O belo do serviço prestado pela CP

22/02/2012

Como habitualmente aos domingos, no dia 27 Novembro 2011, fui apanhar o comboio que deveria sair de Porto Campanhã às 19h52 e chegar a Lisboa Santa Apolónia pelas 23h00.

Chegada a hora de partida ouviu-se nos altifalantes da estação a informação de que, devido ao colhimento de uma pessoa, o comboio chegaria com alguns minutos de atraso.

Passados os tais (poucos) minutos, o comboio ainda não tinha chegado e os passageiros foram informados de que o atraso afinal era de cerca de 50 minutos. Nova hora: 20h42.

O facto é que, às 20h42 o comboio não chegou, e nunca mais os passageiros foram informados de novo atraso. Mantendo-se na plataforma, com um frio de rachar.

A CP limitou-se a mudar a hora de partida no painel, sem aviso ou justificação aos passageiros. Sempre que se atingia a nova hora, aumentavam 2 minutos à hora de partida.

O comboio acabaria por chegar às 21h00 (70 min depois), e a viagem ao invés de demorar 3 horas e 8 minutos levou 3 horas e 35 minutos, chegando a Lisboa pelas 00h35.

O atraso foi portanto de 1 hora e 35 minutos. E dado que o comboio chegou depois das 00h00, não pude apanhar o autocarro habitual e tive de pagar um táxi até casa.

Por tudo isto, solicitei à CP o reembolso do diferencial entre o valor do táxi e o valor do bilhete de autocarro, bem como da parte do bilhete de comboio, a que tinha direito.

A saber (informação requisitada por mim previamente, e fornecida pela CP):
– Reembolso 50 % do bilhete, se duração viagem exceder em 60 min, tempo de viagem estabelecido.
– Reembolso integral do bilhete se duração viagem, exceder em mais de 50%, tempo de viagem estabelecido.

Enviei a reclamação por email no dia 29 Novembro 2011. Recebi a resposta 3 meses (!!) depois em 22 Fevereiro 2012. A CP diz não ter de me reembolsar pelo atraso.

Segundo a CP, não são da sua responsabilidade os atrasos que se devem à “Interrupção do serviço por ocupação da via por pessoas, animais, veículos ou coisas“.

Gosto especialmente do “coisas“. Se a CP não tivesse o monopólio do transporte ferroviário (de longo curso) em Portugal, de certeza que não iria destratar os passageiros desta forma.


Culpas no buraco dos transportes

08/11/2011

As empresas de transportes públicos têm uma dívida acumulada de 10.000 M€. 10 vezes mais que a dívida da Madeira e 5 vezes mais do que se gastou no BPN (casos em que a opinião pública e publicada se revoltou).

Há muitas razões para que estas empresas tenham acumulado uma dívida desta dimensão. Entre elas estão as seguintes:

a) Falta de política estratégica de transportes.
b) Incapacidade e incompetência na gestão.
c) Má (ou péssima) prestação de serviços.
d) Regalias e “direitos adquiridos” a mais.
e) Manutenção de vantagens para familiares e outros.
f) Excesso de passageiros que não pagam títulos de transporte.

a) A culpa é da tutela. Em última instância, dos Ministros responsáveis pela pasta dos Transportes. Não tem havido vontade ou coragem para se alterar o status quo. É necessário reformar empresas, juntando-as. É essencial integrar transportes. Solução poderia ser juntar transportes da área metropolitana numa só empresa.

b) A culpa é dos administradores. O problema começa logo na escolha das pessoas, através de nomeações políticas que previlegiam o nepotismo e a filiação partidária. A isso junta-se a falta de formação, de capacidade e de competência. Não há avaliação ou responsabilização. Têm ordenados e prémios milionários mesmo não cumprindo objectivos.

c) A culpa é dos trabalhadores. Está enraízado o “funcionarismo público”. Não há patrão, não há objectivos, não há avaliação, não há despedimentos. Não é portanto necessário fazer esforço para ser cada vez melhor. A ideia é que estão a fazer um favor ao utente. Prolifera a arrogância, o desleixo, a negligência, a incúria.

d) A culpa é dos 3 anteriores, e dos sindicatos. Prémio de 200€ por completar dia de trabalho? Prémio de 125€ pela assiduidade? Prémio de 70€ por não faltar mais de 5h/mês? Mas não é obrigação de qualquer pessoa trabalhar e ser assídua? Principalmente num ramo onde tudo depende de horários! 30 dias de férias e 100% vencimento em caso de baixa?

f) A culpa é de todos os anteriores. Cônjuges, pais, filhos, enteados, etc. Todos viajam à borla. Militares, juízes e outros funcionários do Estado. Isto fazia sentido quando as mães não tinham emprego (porque ficavam em casa a tomar conta dos filhos) ou quando militares e juízes eram o garante da Segurança e da Justiça. Hoje é absurdo.

f) A culpa é da mentalidade tuga e falta de fiscalização. Todos os dias ando nos transportes públicos, e garanto que há tanta gente que paga como aquela que não paga. E se dantes havia vergonha e se tentava entrar à sucapa, agora é “na boa”. O que vão fazer os motoristas e revisores? O que ganham eles? Habilitar-se a serem insultados ou espancados? Mais vale estar quieto.


%d bloggers like this: