Quem mexe com a “Cúpula de Lesboa” leva

06/05/2019

É cada vez mais evidente. A Cúpula de Lesboa está a ficar extremamente preocupada com a possibilidade de Rui Rio ser primeiro-ministro. E por isso tenta, custe o que custar, salvar a face do status quo, e evitar que aquele “Pacóvio do Norte” venha perturbar as suas belas vidinhas, pagas pelo dinheiro do contribuinte.

Foi bem visível nos últimos dias. António Costa monta um golpe de teatro sem qualquer justificação ou cabimento; Os Ministros do núcleo duro do Governo, bem como alguns deputados e dirigentes do PS são apanhados em mentiras e incoerências; no final a opinião publicada diz que Rui Rio perdeu e António Costa saiu vencedor.

A falta de vergonha e de noção é gritante. Vale tudo e o seu contrário quando a missão é bater no “Pacóvio do Norte”. Um bom exemplo, entre muitos, foi o de Miguel Pinheiro, director executivo do Observador (conotado com a “Direita”), na SIC Notícias a comentar a declaração de Rui Rio. Era difícil ser mais desonesto intelectualmente.

Rui Rio disse que, a haver algum impacto já este ano, esse seria pequeno. Note-se, o impacto este ano! Ora Miguel Pinheiro distorceu propositadamente o que Rui Rio disse, e fez crer que Rio tinha dito que o impacto total da medida era pequeno. Fazendo depois a piada “se é pequeno porque precisa das condicionantes de crescimento?

É preciso que os Portugueses de bem, percebam isto. A Cúpula de Lesboa, que quer evitar a todo o custo que Rui Rio seja primeiro-ministro, é constituída por políticos de Esquerda e Direita (incluíndo do PSD), por gente do Sul, Centro e Norte (os chamados alesboetados), e por orgãos de comunicação “dita” social de todas as áreas (incluindo a SIC de Pinto Balsemão e o Observador).

São esses que assobiam para o lado quando algo afecta a Cúpula de Lesboa, e que criam indignações e crises artificiais se alguém a puser em perigo. Doutra forma como se justifica que, por exemplo, se deixe passar em branco os seguintes casos (todos nas últimas semanas):

Marta Temido, Ministra da Saúde, é responsável pela “limpeza” nas listas de espera de da saúde.

Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação, apoderou-se indevidamente de €18,000 de uma bolsa de doutoramento

Vieira da Silva, Ministro da Segurança Social, instou a CGD a aprovar o negócio ruinoso da La Seda

Num país decente, qualquer um destes casos levava automaticamente á demissão do Ministro. Mas esse país decente só aparece quando no Governo está quem não interessa, quem não faz parte da Cúpula de Lesboa.

É que isto aconteceu num país onde um Governo PSD/CDS estável, liderado por Pedro Santana Lopes, e apoiado por uma maioria parlamentar sólida, foi demitido pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, porque um recém-empossado ministro (Henrique Chaves) se demitiu e acusou o primeiro-ministro de deslealdade.

É preciso entender que tudo se iniciou quando outro Ministro desse governo, Rui Gomes da Silva, importunou a comunicação “dita” social ao levantar polémica sobre os formatos de comentário politico de então, sem contraditório, em particular os do actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Ou seja, o Governo de Santana Lopes queria tocar no status quo e imediatamente foi varrido. Há quem diga que o episódio de Henrique Chaves foi mesmo ensaiado, já que este também faz parte da Cúpula de Lesboa, e é amigo de longa data de Marcelo.

Ainda mais grave é pensar que esta não foi a primeira vez. Muitos ainda se recordam do que aconteceu há 40 anos quando Francisco Sá Carneiro (outro Pacóvio do Norte) tentou mexer em poderes instalados na Cúpula de Lesboa.

A questão é esta. Querem-nos fazer crer, políticos e comunicação “dita” social, que tudo continua a ser uma batalha entre “Esquerda” e “Direita”, mas na verdade a batalha é entre a Cúpula de Lesboa e aqueles que querem acabar com a “mama”.

Chamem-lhe teoria da conspiração, eu tenho olhos para ver, ouvidos para ouvir e, acima de tudo, cabecinha para pensar.

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Rui Rio e a Cúpula de Lesboa

24/08/2018

Rui Rio foi eleito Presidente do PSD em Janeiro de 2018, mas a opinião publicada nos órgãos de comunicação “dita” social, já o atacava desde pelo menos Outubro 2017, altura em que apresentou oficialmente a sua candidatura.

(Nota #1: Não confundir opinião publicada com opinião pública. A primeira apenas representa aqueles que têm palco nos órgãos de comunicação “dita” social, e cada vez mais é pouco representativa da segunda)

(Nota #2: A maioria dos média em Portugal – jornais, televisões, rádios – estão claramente reféns ou mandatados por interesses políticos e económicos, que pagam para ver as suas mensagens difundidas, pelo que no máximo lhes podemos chamar comunicação “dita” social)

A verdade é que passado quase um ano, não se vislumbra um, um único, artigo de opinião ou comentário que apoie Rui Rio, ou que seja, quanto muito, positivo no que concerne à sua acção e comportamento como líder do maior partido Português.

(Nota #3: É bom lembrar que o PSD não é só o maior partido em termos de militantes. É também o partido mais representado na Assembleia da República, com 102 deputados, depois de ter vencido as eleições legislativas de 2015 – vs 86 deputados do PS)

Este facto torna-se ainda mais curioso quando nos lembramos que até José Sócrates tinha (pior, continua a ter!) vários fazedores de opinião a partilhar escritos e comentários que defendem aquele que terá sido o pior e mais corrupto líder político da nossa história.

Ora, com certeza não sou só eu que acho isto muito estranho, tendo em conta que na última meia-dúzia de anos Rui Rio era tido, por todos aqueles que agora se apressam a criticá-lo, como reserva única do PSD, pela competência, integridade, força e determinação.

Da RTP à TVI. Do Público ao Observador. Dos mais velhos comentadores da nossa praça, como Vasco Pulido Valente, até aos mais novos, como Sebastião Bugalho. Não se vê, na opinião publicada uma palavra de apoio ou aprovação a Rui Rio.

A explicação é simples. É que a opinião publicada é dominada pelo que eu chamo de Cúpula de Lesboa. Uma pseudo-elite que se apoderou do sistema, ocupou todos os organismos de poder (executivo, legislativo, judicial, político, social) e vive na Capital do Império.

Essa Cúpula de Lesboa quis usar Rui Rio para desestabilizar governos e lideranças (nomeadamente, e mais recentemente, a de Passos Coelho), mas agora que o viu chegar à liderança do partido apressa-se a tentar destruí-lo, com medo do que possa fazer.

É que essa Cúpula de Lesboa sabe bem do que Rui Rio é capaz. Até porque já experimentou no passado outros, como Francisco Sá Carneiro. Que tal como Almeida Garrett dizia “no Porto podemos trocar os bês pelos vês, mas não trocamos a liberdade pela servidão”.

Rui Rio, tal como Sá Carneiro, é um orgulhoso e íntegro homem do Porto e do Norte. Que ao contrário de outros, não irá ceder e tornar-se mais um ao serviço da Cúpula de Lesboa, de pseudo-elites, pseudo-banqueiros, e pseudo-gurus ideológicos.

Daí que a tal opinião publicada e comunicação “dita” social dê muito pouco palco a Rui Rio e ao PSD, a não ser para criticar negativamente. A verdade é que há um trabalho meritório a ser feito, que infelizmente não está a ser dado a conhecer, propositadamente.


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