Na JSD… eu votaria André Neves

30/03/2018

Vi hoje, com curiosidade, o debate entre os dois candidatos à liderança da JSD (Juventude Social Democrata), transmitido pelo SAPO 24. Podem ver aqui, no Facebook. São 90 minutos de boa discussão. Apesar do fraquíssimo moderador.

Conheci a Margarida Balseiro Lopes há 10 anos, em Lisboa. Desde então tenho acompanhado o seu percurso político com atenção. Não conheço o André Neves, mas pedi opinião a gente que estimo e em quem confio.

Fui ver o debate sem qualquer expectativa ou ideia pré-formada, mas no final fiquei esclarecido. Como militante do PSD, preferia que a JSD tivesse o André Neves como presidente no próximo mandato.

A Margarida mostrou-se demasiado igual àquilo que se tem visto na política portuguesa nas últimas décadas, em particular nos centros de decisão política (como as lideranças partidárias, a Assembleia da República, e o Governo).

Não admira, já que são esses mesmos meios que a Margarida tem frequentado nos últimos anos, principalmente desde que é deputada. Sei bem que é mais fácil deixar-se engolir pelo “sistema” do que ser diferente (como fez, por exemplo, Sá Carneiro).

No debate, a Margarida mostrou conhecer todos os truques dos políticos profissionais. Acusou o André de ataques baixos (quando ele falou de apoiantes menos recomendáveis) mas depois atacou-o no seu carácter (ao acusá-lo de não ser sério, e de ser desnonesto intelectualmente).

Quando o assunto era desconfortável, a Margarida fugia com um “prefiro discutir nos locais próprios” ou um “não fiques nervoso“. Intitulou-se democrata, mas no final deixou cair que a JSD ficaria melhor com uma Comissão Política Nacional (CPN) menos pluralista.

O André mostrou-se muito mais genuíno e próximo da realidade (longe de “Lesboa”, o que é uma vantagem enorme). Apresentou o que, a meu ver, são propostas, convicções e ideias sensatas, realistas, inovadoras, e em linha com os ideais do partido.

(um parêntesis para dizer que a proposa que mais gostei, foi a de nomear os deputados da JSD com base em critérios de meritocracia, e não na quantidade de votos que conquistam, ou na influência que têm na estrutura partidária – isto rasga totalmente com o “sistema” actual).

Não podendo ter a certeza, quer-me parecer que o André nunca se sentiu bem como Vice-Presidente da actual CPN (para onde parece ter sido nomeado apenas e só por ser presidente da distrital de Leiria), e que se sentiu impotente perante os de “Lesboa”.

O pouco à-vontade que demonstrou no debate, foi compensado com a preparação que levou. Os “recortes” de notícias tocavam em pontos-chave, e foram lançados nos momentos certos. O que demonstra capacidade de trabalho e habilidade.

Eleições de líderes em congresso (ao contrário de “directas”) são muito mais permeáveis a caciques. E parece-me evidente que há um movimento forte em “Lesboa” à volta da Margarida – que é a preferida para suceder ao Cristóvão Simão Ribeiro.

Para aqueles que nunca ouviram falar dele, o Cristóvão Simão Ribeiro é o presidente da JSD desde 2014. Surpreende alguns, eu sei, que nunca ouviram falar dele. Mas é também por isso que o André tem razão – a JSD andou 4 anos centrada em si mesma e em “Lesboa”.

Estava na hora de se abrir ao país e aos jovens. Voltando ao que era até 2012 – ano em que o Duarte Marques deixou a liderança. O Duarte foi o último líder que fez jus ao estatuto da JSD. Desde então a JSD não tem sido mais do que um instrumento dos seus líderes e da cúpula de “Lesboa”.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte V

05/12/2012

Muita gente se tem insurgido contra a Carta Aberta a Mário Soares que a JSD publicou ontem. Pois eu dou os meus parabéns à JSD e ao seu presidente, Duarte Marques.

Já não há paciência nem desculpa para as intervenções de Mário Soares. Há muito que ultrapassaram os limites da demagogia, do populismo e da total irresponsabilidade.

Alguém tinha de o dizer! E por isso parabéns á JSD. Apenas discordo do penúltimo parágrafo da Carta Aberta. Mário Soares daria uma melhor contributo ao país se… estivesse calado!

Quanto ao “Porque não te calas?“, que muitos acharam demasiado violento, acho que é apropriadíssimo. Aliás, eu próprio escrevi 4 posts com o mesmo título, o primeiro deles há mais de 2 anos atrás.

Mário Soares, por qué no te callas
Mário Soares, por qué no te callas – Parte II
Mário Soares, por qué no te callas – Parte III
Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV


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