O des(prezo)porto nacional

08/09/2010

Tal como digo na minha apresentação sou um adepto do desporto. Obviamente que desde criança o futebol preenchia grande parte dessa paixão, mas logo na juventude aprendi a apreciar outras modalidades quando fui atleta federado de Andebol e Ténis. Continuei a gostar muito de futebol mas comecei a detestar a “bola”, ou seja, a “espuma dos dias” à volta do futebol. Além disso tomei consciência da sua realidade: a falta de respeito, de civismo, de moral, de ética. A corrupção, o compadrio, a promiscuidade. Tenho por isso vindo a “desligar” do futebol e dedicar-me mais a outras modalidades como o voleibol.

Tenho por isso dedicado mais tempo a pensar nas modalidades ditas amadoras, no quão importante são para o desenvolvimento da sociedade (em particular da juventude) e no desprezo a que são votadas por parte dos responsáveis governativos de hoje. Preocupa-me sobremaneira o facto de os sucessivos Governos darem apenas e só atenção ao Futebol, que ainda por cima, é hoje mais um negócio do que um desporto (pensando bem, talvez seja mesmo essa a razão de tal atenção).

Ao contrário do futebol as outras modalidades praticadas em Portugal passam por imensas dificuldades, numa altura de crise económica e financeira em que se se torna extremamente dificil captar apoios, investimentos ou patrocínios. Consequentemente vários clubes fecham as portas, deixando milhares de pessoas sem possibilidade de desenvolver a sua actividade física, desportiva e competitiva.

Ao contrário do futebol as outras modalidades ainda podem ser uma mais valia para a sociedade. Enquanto que no “desporto rei” se cultiva a inveja entre clubes, a falta de fair-play, o ódio entre adeptos, a importância apenas do dinheiro, a imagem, o compadrio… nas outras modalidades ainda se cultiva o espírito de grupo, de sacrifício, a solidariedade, o esforço, o trabalho, o mérito, a carolice, a amizade.

Mesmo havendo tantos motivos para apostar e investir nas modalidades ditas amadoras, dedicando pelo menos tanto tempo a elas como ao futebol, os responsáveis governativos parece que não vêem ou não querem ver esta situação (e o pior cego…). Os sucessivos Secretários de Estado do Desporto têm-se focado apenas no futebol, e até imiscuido em assuntos que não lhe dizem respeito, tendo por consequência resultados catastróficos. Mas ultimamente parece haver um objectivo comum e indisfarçável: querem, à saída do Governo, conquistar lugar nas estruturas do futebol.

Temos provas de que há atletas de várias modalidades tão ou mais talentosos que os do futebol. Atletas esses que podem elevar bem alto o nome de Portugal, tornar-se modelos da juventude e contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e rica. Mas insistimos em deixar cair esses atletas, desperdiçando assim um capital que eles nos podem oferecer. Temos, nas mais diversas modalidades, imensos atletas com potencial para crescer e estar entre os melhores. Infelizmente não têm condições para evoluir, nem oportunidades para se mostrar. Tudo por falta de aposta e investimento (financeiro e humano), todo ele canalizado para o futebol.

Laurentino Dias, profissional da política (Licenciado em Direito, deputado desde 1987), é o actual Secretário de Estado do Desporto, que tem passado os seus mandatos preocupado com o futebol. Algo que se torna evidente com a intromissão indevida no Caso Carlos Queirós, que nada tem que ver com desporto. No entretanto, várias atrocidades são cometidas na gestão das outras modalidades e nada se ouve ou vê do responsável máximo pelo desporto em Portugal. Vejamos o que se passa em 3 das modalidades mais praticadas.

No ténis (20.000 atletas federados), alterou-se recentemente o regulamento das bolsas de apoio à alta competição, obrigando os atletas a participar no Campeonato Nacional, sob pena de perda de 40% do subsídio do Estado. Ora, é natural que os melhores jogadores nacionais não estejam presentes. É até um bom sinal pois significa que estão a lutar pelos rankings internacionais, competindo no estrangeiro e levando longe o nome do país. Além disso estão a fazer pela vida em torneios com prize money (ao contrário do Camp. Nacional que não tem prémios).

No atletismo (15.000 atletas federados), a respectiva Federação aprovou recentemente um novo regulamento do Campeonato Nacional de Clubes, que pelo visto viola regras comunitárias. Além do mais foi aprovado em cima do início da temporada, altura em que já vários clubes tinham contratos firmados com atletas para 2010/2011. O novo regulamento pode acabar com vários clubes e baixar o nível competitivo nacional. Isto, aliada à diminuição das já pequenas bolsas de alta competição, terá repercussões no futuro da modalidade.

No voleibol (40.000 atletas federados), a própria Federação despreza a modalidade. A gestão é feita segundo uma estratégia pessoal de poder e não tendo em vista o desenvolvimento dos intervenientes. Todos os anos há clubes das principais divisões que desistem da competição e outros que fecham as portas. Muitos tiram financiamento à formação de jovens para segurar a equipa sénior, hipotecando aos poucos o futuro. O campeonato cada vez tem menos participantes e a competitividade diminui, baixando por consequência o nível de competências.

