para saber discutir.

Assinado: Luís Melo. Militante de Base do PSD. Nunca ocupou algum cargo público, ou alcançou como candidato vitórias eleitorais pelo PSD (talvez por nunca ter aceite lugar em listas, mas o mais provável era ter sido derrotado de qualquer maneira). Derrotado várias vezes em listas candidatas à JSD e PSD Santo Tirso, à associação académica na faculdade, à associação de estudantes no liceu, e a delegado de turma no ciclo.


Queixinhas da deputada ao Ministério Público

27/09/2018

Ao que sei, o executivo camarário decidiu baixar os impostos cobrados às famílias e empresas. A ser verdade, e independentemente de tudo o resto, é uma medida meritória que virá beneficiar a população, e será bem vinda, já que o contribuinte tem sido “castigado” desde 2011 com variadíssimos aumentos de impostos.

Os vereadores do PSD, liderados por Andreia Neto, decidiram fazer queixa ao Ministério Público – como se pode ver na imagem acima, que mostra uma publicação no Facebook da deputada. Independentemente da razão que possam ter, em relação a uma eventual falta no procedimento, isto é absolutamente descabido e desmesurado.

E apenas mostra que Andreia e companhia continuam a preferir a politiquice, a guerrilha partidária, o remoque e o ataque pessoal, ao invés de seguir o exemplo do presidente do PSD, Rui Rio, que tem trazido uma forma diferente de estar na política, com honestidade, seriedade e responsabilidade.

Aliás, o Ministério Público deve com certeza ter coisas bem mais importantes que fazer, e nas quais gastar o seu tempo e os recursos do contribuinte, do que as queixinhas e caprichos de Andreia Neto.

Como militante do PSD gostaria de ver a Comissão Política Concelhia intervir, mas imagino que – como vem sendo habitual ao longo dos anos – os vereadores que representam o partido e os seus eleitores, estejam a agir em causa e propósito próprio, sem dar cavaco aos responsáveis do partido em Santo Tirso.


Boas Festas da Senhora Deputada

01/01/2018

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Um dos maiores problemas de Portugal está, na minha opinião, na frequência da Assembleia da República.

A começar pelo seu presidente, Eduardo Ferro Rodrigues, que por diversas vezes, ao longo da sua carreira política, demonstrou falta de integridade, competência ou dignidade, para ocupar tão alto cargo – segundo na hierarquia da República Portuguesa.

Mas principalmente nos deputados, que salvo raríssimas excepções (para as quais este escrito é injusto), demonstram todos os dias sofrer do mesmo mal. Falta de integridade, competência ou dignidade para ocupar tão importante lugar e desempenhar tal função.

A recente polémica da Lei do Financiamento dos Partidos é apenas mais uma prova disso mesmo. De que a Assembleia da República é mal frequentada. Por pessoas que não têm sentido de missão ou de responsabilidade, não têm honra ou brio, não têm respeito ou vergonha.

Sim, sei que foram eleitos, e ainda bem que assim foi. Sou um acérrimo defensor da democracia representativa e participativa. Infelizmente, por razões que não vale a pena dissecar neste post os Portugueses conseguiram eleger para seus representantes o pior que a sociedade tinha para oferecer.

A fotografia acima é apenas mais uma, muito pequena, prova. Andreia Neto, minha conterrânea, deputada do PSD eleita pelo círculo do Porto (não por mérito mas para cumprir a Lei da Paridade nas listas) enviou para minha casa dois postais de “Boas Festas”.

Uma hipocrisia. Andreia Neto tem liderado um cacique no PSD Santo Tirso, que tem por único objectivo servir-se do partido e dos lugares que consegue para proveito próprio. Eu tenho sido um dos maiores críticos da sua acção política. Como fracos políticos profissionais Andreia e o seu cacique levam as coisas para o campo pessoal.

