Reflectir… sobre a Faraó de S. Martinho

30/09/2017

“Dia de Reflexão”. A lei impõe. Neste dia, toda e qualquer atividade que vise directa ou indirectamente promover candidaturas é proibida.

Na verdade, este dia é uma “reflexão” da sociedade portuguesa, porque espelha aquilo em que o país e as suas instituições, supostamente democráticas, se tornaram.

O legislador, ou seja, a Assembleia da República, ou seja, os deputados criam e aprovam leis que tomam os portugueses por imbecis, e aplicam à força certos comportamentos.

Como se os portugueses não tivessem capacidade intelectual, e precisassem de ser protegidos, por estas sumidades, das mensagens de campanha no dia anterior às eleições.

Os deputados (entre outros políticos) – salvo raríssimas excepções – sofrem de um desvio cognitivo, de nome “Dunning Kruger effect“, sobre o qual escrevi em 2012!

Um desvio em que indivíduos incompetentes sofrem de uma superioridade ilusória. Avaliam excessivamente as suas capacidades, e não reconhecem as capacidades dos outros.

Em Santo Tirso, a deputada Andreia Neto apresenta-se como candidata a Presidente da Câmara. Ela que também faz parte desse grupo que sofre do “Dunning Kruger effect“.

O desvio é tal que num jantar de mulheres, leiloou os seus brincos e ofereceu uma réplica a todas as convidadas. Qual Cleópatra!!… Mas o que fez a “Faraó de S. Martinho”?

Em mais de 6 anos na Assembleia da República, não se conhece à deputada Andreia Neto nenhuma iniciativa relacionada com o concelho de Santo Tirso!

O mais próximo foi um Voto de Saudação (da autoria de todos os partidos) à Atleta Sara Moreira em Março de 2013, por esta se ter sagrado Campeã da Europa dos 3000m.

A deputada Andreia Neto apresentou projectos de lei/resolução acerca da atividade de guarda-noturno, Camarate, IC35, material de guerra do Irão, ou porto da Póvoa de Varzim.

E entretanto teve tempo de viajar, às custas dos impostos dos portugueses, para Bruxelas, Paris, Genebra ou Amã (na Jordânia). Não consta que tenha ido visitar Tirsenses emigrados.

É esta mesma Andreia (deputada na Assembleia da República, eleita pelos Tirsenses e eleitores do distrito do Porto) que agora quer assaltar o lugar de Presidente da Câmara.

Não me leve a mal. Porque não tenho absolutamente nada pessoal contra a Andreia. Tenho sim, e muito, contra a sua actividade e forma de estar na política.

Repito: vou votar, mas não voto “nesta” gente!

 


Vou votar, mas não voto “nesta” gente!

27/09/2017

As eleições Autárquicas 2017, tal como qualquer outra eleição, são demasiado importantes para que fiquemos em casa. O estado do país e da política exige que todos os portugueses vão às urnas para fazer ouvir a sua voz. Eu vou fazer 1.300 kilometros (num vôo de quase 2 horas e meia) para votar.

Platão, filósofo grego, disse um dia: “O preço a pagar por não te interessares por política, é seres governado pelos teus inferiores“. E nada é mais verdade nos tempos que correm. A razão principal para Portugal estar moribundo é os portugueses terem deixado que gente menor tomasse conta do poder.

Ora o meu voto nestas Autárquicas 2017 será, acima de tudo, contra aqueles que querem assaltar o poder para se servirem dele. E que para isso utilizam tácticas ignóbeis.

Eu, como militante do PSD, em Santo Tirso, tenho vergonha naquilo que o meu partido se tornou, a nível local, na última década. Assaltado por gente intelectualmente desonesta e incapaz, que cedeu a discursos e práticas baixas, desprezíveis e vergonhosas. Com a cumplicidade e conivência de alguns que sempre considerei decentes.

