Mário Soares pintado de fresco

07/01/2017

Estou tão comovido com a morte de Mário Soares, como fiquei com a morte de outros políticos da nossa praça, que morreram nos últimos anos.

Confesso que não muito. Pela simples razão de que não acho, absolutamente, e de todo, que Soares tenha sido o herói que querem pintar agora de fresco.

Teve um papel importante, como muitos outros (uns mais e outros menos notáveis) na história recente de Portugal. Tomou posições e decisões cruciais para o futuro dos portugueses e do país.

Umas (algumas) boas, outras (muitas) más. Nem sempre (quase nunca) as boas foram pelo interesse de Portugal, mas pelo seu próprio. Por exemplo, creio que a decisão de evitar que o PCP tomasse controlo foi sobretudo porque Soares queria o protagonismo para si mesmo e para o PS.

Da mesma forma, as más (quase sempre) foram tomadas pela cegueira partidária, pela teimosia egoísta, e pelo interesse próprio e corporativo. E dessas há muitos exemplos, que me escuso repetir.

Para além disso, há os episódios do filho e os diamantes. De Macau e a Emaudio. Da Fundação e a origem do seu financiamento. Que não se podem branquear. E que só passaram incólumes dada a teia de influência e corrupção na política, comunicação “dita” social, e justiça.

Como Ministro e Primeiro-Ministro foi medíocre. Não se conhece nada relevante dos seus governos (a não ser a 2a vinda do FMI). Quem lidou e privou com ele sabe que nunca dominou qualquer dossier ou assunto, nem tinha conhecimento técnico de seja o que for. E, à porta fechada, até se gabava disso.

Como Presidente continuou as lutas partidárias e de poder. Não só focado no ressentimento ao PSD (o grande obstáculo ao “seu” PS ser o único grande partido português) mas também no ódio pessoal a Cavaco Silva (fazendo de tudo para tentar impedir os seus governos de fazerem fosse o que fosse).

Para além disso, o seu consulado como Presidente serviu para estender e aumentar os seus tentáculos, e criar um dos maiores polvos políticos de sempre. Com a conivência não só de camaradas do PS mas também gente de outros partidos, da comunicação “dita” social e da justiça.

A sua vida pública e tempo de serviço (ou melhor, em que ocupou cargos públicos) sempre foi pautada pelo egoísmo, lutas pessoais, políticas e de poder. Raramente se guiou por um sentido de missão, com vista a reformar e desenvolver o país, e dar algo melhor aos portugueses.

Recentemente fez mesmo coisas ridículas, como a candidatura presidencial contra Manuel Alegre e Cavaco Silva. A defesa de José Sócrates e Isaltino Morais. E outros episódios bem conhecidos sobre os quais escrevi neste blogue.

Daí que eu ache interessante, e até muito revelador, que a grande maioria do país – da sociedade civil à comunicação “dita” social; da classe política ao povo português – ache que Soares foi figura maior e proeminente de Portugal.

Agora, não interessa nada… avante para o Panteão. O primeiro a propôr isso no parlamento fica imortalizado.

P.S. (1) – Há 2 anos escrevi um post sobre Mário Soares, que recomento leitura, no seguimento deste: Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

P.S. (2) – poucas horas (minutos até) após o anúncio da morte de Mário Soares, vários órgãos de comunicação “dita” social publicavam vários artigos de fundo acerca da sua vida (pessoal e política). É de muito mau gosto, eu acho, ter tudo isto preparado, à espera (alguns, se calhar, mesmo a torcer) do facto consumado, para poderem clicar “publicar”.

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Mário Soares – Até ao fim da IIIª República

07/12/2014

Em Portugal é tradição beatificar qualquer figura pública que morra. Pode, em vida, ter sido o pior exemplo do ser humano, o mais arrogante, o maior corrupto, etc. Mas a partir do momento que morre, passa automaticamente a ser a melhor pessoa do mundo. E criticá-lo é blasfémia. Assim sendo, vou aproveitar que Mário Soares ainda está vivo para escrever este texto.

Respeitava muito Mário Soares pelo papel que, bem ou mal, desempenhou na construção da democracia portuguesa. No entanto, ao contrário de outros, nunca lhe coloquei o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes (a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre muitos outros), mas esteve longe de ser o principal ou único responsável.

Em 1996, Mário Soares terminou o seu segundo mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Na altura achei bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos parecia ter tomado a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de Ministro, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Deputado Europeu. Retirava-se um homem que teria contribuido imenso para a construção do país.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve, deveria ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar da política e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se saír pela porta grande.

Infelizmente, para ele e para os portugueses, Mário Soares não soube, não quis, ou não pôde sair. E os últimos anos – marcados pela avançada idade – foram catastróficos. Várias vezes me perguntei se ele não teria filhos em casa que lhe pedissem para se abster. Depois pensei melhor e realizei que, sem o papá na ribalta, os filhos seriam ninguém.

