Andreia e o especial apoio do Professor

12/04/2017

Para os mais distraídos, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou-se desde que foi eleito Presidente da República das Bananas de Portugal. Não consegue estar calado. É mais forte do que ele. Opina ou emite juízos sobre tudo e todos. Claro está que, como diz o ditado, quem muito fala pouco acerta.

Em Fevereiro de 2014, neste post, escrevi:

(…) a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem (…) Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se (…)

Uma das provas foi o vídeo em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à C.M. Santo Tirso, sem sequer saber quem Alírio era, o que representava, o que defendia, que visão ou estratégia tinha.

Ainda a caminho das eleições Presidenciais de 2016, e em plena campanha eleitoral, Marcelo passou por Santo Tirso. E naquilo que foi um dos primeiros passos da auto-nomeação de Andreia, apareceu à varanda (qual Papa no Vaticano), e deixou uma mensagem de apoio, que com muito orgulho Andreia exibe em lugar de destaque no seu site de candidatura.

PSD_Sto_Tirso_Andreia_Neto_Marcelo

O resultado de Alírio está à vista. A maior derrota de sempre do PSD em Santo Tirso. Esperemos para ver o resultado de todas as certezas que Marcelo tem sobre Andreia Neto – pessoa que, tal como Alírio, Marcelo nem conhece, mas que finge para os bem conhecidos propósitos eleitorais.


O barrete serviu, ao apoiante de Alírio

28/02/2014

(Artigo publicado na edição de Fevereiro 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso, e que também pode ser lido aqui)

Marcelo Rebelo de Sousa é uma das pessoas mais inteligentes que o país mediático conhece. E, como tal, percebeu a mensagem e enfiou a carapuça. A verdade é que nem sequer era preciso ser muito perspicaz para auferir o que estava implícito no texto que Pedro Passos Coelho publicou descrevendo o perfil do seu candidato a Presidente da República.

Sempre apreciei muito as capacidades intelectuais de Marcelo Rebelo de Sousa. E pensei muitas vezes que ele poderia ser uma mais valia para o PSD e para Portugal, no campo da política (já o é como distinto advogado e professor universitário). Marcelo ganhou um capital e um crédito ímpares junto dos portugueses pela sua clarividência, sagacidade e liberdade de pensamento.

Mas a certa altura a ambição de ser Presidente da República levou-o a tornar-se num populista. Algumas vezes até, um demagogo. A preocupação em agradar a gregos e a troianos, rendendo-se ao politicamente correcto, estragou a sua imagem. A partir desse momento damos por nós a concordar plenamente com muito do que ele diz, e também muitas vezes a discordar profundamente.

E é precisamente isso mesmo que se espera de um “catavento de opiniões”. É como a lógica do relógio parado: está sempre certo duas vezes por dia. Isso fez com que a maioria daqueles que seguiam “religiosamente” o seu comentário ao Domingo (fosse na TVI ou na RTP), de repente deixassem de ir à sua “missa”. Deixaram de o ouvir, ou de acreditar no que dizia.

Para isso contribuiu muito o facto de deixar de ter critério naquilo que dizia, que aconselhava, que apoiava. Um pouco como nos livros que sugeria – a certa altura já ninguém acreditava que ele lia aquela montanha de livros todas as semanas – descredibilizou-se em actos do tipo daquele em que apoiava Alírio Canceles como candidato do PSD à CM Santo Tirso.

Para além do mais sempre foi um covarde eleitoral. Diz-se disponível para todo e qualquer cargo partidário ou político (ainda há bem pouco tempo, na queda de Ferreira Leite, se disponibilizou para ser presidente do PSD e candidato a Primeiro-Ministro), mas na hora “H” coloca sempre uma condição: “clima de unidade”. Quer sempre vencer por falta de comparência.