Um exemplo flagrante: Acho absolutamente miserável, que a candidata da coligação PSD/CDS “Por Todos Nós”, acompanhada por vários candidatos e dirigentes partidários, se intrometa no passeio anual dos Séniores Tirsenses a Fátima (um local sagrado!) para tentar subornar os idosos do concelho.

Isso mesmo. Subornar. Tentar “corromper com dádivas ou promessas“, tal como diz o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Foi isso que Andreia e a sua entourage fizeram ao distribuir panfletos e promessas de que “para o ano vamos a Santiago de Compostela“.

Senti vergonha alheia. E confesso que não queria acreditar. Não acreditei no que me disseram familiares, nem mesmo amigos que estiveram em Fátima. Mas “caí de rabo” quando vi uma fotografia no Facebook com a candidata empunhando o panfleto que tinha a promessa bem explícita .

Mas de facto, essa está em linha com todas as outras. Promessas vazias ou inviáveis. Que significam pouco, e não passam de um conjunto de palavras para discursos redondos de campanha eleitoral. E que nada têm de estratégico, realista ou execuível. Servem apenas para comprar votos.

Esta forma de agir, aliada a uma forma de fazer política que se tornou moda, e que é extremamente perigosa. Uma forma populista e que pretende incitar os instintos mais básicos e irracionais da natureza humana.

Uma forma de fazer política que levou ao poder tantos políticos fracos que – no mínimo por ignorância, mas muitas vezes intencionalmente e por pura corrupção – destruiram instituições, concelhos, regiões e países. Esbanjando dinheiro e deixando a “conta” para o povo pagar.

Uma forma em que se adopta teorias e ideologias político-sociais de extremo. Como por exemplo o de apelar ao voto apenas porque a candidata é mulher, justificando que com isso se faria história. Absolutamente ridículo e torpe.

Nunca, em nenhuma situação, uma pessoa é mais ou menos que outra por ser Homem ou Mulher. A nível político, profissional, ou qualquer outro, o género não qualifica ou desqualifica ninguém. Esse argumento é interesseiro e indigente.

Vou votar. Com toda a certeza e convicção. Mas não voto “nesta” gente. Não voto “neste” PSD. E espero que os Tirsenses, nestas eleições, façam o mesmo. Para bem deles, do seu futuro, de Santo Tirso, até do país.


A megalomania de Andreia

24/09/2017

Ainda a campanha eleitoral não tinha começado e já se ouviam as típicas promessas estapafúrdias, daqueles candidatos que tomam os eleitores por parvos. Em Coimbra prometeu-se um aeroporto internacional, na Guarda uma moeda nova para o concelho, e em Santo Tirso a construção de um novo Parque Empresarial (desta vez em Água Longa).

Santo Tirso tem uns quantos Parques Empresariais, que mais parecem cidades fantasma, e em que infelizmente há poucas ou nenhumas empresas dignas desse nome. Mas a candidata da coligação “Por Todos Nós” quer gastar o dinheiro dos impostos dos Tirsenses, em mais uma obra megalómana.

O erro de Andreia Neto é o de muitos outros autarcas do país. Acham que se atrai ou cria empresas assim. Ora nenhuma empresa digna desse nome se estabelece num concelho só porque há um “Parque Empresarial” ou uma “Zona Industrial”. Tal como não se atrai investimento só porque há uma “Incubadora”. É preciso mais, muito mais.

Para além disso, a promessa do Parque Empresarial em Água Longa tem mais pontos de integrrogação. Esta semana recebi um email de um Tirsense atento e interessado – que mora em Água Longa e é Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – no qual apontava algumas razões para o projecto ser inviável.

1. A promessa referia que o parque teria 750 mil m2 de área. Ora o Professor diz, e bem, que este espaço poderia alojar várias centenas de empresas. E que se olharmos aos números de empresas no Concelho, em particular de empresas criadas ou atraídas nas últimas décadas, facilmente se percebe que este é um número descabido e irrealista.

