Eleições no Reino Unido. A minha opinião e paralelo

09/05/2015

Cheguei a Londres em Março de 2012. Desde essa altura que todas as sondagens davam a vitória (mais ou menos folgada) a Ed Miliband, líder to Partido Trabalhista. Um homem que não foge ao padrão do político do século XXI. Iniciou-se na política com 25 anos. Antes disso estudára na University of Oxford e na London School of Economics, seguindo-se uma curta passagem no Channel 4, como apresentador de um programa sobre política.

A verdade é que o perfil, e o histórico pessoal e profissional não era muito diferente de David Cameron, líder do Partido Conservador e Primeiro-Ministro. Também ele se iniciou na política com 20 e poucos anos, juntando-se ao Partido Conservador logo após concluír a sua licenciatura na University of Oxford. Sendo que o único emprego fora da política que se lhe conhece é como Director de um grupo de média que detinha vários canais de TV.

Quando cheguei ao Reino Unido, em 2012, as semelhanças com Portugal eram enormes (apesar de os problemas e as dificuldades serem de dimensões completamente diferentes).

  1. Dois anos antes, um Governo do Partido Trabalhista tinha deixado o país em mau estado.
  2. O líder da oposição, Ed Miliband, tinha sido Ministro desse Governo (de Gordon Brown).
  3. O Governo em funções era de coligação – Partido Conservador e Liberais-Democratas.
  4. O Primeiro-Ministro David Cameron via-se forçado a aplicar medidas de austeridade.
  5. Apesar de ter sido cúmplice e co-responsável, Ed Miliband bramava contra a actuação do Governo.
  6. O resto da oposição e os média aliavam-se ao protesto e indignação dos trabalhistas.

A verdade é que os sinais positivos iam aparecendo aos poucos, mas a grande velocidade. Todos os índices estavam a ir na direcção desejada. Emprego a crescer, défice a estabilizar, serviços a melhorar. E como bónus os impostos sobre o rendimento desciam (o Personal Allowance subiu de £8,000 para £10,000 em 3 anos).

O Primeiro-Ministro ia cumprindo algumas promessas, batendo o pé à UE ou avançando com o referendo por uma Escócia independente. E ia avisando sobre medidas que intencionava implementar, como o fim do turismo de saúde (estrangeiros que entram no Reino Unido apenas para se aproveitar do NHS – serviço nacional de saúde) e do equivalente ao rendimento mínimo garantido, para qualquer pessoa (nacional ou estrangeira) que vivesse no país.

Naturalmente que muitas outras promessas foram quebradas e medidas esquecidas, mas a verdade é que David Cameron e o Partido Conservador se centraram naquelas que sabiam ter mais impacto na sociedade e aceitação no eleitorado.

Chegados à campanha eleitoral…

  1. Ed Miliband e o Partido Trabalhista, resolveram radicalizar ainda mais o seu discurso (talvez a reboque de Syrizas, Podemos e afins). Adoptando um discurso demagógico e fazendo promessas populistas.
  2. Nick Clegg e os Liberais-Democratas, parceiros de coligação no Governo, resolveram culpar David Cameron e o Partido Conservador pela austeridade e erros do Governo, e ao mesmo tempo reclamar para si os louros das boas decisões.
  3. David Cameron optou por manter a postura de responsabilidade e sentido de Estado. Reconhecendo a austeridade e afirmando que era um mal necessário, que começava a dar frutos. Poucas ou nenhumas vezes acusando o Partido Trabalhista de ser o responsável pela situação que encontrou.

Mas acima de tudo, a mensagem que David Cameron tentou passar aos eleitores foi a de deixarem o Partido Conservador, no Governo, terminar o trabalho que iniciou. Foram 5 anos difíceis para endireitar o país. E agora, quando as coisas começavam a tomar o caminho certo, não deitar tudo a perder, desperdiçando os sacrifícios feitos ao longo de tanto tempo.

