Menezes não precisa de “habilidades” para chegar ao Porto

16/01/2012

Gosto pouco de unanimidades, muito menos em política. E quando se trata do PSD, ainda menos me agrada. Mesmo com Sá Carneiro o partido foi sempre muito plural e pouco dado ao unanimismo. É essa a riqueza do meu partido.

Daí que não tivesse ficado nada agradado aquando das eleições para a Comissão Política Distrital do Porto, em que houve uma conformidade geral de votos em volta de Virgílio Macedo, o braço-direito do ex-líder Marco António Costa.

Essa recente eleição mais pareceu uma “passagem de testemunho”, para que uma corrente de “vontades” permanecesse a dominar a CPD PSD Porto. Não é absolutamente nada ilegítimo. Apresentaram-se sozinhos a eleições e venceram.

Mas parece agora que essa corrente de “vontades” tem um só objectivo. E ele não passa para lá das fronteiras da cidade onde se encontra a sede da Distrital do PSD Porto. Desprezando todos os outros concelhos do distrito.

Nos últimos dias a actividade foi intensa para Virgílio Macedo. Primeiro veio defender que os autarcas impedidos (pela nova lei) de se candidatar nos seus concelhos, o possam fazer noutros. Depois veio atacar Paulo Rangel (hipotético candidato à CM Porto).

Luís Filipe Menezes já demonstrou competência como político, e fez um grande trabalho em VN Gaia. Poderia fazer o mesmo no Porto, dando continuidade ao que foi feito por Rui Rio. Não precisa para isso, deste tipo de jogadas.

Quero acreditar que não há um esquema montado para colocar LF Menezes como candidato à CM Porto. E a haver, que o próprio não está envolvido. Se a lei o permitir, ele não precisa disso. A população provavelmente escolhê-lo-à sem hesitar.

Mas a população também já está farta das jogadas sujas nos bastidores politico-partidários. Daí que as recentes “habilidades” de Ricardo Almeida (na Comissão Política Concelhia do Porto) e de Virgílio Macedo nada ajudam.

Além disso, é necessário que a CPD PSD Porto concentre também os seus esforços noutras autarquias. Muitas delas mais difíceis de conquistar do que a do Porto. A minha por exemplo, Santo Tirso, que há mais de 30 anos é PS.


Norte unido contra centralismo do Governo

02/11/2009

Foi com muito agrado que vi Luis Filipe Menezes “estender a mão” a Rui Rio, no discurso de vitória das autárquicas. Esta é uma atitude de louvar por parte de um Menezes que – quando não se deslumbra com o mediatismo – sabe soltar o que de melhor há em si: humildade, inteligência e amor pelo norte.

Esta união entre as duas câmaras (que se faz através de grupos de trabalho nas mais variadas áreas, lideradas pelos vereadores) é muito importante para combater o centralismo do Governo de José Sócrates que abandonou desde 2005 a região norte, que entretanto foi a mais fustigada pela crise.

Além disso é muito importante lutar por dossiês fundamentais como a nova travessia do Douro, a ponte pedonal a ligar as zonas ribeirinhas ou as linhas do metro do Campo Alegre e Vila d’Este.


Uma no cravo, outra na ferradura

19/10/2009

Já critiquei muito Luís Filipe Menezes, principalmente quando colocou os interesses pessoais à frente dos interesses colectivos do PSD (e consequentemente do país). Mas ele dá hoje uma boa entrevista ao Jornal i. Apesar de tudo, e como é seu apanágio, dá uma no cravo e outra na ferradura.

Gostei muito do disse sobre o seu trabalho na CM Gaia, de facto o “Social” não é propriedade da esquerda, e os sociais-democratas também são defensores de certas medidas de apoio social. Também gostei de ver a atitude de abertura ao entendimento com Rui Rio. Mas acima de tudo concordo plenamente com o que disse sobre a situação política nacional: “Em toda a Europa há eleições, há um partido que ganha, não tem maioria absoluta, e depois apresenta um governo ou de coligação ou com um acordo parlamentar prévio para uma legislatura. Só em Portugal é que há esta bizarria em que alguém que ganha sozinho considera que os que estão ao lado são infrequentáveis e os que estão ao lado têm como única ambição destruir aqueles que ganharam eleições. Nós temos uma tendência para a asneira, para a tontice

Em todo o caso, Menezes não podia perder a oportunidade de dar umas bicadas em Ferreira Leite e dar opinião sobre o futuro do partido. Não gostei da demagogia que utilizou para dizer: “Colocar em causa o SNS tendencialmente gratuito, o predomínio da escola pública, questionar o aumento do salário mínimo, é dizer a 3 ou 4 milhões de portugueses “não votem em nós”. A mensagem que passou foi de que o PSD ia desmantelar o Estado social“. Ele sabe que o Ferreira Leite simplesmente disse a verdade aos portugueses. Um país assim é insustentável e, a continuar assim, no futuro será pior. Não haverá dinheiro para SNS, escolas, reformas, subsídios, etc.


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