Málaga é fraco para quem percebe pouco de futebol

20/12/2012

Hoje, no twitter, lá tive mais um tête-a-tête depois do sorteio da Liga dos Campeões. Tudo porque depois de se saberem os adversários a maioria dizia que o FC Porto tinha tido sorte, porque o Málaga CF era o mais fraco de todos.

Todos os anos, em todas as eliminatórias das competições europeias é a mesma conversa. Ou sai Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique ou então o FC Porto teve sorte. Os outros são todos clubes muito fracos.

Só pode ter este tipo de avaliação quem não percebe nada de futebol. Vossas excelências têm de entender uma coisa: A valia das equipas dentro de campo não se mede pelo historial, número de sócios ou tamanho/capacidade do estádio.

O Málaga CF classificou-se em 4° lugar do Campeonato Espanhol em 2011/2012 atrás de Real Madrid, Barcelona e Atlético. E nesta altura ocupa exactamente a mesma posição. Isto diz algo! Que o Málaga CF está forte e em grande forma!

Lembre-se que o Málaga CF se qualificou para esta fase da Liga dos Campeões em primeiro lugar e sem derrotas. Num grupo com o colosso AC Milan e o milionário e experiente Zenit, só cedeu empates depois de estar qualificado.

Quem percebe e acompanha o futebol sabe que neste momento o Málaga é mais forte do que o Milan, o Bórussia é mais forte que o Man Utd, o Shakhtar é mais forte que o Valência e o Schalke 04 é mais forte que o Arsenal.

Nunca se devem subestimar os adversários. Fazê-lo é meio caminho andado para a derrota. E há muita gente que ainda não percebeu isso. Por isso é que ao invés de viverem com as glórias do presente, vivem com as do passado.


Pinto da Costa não desceu ao balneário

07/12/2011

Não foi ontem, no jogo frente ao Zenit, que o FC Porto falhou a qualificação para os 8avos-de-final da Liga dos Campeões. A qualificação foi comprometida nos 2 jogos com o Apoel, um empate e uma derrota, indesculpáveis.

Mas ontem, tal como nos mais recentes jogos, viu-se um FC Porto com garra, com competência, com vontade, com ambição. Dominou por completo o jogo, criando variadíssimas oportunidades de golo (infelizmente falhadas).

Disse-se que Pinto da Costa terá “descido” ao balneário e intervindo. Especula-se sobre a forma como o presidente terá “dado um murro na mesa” e feito um “ultimato” aos jogadores da equipa. Abstive-me de falar disso até agora.

Fi-lo porque efectivamente não pude ver os jogos mais recentes, e apesar de tudo, através da rádio não dá para ter uma percepção perfeita de como a equipa estava a jogar. Ontem vi o jogo todo, como sempre, com atenção.

Confirmei portanto a minha convicção: Pinto da Costa não “desceu” ao balneário. Ele “desceu”, isso sim, ao gabinete do treinador. Até há pouco tempo o FC Porto não tinha uma ideia de jogo (o chamado fio de jogo), agora tem.

Nos jogos que compuseram a “crise” o FC Porto não tinha uma estratégia bem definida. Não jogava em posse ou em contra-ataque. Não pressionava. Jogava como calhasse. Agora voltou ao que tem sido nas últimas épocas.

Nos últimos tempos cansei-me de dizer: “contem as vezes que a bola passa nos pés de Moutinho, antes e depois de Vítor Pereira”. O facto é que nos últimos jogos voltou a passar, e veja-se a diferença. Moutinho é enorme!

Dirão que os jogadores também não ajudavam. É verdade. Mas imaginem uma enfermeira, contratada por um hospital privado, que passado 1 ano, com novo director, é colocada como assistente ao dentista. É obviamente desmotivador.

Mas se o aspecto técnico-táctico foi ultrapassado, mantêm-se os problemas de liderança/carisma. Vítor Pereira não é Mourinho, nem Villas-Boas. Pode ser suficiente para competições internas, mas nunca nos levará ao topo da Europa.


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