2. Segundo o Professor, a área onde Andreia propõe a construção do Parque Empresarial é protegida. Pelo que o projecto iria destruir 150 hectares de mancha florestal em reserva ecológica. Ora, só por pura hipocrisia a candidatura pode ter no seu programa eleitoral um capítulo dedicado ao Ambiente e Sustentabilidade, no qual se lê: “A sustentabilidade ambiental e a consequente melhoria da qualidade de vida será uma prioridade“.

3. Por fim o Professor coloca a questão do trânsito. Sendo que os habitantes das freguesias do Vale do Leça já hoje sofrem com o trânsito da N105, repleta de camiões (principalmente depois da abertura de um entreposto da Jerónimo Martins) o que seria se, por um milagre, este projecto fosse para a a frente.

Este Tirsense atento, morador de Água Longa, termina dizendo que só por falta de conhecimento destas freguesias Andreia Neto pode fazer este tipo de promessas. Já que não quer acreditar que a candidata pretenda intencionalmente prejudicar as populações do Vale de Leça.

Eu diria mais e diferente. Estou convencido que Andreia Neto é inteligente o suficiente para saber que esta é uma promessa irrealista e estapafúrdia. E que o projecto é inviável e insustentável. Mas pretende fazer os Tirsenses de parvos usando discursos redondos do tipo: “uma localização privilegiada, a 20 minutos do Porto de Leixões, do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro, da Exponor, e a 30 minutos do Centro de Congressos da Alfândega do Porto“.

Ora, se Andreia Neto quer saber de algo nesta área que é de facto de valor, leia a notícia do Expresso de há umas semanas: Hotelar recupera Fábrica Rio Vizela e deixe-se de megalomanias. Já chega de políticos que nos tomam por parvos e não têm noção nenhuma de estratégia, gestão, planeamento, ou interesse público.


Andreia Neto e o wikileaks pós Reguenga-gate

14/05/2017

Não foi preciso muito tempo para que Andreia Neto se revelasse, e comprovasse aquilo que há muito venho dizendo. Não tem condições nenhumas para eventualmente ocupar o cargo de Presidente da CM Santo Tirso. Não tem condições para ser deputada na Assembleia da República. Não tem condições sequer para ser presidente do PSD Santo Tirso. Não tem, aliás, condições para ocupar qualquer cargo público.

O que se lê no documento, que alguém tornou público, de mais de 1.200 páginas de mensagens entre Andreia Neto, Pedro Hugo Almeida, Altino Osório, Ana Batista e Paulo Leal, é inqualificável. Ordinário, brejeiro, malicioso e absolutamente execrável. Insultam-se não só pessoas, mas também instituições. Tirsenses e Nacionais.

Não me parece, de todo, plausível, que um documento de 1.200 páginas, tenha sido escrito ou inventado por alguém. Nem me parece plausível que alguém tenha editado centenas de conversas e milhares de mensagens. Isto porque, dizem agora em surdina, que adversários internos terão editado o documento para o usar como arma de arremesso e vingança. Não creio.

É preciso muito descaramento e falta de vergonha, para tentar “virar o bico ao prego” da forma como Andreia Neto tentou fazer na conferência de imprensa de Sábado. Insinuando que Joaquim Couto e o PS Santo Tirso estariam por detrás de uma patranha que visa atingi-la. Isto, depois de ter dito na apresentação da candidatura: “A coligação garante que fará uma campanha pela positiva“.

Parece-me provável – para não dizer evidente – que este wikileaks Tirsense, ou a “fuga” daquelas conversas, será consequência do Reguenga-gate. Onde Andreia (muito provavelmente mal aconselhada) se terá precipitado e atirado Paulo Leal – até aí seu correligionário e muito amigo – para “debaixo do camião”. Tendo ele depois saído a público com uma série de acusações contra Andreia Neto.

O truque da queixa-crime e da vitimização é comum nesta gente fraca que anda na política em Portugal – começando em José Sócrates e Miguel Relvas. Tal como a ladainha das conversas privadas. Tudo para tentar desviar atenções do conteúdo das tais conversas – que é o que na verdade interessa e desqualifica, absoluta e totalmente, quem nelas está envolvido.

