Onde está o risco sistémico?

04/07/2014

Nunca fui cliente do BES. Nunca gostei do BES. Nunca fui com a cara do Ricardo Salgado. Coincidência ou não, sou cliente dos únicos dois bancos que (ainda) não mostraram dificuldades: Santander Totta e BPI.

Quando estava na Novabase, trabalhei em dois projectos do BES (no BEST e no BESI). Odiava o ambiente no banco. Aliás, pedi mesmo para saír do segundo projecto.

Estive contra qualquer nacionalização ou salvação de bancos quando a crise rebentou. BPN, BPP, BCP.

Mas agora que o BES está em dificuldades… o que é feito do “Risco Sistémico”?

Aquele que levou o governo socialista (com a conivência de outros responsáveis políticos de todos os quadrantes políticos) a decidir salvar/nacionalizar esses bancos?

Aquele que obrigou os portugueses absorver (e pagar!) os milhares de milhōes de euros dos buracos negros criados por má gestão e ilegalidades?

Havia risco sistémico quando se tratava de bancos menores, e agora não há quando se trata do maior banco privado português?

Por aqui se vê que não havia risco sistémico nenhum. Houve foi um primeiro-ministro e um governo (e outros responsáveis políticos) que quiseram encobrir os crimes que foram cometidos nesses bancos, e que arrastariam muitos deles.

Desta vez, há um governo que parece não ter esse receio. E portanto disse não. Não irá usar dinheiro dos portugueses para corrigir má gestão e hipotéticas ilegalidades num banco privado.

O tempo continua a mostrar que Passos Coelho continua a surpreender, pela positiva. O tempo continua a mostrar que José Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro, que desgraçou Portugal.


Manual Vitor Gaspar para tótós

03/10/2012

É pá concordo convosco, o Vitor Gaspar é um chato. Tal e qual como o António Borges, tecnicamente é muito competente mas politicamente é um falhanço. Com estas comunicações ao país não contribui nada para a nossa felicidade, e além do mais o povo não consegue entender as contas.

Mas ainda bem que há pessoas como eu, que se prestam a explicar “tim-tim por tim-tim” o porquê das coisas. Ora vejamos, com estas medidas de austeridade o Estado pretende ir buscar 2.000 M€ para corrigir as contas públicas. Esses 2.000 M€ estão distribuídos da seguinte forma:

  • Expo-98: 2.000 M€
  • BPP: 450 M€
  • TGV: 300 M€
  • Fundações: 270 M€
  • Campus Justiça de Lisboa: 250 M€
  • Centro Cultural de Belém: 200 M€
  • Aeroporto Beja: 150 M€
  • Casa da Música: 110 M€
  • Estádios Euro-2004: 100 M€
  • Infra-estruturas Euro-2004: 80 M€

É pá espera lá! Já temos mais de 2.000 M€! O total já vai quase no dobro, 3.860 M€! E eu que ainda tinha aqui mais uns “pozinhos” para colocar, tipo Edifício Transparente do Porto (15 M€) ou a Auto-Estrada Lisboa-Porto paralela há A1.

Bem, está explicado. Perceberam agora?


%d bloggers like this: