Fosse Santana Lopes, e Salgueiro Maia invadia o Terreiro

29/12/2013

Já alguns disseram, por variadíssimas vezes, que António Costa tem “boa imprensa”. Mas muitos não acreditavam. Achavam que isso era apenas “dor de cotovelo” por o socialista ser “querido” entre a população de Lisboa e “respeitado” por uma boa parte dos portugueses.

A verdade é que a greve de cantoneiros veio demonstrar que aqueles tinham razão. O lixo amontoa-se nas ruas de Lisboa, e ainda falta uma semana para o final da greve. As imagens de poluição visual vão correr mundo (com consequências para o Turismo). E há um sério perigo para a saúde pública.

Mesmo assim António Costa consegue passar por entre os pingos da chuva. Da mesma forma que passou durante os anos em que foi Ministro – e depois apoiante – dos desastrosos Governos de José Sócrates. Nem os sindicatos o acusam de tentar “furar” a greve quando ele ordena a colocação de contentores.

Fosse Pedro Santana Lopes o Presidente da C.M. Lisboa e neste momento já Salgueiro Maia invadia o Terreiro do Paço com uma coluna de xaimites, para regozijo dos lisboetas e do resto do país. A comunicação “dita” social incendiava os ânimos. A esquerda e os sindicatos pediam a sua demissão.

Valha a António Costa o facto de ter boa imprensa (seja dos orgãos de comunicação onde o irmão tem influência ou noutros). Valha-lhe ser visto como o Messias do PS, um homem de esquerda, à esquerda do PS. Valha-lhe o facto de a honestidade intelectual do Zé “que faz falta” e da Roseta terem um preço.


António Costa ao melhor estilo socratiano

23/12/2011

O estado a que chegaram alguns (infelizmente muitos) prédios do centro de Lisboa torna imprescindível a aposta na reabilitação urbana. Podemos tentar esconder os prédios com graffitis ou com lonas de publicidade gigantes, mas não podemos dissimular a degradação de alguns prédios, e deixar assim uma má imagem da capital de Portugal.

Com toda a propriedade, Pedro Santana Lopes criticou recentemente a (falta de) política da CM Lisboa nesta área. O ex-presidente e actual vereador da CML defendeu que a reabilitação urbana “deve ser a prioridade” da CML e recordou que inclusivamente existe o PIPARU “um programa com verbas que ultrapassam os 200 M€“.

Em resposta, António Costa, revelou alguma desonestidade intelectual e fugiu ao problema. Disse que “A Câmara precisa de 8.000 M€ para fazer a reabilitação urbana em toda a cidade“. Ora, mas alguém disse que era preciso fazer tudo de uma vez? (fez-me lembrar Sócrates e o episódio de pagar a totalidade da dívida pública em 2012).

Pior do que isso, mesmo alertado para os factos, e com a realidade à sua frente, António Costa preferiu adoptar uma postura apática. Diz-se “confiante que Lisboa vai conseguir avançar uma vez ultrapassada a conjuntura que o País está a viver” e espera “que a nova lei do arrendamento inverta esta situação“. Ou seja, a única coisa que pretende fazer é, esperar.

Publicado também aqui.


Mas porque raio deverão ter “direito” a jornais?

08/11/2011

Sinceramente fico abismado com certas coisas que leio ou ouço. O Presidente da CM Lisboa vai cortar nos jornais, e passar a ter direito apenas a 2 diários e uma revista semanal.

Mas porque raio deve um Presidente de Câmara ter “direito” a jornais e revistas? Não tem 0,50€ ou 1€ para os comprar? E os directores municipais ou o Comandante da Polícia? Não têm de trabalhar?

Neste país, a fasquia da ética e da moral já está tão baixa que esta gente ainda tem a lata de anunciar medidas destas. Para agravar, a comunicação social divulga como se fosse uma grande coisa!

Isto é exactamente o mesmo que dizer que, a partir de agora, nos cocktails oferecidos pela CM Lisboa, vai comprar-se champagne Moet & Chandon ao invés de Don Pérignon. É pá… por amor de Deus. Haja decência e respeito pelos contribuintes!


A leitura terrestre do debate Rio-Costa

22/03/2011

Ontem, finalmente pudemos ver um programa “Prós e Contras” da RTP com discussão, debate de ideias e conteúdo, ao contrário dos habituais ataques pessoais, demagogia barata e remoques permanentes. Foi preciso ir ao Porto e convidar gente do Norte.

Fiquei portanto surpreendido quando, ainda antes do programa acabar, vi referência crítica ao mesmo no twitter. Apressei-me a ir ler o post no Albergue Espanhol com o título “O debate ‘alien’ Costa-Rio“.

Talvez o Francisco Almeida Leite não tenha assistido ao programa na íntegra. Uma coisa é certa, escreveu o post antes do final do programa. O que ele relata não se aproxima nem um pouco do que se passou naquela hora e meia de debate.

Todos os Governantes e Autarcas deveriam ter ouvido o que foi dito no programa. Há muito tempo que não se ouvia falar de política local e nacional com tanto desprendimento e sensatez. Por isso não posso deixar passar em claro a crítica do Francisco.

Dizer que o programa se resumiu a um ataque à comunicação “dita” social é no mínimo pouco preciso. Rui Rio apontou bem os erros do regime, da democracia, da política, dos políticos, do governo central, das autarquias locais, do povo e do país.

Tal como há muito tem vindo a fazer (aconselho leitura do livro “Política – In situ”) Rio apontou caminhos para solucionar os problemas. Fê-lo com o desinteresse que sempre o caracterizou. Fá-lo sempre de forma honesta e anti-populista.

Depois do meu comentário o Francisco admitiu que o programa foi algo mais, mas aponta o ataque à comunicação “dita” social como ponto de união entre Rio e Costa. Ora, se Costa disse algo insensato e injusto, Rio apenas criticou a falta de ética e regras em alguma imprensa.

Em tanta coisa boa que se disse o Francisco apenas se preocupou com o que “uniu” os dois oradores. Curiosamente era isso mesmo que Fátima Campos Ferreira também procurava. Porque era esse o furo jornalístico: “Com Rio e Costa, PSD e PS podiam-se entender“.

Mas o facto é que nem um nem outro quiseram ir por aí. Inteligente e sensatamente fugiram desse tema porque sabem que isso não é bom para o país e para a política. Colocaram o tão propalado “interesse nacional” à frente do interesse pessoal e abstiveram-se.

O que eu acho é que o Francisco (tal como muitos outros que tenho ouvido/lido) talvez empurrado pela vontade de “destruir” à partida qualquer tipo de sentimento positivo ou simpatia dos seus leitores em relação a Rui Rio, foi levado a rapidamente “deitar abaixo”.


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