E também não é menos verdade que o PS nunca se conseguiu libertar das amarras e da teia (o termo é apropriado) de Mário Soares. Sempre fez o que quis. Até considerar Sócrates “o pior do guterrismo” e depois dizer que foi “um Primeiro-Ministro exemplar”. Deixou a liderança do PS em 1986, mas desde aí liderou sempre oficiosamente. Manietando Almeida Santos, António Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, AJ Seguro e, mesmo com 90 anos, António Costa.

A re-candidatura à Presidência da República em 2006 foi só o início da desgraça política Soarista dos últimos anos, marcada por falta de memória, discernimento, bom senso, prudência, sentido de Estado, responsabilidade, ou mesmo, e muitas vezes, vergonha na cara. Basta lembrar as críticas que fez a Passos Coelho e ao Governo PSD/CDS por estes cumprirem o MoU.

Mário Soares acusou o Governo e o Primeiro-Ministro de estarem demasiado presos ao acordo da Troika, esquecendo-se que, como disse Camilo Lourenço “não houve período em que Portugal tenha sido mais subserviente para com o FMI do que em 83-85, quando Soares, então primeiro-ministro, recorreu a ajuda externa”.

Isto, depois de em Fevereiro 2012 se ter vangloriado de forçar José Sócrates a pedir apoio ao FMI. “Tive uma discussão com ele gravíssima, porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido”.

Escusado será dizer que meses mais tarde, em Maio 2012, a opinião mudava outra vez. Soares dizia que o MoU tinha sido assinado por José Sócrates (como se o PM não estivesse a assinar o MoU em nome do país) e nessa medida o PS teria sido obrigado a aceitá-lo. Mas com a eleição de Hollande e AJ Seguro (note-se onde estes já vão) o “mundo mudou” e portanto a obrigação de cumprir o MoU teria chegado ao fim.

Mas há mais. Em Junho 2013, num comício organizado pela esquerda-caviar de Lisboa, juntamente com muitos bloquistas e afins, Mário Soares para além de quebrar todas as regras da ética e da democracia, quebra também o artigo 46º da Constituição, apelando à revolta popular e à violência para destituir o Governo PSD/CDS eleito com maioria apenas dois anos antes.

Por falar em regras democráticas, lembrar também como, no dia das eleições Autárquicas 2005, ao lado da mesa de voto, Soares apelou ao voto no seu filho. Violando portanto o artigo 177º da Lei Eleitoral, que proíbe que no dia da eleição seja feito um apelo ao voto. Violação essa que é punida com pena de prisão até 6 meses. Isto depois de ter feito o mesmo nas eleições Legislativas.

Mais inofensivos, mas ainda assim graves, foram outros episódios. Alguns bem recentes. Como o da multa por excesso de velocidade que o levou a dizer ao polícia “o Estado é que vai pagar a multa”; o do encontro com Isaltino Morais, depois de este ter sido condenado a prisão, onde o caracterizou como “um grande presidente de câmara, que foi injustiçado“.

Muitos pensarão que estes episódios e histórias são fruto da idade avançada. Que Mário Soares está, como muitos (incluindo eu) já disseram, chéché. A verdade é que basta recordar tudo o que Soares, sua família e amigos, fizeram para rapidamente se concluir que nada disto é por acaso, e que estamos na presença de um mau exemplo de homem e político.

Durante o Estado Novo, enquanto outros lutavam contra o regime, e pela democracia, em Portugal, Soares exilou-se em Paris, frequentando hóteis e restaurantes de luxo à custa não se sabe bem de quem (onde é que eu já vi isto?). Voltou como herói depois do 25 Abril 74 e tomou conta da ocorrência, sendo um dos responsáveis pelo processo de descolonização, durante o qual o filho João Soares quase morre, num avião cheio de diamantes.

Depois de duas passagens pela liderança do Governo, marcadas pelo fracasso e pela vinda do FMI para salvar Portugal, candidatou-se a Presidente da República e depois de vencer as eleições, fundou a Emaudio onde os seus testas de ferro geriram vários negócios milionários pouco transparantes, como por exemplo o do aeroporto de Macau. Onde estava envolvido o Governador de Macau, Carlos Melancia, nomeado por Soares.

Depois da Emaudio lhe ter financiado a re-candidatura presidencial em 1991, foi a Fundação que lhe financiou a vida pós-presidencial, e para a qual levou valiosos documentos e presentes que recebeu oficialmente enquanto Presidente, e que deveriam ter ficado na Presidência. Isto depois de ter dado o equivalente a 22 voltas ao mundo como Chefe de Estado, batendo recordes de visitas.

