Este Governo é inaceitável

07/07/2013

Paulo Portas aproveitou-se da situação do país e usou-a para chantagear Pedro Passos Coelho. Resultou! Portas acabou numa posição ainda mais confortável e poderosa do que aquela que tinha quando se demitiu.

Na verdade, se Paulo Portas fica com a coordenação da política económica, da reforma do Estado e das negociações com a Troika, na realidade é ele quem ditará o rumo do Governo, e não o Primeiro-Ministro.

O cargo de Vice-Primeiro-Ministro é um cargo de enorme relevância e responsabilidade. E por isso deve ser ocupado por alguém com grande sentido de Estado, e da total confiança do Primeiro-Ministro.

Se dúvidas havia, o recente episódio demonstrou claramente que Pedro Passos Coelho não pode confiar em Paulo Portas, e que este não tem qualquer tipo de sentido de responsabilidade e muito menos de Estado.

Penso que faz sentido haver um Vice-Primeiro-Ministro em duas situações distintas: Num Governo constituído por dois partidos em coligação pré-eleitoral; Num governo constituído pelos dois maiores partidos.

De outra forma, admito que um Governo constituído por um só partido possa ter um Vice-Primeiro-Ministro no caso de o Primeiro-Ministro não ter o necessário peso político, e precise dessa figura para o apoiar.

Voltando à situação actual, creio que esta mudança no executivo é inaceitável. E tenho para mim que o Presidente da República não a devia aceitar. Por duas razões essenciais…

Primeiro porque resulta de uma inqualificável e irresponsável jogada táctica de Paulo Portas que tem por objectivo cumprir um sonho pessoal (que de outra forma sería inatingível) ser Primeiro-Ministro.

Segundo porque a mudança proposta desvirtua o resultado eleitoral das Legislativas 2011, onde claramente o povo português mandatou o PSD para dirigir o Governo do país, com apoio minoritário de outro partido.

Este Governo não é viável. Como também não o é qualquer Governo que integre uma coligação entre o PSD e o CDS, mas sem Paulo Portas e Passos Coelho. No caso de eleições, seria pior a emenda que o soneto.

Pelo que, nesta altura, e perante a gravíssima situação do país, parece-me que a única saída possível é um Governo de iniciativa Presidencial onde estejam representados PSD e PS (e quiçá CDS) respeitando o resultado das Legislativas 2011.


Um povo que não se governa nem se deixa governar

05/07/2013

Esta semana ficou provado novamente que em Portugal a política continua dominada pelo mero interesse pessoal e partidário. O interesse público, o interesse colectivo, o interesse nacional são de somenos importância. Basicamente: O país que se lixe, importante é eu/o meu partido estarmos por cima.

Não vale a pena tentar assacar responsabilidades a A ou a B. São todos, sem excepção, uma cambada de irresponsáveis! Partidos do Governo e partidos da Oposição. No entanto, no meio desta maralha, há quem seja estreante e há quem seja reincidente. Falo naturalmente de Paulo Portas, líder do CDS-PP.

Vou tocar neste ponto apenas porque tenho o CDS como partido essencial à democracia portuguesa (a história prova-o) e para dizer que o facto de o partido não ter conhecimento da decisão de Paulo Portas demonstra que ela foi pessoal (naturalmente com prioridade sobre o interesse nacional).

À excepção de um (que confirma a regra) todos os militantes do CDS que conheço ficaram calados durante 24 horas. Foram também apanhados de surpresa e custava-lhes assumir que o CDS é um partido de um homem só. Que o usa a seu bel-prazer, num desrespeito total pelos demais militantes e dirigentes.

A oposição também ficou estupefacta e, depois de Passos Coelho ter dito que não se demitia, sem saber o que fazer. Bradam agora ao PR. Ora, se PS, PCP e BE se juntarem ao CDS, conseguem demitir o Governo. Só têm de apresentar uma Moção de Censura na AR, e aprová-la. Não precisam de Cavaco Silva.

O problema é que, constitucionalmente, apenas o BE a pode apresentar, já que PCP e PS desbarataram a sua oportunidade de apresentar uma Moção de Censura em alturas em que tentavam “sobreviver” a circunstâncias conjunturais – no caso do PS, foi quando José Sócrates voltou de Paris para a RTP. Mais uma vez, o interesse pessoal/partidário.

Entretanto, do lado do PSD berra-se por Rui Rio. Quem até hoje preferiu os Relvas, os Isaltinos, os Ruas, e outros que tais, ao ver-se em risco de perder o controlo do Poder, vira-se agora, em desespero, para a única alternativa aparentemente viável. É tarde meus caros! É já muito tarde para isso.

Aliás, perante os acontecimentos dos últimos anos, está bom de ver que os portugueses não querem alguém como Rui Rio a liderar os destinos do país. Ele quereria – a bem ou a mal – reformar definitivamente o Estado, mudar o rumo do país e o paradigma da política em Portugal. E não é isso que se pretende.

O que se pretende é que tudo continue na mesma. Que o país continue a viver às custas do dinheiro dos parceiros da UE/Bancos, e que os “direitos adquiridos” – ainda que sem sentido ou insustentáveis – continuem a beneficiar os mesmos de sempre. Foi para isso se elegerem Guterres, Durões, Sócrates e outros que tais.

Entretanto continua a ladainha de que a culpa é dos políticos. As pessoas não conseguem (ou não querem) discernir que os políticos são o espelho do país, dos portugueses. Foram os portugueses que os escolheram e que os elegeram – ou deixaram outros eleger por eles. Não foi a Sra. Merkel nem o Sr. Barroso que os impuseram.

Os últimos anos também serviram bem para perceber que as reformas não se fazem por culpa da falta de coragem ou determinação dos políticos. Elas não se fazem porque o povo não quer (ou não deixa). Liderado por uma súcia de terroristas sociais, sai à rua assim que alguma medida de reforma é anunciada.

Nota: Este foi o meu último post no Nova Esperança. Felizmente a vida profissional e pessoal anda muito ocupada. Infelizmente o tempo para fazer tudo aquilo que desejava escasseia. Um agradecimento enorme ao Diogo Agostinho por me ter convidado para fazer parte daquele blogue, e agora me ter libertado.


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