Passos Coelho cabeça de lista às Europeias

09/10/2018

O presente

O PS, que se apoderou do governo e várias outras instituições (a última, a ERSE), está a surfar a crista da ténue recuperação, e a distribuir pelas clientelas as poucas folgas que ela permitiu. A comunicação “dita” social e a opinião publicada tenta com todas as suas forças derrubar Rui Rio – nem que para isso seja preciso dar palco e transformar avençados em “independentes” e recorrer aos que ainda ontem eram persona non grata (ex. André Ventura).

2019 afigura-se um ano difícil para o PSD, em termos eleitorais. As Europeias em Maio, as Regionais na Madeira em Setembro, e finalmente as Legislativas em Outubro. O PSD tem de entrar neste ciclo com uma vitória, e é por isso que faço o paralelo com 1994.

O passado

Em 1994, Portugal tinha entrado em recessão e o Governo de Cavaco Silva tinha sido obrigado a tomar medidas de austeridade fiscal, bem como outras medidas impopulares – o aumento das propinas no Ensino Superior, ou de 50% nas portagens da Ponte 25 de Abril foram as que provocaram das maiores manifestações em democracia.

O fim do “Cavaquismo” já se adivinhava, o cenário eleitoral para o PSD não era o melhor, e todos os sinais indicavam que o PSD iria entrar num ciclo complicado de derrotas nas eleições que aí vinham – nomeadamente as Europeias (ainda nesse ano de 1994) e as Legislativas (em 1995). Já se falava da saída de Cavaco e o futuro era incerto.

Só com um “golpe de mestre” o PSD tinha hipóteses de evitar uma hecatombe eleitoral. Cavaco convocou a sua A-Team. Convidou Eurico de Melo para encabeçar a lista às Europeias, acompanhado por António Capucho e Arlindo Cunha – todos ex-ministros e  nomes de peso no partido e no país.

Conseguiu também convencer Francisco Lucas Pires a concorrer pelo PSD (ele que tinha sido líder do CDS, e seu cabeça de lista cinco anos antes), e juntou-lhes Carlos Costa Neves e Nélio Mendonça, dois “pesos pesados” das regiões autónomas, para atrair os votos dos Açores e Madeira respectivamente.

As sondagens davam uma derrota significativa do PSD. As intenções de voto eram cerca de 30% no PSD e 40% no PS. O resultado viria a ser muito diferente. O PSD conseguiu 34,39% dos votos, enquanto que o PS obteve 34,87%. Em termos de deputados o PS elegeu 10 contra 9 do PSD. (os restantes 6 ficaram distribuídos igualmente por CDS e CDU).

O futuro

Tenho imenso respeito, reconhecimento e até estima por homens como Paulo Rangel, Carlos Coelho ou José Manuel Fernandes. Todos têm feito um trabalho extraordinário e meritório no Parlamento Europeu, e qualquer um dos três merecia ser cabeça de lista nas Europeias de 2019. Mas o PSD precisa de “nomes de peso” para vencer.

Na minha humilde opinião, de militante de base, Rui Rio e o PSD deviam procurar o tal “golpe de mestre”, e convidar Pedro Passos Coelho para encabeçar a lista às Europeias de Maio do próximo ano. E juntar outros “pesos pesados” a Paulo Rangel, Carlos Coelho e José Manuel Fernandes, deixando cair nomes como Fernando Ruas.

Penso ser hoje evidente a capacidade, competência, seriedade, credibilidade e sentido de missão de Pedro Passos Coelho. Isto não só é reconhecido pela maioria dos portugueses (que até lhe deram vitória nas Legislativas de 2015) como está em linha com os valores e princípios defendidos por Rui Rio. Pelo que a escolha era “na mouche”.

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Onde está o risco sistémico?

04/07/2014

Nunca fui cliente do BES. Nunca gostei do BES. Nunca fui com a cara do Ricardo Salgado. Coincidência ou não, sou cliente dos únicos dois bancos que (ainda) não mostraram dificuldades: Santander Totta e BPI.

Quando estava na Novabase, trabalhei em dois projectos do BES (no BEST e no BESI). Odiava o ambiente no banco. Aliás, pedi mesmo para saír do segundo projecto.

Estive contra qualquer nacionalização ou salvação de bancos quando a crise rebentou. BPN, BPP, BCP.

Mas agora que o BES está em dificuldades… o que é feito do “Risco Sistémico”?