Como ex-Presidente, para além de todas as mordomias a que tem direito por lei (carro, motorista, reforma milionária, escritório) continuou a receber subvenções e subsídios de milhões, através da Fundação (à qual não se conhece nenhuma função) oferecidos pelos seu filho e seus companheiros de partido no Governo, na CM Lisboa e até mesmo na CM Leiria.

Fundação essa que foi construída num lugar nobre de Lisboa (em frente à Assembleia da República) violando o PDM, e depois de o IGAT ter anulado a licença de obra. Curiosamente o relatório do IGAT e demais documentos sobre o assunto desapareram da CM Lisboa quando o PS (incluindo o filho João Soares) a lideraram.

E ai de quem se atrevesse a tocar nestes assuntos. José António Cerejo (no jornal Público, liderado por José Manuel Fernandes) foi silenciado depois de ter começado a investigar. Joaquim Vieira (na revista Grande Reportagem, detida pela Controlinveste) foi despedido depois de ter feito uma reportagem sobre o livro de Rui Mateus.

Resumindo e concluindo, beatifiquem quem quiserem. Ainda em vida, ou depois de morto. A verdade é que Mário Soares fez muito mais mal do que bem. Ou melhor, o mal que fez, apagou o bem que terá feito. Mas o país que santifica políticos como este, merece ser liderado por eles. Até ao fim da IIIª República.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte VI

26/11/2014

Há não muito tempo atrás, Mário Soares fez questão de visitar Isaltino Morais. Nas suas palavras “um grande presidente de câmara” que foi “injustiçado” porque “não fez nada“.

Hoje, Mário Soares fez questão de visitar José Sócrates. Nas suas palavras “um primeiro-ministro exemplar” que está “inocente” e é vítima de uma “cabala política“.

Entretanto, sublinhar dois pormenores:

a) As visitas no Estabelecimento Prisional de Évora são às Terças e Quintas-feiras. Mário Soares visitou Sócrates numa Quarta-feira. Porquê? Porque neste país funciona assim. Há uns que fazem o que quiserem e quando lhes bem aprouver.

b) À saída da visita, Mário Soares – que não conhece o processo nem as acusações (ou será que conhece, bem demais?) – atacou o Juíz e mandou os jornalistas transmitirem a sua opinião. Porquê? Porque neste país uns mandam e os outros obedecem.


Mário Soares violou a Constituição?!

01/06/2013

Constituição da República Portuguesa

Artigo 46.º Liberdade de associação

1. Os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência.

Ainda esta semana, Mário Soares juntou em Lisboa “as esquerdas” e apelou à revolta popular usando a violência. E diga-se que já não foi a primeira nem segunda vez.


Mário Soares, por qué no te callas – Parte V

05/12/2012

Muita gente se tem insurgido contra a Carta Aberta a Mário Soares que a JSD publicou ontem. Pois eu dou os meus parabéns à JSD e ao seu presidente, Duarte Marques.

Já não há paciência nem desculpa para as intervenções de Mário Soares. Há muito que ultrapassaram os limites da demagogia, do populismo e da total irresponsabilidade.

Alguém tinha de o dizer! E por isso parabéns á JSD. Apenas discordo do penúltimo parágrafo da Carta Aberta. Mário Soares daria uma melhor contributo ao país se… estivesse calado!

Quanto ao “Porque não te calas?“, que muitos acharam demasiado violento, acho que é apropriadíssimo. Aliás, eu próprio escrevi 4 posts com o mesmo título, o primeiro deles há mais de 2 anos atrás.

Mário Soares, por qué no te callas
Mário Soares, por qué no te callas – Parte II
Mário Soares, por qué no te callas – Parte III
Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV


Mário Soares, por qué no te callas – Parte IV

08/05/2012

Este é o 4° post com o título “Mário Soares, por qué no te callas“.
O 1° foi em Setembro 2010
O 2° foi em Setembro 2011
O 3° foi em Novembro 2011
Ontem Mário Soares brindou-nos com mais algumas pérolas.

A primeira é que o Memorando de Entendimento com a Troika foi assinado por José Sócrates (qual Sociedade Unipessoal), que dessa forma obrigou o PS a aceitá-lo. E eu a julgar que o ex-PM tinha tido uma gravíssima discussão com o ex-PR, onde este queria convencer aquele, a pedir ajuda ao FMI.

A segunda é que Mário Soares acha que o “mundo mudou” desde que o Governo PS de José Sócrates (incitado pelo próprio Mário Soares) assinou o Memorando de Entendimento com a Troika. O facto é que esta não surpreende muito. Para Sócrates o mundo mudava em 15 dias, agora demorou 1 ano.