A verdade é que o conteúdo, para além de desprezível, por vezes é gravíssimo. E não deixa de ser curioso que a certa altura se invoque mesmo a necessidade de envolver Joaquim Couto num escândalo ou num processo judicial artificial. Ora coincidentemente, aqui está ele! Julgam Andreia e seus muchachos que os Tirsenses são lorpas. Ora bem, se calhar acham mesmo, a julgar pela transcrição onde se diz que 70% do concelho tem um atraso mental.

De resto, o habitual. O cacique e a compra de votos. As tácticas de spin e deturpação de notícias. A compra de meios de comunicação social e opinião publicada. A criação de perfis falsos nas redes sociais. O insulto barato e vil a adversários políticos. O aproveitamento de pessoas e instituições. Já nada pode surpreender os mais e os menos atentos ao que se vem passado na política em Santo Tirso e no país.

O que surpreende, isso sim, é que alguns – mesmo depois de visados e de terem conhecimento do sucedido – continuem a aparecer ao lado da candidata e da sua pandilha. Tenho muita pena de continuar a ver Zé Pedro Miranda, João Abreu ou Ricardo Rossi (só para citar três dos mais notáveis) ao lado deste grupo sem brio nem valor. Pessoalmente, tenho-os em boa conta, e até nutro amizade. No seu lugar, nunca me tinha aliado a esta candidatura. E, neste momento, demarcava-me de vez desta vergonha.

Quanto a Andreia Neto, se não tem a hombridade de se demitir e retirar a candidatura, ao menos que assuma as consequências do que faz e do que diz. E não venha habilidosamente tentar culpar outros pelos seus pecados. E já agora, que tente procurar saber o significado e a definição de algumas das palavras caras que usa nos seus discursos. É que tenho a leve sensação que não faz a mínima ideia do que é uma base de dados. Mas, se é isso a base da sua queixa-crime, então boa sorte.


Andreia e o especial apoio do Professor

12/04/2017

Para os mais distraídos, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou-se desde que foi eleito Presidente da República das Bananas de Portugal. Não consegue estar calado. É mais forte do que ele. Opina ou emite juízos sobre tudo e todos. Claro está que, como diz o ditado, quem muito fala pouco acerta.

Em Fevereiro de 2014, neste post, escrevi:

(…) a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem (…) Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se (…)

Uma das provas foi o vídeo em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à C.M. Santo Tirso, sem sequer saber quem Alírio era, o que representava, o que defendia, que visão ou estratégia tinha.

Ainda a caminho das eleições Presidenciais de 2016, e em plena campanha eleitoral, Marcelo passou por Santo Tirso. E naquilo que foi um dos primeiros passos da auto-nomeação de Andreia, apareceu à varanda (qual Papa no Vaticano), e deixou uma mensagem de apoio, que com muito orgulho Andreia exibe em lugar de destaque no seu site de candidatura.

PSD_Sto_Tirso_Andreia_Neto_Marcelo

O resultado de Alírio está à vista. A maior derrota de sempre do PSD em Santo Tirso. Esperemos para ver o resultado de todas as certezas que Marcelo tem sobre Andreia Neto – pessoa que, tal como Alírio, Marcelo nem conhece, mas que finge para os bem conhecidos propósitos eleitorais.


Autárquicas 2017: Campanha pela positiva em Santo Tirso

10/04/2017

O novo site de candidatura da coligação Por Todos Nós à C.M. Santo Tirso foi lançado. Curiosamente tem o nome da candidata (andreianeto.pt) e não do projecto político. Um pormenor, bem sei. Mas que diz bem da natureza da candidatura – um projecto mais pessoal e de poder, do que político e de serviço.

Uma das áreas de destaque do site tem vídeos curtos, onde alguns dos apoiantes da candidatura deixam a sua mensagem de apoio. Um deles, figura central na coligação, é o meu caro amigo Ricardo Rossi. Partilho o vídeo aqui…

É curioso que o acordo da coligação Por Todos Nós, que está publicado no site, diz no seu ponto número 6 “A coligação POR TODOS NÓS garante que fará uma campanha pela positiva e com autenticidade de proximidade com cada pessoa do Concelho. Queremos que a nossa campanha seja um exemplo da forma como atuaremos na Câmara, ou seja com transparência e verdade“.