Aquele que levou o governo socialista (com a conivência de outros responsáveis políticos de todos os quadrantes políticos) a decidir salvar/nacionalizar esses bancos?

Aquele que obrigou os portugueses absorver (e pagar!) os milhares de milhōes de euros dos buracos negros criados por má gestão e ilegalidades?

Havia risco sistémico quando se tratava de bancos menores, e agora não há quando se trata do maior banco privado português?

Por aqui se vê que não havia risco sistémico nenhum. Houve foi um primeiro-ministro e um governo (e outros responsáveis políticos) que quiseram encobrir os crimes que foram cometidos nesses bancos, e que arrastariam muitos deles.

Desta vez, há um governo que parece não ter esse receio. E portanto disse não. Não irá usar dinheiro dos portugueses para corrigir má gestão e hipotéticas ilegalidades num banco privado.

O tempo continua a mostrar que Passos Coelho continua a surpreender, pela positiva. O tempo continua a mostrar que José Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro, que desgraçou Portugal.


Um povo que não se governa nem se deixa governar

05/07/2013

Esta semana ficou provado novamente que em Portugal a política continua dominada pelo mero interesse pessoal e partidário. O interesse público, o interesse colectivo, o interesse nacional são de somenos importância. Basicamente: O país que se lixe, importante é eu/o meu partido estarmos por cima.

Não vale a pena tentar assacar responsabilidades a A ou a B. São todos, sem excepção, uma cambada de irresponsáveis! Partidos do Governo e partidos da Oposição. No entanto, no meio desta maralha, há quem seja estreante e há quem seja reincidente. Falo naturalmente de Paulo Portas, líder do CDS-PP.

Vou tocar neste ponto apenas porque tenho o CDS como partido essencial à democracia portuguesa (a história prova-o) e para dizer que o facto de o partido não ter conhecimento da decisão de Paulo Portas demonstra que ela foi pessoal (naturalmente com prioridade sobre o interesse nacional).

À excepção de um (que confirma a regra) todos os militantes do CDS que conheço ficaram calados durante 24 horas. Foram também apanhados de surpresa e custava-lhes assumir que o CDS é um partido de um homem só. Que o usa a seu bel-prazer, num desrespeito total pelos demais militantes e dirigentes.

A oposição também ficou estupefacta e, depois de Passos Coelho ter dito que não se demitia, sem saber o que fazer. Bradam agora ao PR. Ora, se PS, PCP e BE se juntarem ao CDS, conseguem demitir o Governo. Só têm de apresentar uma Moção de Censura na AR, e aprová-la. Não precisam de Cavaco Silva.

O problema é que, constitucionalmente, apenas o BE a pode apresentar, já que PCP e PS desbarataram a sua oportunidade de apresentar uma Moção de Censura em alturas em que tentavam “sobreviver” a circunstâncias conjunturais – no caso do PS, foi quando José Sócrates voltou de Paris para a RTP. Mais uma vez, o interesse pessoal/partidário.

Entretanto, do lado do PSD berra-se por Rui Rio. Quem até hoje preferiu os Relvas, os Isaltinos, os Ruas, e outros que tais, ao ver-se em risco de perder o controlo do Poder, vira-se agora, em desespero, para a única alternativa aparentemente viável. É tarde meus caros! É já muito tarde para isso.

Aliás, perante os acontecimentos dos últimos anos, está bom de ver que os portugueses não querem alguém como Rui Rio a liderar os destinos do país. Ele quereria – a bem ou a mal – reformar definitivamente o Estado, mudar o rumo do país e o paradigma da política em Portugal. E não é isso que se pretende.

O que se pretende é que tudo continue na mesma. Que o país continue a viver às custas do dinheiro dos parceiros da UE/Bancos, e que os “direitos adquiridos” – ainda que sem sentido ou insustentáveis – continuem a beneficiar os mesmos de sempre. Foi para isso se elegerem Guterres, Durões, Sócrates e outros que tais.

Entretanto continua a ladainha de que a culpa é dos políticos. As pessoas não conseguem (ou não querem) discernir que os políticos são o espelho do país, dos portugueses. Foram os portugueses que os escolheram e que os elegeram – ou deixaram outros eleger por eles. Não foi a Sra. Merkel nem o Sr. Barroso que os impuseram.