Contra todas as expectativas o Partido Conservador de David Cameron venceu as eleições com uma confortável maioria absoluta. Só precisava de 323 deputados (porque o Sinn Fein normalmente não ocupa os seus lugares de deputados em Westminster) e obteve 331, mais 24 do que nas últimas eleições.

O Partido Trabalhista de Ed Miliband pagou caro pela demagogia e populismo adoptados. Perdeu 26 deputados. Os Liberais-Democratas pagaram ainda mais caro por tentarem desmarcar-se das decisões impopulares e de austeridade que o governo, do qual eram parceiros, teve de tomar. Perdeu 49 deputados.

Em Portugal, o resultado das eleições Legislativas 2015 poderia também ser semelhante. Mas provavelmente não será. Primeiro porque o parceiro minoritário no Governo (o CDS) não é tão estúpido como foram os Liberais-Democratas (aliás já se sabe que a coligação PSD/CDS se mantém para as eleições), e depois porque o povo português tem provado até hoje ser um bocadinho mais estúpido (a exercer o seu voto) do que o povo do Reino Unido.

Oxalá eu esteja enganado…


No UK como em Portugal, Ed Miliband = AJ Seguro

04/10/2012

Passaram quase 2 anos e meio desde que o actual Governo entrou em funções no Reino Unido (UK), e a coligação que o sustenta já teve melhores dias. Forçado a ter de tomar algumas “medidas de austeridade”, o Primeiro-Ministro David Cameron vê por vezes o seu parceiro de coligação, e vice-Primeiro-Ministro, Nick Clegg a demarcar-se.

Este é o primeiro Governo de coligação no UK desde a 2ª Guerra Mundial. Conservadores e Liberais-Democratas juntaram-se para acabar com 13 anos de governação Trabalhista (Gordon Brown e Tony Blair). É perfeitamente natural que um Governo de coligação mostre brechas, como também é natural que a oposição aproveite isso mesmo.

A verdade é que o líder da oposição (e do partido Trabalhista), Ed Miliband não convence os britânicos. Apesar de o seu partido estar sempre na frente das intenções de voto, a maioria dos britânicos admite que ele não tem capacidade para ser Primeiro-Ministro, principalmente em épocas de crise, como aquela que se vive na Europa.

E quem segue a política do UK pode realmente comprovar isso mesmo. Miliband é um homem com discurso fácil e escorreito, mas sem qualquer conteúdo. É um bom parlamentar (pelos padrões actuais) mas apenas a criticar e a debitar sound bytes. Alternativas? Não tem. É isso que a maioria da opinião pública e publicada lhe aponta.

Mas até certo ponto isso é compreensível. Recorde-se que Ed Miliband é líder de um partido que foi fundado no ano de 1900 por sindicatos. E actualmente ainda são os sindicatos que dominam o partido. Pelo que Miliband não pode ter um discurso realista e sério (onde obviamente teria de dizer que iria cortar em certos serviços).

Sem alternativas políticas ou rumo definido, Miliband tenta distanciar-se de Cameron e afirmar-se como alternativa através das características pessoais. Assim sendo, nos últimos dias, a escola onde estudou vem servindo de motivo para dizer que tem mais sensibilidade social e maior capacidade de resolver os problemas dos britânicos.

Já que não pode distinguir-se pela Universidade (ambos estudaram na conceituada Oxford), Miliband recuou ainda mais e foi ao que nós chamamos “liceu”, dizendo que ele estudou numa “Comprehensive School” (comparável á nossa escola pública, onde os alunos não são seleccionados) enquanto que Cameron frequentou uma escola selectiva e privada.

Miliband apresentou isto para justificar a sua maior aptidão para Governar. Porque teria andado “no meio do povo”. Algo que caiu ontem quando uma jornalista recordou que, numa entrevista em 2010, Miliband terá dito que foi um trauma andar naquela escola, que não a queria frequentar, e que muitas vezes se sentia isolado na mesma.


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