Ora bem, sendo assim começam mal. No discurso de apresentação da candidatura, Andreia Neto insinuou que o PS e Joaquim Couto se aproveitam de dinheiro público em proveito próprio, e que era preciso acabar com isso. Agora, é o Ricardo Rossi que vem insinuar que o PS e Joaquim Couto são velhos e trazem desgraça, terminando com um claro “já basta de PS“.

Eu gostaria imenso de ver a promessa cumprida, com uma campanha pela positiva. Onde candidatos e suas equipas apresentassem uma estratégia, um rumo, um plano, um conjunto de ideias. Ao invés de insultarem e atacarem (pessoal e politicamente) os adversários. Maquiavel, no seu livro “O Príncipe” dizia que há duas formas de fazer política: dizer bem de si, ou mal do adversário. Só os que não têm o que dizer bem de si, falam mal dos outros.

Actualização (11 Abril 2017): Pouco depois de ter publicado este post, o vídeo do Ricardo Rossi foi removido do YouTube, e curiosamente toda a secção de vídeos com mensagens de apoio foi também removida do site de candidatura. Parece-me que é revelador.


Eu, eu, eu… votem em mim

05/03/2017

Está nas redes sociais, o discurso de Andreia Neto na apresentação da “Por Todos Nós”, coligação PSD/CDS que Andreia lidera, como candidata às Autárquicas 2017. Vi um vídeo na página do CDS Santo Tirso no Facebook.

O discurso é um dos melhores exemplos daquilo que os actuais políticos profissionais em Portugal têm para oferecer. Andreia aprendeu depressa e bem, na sua estadia em “Lesboa”.

Em pouco menos de 15 minutos a candidata a Presidente da C.M. Santo Tirso mostrou um discurso redondo e completamente vazio de conteúdo, que se resume mais ou menos assim…

Eu sou muito bem sucedida… Sou deputada, sou líder do PSD, sou candidata a Presidente da CMST. Mas não pensem que sou egocêntrica, o que eu quero mesmo dizer é que sou uma mulher normal e muito altruísta.

(ao que se seguiu um inacreditável momento de encenação que honestamente me chocou, mas não surpreendeu. Um momento de populismo bacoco e de um incrível mau gosto. Daqueles que o pacóvio das redes sociais adora).

Eu sou muito importante… Reparem bem nos meus grandes amigos da política aqui presentes. Deputados, presidentes de câmara, presidentes das distritais dos partidos, presidentes de junta e tanta gente importante.

(ao que se seguiu mais um momento de encenação, ao qual já estamos habituados. Depois de mencionar e passar a mão pelo pêlo às individualidades, envia-se um olá ao “resto” dos presentes e às “gentes”).

Eu sou muito culta… Sim, eu citei um filósofo. Sei que é um hábito de alguém (como José Sócrates) que tem complexo de inferioridade e quer transparecer inteligência. Mas vocês são todos uns parolos e nem dão conta disso.

Eu sou melhor do que eles… O PS Santo Tirso é mau, o Joaquim Couto é mau. Eles são todos maus. Aproveitam-se do dinheiro público em proveito próprio e são desonestos. É preciso acabar com isto.

Eu sou diferente… Sim, acabei de atacar o meu adversário e o seu partido, mas não vou fazer uma campanha baseada no ataque pessoal e no remoque. A nossa campanha vai ser no sentido positivo, tipo Obama e o “yes, we can“.

Eu vou fazer muitas coisas… É verdade, num discurso de 15 minutos não apresentei uma visão, uma estratégia, um plano, uma idea. Mas prometo que vou fazer muitas coisas boas. E o futuro das “gentes” será melhor.