Marcelo sempre teve medo de ir a votos, de ir à luta. Sempre teve receio do combate eleitoral. Só aceita ser candidato quando tem a certeza de que vence. Foi presidente do PSD quando mais ninguém o queria ser – entre 1996 e 1999 nos “anos de ouro” do PS. Desde então apresentou-se várias vezes mas acabou sempre por recuar por não haver o tal “clima de unidade”.

O Professor nunca fará o que Manuel Alegre fez. Não por se preocupar com o partido ou, como diz, achar que não faz sentido dividir o eleitorado social democrata, mas porque sabe que dessa forma nunca vencerá, correndo mesmo o risco de ser “eliminado” na 1ª volta. O medo de perder é mais forte do que o “dever de consciência” ou do que o suposto sentido de missão.

Mas desengane-se quem acha que Marcelo se auto-afastou definitivamente. Ele sabe perfeitamente que Passos Coelho pode perder as Legislativas de 2015. E nesse caso, chegados a 2016, o presidente do PSD pode ser alguém que, mediante as circunstâncias, prefira o candidato Marcelo ao candidato Durão Barroso. Mas nessa altura outro “problema” se levantará, o outro forte candidato a candidato, que anda por aí.

Nota: Entretanto o XXXV Congresso Nacional do PSD aconteceu e o que escrevi confirmou-se. Marcelo apareceu a reposicionar-se como candidato presidencial (e conseguiu) e Santana Lopes “respondeu à letra”.


As críticas e as intenções dos “barões” do PSD

07/09/2011

O PSD sempre foi um partido pluralista e, que me lembre, não houve até agora nenhum presidente do partido (mesmo os que foram PM’s) que tivesse tido o sossego que se vê no PS, PCP, BE ou mesmo no CDS.

É isto que distingue o PSD dos demais. Com ou sem leis da rolha, há no PSD muitos (e destacados) militantes que continuam a pensar e falar por si, sem obediências ou vassalagens ao “querido líder”.

Mas há críticas e críticas. As que pretendem ser construtivas e têm como objectivo o bem do País e do PSD são sempre bem vindas. As outras, que têm por base interesses/ódios pessoais, são péssimas.

Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes tinham a obrigação – até por já terem sido líderes (contestados) – de ter outro tipo de discurso. Calarem-se? Não! Mas falar doutra forma.

MFL parece ser movida por um ódio pessoal a PPC. Apoiei-a nas internas e gosto dela. Mas isto é demais. Não ia retirar-se da política? Então porque não o faz? Se quer ficar, este não é o contributo que se esperava.

MRS continua o periplo para a candidatura a PR. Utiliza o seu espaço dominical para (com muita demagogia e descaramento) afastar-se de todas as medidas impopulares do PSD, e passar imagem de homem independente e isento.

LMM também procura no futuro um “lugar ao sol”. Ainda é novo, o seu capital político é imenso, e as bases do PSD gostam dele. Tal como MRS, utiliza o seu espaço na TVI para passar imagem de homem sensato e equilibrado.

MFL disse que medidas do Governo “de justiça têm pouco e de eficácia nada“. MRS disse que “falta uma explicação […] isto não é o que foi prometido em campanha“. LMM diz que o Governo tem “prioridades invertidas“.

Para quê esta agressividade, demagogia e critica destrutiva fácil? Que ganha o PSD ou o País com isso? Nada! Nem a classe política (à qual pertencem), que continua a ser descredibilizada, numa altura fulcral.

Se fossem movidos por boas intenções, o que fariam era criticar sim, mas moderadamente e sem demagogia. Tomem como exemplo Rui Rio. Discorda do governo mas ao invés de atacar disse que “faria diferente“.

Além disso teve o cuidado de ser justo e relativizar as críticas, dizendo que é preciso dar tempo: “lá pelo facto de não estar bem ao cabo de 2 meses não quer dizer que não esteja bem daqui a 4 ou 5 meses“.

Principalmente de MFL (que já foi Min Finanças) esperava-se algo como o que Rui Rio disse: “há que atirar forte na redução da despesa, mas isso não é tão simples como dizem, ou como se diz quando se está na oposição“.


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