Ultimamente as modalidades ditas amadoras têm conseguido conquistas internacionais que orgulham todos os portugueses. Conquistas essas que deviam envergonhar os futeboleiros que ganham milhões e não se esforçam nem metade. Os clubes e a selecção de Hóquei continuam a ser potências mundiais. O Sporting CP venceu a Taça Challenge em Andebol. O SL Benfica foi Campeão Europeu de Futsal. Treinadores de Basket lusos (Luís Magalhães, Mário Palma) dão cartas no Campeonato do Mundo. Vanessa Fernandes, Naide Gomes e Nélson Évora conquistam medalhas nos mundiais de Atletismo e nos Jogos Olímpicos. A atleta letã, Ineta Radevica, do FC Porto sagrou-se Campeã Europeia do salto em comprimento. A selecção masculina de Voleibol fez história ao conquistar a Liga Europeia.

Tudo isto contrasta com os casos “Saltillo” e “Queirós”, com os socos de João Pinto, Sá Pinto e Scolari, com os resultados dos recentes Euro 2008 e Mundial 2010 (mesmo com individualidades fantásticas e prémios astronómicos, a selecção de futebol desiludiu). E nem os bons resultados dos idos Euro 2004 e Mundial 2006 salvam o futebol, porque isso deve-se apenas e só ao trabalho de um homem insigne: José Mourinho. Ele que montou no FC Porto a espinha dorsal de uma selecção que jogava de olhos fechados.

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O Portugal que não quero (III)

03/07/2010

Depois da vergonhosa participação da selecção nacional no campeonato do Mundo de futebol (tanto na qualificação como na fase final) veio Gilberto Madaíl dizer que a equipa cumpriu o objectivo mínimo, que foi eliminada contra uma equipa teoricamente superior e congratulou-se também pelos desaires precoces de França e Itália.

Eu pergunto: isto é atitude de um verdadeiro líder? A atitude deste senhor é o exemplo do que há de pior neste país. O típico portuga também só trabalha para os mínimos, resigna-se com a derrota e fica contente com o mal dos outros, para desculpar o seu falhanço.

Dizemos que metade da população vive à custa de subsídios do Estado, mas esquecemo-nos que muitos dos que têm emprego vivem à custa do “subsídio” da empresa. No seu dia-a-dia, o típico portuga não se esforça para trabalhar mais e melhor, para trazer valor acrescentado à empresa, para conquistar novos patamares e novas vitórias.

Assim sendo, fazendo apenas os serviços mínimos, este ser quase acéfalo só está a trabalhar para levar o ordenado (subsídio) ao final do mês. Não contribuindo em nada para um país melhor e em crescimento.


Humildade e discrição fazem campeão

30/06/2010

Muito havia para dizer – e concerteza será dito – sobre a participação da selecção de Portugal no Mundial 2010. Eu vou apenas abordar aqui duas questões: Mentalidades e Escolhas. Deixo as questões técnico-tácticas para os habituais treinadores de bancada.

João Pereira foi preterido. O defesa direito em melhor forma ficou em casa porque Queiróz preferiu Miguel – arruaçeiro e criador de mau ambiente no balneário – e Paulo Ferreira – em nítida fase descendente da carreira e com poucos jogos esta época. Pasme-se quando Ricardo Costa foi o escolhido para os dois jogos mais decisivos.

João Moutinho também não fez parte das escolhas. Queiróz não levou plano B para a mais importante posição em campo: a de construtor de jogo. Sem Deco – não por lesão mas por opção – a equipa ficou sem nº 10 (já não tinha extremos nem lateral direito) e deixou a tarefa de alimentar os avançados ao heróico Fábio Coentrão.

O Saldo final foi: 4 jogos, 1 vitória (contra equipa equivalente ao Lichenstein), 0 golos marcados (os 7 à Coreia para mim não contam); 1 golo sofrido. Estiveram como na qualificação. Partidas sofríveis em que nunca a equipa quis vencer. Acabou por ganhar aos marretas e perder contra os outros.

Nada disto era difícil de prever. Principalmente quando se anda a brincar aos futebóis, quando se coloca a descontracção à frente do trabalho, a displicência à frente da exigência, a fé à frente do querer. Quando se confiam tarefas sérias a meninos em vez de homens, o resultado só pode ser este.

No meio disto tudo se vê como a humildade e discrição fazem o campeão. Os melhores jogadores de Portugal foram os mais humildes e menos mediáticos: Eduardo, Fábio Coentrão, Bruno Alves e Raúl Meireles. Estranho não é?… Para mim não.


O futebol mudou muito…

08/06/2010

O assunto é futebol, não estivessemos nós em ano (e mês) de campeonato do mundo. Mas é um futebol diferente, pelo menos não é igual ao futebol de que gosto e que estava habituado. É diferente dentro e fora do relvado.

Dentro do relvado, parece que já não se ganha jogos com esforço, trabalho de equipa e golos. Isto, a julgar pelas escolhas de Queiróz – que escolheu mais jogadores de propensão defensiva do que ofensiva para disputar o Mundial – e também pela falta de empenho e excesso de individualismo dos atletas.