No final do discurso, a sala – cheia de individualidades e elite da região e do concelho – levantou-se para aplaudir o que a speaker do evento descreveu como momento e “cerimónia histórica“, convidando depois os presentes a “tirar uma selfie com a candidata“.

Os Tirsenses, e Santo Tirso, podem estar descansados. Esta candidatura não é como todas as outras: balofa. Nem tem como único objectivo capturar e servir-se do poder Autárquico. Tenham fé, e votem “Por Todos Nós”.


Um pé em Santo Tirso, outro em Lisboa

18/02/2017

O Jornal de Santo Thyrso noticiou “Os militantes do PSD de Santo Tirso aprovaram (…) a candidatura de (…) Andreia Neto” e acrescentou que a candidatura teria sido “aprovada por unanimidade e aclamação“.

Disse bem. Aprovaram. Porque não puderam escolher. A candidatura foi-lhes imposta pela Comissão Política. Tal como há 4 anos com Alirio Canceles. Não havia, nem foi permitida ou procurada, alternativa.

Disse mal. Unanimidade. Porque a candidatura não foi proveniente de todos (definição de unânime), nem o parecer de umas dezenas de militantes reflecte a opinião geral dos militantes do PSD Santo Tirso.

Se foi aclamada não posso dizer. Porque em Londres, não consegui ouvir os aplausos e os gritos de júbilo e vitória. Se bem que me parece muito cedo para festejos desta natureza.

Andreia Neto disse que a sua, é uma “candidatura agregadora (…) que une toda a sociedade“. Não sei qual é a definição que Andreia tem de Sociedade. Mas se se refere à Sociedade Tirsense, é bom de ver que está errada.

Mais revelador (se bem que não surpreendente) é, para mim, a declaração de que “não irá esquecer as responsabilidades que tem para com o país, contudo a sua grande prioridade é o concelho Tirsense“.

Ou seja, tal como Elisa Ferreira em 2009, Andreia fica com um pé em Santo Tirso e outro em Lisboa. Uma posição confortável para a própria. Se vencer vem para Santo Tirso. Se sair derrotada tem o seu lugar garantido no Parlamento.


Habemus candidatam PSD em Santo Tirso

19/01/2017

Não demorou muito para se confirmar o que disse no último post. Parece até que eu até já ia atrasado. Por que pelo visto (e segundo um militante/simpatizante do PSD que me contactou por email), a Comissão Política Concelhia do PSD Santo Tirso aprovou, na passada Terça-feira, dia 10 Janeiro, o nome de Andreia Neto como candidata à Presidência da CM Santo Tirso.

Tal como tinha sido feito há 4 anos pelos mesmos protagonistas, não houve discussão nem aprovação de um perfil, com os militantes. O nome de Anderia Neto foi apresentado como um facto consumado, e a votação no plenário da semana passada foi à boa maneira comunista: de braço no ar. Garantindo assim que seria aprovado.

Tudo isto foi feito num plenário para o qual, mais uma vez, não foram convocados todos os militantes. Só provavelmente aqueles que interessam, ou que em votação de braço no ar não teriam coragem para votar contra ou abster-se. Claro que eles dirão que veio publicado no Povo Livre, como dizem os estatutos. Mas isso, sabe-se bem, serão déspotas a esconderem-se atrás de formalidades.

Só me resta desejar sorte à Andreia Neto. Vai precisar dela. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. E esta candidatura acaba de nascer torta, tal como a de Alírio (com o resultado conhecido).


PSD Santo Tirso: À espera da auto-nomeação de Andreia?

16/01/2017

Já lá vai o tempo em que “pelo facto de estar em Lisboa durante a semana” Andreia Neto não poderia “assegurar a condução dos destinos do PSD de Santo Tirso”. Foi em 2012 quando, em mais uma troca de cadeiras, Alírio Canceles entendeu “voltar a assumir responsabilidades na liderança do PSD de Santo Tirso“. Sim, porque no PSD de Santo Tirso não há eleições, os lugares assumem-se.