No entanto Andreia envia não um, mas dois postais, e atreve-se a assinar “com amizade“. Quando sabe perfeitamente que nunca fomos, nem somos, amigos – independentemente da vida partidária ou diferenças políticas. Quando ela sabe, que eu sei, que estes postais não são de todo sinceros.

Um desperdício. De papel e de dinheiro dos contribuintes. Se Andreia Neto, os seus colegas deputados, ou a Assembleia da República tivessem um mínimo de respeito pelos Portugueses (e já agora pelo ambiente) enviavam um email (estamos no séc. XXI) que não tinha custos ou, no limite, uma carta por agregado familiar.

Pus-me a pensar. Será que todos os 230 deputados enviaram estes postais de “Boas Festas”, em duplicado ou triplicado, para todos os Portugueses? Para todos os eleitores? Para um grupo restrito de pessoas que alguém, por eles, escolheu? Quantos postais e envelopes? Milhões? Centenas de milhar? Dezenas de milhar? Milhares? Quanto custou?

A verdade é que estas coisas, por pequenas (postais de “Boas Festas”) ou grandes (Lei do Financiamento dos Partidos) que sejam, nem sequer lhes passam pela cabeça. Porque na sua maioria sofrem de Dunning-Kruger Effect, e o poder sobe-lhes à cabeça de tal maneira que pensam que são iluminados ou enviados. Que podem dizer e fazer tudo. Sem nunca se questionar a si próprios, quanto mais serem questionados – os donos deste país.


Volte-face no PSD Santo Tirso

26/11/2017

Volte-face no PSD Santo Tirso. José Gonçalo Silva, que aceitou ser Pau de Cabeleira de Andreia Neto e da sua pandilha, desistiu da candidatura a Presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Desenganem-se aqueles que acham que finalmente Andreia Neto e os seus seguidores cairam em si e se enxergaram da derrota histórica que tiveram nas Autárquicas 2017, envergonhando mais uma vez o PSD.

Andreia Neto disse no Facebook: “O resultado não foi o que desejámos mas não só melhoramos o score eleitoral como nos orgulhamos da campanha mobilizadora que fizemos“.  José Gonçalo Silva afinou pelo mesmo diapasão: “pretendi liderar um projeto político assente (…) na continuidade de um trabalho que considero muito positivo”.

É difícil perceber de que resultados falam estes dois derrotados nas Autárquicas 2017. O score era de 5-4 (número de vereadores a favor do PS), e ficou em 6-3. A diferença de votos era de 5.000 (a favor do PS) e passou para 7.500. Para além disso, a campanha foi a mais suja e vergonhosa da história do concelho, muito por culpa dos reiterados ataques pessoais de Andreia a Joaquim Couto.

Andreia Neto disse mais: “hoje deve ser o momento de unir o PSD em Santo Tirso“. José Gonçalo Silva repetiu: “o momento é de união pelo nosso PSD”. Para além de não perceberam que isto é a demonstração de que falharam as promessas de união quando assumiram os respectivos papéis, desconhecem uma das maiores características do verdadeiro PSD, o pluralismo!

Andreia Neto diz “empenhei-me em que houvesse apenas uma lista candidata à comissão política (…) resolvi procurar que as ideias convergissem e o projeto fosse comum”. Na mesma linha, José Gonçalo Silva acha que “deve imperar a responsabilidade de perceber de que o momento é de união (…) e foi por isso que decidi não avançar com a candidatura”.

Esta ideia de que união só se consegue com listas únicas é, como todos sabemos, típica de comunistas e fascistas. Para além do mais, bastaria a Andreia Neto e a sua pandilha pensar no que aconteceu, e eles mesmos conseguiram, na última década em Santo Tirso. Sempre com listas únicas, o PSD Santo Tirso nunca esteve mais dividido.

Entretanto Zé Pedro Miranda também já anunciou e apresentou, via Facebook, a sua candidatura à Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso. Fê-lo indepentendemente de outros, o que por si só demonstra valores, princípios e convicções. Diz que o faz por “imperativo de consciência (…) para por em prática as ideias (…) de um partido mais forte, inclusivo, afirmativo, credível e de confiança”.