A terceira é que “A austeridade tem limites… até já o PR o disse“. Aqui há duas coisas a reter: uma é facto de haver limites à austeridade, mas não ao dinheiro dos contribuintes (esbanjado durante 15 anos de Governos PS). Outra é que afinal há que dar ouvidos ao que diz Cavaco Silva.

A quarta é que chegou ao fim “a obrigação do PS ser fiel ao acordo da troika“. Ou seja, o acordo foi assinado por 4 anos entre Portugal, BCE, FMI e UE. Mas agora, só porque um duende francês perdeu (previsivelmente) as eleições, Portugal já pode rasgar aos seus compromissos?

A quinta é que “a eleição de um socialista pode acentuar a marcha de mudança“. Eu gostaria imenso de saber que marcha é essa. Será a mesma que nos trouxe até aqui? Ou seja, esbanjar dinheiro de impostos que os contribuintes não podem pagar, em obras faraónicas e insustentáveis?

A sexta é que AJ Seguro acompanhou Hollande no último comicio e “Os franceses isso não vão esquecer“. Sim, porque realmente AJ Seguro é mais conhecido (e reconhecido) que o tremoço em França. É emocionante ver um velhinho com nostalgia dos tempos em que foi jovem e influente.

De resto, e para acabar em beleza, Soares reafirmou que o “PS não deve ter nenhuma pressa em se substituir ao PSD“. Claro, porque limpar a borrada que o próprio PS fez é tarefa que normalmente cabe ao PSD. Foi assim em 1979, foi novamente em 1985 e também em 2011.

Mário Soares deixou oficialmente a liderança do PS em 1986. Desde aí liderou o PS oficiosamente (Com Almeida Santos, Guterres, Ferro Rodrigues, José Sócrates, entre outros). Continuará a fazê-lo agora? Veremos nos próximos dias


Mário Soares, por qué no te callas – Parte III

25/11/2011

Recordo algo que escrevi sobre Mário Soares em 2009:

Respeito muito Mário Soares pelo papel que desempenhou na construção da democracia portuguesa. De qualquer forma, ao contrário de outros, não lhe coloco o epíteto de “Pai da democracia”. Foi uma das figuras importantes – a par de Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Álvaro Cunhal entre outros – mas está longe de ser o principal ou único responsável.

Ele, melhor do que muitos, deveria saber que em política (como na vida) tudo tem o seu tempo. Pelo percurso que teve já devia ter aprendido que os grandes homens da história souberam saír na altura certa. Saber o timming para se retirar e dar lugar aos mais novos é algo essencial para se “saír pela porta grande“.

Além disso o corpo humano vai-se detereorando com a idade, e mais grave do que as debilidades físicas que começam a aparecer, é a perda de capacidades cerebrais. Está provado cientificamente que com o avançar dos anos o cérebro vai atrufiando (se assim se pode dizer) e vamos perdendo discernimento.

Mário Soares terminou em 1996 o seu mandato de PR e podia ter-se retirado. Mas o bichinho da política, o amor pelo partido, e a consciência de que ainda era capaz, fê-lo rumar a Bruxelas em 2000. Penso que fez bem, porque a sua experiência e conhecimento podiam contribuir para a construção europeia e para a defesa de Portugal na UE.

Em 2005 com 81 anos tomou a decisão correcta e sensata de se retirar, anunciando que abandonava definitivamente a política. Tinha sido um percurso brilhante ocupando o cargo de PM, PR e Deputado Europeu. Retirava-se um grande homem que contribuiu imenso para a construção do país.

Mas infelizmente, para ele e para muitos de nós, os últimos 6 anos foram catastróficos. A candidatura presidencial de 2006, os argumentos de cabo de esquadra para defender Sócrates, as criticas à oposição de Passos Coelho, e demais demagogia e banalidades que tem proferido.

A última prova de que está fora de prazo, foi o manifesto que Mário Soares lançou há dias (juntamente com mais uns quantos pataratas). Tal como diz, e muito bem, o Duarte Marques, Soares e demais comparsas, chegam tarde, muito tarde.

Para além do mais, pede uma “mudança de paradigma” (qual Fátima Campos Ferreira), mas não apresenta alternativas, e pelo que se consegue perceber, quer mesmo é que tudo continue como está. Ou melhor, que recue para o que foi há 30 anos atrás.

O que Soares pretende, não é um melhor futuro para Portugal, mas que tudo volte a ser como dantes. Como disse Pessoa: “A recordação é uma traição à Natureza. Porque a Natureza de ontem não é Natureza. O que foi não é nada, e lembrar é não ver“.

É pena que Mário Soares não se contenha, porque assim ele está a perder o respeito que os portugueses (mesmo os que não são do PS, como eu) tinham por ele. E além disso não está a contribuir em nada para que Portugal e a Europa consigam sair desta crise profunda.


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