Os últimos anos também serviram bem para perceber que as reformas não se fazem por culpa da falta de coragem ou determinação dos políticos. Elas não se fazem porque o povo não quer (ou não deixa). Liderado por uma súcia de terroristas sociais, sai à rua assim que alguma medida de reforma é anunciada.

Nota: Este foi o meu último post no Nova Esperança. Felizmente a vida profissional e pessoal anda muito ocupada. Infelizmente o tempo para fazer tudo aquilo que desejava escasseia. Um agradecimento enorme ao Diogo Agostinho por me ter convidado para fazer parte daquele blogue, e agora me ter libertado.


Governo e portugueses podem “sair por cima”

18/09/2012

Estou convencido que a única coisa que o Governo precisa para que os portugueses aceitem as medidas de austeridade é demonstrar bom senso. Isto significa ter juízo claro, capacidade para pensar e capacidade para sentir. Ter bom senso é ter equilíbrio nas decisões ou nos julgamentos em cada situação que se apresenta.

Sendo assim, julgo que o Governo pode sair “por cima” desta situação criada pelo anúncio da subida da contribuição dos trabalhadores para a segurança social. E neste caso, sair “por cima” seria não só vantajoso para o Governo e para o PM, mas também para o país, para os trabalhadores e para todo o povo português.

Porque, quer queiramos quer não, o MoU tem de ser cumprido, o plano de ajustamento tem de ser efectuado, as medidas de austeridade têm de ser aplicadas e o sacrifício tem de ser suportado. Em nome da viabilidade de Portugal, do futuro das gerações e da continuidade no projecto Europeu que tantas vantagens tráz.

Na minha opinião a medida anunciada é desastrosa, mas penso que o Governo tem uma oportunidade de ouro para demonstrar bom senso. A humildade para reconhecer o equívoco ou juízo errôneo, a sensibilidade para ler a manifestação de sábado passado, e a abertura para repensar, podem ser reconhecidas pelos portugueses.

Se o fizer, o Governo poderá dar um sinal que não é visto há muito em Portugal. Fazer saber que os políticos que lideram o país, estão realmente interessados no bem geral, representam efectivamente o povo (e não interesses partidários, corporativos ou empresariais) e têm um real sentido de missão.

Nessa altura, os portugueses irão voltar a confiar no PM e estar novamente disponíveis para esperar para ver os resultados da sua política.


PSD e as dificuldades de resistir à máquina

12/09/2011

Já o disse várias vezes, apoiei Ferreira Leite e Aguiar Branco nas 2 últimas internas do PSD. Mas, depois de vencer, Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva.

Aquando da constituição do Governo elogiei o facto de ter conseguido chamar excelentes independentes, mas critiquei ter cedido à máquina do partido em certas pastas.

Quando os partidos estão no Poder é muito mais fácil ceder à máquina partidária, mas é imperativo resistir. Afinal, foi essa mesma máquina (incompetente e corrupta) que nos trouxe até aqui.

Ao ver o programa das Jornadas Parlamentares do PSD fico desiludido. Numa altura em que o PSD lidera o Governo e precisa de mais e melhores ideias para nos tirar da crise, as jornadas serão inócuas.

Oradores e temas são os que mais interessam ao partido numa lógica puramente circunstancial. Não irão acrescentar nada ao trabalho do PSD na AR, em prol do país e dos portugueses.

Compare-se nomes dos oradores (sua qualidade e capacidade), líder parlamentar, presidente PSD e condição do partido, nas últimas 3 jornadas parlamentares. É fácil ver as diferenças.

Ano 2008
Líder Parlamentar – Paulo Rangel
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: António Borges, Henrique Neto, Maria José Nogueira Pinto, Jacques Attali

Ano 2009
Líder Parlamentar – JP Aguiar Branco
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: Alexandre Soares dos Santos, José António Salcedo, Paulo Pinto de Albuquerque, João Duque

Ano 2010
Líder Parlamentar – Miguel Macedo
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Oposição
Oradores: Manuel Villaverde Cabral, Ernani Lopes, Luís Campos e Cunha, Vitor Bento

Ano 2011
Líder Parlamentar – Luís Montenegro
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Governo
Oradores: Miguel Relvas, Pedro Santana Lopes, Marco António Costa, Paulo Simões Júlio


FCP vs PSD… novamente agridoce

21/06/2011

Esta é já a segunda vez esta semana que tenho um sentimento agridoce. Mas se da última vez envolvia apenas o Governo PSD, desta vez envolve o Governo PSD e o FC Porto.