O Pau de Cabeleira de Andreia Neto

17/11/2017

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Foi no plenário (ou Assembleia de Secção) realizado no dia 27 de Outubro que mais uma farsa aconteceu no PSD Santo Tirso. O tema era “Análise da situação política” e após a maior derrota Autárquica de sempre, Andreia Neto pôs o lugar à disposição.

Ao que sei, discutiu-se brevemente a data de novas eleições. Falou-se em Janeiro 2018. O que a meu ver faria todo o sentido. Afinal de contas as eleições directas para eleger o líder nacional serão no dia 13 de Janeiro e seria normal marcar para o mesmo dia.

A verdade é que o Povo Livre de dia 1 de Novembro (5 dias depois do plenário) já trazia o anúncio de que as eleições locais estariam marcadas para dia 2 de Dezembro – pouco mais de 30 dias depois de Andreia ter anunciado que punha o lugar à disposição.

Ou seja, Andreia e a sua “pandilha”, tal como previsto, já tinham tudo planeado e enviado nota ao Povo Livre, de forma a encurtarem margem de manobra a qualquer candidatura que porventura pudesse vir a surgir.

E tal como esperado irão avançar com uma candidatura, ao que sei, liderada por Gonçalo Silva (candidato derrotado nas Autárquicas à União das freguesias de Areias, Sequeiró, Lama e Palmeira), que será apenas um “pau de cabeleira”.

Gonçalo Silva candidata-se para que em 2019 Andreia Neto não esteja impedida de assumir a liderança por limitação de mandatos, e possa assim ser líder aquando das Autárquicas 2021 – contornando os Estatutos do partido.

Tudo isto demonstra bem o que venho dizendo. Que quem “tomou de assalto” e controla o PSD Santo Tirso, tem pouco carácter. Valha-nos (aos militantes do PSD Santo Tirso) que há outra candidatura: a de Zé Pedro Miranda (em breve escreverei sobre isso).


Depois da derrota, mais do mesmo

30/10/2017

Por motivos óbvios não pude estar presente no último plenário do PSD Santo Tirso mas sei que, como sempre, foi divertido e com “mais do mesmo”. A única novidade foi mesmo um (esboço de) choro da presidente do partido. Encenação que apenas engana os incautos.

Como se esperava não há qualquer assunção de responsibilidade. Pelo contrário. Culparam outros, ou situações sobre as quais não tinham controlo. Ou seja, tal como previ há semanas atrás, repetiram o que Alírio Canceles tinha feito em 2013.

Pior. Depois da campanha eleitoral vergonhosa (que em certas alturas foi mesmo infame e torpe) continuaram a insistir que foi uma excelente campanha, pela positiva. O pior cego é aquele que não quer ver, e esta gente tem antrolhos que não deixam ver nem um palmo.

Houve também quem apontasse o dedo de culpa “áqueles” que os andaram a criticar no Facebook. Por um lado esquecem-se “daqueles” a quem pagaram para atacar Joaquim Couto, ou “daqueles” perfis falsos que criaram para desferir ataques pessoais ignóbeis a coberto do anonimato.

No seguimento, o presidente da JSD de Santo Tirso, que politicamente ainda “anda de fraldas”, resolveu dizer que “esses” que não concordavam deveriam ser expulsos do partido. Talvez devesse deslocar-se ao 2º Piso do Centro Comercial Carneiro Pacheco para se inscrever no PCP.

Andreia Neto, em vez de se demitir e se “esconder” em Lisboa depois da estrondosa derrota, pôs “o lugar à disposição”. Típico dos políticos fracos que querem dar uma falsa ideia de desprendimento. A ver vamos quem é que aparece como candidato desta “pandilha”.

