Carta aberta a Rui Rio – Presidenciais 2021

25/05/2020

Caro Rui Rio,

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente há 20 anos atrás, no Hotel Montebelo em Viseu, aquando do XXIII congresso do PSD (famoso pela disputa entre Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e Luís Marques Mendes). Sentamo-nos no bar. Eu, o Rui, e o meu avô, Eurico de Melo.

Nessa altura, havia uma certa reverência ao meu avô. Por parte dos aspirantes, dirigentes e a maioria das figuras de proa do partido. Todos tinham um especial cuidado nas conversas, e naquilo que diziam ao “Vice-Rei do Norte”. Era importante agradar-lhe, e quiçá garantir o seu apoio.

Naquela tarde em Viseu, o Rui começou imediatamente a ganhar o meu respeito. Porque não notei nenhuma deferência ao meu avô, apenas respeito. Porque não notei nenhum cuidado especial no seu discurso, disse o que pensava. Porque não notei nenhuma mudança no seu sotaque nortenho, apesar de estar há 10 anos por Lisboa.

Estes detalhes disseram-me algo sobre o seu carácter e a sua personalidade. Sobre os seus valores e princípios. Bem como sobre a sua forma de estar no partido e na política – muito próxima daquela marcada por Francisco Sá Carneiro, e seguida pelo meu avô, entre outros (infelizmente não tantos quanto desejável).

A sua carreira política, principalmente a partir desse ano (porque ganhou dimensão nacional com a candidatura às Autárquicas 2001, nas quais acabou por vencer a CM Porto), comprovou aquilo que eu pensava. O Rui está na política para servir, e não para se servir. É um homem íntegro, honesto, humilde, pragmático e corajoso.

Esse sentido de missão, maneira de estar e de ser, trouxeram-lhe muitos dissabores. Porque foi por causa deles que afrontou muitos poderes instalados e interesses obscuros. Mas também foi isso que conquistou a confiança e admiração de muitos portugueses – que lhe valeram várias vitórias eleitorais e políticas.

Agora, mais do que nunca, o país precisa que o Rui continue a ser igual a si próprio. E que lidere a disrupção e o combate que se impõe, para afastar do poder os perigosos interesses e indivíduos que descaradamente têm saqueado o dinheiro dos contribuintes. Usando-o em benefício próprio e dos seus correligionários.

Escuso-me de afirmar se Marcelo Rebelo de Sousa é dos que se aproveitou directamente. Mas digo convictamente, e baseado numa vasta evidência, que como Presidente da República e a coberto de um projecto de poder pessoal, que tem como objectivo a sua re-eleição em 2021, Marcelo se rendeu àqueles que pervertem a política e os negócios.

É por isso absolutamente imprescindível que o PSD apoie um candidato alternativo a Marcelo, nas próximas eleições Presidenciais. Apoiá-lo, ou deixá-lo vencer por falta de comparência, é dos piores serviços que se poderá prestar ao país neste momento. Tenho a certeza que outros partidos também procuram, e muitos portugueses anseiam, por uma opção válida.

Não se trata de uma questão de Esquerda versus Direita, ou de Socialismo versus Liberalismo. Não é, de todo, uma questão ideológica. Trata-se de colocar na posição de Chefe de Estado, de “árbitro” da política, alguém que verdadeiramente represente Portugal e os interesses dos Portugueses, que dê dignidade ao cargo e tenha respeito pelo lugar que ocupa.

Não é aceitável que no Palácio de Belém esteja um “bobo da corte” que deliberada e intencionalmente entretém e ilude os portugueses mais incautos, enquanto interesses instalados e homens corruptos se apoderam dos recursos do país e do dinheiro dos contribuintes, empurrando-os para outro resgate.

Rui, se me permite dar algumas sugestões – Pedro Passos Coelho, Leonor Beleza ou Paulo Rangel. Todos eles gozam de grande respeito e admiração por parte dos portugueses. E, mais do que isso, podem conquistar apoio transversal no expectro partidário. Acredito até que possam vencer.

Esta não é altura de jogar o “xadrez político”. Porque aqueles que se sentam do outro lado do tabuleiro não são de confiar. São batoteiros, e apenas querem aproveitar-se da boa vontade de quem joga o “jogo pelo jogo”. Esta é a hora de romper, como fazia Sá Carneiro.

Se há alguém no PSD com coragem e desprendimento para o fazer, é o Rui. Força! 

Luis Melo
Militante 69.491
(Secção PSD de Santo Tirso)
Londres, 25 Maio 2020


Mário Soares, por qué no te callas – Parte V

05/12/2012

Muita gente se tem insurgido contra a Carta Aberta a Mário Soares que a JSD publicou ontem. Pois eu dou os meus parabéns à JSD e ao seu presidente, Duarte Marques.

Já não há paciência nem desculpa para as intervenções de Mário Soares. Há muito que ultrapassaram os limites da demagogia, do populismo e da total irresponsabilidade.

Alguém tinha de o dizer! E por isso parabéns á JSD. Apenas discordo do penúltimo parágrafo da Carta Aberta. Mário Soares daria uma melhor contributo ao país se… estivesse calado!

Quanto ao “Porque não te calas?“, que muitos acharam demasiado violento, acho que é apropriadíssimo. Aliás, eu próprio escrevi 4 posts com o mesmo título, o primeiro deles há mais de 2 anos atrás.

Mário Soares, por qué no te callas
Mário Soares, por qué no te callas – Parte II
Mário Soares, por qué no te callas – Parte III
Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV


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