O feriado do 25 Abril é patético e hipócrita

26/05/2014

Artigo de opinião publicado na edição de Maio 2014 do jornal Notícias de Santo Tirso

O 25 de Abril de 1974 foi há 40 anos! Mas Portugal continua a ter um gigantesco lastro da revolução dos cravos, que impede o país de andar para a frente e se desenvolver. Uma âncora enorme e bem enterrada. Umas amarras ao passado que não permitem ao país conquistar o futuro.

O que se pretende festejar no feriado do 25 de Abril? Um sistema eleitoral conquistado em 1974? Só se for isso porque continuamos a não poder festejar a conquista da verdadeira Democracia, da verdadeira Liberdade, da verdadeira Justiça Social.

E os maiores culpados são os arlequins que neste dia fazem a maior festa. Os políticos que durante o ano inteiro, na sua maioria, tratam das suas vidinhas, neste dia falam de grandes valores na casa da democracia. A mesma que serve para os seus negócios e jogos partidários.

E qual a Liberdade que tantos bradam? Será Liberdade uma pessoa não poder ir sozinha ao Estádio da Luz com um cachecol do FC Porto (e vice-versa) para ver um jogo de futebol, sem correr o risco de ser insultada ou agredida?

Será Liberdade não poder saír de noite em segurança, sem correr o risco de ser assaltado, violado ou até assassinado? Será Liberdade não poder discordar do patrão, do director ou de qualquer outro superior hierárquico na empresa, sem correr o risco de ser ostracizado ou despedido?

Será Liberdade não conseguir emprego e ser discriminado por causa da idade, género, cor, religião ou deficiência? Será Liberdade um doente ir de Amarante ao Porto numa ambulância, em apenas 30 minutos e depois chegar ao Hospital São João e esperar horas num corredor?

Será Liberdade existirem meios de comunicação social controlados por governos, partidos políticos e outros interesses? Será Liberdade um homem matar (ou mandar matar) pessoas e não só ficar impune como, para além disso, ser condecorado e sustentado por aqueles que aterrorizou?

Será Liberdade milhões de portugueses trabalharem o ano inteiro e verem metade do seu rendimento ir para impostos, que depois são esbanjados por políticos irresponsáveis, ao invés de os ver investidos em Educação, Saúde, Justiça, Segurança?

E todos os anos é a mesma conversa quando se aproxima o feriado do 25 de Abril. Certos sectores querem apoderar-se da data e deixar o resto da sociedade portuguesa de fora, como se o tal dia da Liberdade fosse só deles. Como se fossem donos da tal Liberdade.

Ora, como bem disse a JSD há uns anos atrás “ se a liberdade tivesse dono, era uma ditadura“. O feriado do 25 de Abril é um dia em que não se trabalha. Um dia em que basicamente se comemora a altura em que se começou a ter direito a tudo, sem ter de se fazer nada por isso.

Um país que não celebra a conquista da sua própria independência (24 Junho 1128) e que deixou de celebrar a sua própria reconquista (1 Dezembro 1640), continua agarrado àquilo que foi apenas uma saudável mudança de regime, e que é agora, claramente, uma pedra na engrenagem.

Podem chamar-me o que quiserem, até fascista, pouco me importa. Sou um democrata incondicional e acho que os festejos do 25 de Abril de 1974 são arcaicos e estão obsoletos. Mais, este permanente saudosismo é patético e hipócrita.


O PSD Santo Tirso está moribundo

30/04/2014

(Artigo de opinião publicado na edição de Abril 2014 do Jornal Notícicas de Santo Tirso)

Assaltado pela doença há já vários anos, o PSD Santo Tirso tem tido uma vida difícil e de sofrimento. Agora parece passar por uma fase de agonia antes de morrer definitivamente. O PSD Santo Tirso está moribundo.

Foi atacado por várias doenças: Conveniência, Cobiça, Avidez, Voracidade, Avareza, Vilania, Patifaria, Incompetência, Chico-espertice, Síndrome de Dunning Kruger. Tudo isto agravado por um fatal Cancro do Cacique.

Os sintomas estão à vista: Em Santo Tirso o PSD não vence uma eleição há anos. Seja ela de cariz local, regional ou nacional. Mesmo quando o PSD vence a nível nacional (ex: Legislativas 2011) perde em Santo Tirso.

As últimas eleições autárquicas pareciam ser o golpe final. A derrota estrondosa fazia antecipar “a morte do artista”. Ironia do destino, são os próprios vírus que o atacam a mantê-lo vivo, ligado às máquinas.

Por um lado é compreensível. Todos sabemos que os vírus invadem um corpo e se alimentam dele. No caso de esse corpo morrer, eles também provavelmente irão desaparecer. Pelo que lhes interessa manter vivo esse corpo.

Os sinais confirmam esta teoria, de que o PSD Santo Tirso só está vivo para os vírus se alimentarem dele. O website desapareceu, o perfil do Facebook idem, e a conta do Twitter vai soluçando mas não diz nada.

O mesmo se passa com a JSD Santo Tirso. O seu website/blog está inactivo há mais de 2 anos, a conta do Twitter há mais de 1 ano, e o perfil do Facebook só publica fotos dos seus dirigentes em Congressos e Conselhos.

Não se vê na imprensa ou em lugar algum uma intervenção política do PSD Santo Tirso, como partido. O que se vê, poucas vezes, são uns comunicados e umas notícias avulsas, publicadas em nome e interesse pessoal.

Mais uma confirmação de que o partido só vive para que os que se aproveitam dele possam ter do que se alimentar. Claro que a continuar assim, mais tarde ou mais cedo alguém irá sugerir a aplicação da eutanásia.

Vai daí, os vírus juntam-se todos de vez em quando e fingem um batimento cardíaco (leia-se Plenários e Eleições internas obrigatórias). Fazendo crer aos mais incautos que ainda há ali esperança de recuperação.

Um bom exemplo é o da última eleição, em que Andreia Neto assumiu a presidência. Colocando um risco nos recentes acontecimentos e dizendo que o acto “… é bem demostrativo da unidade do partido“.

Dizendo também, imagine-se, que essa unidade é “… em torno do projeto que orgulhosamente agora encabeço…” concluindo que isso lhes “… dá especial alento e motivação para cumprir os objetivos a que nos propomos“.

Sendo o objectivo continuar a alimentar-se de um corpo moribundo, sem dúvida que esta eleição ajudou. Ajudou a, como digo atrás, enganar os mais ingénuos. E a tentar fazê-los crer mais uma vez, que o PSD está bem vivo.

O cenário é tal que até vírus que já se pensavam extintos estão a voltar a aparecer. Gonçalves Afonso – que ainda há tempos dizia que Joaquim Couto era “uma figura passada e requentada e nada trará de novo” voltou ao activo.

Há 2 anos disse que se Couto fosse candidato o PSD teria “grandes hipóteses de ganhar“. Couto venceu, mas ainda assim Gonçalves Afonso não deixou fugir a oportunidade de ressuscitar e de se juntar ao banquete.

Quanto a unidade, Andreia Neto voltou a sublinhar numa das últimas edições do Jornal Entre Margens “Não há motivo algum para duvidar que o partido está unido“. Só se, para ela, o partido for o grupo de vírus que residem nele.

Caso contrário é muito difícil, até para os mais desatentos, acreditar na enorme falsidade que Andreia Neto proferiu. Há muitos motivos para duvidar que o PSD esteja unido. Alguns deles estão frequentemente escancarados nas páginas deste jornal.


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