Porque uma coisa é certa. Esta “pandilha” não vai ter a hombridade de reconhecer que errou, de assumir responsabilidades, e de se afastar para que outros possam fazer melhor. Não. Eles põem o “lugar à disposição” e depois candidatam-se outra vez. Com a mesma, ou outra cara, à frente.

A única dúvida é a de quem será essa tal cara. Dependendo de certas circunstâncias (ex. limitação de mandatos) e estratégias pessoais (ex. lugares de vereador ou deputado), poderá ser a mesma (ou seja, Andreia Neto) ou uma nova (como por ex. Altino Osório).

O que me surpreende cada vez menos é que tudo isto se passe com a conivência de figuras relevantes do partido no concelho, como José Pedro Miranda e Carlos Valente, que no passado nunca se associaram, e sempre se insurgiram, contra este tipo de prática.

Esses, pelo visto, no plenário, proferiram discursos redondos. Evitando ferir as susceptibilidades de quem está no poder (e provavelmente ficará, enquanto os caciques funcionarem) ou hipotecar qualquer cenário futuro (onde se possam perfilar, caso os actuais detentores do poder caiam).

Este PSD podre e pervertido irá continuar na mesma a não ser que os seus militantes (principalmente os que andam inactivos há quase 10 anos) e simpatizantes Tirsenses, de uma vez por todas, se levantem e construam uma alternativa que possa vencer o cacique.

Alternativa essa que não poderá nunca ser erguida apenas por uma só pessoa. Terá de ser erguida por um conjunto de vontades, vindas de dentro e de fora do partido. Talvez aproveitando a dinâmica que as eleições directas para os orgãos nacionais vão provocar nos próximos meses.


Não somos todos iguais

08/10/2017

No dia anterior às eleições, um amigo perguntou-me se era verdade o que se dizia em surdina. Que Joaquim Couto me teriam pago 5.000€ para escrever os artigos que publiquei no Era Mais um Fino nos últimos meses, criticando Andreia Neto e a sua candidatura. E que iria pagar mais 15.000€ se o PS vencesse as eleições. Respondi-lhe que me sentia insultado!

Então diz-se que a candidatura que espalhou esse boato pagou 40.000€ a uma outra pessoa, para que esta escrevesse a favor da Andreia Neto e contra o Joaquim Couto, e a minha escrita valeria menos? Claro que o meu caché seria mais elevado! Aliás, porque o meu blogue tem, muito provavelmente, mais leitores que a outra publicação.

No dia seguinte às eleições, um outro amigo perguntou-me se era verdade o que se dizia em surdina. Que a razão pela qual eu critiquei Andreia Neto e a sua candidatura, era porque queria ser eu próprio, o candidato do PSD à Câmara em 2021. Respondi-lhe que agora já não precisava. O caché pago pelo Joaquim Couto permite-me pagar a campanha como candidato independente.

Vá, chega de parvoíces e vamos ser sérios. Em política, adoptar prácticas e estratégias de campanha ignóbeis é uma opção, e não um requisito. Se uma candidatura quer comprar jornais, instituições e pessoas, está à vontade para o fazer. Desde que essas se deixem comprar. Com dinheiro, com géneros ou com promessas. Mas felizmente que não somos todos iguais.

Nem sequer falo de Joaquim Couto, de quem não sou nem nunca fui advogado de defesa. Falo de mim. Não compro, nem me deixo comprar. Em primeiro lugar porque os meus valores e princípios não têm preço; em segundo lugar porque as minhas ideias e convicções não estão à venda; em terceiro lugar porque graças ao meu trabalho e esforço profissional, não preciso de esmola.

Mais vezes do que deviam, aquelas prácticas e estratégias de campanha ignóbeis (em que literalmente se compram votos) venceram. Uns ofereciam frigoríficos, outros empregos, e houve quem preferisse oferecer ambulâncias. Uns compravam jornais, outros blogues, e houve quem preferisse comprar perfis de Facebook. Mas desta vez, felizmente, esses perderam.