Passos Coelho e André Villas-Boas estavam, para mim, no patamar mais alto da consideração, do respeito e da confiança. Hoje, enquanto um assinava o outro rescindia.

Só tenho, ainda assim, de desejar aos dois a melhor sorte do mundo. Espero sinceramente que ambos tenham sucesso e consigam cumprir os objectivos a que se propõem.

É duplamente importante para Portugal, que PPC e AVB consigam vencer as dificuldades que se lhes apresentarão pela frente. Obviamente, nas devidas proporções.


Sócrates vs Passos Coelho: Ficou claro como água

21/05/2011

O debate de ontem não surpreendeu quem anda atento à vida política, e olha para ela sem clubite. Mostrou um Sócrates nervoso sem propostas e sem soluções, e um Passos Coelho seguro e sem medo de discutir as suas propostas e medidas concretas.

A táctica de ambos esteve bem à vista logo na parte inicial. Sócrates ia preparado para empurrar o debate para o programa do PSD (nomeadamente as propostas mais polémicas), enquanto que Passos Coelho tinha como objectivo escrutinar as responsabilidades do Governo.

O PM terá dito algumas 6/7 vezes que se o PSD quer ganhar eleições tem de discutir as propostas que apresenta (Curiosamente não pensa o mesmo do PS. Parece que o partido do Governo está escusado disso). Passos Coelho esteve bem, nunca se esquivou e discutiu sobre tudo.

O candidato a PM, por seu lado, tentou fazer a avaliação da Governação. Conseguiu e bem, em algumas ocasiões, cumprir esse objectivo. Mas o facto é que os temas resvalaram muito para o programa do PSD, porque Vitor Gonçalves deixou que Sócrates liderasse o debate.

Sobre isso um aparte. Sócrates raramente respondeu ao moderador. Divagava durante 30 segundos e voltava ao PSD, terminando as intervenções com perguntas a Passos Coelho. Às tantas Vitor Gonçalves até se queixa de estarem desde início no mesmo tema. A culpa era dele, não teve pulso.

O primeiro terço do debate foi o pior sendo preenchido com ataques, rasteiras, acusações e sem ideias. O terreno preferido de Sócrates, onde tem espaço para os seus truques de “ilusionismo”. No debate com Portas sacou da capa vazia, ontem de um DVD. Patético.

À entrada do 2º terço do debate Passos Coelho começa finalmente a falar em propostas e a partir daqui viu-se claramente a diferença entre PS e PSD. Passos Coelho foi objectivo e concreto ao expor medidas (ainda que polémicas). Sócrates optava por fugir e desviar para o PSD.

A certa altura Sócrates responde finalmente a uma pergunta de Vitor Gonçalves mas… com generalidades. Disse que iria combater o desemprego com “crescimento económico, mais qualificações, mais oportunidades“, e logo desviou as atenções para as propostas concretas do PSD.

Aos 40 minutos de debate já se tinham discutido propostas do PSD em 3/4 domínios (Saúde, Economia, Trabalho). A táctica do PS estava a vingar, mas o que Sócrates não contava era que isso fosse uma desvantagem. Estava à vista a falta de ideias do PS e a força do PSD.

Sobre um dos temas em voga, o da baixa da TSU acordada com a Troika, mais do mesmo. Sócrates respondeu a medo e genericamente “vamos estudar e descer moderadamente” e logo desviou para a proposta de Passos Coelho, acusando-o de ter apresentado apenas a parte boa.

É preciso ter uma grande cara de pau para se dizer isto, depois daquele anúncio de acordo com a Troika a 3 Maio. E neste domínio da lata e do delírio, sublinhar também que Sócrates voltou a dizer que Portugal não precisava de ajuda externa, antes do chumbo do PEC 4.

Aliás os últimos 10 minutos foram trágicos para o PM. Sócrates já sem armas para atacar (leia-se insultos, acusações, remoques) e sem ideias, começou a por em prática a táctica que usou em 2009 com Manuela Ferreira Leite. Chamar pessimista, maliedicente e anti-patriota a Passos Coelho.

Conclusão: o debate foi um bom espelho da realidade. E ficou tudo clara como àgua. Sócrates inseguro a falar de intenções, mas sem apresentar uma única medida. Passos Coelho confiante e firme, deixando medidas concretas e objectivas, sem medo do voto dos portugueses.


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