Nas bancadas também tudo agora está mudado. Já não se ouvem os “aaahh” – quando o central corta um excelente passe do médio para o avançado – os “uuuhh” – quando o avançado falha o golo à boca da baliza – ou até o “goooolo” quando a bola toca as redes. Agora só se ouve o “pooohhh” das irritantes gaitas.

Além disso, é engraçado ver como são diversos os espectadores. Olhando para as bancadas só se vêem telemóveis e câmaras em riste para gravar o momento. É raro ver alguém a olhar para a bola, para o jogo. Está é tudo a gravar a imagem do CR7 ou do estádio ou do cenário. A maioria não está lá porque aprecia futebol, está para dizer que esteve.


Brincar aos mundiais, prostitutas e hóteis de luxo

30/05/2010

A nossa selecção é a imagem do país e dos portugueses. Muito espectáculo, muito barulho, muito aparato e pouco trabalho, pouco esforço, poucos resultados. Enquanto outras selecções – que querem ser campeãs do mundo – estão concentradas a treinar, nós andamos a brincar aos mundiais.

Com as escolhas de Queiróz já não vale a pena perder mais tempo. Todos os dias a equipa tem jogadoresno estaleiro” e ainda não conseguiu fazer um treino com os 23 jogadores. A consequência é, a 3 semanas da competição, ainda não termos uma equipa base, entrosada e rodada. Vamos levar jogadores que não jogam há 3, 4, 5 meses e portanto não têm ritmo competitivo.

Além disto, em vez de os jogadores estarem focados no Mundial 2010 foram de férias: vê-se nas revistas que Liedson foi até ao Brasil, CR7 foi navegar para Saint-Tropez, etc. Como se não chegasse ainda andam todos em actividades lúdicas para distrair e desconcentrar ainda mais: homenagens a Madaíl na Câmara da Covilhã, programas de incríveis na TV, peladas com a criançada, enfim.

Pior do que tudo é que o típico portuga – aquele que acha que ser patriota é ter uma bandeira na janela ou na antena do carro, em vez de pagar os seus impostos e cumprir os seus deveres de cidadão – gosta deste espectáculo todo e acha que vamos ser campeões assim, sem trabalho.

É engraçado como no final de exibições paupérrimas (como a que fez a selecção contra Cabo Verde) o tuga diz que a selecção não vale nada. Mas depois basta ver umas imagens do João Garcia na visita ao estágio, ou umas fotos dos meninos a jogar paintball, para achar que “sim senhor, estamos fortes e vamos ser campeões“.

Alguns dizem-me que, se não gosto tenho bom remédio, não apoio. Mas não é bem assim. É que eu (e todos vós) estou a pagar 800 €/dia a estes meninos (que ainda por cima ganham entre 100.000 e 1.000.000 €/Mês nos seus clubes). E não só a eles. Estou a pagar para os Madaís e Cª iram para a África do Sul brincar aos hotéis de 5 estrelas, às prostitutas de luxo e aos jantares de 100€/cabeça.


Quem merecia ir ao Mundial 2010?

19/11/2009

A selecção Portuguesa conseguiu à boa moda tuga (com muito sofrimento) o apuramento para o Campeonato Mundial de Futebol 2010 que vai decorrer na África do Sul.

Depois desta desnecessária e sofrida fase de qualificação apenas tenho a dizer que o português – de entre jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos – que mais merece a ida ao Mundial 2010… é Pepe.

Parabéns também a R. Meireles, Deco, B. Alves e poucos mais. Votos de muita humildade para C. Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e muitos mais.


Nós merecemos, eles não !

19/10/2009

Depois da vergonhosa fase de qualificação – em que tinhamos manifestamente as melhores individualidades, mas não soubemos transformar em equipa – lá passamos “à rasquinha” (como é nosso apanágio) para o play-off. Agora temos dois decisivos jogos com a Bósnia-Herzgovina para chegar ao Mundial 2010.

Se formos ao Mundial de Futebol da África do Sul, nenhum português se irá lembrar que apesar da crise em que o país está mergulhado, a nossa selecção vai gastar milhões de euros em hóteis de 5 estrelas, viagens em 1ª classe ou jantares de luxo para todos os directores, técnicos e jogadores.

Directores, técnicos e jogadores esses que ganham dezenas ou centenas de milhares de euros por mês, mas mesmo assim exigem prémios milionários para representarem a selecção do seu país. Os mesmos que nas fases de qualificação (que não têm mediatismo) não se esforçam, não trabalham, simulam lesões. Mas depois nas fases finais (em que há TVs a transmitir para todo o mundo) cantam o hino de mão no peito e dão o litro (não vá um contrato melhor caír do céu).

Por mim, borrifo-me para estes senhores. Eles não merecem ir a mundial nenhum. Nós, o povo português, até que mereciamos, para nos levantar a moral. Mas estes “meninos”… Claro que haverá sempre excepções que confirmam a regra: por exemplo Deco, Pepe ou Raúl Meireles.


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