O problema é que em política, nunca se perde de vez, ou para sempre. Esses, os mesmos, irão voltar. E irão tentar voltar mais cedo do que se pensa. Por isso, e se queremos mantê-los afastados do poder e do dinheiro dos nossos impostos, temos de estar vigilantes e activos. E trabalharmos em equipa, para os podermos vencer novamente, e criar uma verdadeira alternativa política.


Os cúmplices de Andreia

05/10/2017

Estou curioso por saber se, no próximo plenário do PSD Santo Tirso, Andreia Neto vai continuar a imitar Alírio Canceles. Imitou-o na forma como assaltou o PSD Santo Tirso, ao auto-nomear-se candidata à Câmara, nas práticas ignóbeis que utilizou na campanha eleitoral, e no resultado final. A ver vamos se também tem a falta de vergonha para, no balanço, culpar outros pela sua derrota histórica.

Em 2013, os bodes expiatórios foram eu próprio e o Carlos Valente. Mas desta vez, parece-me que “os louros” poderão cair todos na minha pessoa. Já que o Carlos – para mim, incompreensívelmente – resolveu desta vez colocar-se ao lado de uma candidata e uma candidatura que fez exactamente o mesmo que o levou em 2013 a romper com o candidato e a Comissão Política do PSD de então.

Mas o Carlos Valente é apenas um dos que fizeram parte desta hecatombe. Outros têm também a sua quota parte de responsabilidade, ao compactuar e colaborar com esta candidatura que teve um desfecho vergonhoso. Pimenta de Carvalho, José Pedro Miranda ou João Abreu são algumas das pessoas que os militantes gostavam de ouvir.

Mas há outros, verdadeiros cúmplices da ignomínia que foi esta candidatura e esta campanha. Os estrategas, os principais peões do jogo politico-partidário, os líderes do cacique, os cultivadores da facção, os instigadores do ostracismo. Os que, com Andreia, planearam e executaram o plano de assalto ao Poder pelo Poder, desprezando os valores do partido e da política.

Esses também têm nome. Altino Osório e Pedro Hugo Almeida à cabeça, entre outros. Ajudados por um grupo de gente intelectualmente menor (que nem merece menção) e pelos inocentes da JSD. São aqueles os que, muito provavelmente, já estão a pensar na forma de vir apanhar os cacos, apresentando-se como opção de futuro, como se nada tivessem a ver com o que se passou.

Serão estes que, sem qualquer pudor ou vergonha na cara, se irão apresentar muito em breve aos militantes como alternativa. Para continuar o jogo partidário e a luta pessoal pela conquista de lugares e poder na administração local, distrital ou nacional – apenas e só para proveito próprio e dos que os rodeiam.

E há mais. Muitos outros que não sendo tão activos, foram também coniventes. Falo de militantes como Gonçalves Afonso, Paulo Ferreira ou Rui Baptista. Três ex-Presidentes do PSD/JSD Santo Tirso, que também vimos apoiar e aplaudir esta candidatura inquinada, e que devem uma explicação aos militantes.

A tradição pede aos militantes e simpatizantes do PSD para esperarem sentados pelas explicações dos responsáveis pelos resultados. Posição essa (a sentada) aliás, da qual era bom que se levantassem, da próxima vez que haja eleições para a Comissão Política Concelhia do PSD. Só assim poderão ajudar a garantir que o PSD possa ser altenativa em 2021.


Andreia conseguiu fazer história

03/10/2017

A noite eleitoral não desiludiu. E o expectável não deixou de acontecer. Em particular em Santo Tirso, o meu concelho, onde é preciso dar valor ao desempenho de Andreia Neto e do actual PSD Santo Tirso. Prometeu fazer história, e fez mesmo. Não era fácil fazer pior do que Alírio Canceles há 4 anos atrás. Andreia conseguiu, e teve o pior resultado de sempre do PSD, em Santo Tirso.