Alírio auto-nomeou-se candidato à presidência da CM Santo Tirso. Com a conivência de Andreia fez o que bem entendeu das Autárquicas 2013. Ostracizou militantes como Carlos Valente. Perdeu as eleições com o pior resultado de sempre. Teve o descaramento de culpar outros (ex. Passos Coelho, Carlos Valente e eu próprio). E ainda teve tempo de fazer tiro ao Zé Pedro Miranda.

Mas a memória, em política especialmente, é curta. Bem como as amizades. Depois de perdidas as Autárquicas 2013, Andreia Neto voltou a assumir a presidência do PSD de Santo Tirso. Tal como vaticinei aqui neste blogue. E começou desde logo a preparar o caminho. Primeiro passo, atirar Alírio pela borda fora. Algo fácil dado que ele sempre foi apenas uma marioneta sem peso político ou eleitoral algum.

Segundo passo, atrair militantes importantes ou de facção. Chamá-los à colaboração ou assunção de cargos. Como exemplo, os ex-presidentes do PSD Gonçalves Afonso, Paulo Ferreira ou João Abreu, e da JSD Pedro Almeida, Hugo Soutinho ou Rui Baptista. Todos eles, numa altura ou noutra, críticos de Andreia. Mas como disse, em política a memória é curta e as inimizades também.

Terceiro passo, garantir apoio de todos os outros militantes com peso, dado que infelizmente não há lugares para todos na estrutura do PSD. Vai daí uma cerimónia de entrega de prémios a ex-presidentes e presidentes das Juntas de Freguesia. Sedentos da importância que tiveram ou querem continuar a ter, mesmo aqueles que um dia foram ostracizados, juntaram-se a Andreia.

O passo seguinte, o quarto, tentar levar o CDS de Santo Tirso a aproximar-se. Tarefa que não se previa difícil. Desde há muitos anos que o CDS não tem expressão nem influência no concelho, pelo que uma hipótese de coligação seria bem vista. Ainda para mais quando Andreia podia invocar a coligação PSD/CDS vigente a nível nacional. Estavamos em Novembro de 2015 e o CDS (liderado por Ricardo Rossi) caiu que nem um patinho.

Entrados em 2016 era tempo de firmar mais um passo, e começar a aproximação aos Tirsenses. Vai daí a deputada Andreia Neto já não estava “presa” em Lisboa e passava muito mais tempo em Santo Tirso, em variados eventos e visitas. A comunicação dita social também se deixava cair na ladainha e publicava fotos de 1ª página, entrevistas e notícias com Andreia Neto.

Faltava apenas mais um passo. Discretamente puxar dos galões de deputada e exibir certas relações. Vai daí foi um desfile de notáveis. De José Pedro Aguiar Branco, passando por Paulo Rangel, e até Marcelo Rebelo de Sousa (benditas Presidenciais que calharam tão bem), Andreia apareceu ao lado, abraçou e tirou fotos com todos.

Também as “elites” do distrito teriam de ser convencidas, engraxadas e exibidas. Pelo que presidentes de Câmara como Aires Pereira, Bragança Fernandes, Paulo Cunha, Sérgio Humberto também passaram por Santo Tirso, e tiraram fotografias com Andreia. Para isso qualquer evento servia. Até as Jornadas Eurico de Melo, com a conivência da JSD, serviram de palco e plataforma a Andreia.

O último passo (para já) veio há pouco mais de 2 meses. O PSD Santo Tirso lançava o site www.ouvirparadecidir.pt que, disfarçado de auscultador do partido local aos Tirsenses, apenas serviria para dar mais publicidade a Andreia Neto. Daí a enorme foto de Andreia na página principal, que ocupa o ecrã inteiro!

Ora, depois de tudo isto, apenas falta consumar o facto. Ou seja, tal como Alírio Canceles, esperar que Andreia Neto se auto-nomeie candidata à presidência da CM Santo Tirso, e comunique isso aos militantes. Eles que, pelos estatutos, deveriam ser consultados previamente e ter uma palavra a dizer.


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