Pergunta que se impõe (II)

08/01/2011

Porque raio o papel higiénico é taxado a 23%? A taxa mais elevada do IVA? Normalmente não olho para o talão das compras, mas por curiosidade (devido ao aumento do IVA) olhei na 2º feira. Só tinha comprado bens de primeira necessidade, e era tudo a 6%. Hoje comprei PH e ao olhar vi 23%!! Mas que raio, se o PH não é bem de 1º necessidade, então o que é? Querem que limpemos o rabo aos jornais?… pensando bem, alguns jornais só servem mesmo para isso.

Imorais e ilegais não são os dividendos

20/11/2010

Cabe na cabeça de alguém (pelo menos na cabeça de alguém com bom senso) que o Governo e o PS andem aí a insurgir-se contra as empresas cotadas em bolsa que vão pagar os dividendos aos seus accionistas já em 2010? Até parece que estão a fazer algo ilegal ou imoral.

Irá o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças ou o líder da bancada do PS, da próxima vez que aumentarem os combustíveis, insurgir-se também contra os portugueses que no dia anterior irão à bomba de gasolina encher o depósito do seu automóvel? Havia de ser bonito, o povo a fazer-lhes manguitos.

Estas atitudes demonstram o desnorte, o carácter e a desonestidade dos membros do Partido Socialista. Principalmente depois de terem andado a fazer as figuras tristes (essas sim ilegais e imorais) a que todos pudemos assistir na questão do negócio PT-Telefónica-Vivo.


Fingem-se surpreendidos com aumento dos juros

10/11/2010

Eu nunca duvidei das (in)capacidades dos nossos actuais especialistas – políticos, politólogos, economistas, financeiros, banqueiros, diplomatas – mas vejo que ainda há muita gente que duvida, mesmo com sinais tão evidentes.

O caso dos juros da Dívida Pública é flagrante, e um bom exemplo. Todos sabemos que os juros sobem porque tem aumentado o risco de a dívida não ser paga. Ou seja, os juros sobem porque quem compra a dívida desconfia que Portugal tenha capacidade para a pagar.

Neste momento a dívida portuguesa ultrapassa a riqueza produzida. Para que seja possível cumprir com o pagamento da dívida é necessário produzir mais, por forma a criar mais riqueza e ter mais dinheiro.

Praticamente todos aqueles especialistas concordaram que o OE 2011 era um orçamento mau, que apenas tinha o objectivo de corrigir o défice, e que a consequência das medidas tomadas era nova recessão.

Ora, se o OE 2011 não dá condições para criar empresas e emprego (antes pelo contrário) ou aumentar a competitividade da nossa economia, consequentemente não pode haver aumento da produção, da riqueza e, consequentemente, da capacidade para pagar a dívida.

Como podem então os tais especialistas ficar surpreendidos com o aumento dos juros da Dívida Pública? É fácil… não ficam. Eles andam é a enganar (mais uma vez) o povo fingindo-se surpreendidos e desculpando assim a sua manutenção no poder.


Nunca tive dúvidas, mas por vezes engano-me

09/11/2010

Há umas semanas dizia-se que o problema do país era a viabilização do OE2011. Viabilizado o documento, os juros da Dívida Pública, que estavam pouco acima dos 5%, dispararam e ultrapassaram os 6.5%, um máximo histórico. Gorado o argumento do OE2011, o problema passou a ser a falta de interessados em comprar a Dívida Pública. Com o aparecimento da Venezuela e da China como potenciais interessados, os juros da Dívida Pública, que estavam nos 6,5%, subiram para perto dos 7% (o tal limite de Teixeira dos Santos para que fosse necessária a vinda do FMI).

Nesta altura só nos apraz perguntar: Mas será que entre tantos especialistas – políticos, politólogos, economistas, financeiros, banqueiros, diplomatas – ainda ninguém percebeu que o problema português é a falta de credibilidade e competência do Governo e principalmente do Primeiro-Ministro? A resposta é: Sim, já perceberam. E isso é que é grave nesta situação. Todos aqueles especialistas já perceberam qual é o problema, e sabem que a solução passa pela demissão deste PM e deste Governo PS, mas ninguém quer ousar falar nela.

Nova pergunta: Então se sabem, porque nem sequer a sugerem? A resposta é simples: Uns estão a agir cautelosamente para poderem obter bons resultados nas próximas eleições. Outros estão preocupados em não ferir susceptibilidades para se aguentarem (pelo menos o mais possível) nos seus belos empregos. Outros ainda, fazem parte da “pandilha” que nos trouxe a este estado de coisas e não se querem afundar com o Sócrates e o Governo.

Posto isto: Ainda alguém tem dúvidas de que o melhor teria sido chumbar o OE 2011? Ainda alguém tem dúvidas de que o melhor teria sido demitir o Governo? Ainda alguém tem dúvidas de que é inevitável o FMI vir a Portugal para colocar a governação e as finanças do país nos eixos? Eu nunca tive dúvidas, mas reconheço que por vezes engano-me.


Governo “prostitui-se” para pagar dívida

05/11/2010

Até agora eram França e Alemanha, entre outros, que nos davam dinheiro e permitiam que vivessemos acima das nossas possibilidades. Era mau porque tínhamos uma dependência financeira, mas ao menos sabíamos que lidavamos com gente de bem, que tem bom senso, valores e princípios. Sempre é melhor depender do patrão honesto do que do patrão déspota. É que um é solidário e o outro, numa mudança de humor, despede-nos.