A diferença

O PS de Joaquim Couto venceu categóricamente, com uma vantagem de mais de 7.500 votos! Recorde-se que a diferença em 2013 (Alírio Canceles) foi de 5.000 votos. Em 2009 (João Abreu) tinha sido de 2.700 votos. Em 2005 (João Abreu) ficou-se pelos 2.300 votos. E em 2001 (David Assoreira) foi de 3.300 votos.

Diferença de votos PS vs PSD (desde que Santo Tirso perdeu as freguesias da Trofa):

  • 2005 – João Abreu – 2.300 votos
  • 2009 – João Abreu – 2.700 votos
  • 2001 – David Assoreira – 3.300 votos
  • 2013 – Alírio Canceles – 5.000 votos
  • 2017 – Andreia Neto – 7.500 votos

A conclusão que se tira é que se em 2013 o PSD Santo Tirso não tivesse dado um tiro no pé (a jogada política entre Andreia e Alírio, para este ser candidato à Câmara e aquela a deputada), e tivesse dado continuidade ao trabalho feito desde 2001, talvez a história fosse hoje outra. Creio que teria sido possível vencer, com ou sem João Abreu a cabeça de lista.

Os votos

Em termos de votos líquidos, o PS conseguiu no Domingo 22.454 votos, enquanto que PSD e CDS-PP coligados tiveram 14.868. Ou seja, quando comparado com as últimas eleições, o PS subiu 4.500 votos, enquanto que os seus adversários se ficaram pela mesma votação, conseguindo apenas mais 400 votos do que em 2013.

Joaquim Couto obteve um resultado muito expressivo, ultrapassando os 50% e surpeendendo muita gente (inclusivé eu próprio). O PS venceu com uma vantagem de 18% – que tinha sido de 13% em 2013, 7% em 2009, 5% em 2005 e 8% em 2001.

Diferença de percentagem dos PS vs PSD (desde que Santo Tirso perdeu as freguesias da Trofa):

  • 2005 – João Abreu – 5%
  • 2009 – João Abreu – 7%
  • 2001 – David Assoreira – 8%
  • 2013 – Alírio Canceles – 13%
  • 2017 – Andreia Neto – 18%

Os números da abstenção, votos nulos, e votos brancos (que desceram), bem como a votação da CDU e Independentes (que também desceram) mostram bem de onde vieram os votos de Joaquim Couto. Os Tirsenses, muitos deles indecisos ou cépticos em 2013, resolveram ir às urnas premiar o Partido Socialista.

As freguesias

Mas a derrota não é só para a Câmara. E torna-se ainda mais pesada se olharmos aos resultados nas diversas freguesias do concelho. O PSD apenas venceu 2 (Agrela e Monte Córdova) das 14 freguesias. O PS venceu 10. As outras 2 foram conquistadas por independentes (Água Longa e Vilarinho).

Em 2013 o PSD e Alírio Canceles tinham perdido as juntas de freguesia de Além Rio, Vila do Campo e Santo Tirso (União). Pois Andreia Neto conseguiu um feito pior, ao perder Reguenga e Vila das Aves – uma freguesias dominada nas últimas décadas pelo PSD – mesmo tendo Carlos Valente do seu lado.

A conclusão

Os resultados estão à vista e os números não mentem. As práticas ignóbeis de gente egoísta, arrogante, inculta e ignorante; de gente inepta, inapta e incompetente politicamente; resultaram numa inversão do bom trabalho feito até 2009. Ferindo profundamente o PSD Santo Tirso e liquidando qualquer hipótese de mudança na liderança dos destinos do concelho.

Pouco importa agora isso. É tempo de voltar para o conforto da capital do império e dos corredores da Assembleia da República. Onde se fazem fortunas e se convive com o poder de “Lesboa”. E onde ainda há trabalho para fazer, pregando os últimos pregos no caixão de Portugal, e no destino dos Portugueses.


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