Deparamo-nos neste momento com o Governo português a “baixar as calças” a países como Angola, Venezuela e China. É engraçado e até irónico que nesta altura do campeonato – em pleno século XXI e pertencendo ao grupo de países do denominado 1º mundo – o Governo de Portugal venha agora “prostituir-se” junto de países do denominado 2º e 3º mundo, na ânsia de conseguir algum dinheiro para pagar as suas dívidas e não morrer de fome.

Alguns perguntarão “qual é o problema?“. Para começar é uma questão de princípio. Não acho correcto que o Governo português ande de braço dado com ditadores (mais ou menos camuflados). Todos sabemos que Angola, Venezuela e China são países que têm falsas democracias, onde as eleições são manipuladas. São países onde a repressão e miséria do povo contrasta com o livre arbítrio e a luxuosa vida dos seus líderes.

Por outro lado sabemos (e temos provas recentes) que as acções destes países dependem do humor e vontade de um homem só, o que por si só é péssimo. Podemos ter a sorte de num dia o “Querido Líder” acordar bem e estar disposto a ajudar-nos, como o azar de no dia seguinte ele acordar chateado, com um notícia qualquer que saiu na comunicação social portuguesa (e que não abona a seu favor), e cortar a ajuda que prometeu.


OE2011.. Cai por terra principal argumento

04/11/2010

Há várias semanas que venho defendendo o chumbo do OE2011, a mudança de Governo e até a vinda do FMI. Também vinha afirmando que a viabilização do OE2011 com base no argumento de “é para acalmar os mercados internacionais” era absurdo. A prova disto mesmo está nos acontecimentos dos últimos 2 dias (depois da viabilização do OE2011). Os juros da dívida Portuguesa sobem para máximos históricos.

Repito o que tenho dito ultimamente: o problema de Portugal não é a aprovação de um qualquer Orçamento de Estado, mas sim a credibilidade (ou, melhor dizendo, a falta dela) do Governo e da classe política em geral. Será que vamos fazer algo para mudar este estado de coisas? Ou vamos simplesmente esmorecer e deixar que os socialistas do PS (Partido Socratiano) afundem o país?


Venha daí o FMI

28/10/2010

Há umas semanas atrás, muita gente achava que o PSD deveria negociar com o Governo tendo em vista a aprovação do OE2011. Depois dos acontecimentos dos últimos dias, esses já partilham da opinião de António Nogueira Leite: abster-se na votação, deixar Sócrates e o Governo enterrarem-se, fazer com que o povo sinta no bolso. Objectivo: quando tudo estive na “merda” socorrer-se-ão do PSD.

Discordo por completo das duas posições. Discordo da primeira porque só um louco poderia pensar que o mesmo Governo que nos trouxe até aqui, de repente se iria tornar responsável e competente por forma a cumprir e executar o OE2011. Discordo da segunda porque não temos mais tempo a perder, podemos ainda cair mais fundo (os juros da dívida continuam a subir), e há muita gente – cerca de 9 milhões de pessoas – que não votou PS, não tem culpa disto e não merece sofrer.

Logo na 1ª semana de Outubro, e portanto antes das negociações, disse que Portugal estava em “fase Tiririca: Pior do que tá não fica. Tenho consciência que a nível económico, financeiro e social as coisas ainda vão piorar, mas politicamente não podiamos estar pior. Temos um governo incapaz, incompetente, descredibilizado, pouco sério ou honesto, e que gera desconfiança no exterior“.

Daí ter defendido desde logo o chumbo do OE2011. E quando me acenavam com o fantasma da crise política afirmei não ter “medo do fantasma […] mesmo com o argumento de só poder haver eleições daqui a 8 meses“. Até porque o “sistema político que temos permitia que se arranjasse um novo sem eleições“. Fosse ele qual fosse “Ou o PS se torna um partido responsável e arranja outro PM e outro executivo, ou então o PR deve chamar outros partidos para formar governo […] Tanto dá, desde que não tenha pelo meio Sócrates, Silvas Pereiras, Santos Silvas, Teixeiras dos Santos e afins

Ora, se as diversas entidades do Estado estão a pensar em eleições e não avançam para o encontro de uma nova solução – e aqui incluo o PR, com reserva visto que convocou o Conselho de Estado para amanhã, e sabe-se lá se não poderá aí decidir algo importante – que venha então o FMI. E neste caso, faz-me espécie que, mesmo os mais radicais, estejam cépticos.

Precisamos urgentemente – para termos uma consolidação verdadeira das contas públicas – de acabar com certas coisas em que nenhum partido terá coragem de mexer. Desde as benesses dos (demasiados) políticos, aos institutos públicos e empresas municipais que empregam os boys, passando pelas obras megalómanas como o TGV que dão negócio às empresas amigas do Governo, e terminando em todos os subsídios desnecessários que se atribuem sem critério.

Com o FMI cá dentro todas as medidas que se impõem serão tomadas. E mesmo que sejam impopulares, o Governo em funções que as implementará terá sempre a desculpa do “foram eles que mandaram“. Além disso há algo que poderia ser bom para a população: com o FMI a ditar as regras poderia ser possível não aumentar tanto a carga fiscal, já que as medidas insidiriam mais na parte da despesa.


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