Carta a Pedro Passos Coelho

15/08/2015

Caro Pedro,

Até teres sido eleito e teres começado a exercer as funções de Primeiro-Ministro nunca tinhas sido uma referência ou sequer um exemplo político para mim. Na verdade isto não aconteceu por teres feito alguma coisa que não me tivesse agradado. Pelo contrário. Não tinhas era feito nada que me tivesse enchido as medidas. Na JSD, como se diz em inglês, you had enormous shoes to fill. Eleito presidente, tinhas de substituir um verdadeiro exemplo de serviço público, capacidade e competência (o Carlos Coelho). Também tiveste o azar (é assim que o considero) de teres presidido à JSD nos piores tempos do Cavaquismo, quando o nosso partido se descaracterizou total e definitivamente, tornando-se num partido de clientelas, negócios e poder (não que isso fosse culpa tua). E desde então a tua carreira política não tinha sido mais do que mediana. O que, para mim, até é um bom sinal. Porque poderá querer dizer que nunca estiveste muito envolvido nas cúpulas que controlam e distribuem clientelas.

Foi por estas e por outras que em 2010 não achei que fosses a melhor escolha para o PSD, numa altura tão difícil e crucial para o país. Aliás, nessa altura, cheguei mesmo a apelar a que não votassem em ti. Mais uma vez, não por ter alguma coisa contra ti, mas pelo facto de teres certas e determinadas companhias a teu lado, a apoiarem-te e, ao que parecia, a aconselharem-te. Falo de gente como Angelo Correia – homem que nunca apreciei e sempre achei que fazia parte daquele PSD que sempre quiz o “poder pelo poder”, e que sempre misturou negócios com política, para benefício próprio.

A verdade é que, uma vez eleito Primeiro-Ministro, surpreendeste-me pela positiva. A minha opinião da tua pessoa deu uma reviravolta de 180°. Passei a respeitar-te como político e como presidente do PSD. Foram várias as vezes em que erraste como governante, é verdade, mas ninguém é perfeito. Foram muitas mais as vezes em que agiste de forma correcta, tal como se exige a um estadista. Deste uma resposta absolutamente incrível a muitas decisões difíceis e às condições em que se encontrava Portugal e, com uma perseverança típica de grandes líderes, conseguiste ultrapassar o período de intervenção (bem como outras habilidades irrevogáveis). Mantiveste, como se exige a um bom Primeiro-Ministro, o bom senso, o equilíbrio e a estabilidade num governo de coligação.

Depois de 4 anos dificílimos para Portugal e para os Portugueses, depois de a oposição ter aproveitado (por vezes injusta e hipócritamente) todas as medidas austeras que o governo foi obrigado a implementar por imposição dos seus credores, depois de tantos altos e baixos no governo e no partido, conseguiste chegar à pre-campanha das Legislativas 2015 numa posição surpreendente e impensável há uns anos atrás: taco-a-taco com o candidato do PS que, segundo muita opinião pública e publicada, tinha estas eleições ganhas mesmo antes de ter sido escolhido pelo seu partido para candidato a Primeiro-Ministro.

O que fizeste foi absolutamente incrível. Por Portugal, pelos portugueses, pelo PSD, por ti. E estás agora com uma enorme probabilidade de vencer as eleições Legislativas 2015, repetindo aquilo que aconteceu no Reino Unido há meses atrás e que surpreendeu o Mundo. Muito bem! Excelente! Parabéns!

Agora imagina o que seria se não tivesses a teu lado o Marco António Costa, o Miguel Relvas, o Pedro Pinto, o Carlos Carreiras, a Assunção Esteves, o Carlos Abreu Amorim, o Virgílio Macedo, e outros que tais. Sem esses, já tinhas as eleições no bolso, e Portugal a certeza de que não voltaria ao Socratismo – porque é disso que se trata se este PS vencer.

Pensa nisso… Um abraço, Luís


Sobre o trabalho do Governo, é bom recordar que…

24/02/2013

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na primeira vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em Manuela Ferreira Leite.

Não fui apoiante de Pedro Passos Coelho na segunda vez que se candidatou à liderança do PSD, votei nessa altura em José Pedro Aguiar Branco.

Após ter tomado a liderança do partido Pedro Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva, conseguindo unir o partido e construir uma alternativa.

A construção dessa alternativa ficou demonstrada com a vitória nas Legislativas 2011, onde foi sufragado um programa de governo inovador.

A má imagem da política pedia um Governo forte e credível. A escolha dos Ministros provocou um sentimento agridoce (p.ex. Paulo Macedo vs Miguel Relvas).

A situação do país exigia a coragem e determinação que o Governo demonstrou em vários momentos. A situação dos portugueses exigia o bom senso que nem sempre esteve presente.

À oposição pedia-se responsabilidade, honestidade e sentido de Estado. O que ela tem oferecido é demagogia, populismo, eleitoralismo e descaramento.

É bom recordar que, apesar de tudo, bem ou mal, este Governo e este Primeiro-Ministro estão a tentar cumprir o programa de ajuda pedido e assinado pelo PS. Programa esse que pretende corrigir os erros de década e meia de “socialismo”.


A violência como opção/solução política

09/09/2012

Desde que Pedro Passos Coelho anunciou mais uma medida de austeridade para os portugueses que vejo nas redes sociais gente – que eu tinha como moderada – a falar em revolução, armas, pancada, etc.

Algumas dessas pessoas são mesmo figuras com influência na opinião pública. Daí eu ter estranhado e ficado surpreendido por proferirem tais afirmações sem perceber que era uma irresponsabilidade.

A coisa piorou quando o PM publicou (a meu ver despropositadamente) uma mensagem no seu Facebook. Rapidamente milhares de insultos, ameaças físicas e de morte foram escritas na caixa de comentários.

Aqueles de que falei e que tinha como gente responsável e de bom senso, rejubilaram e até transcreveram (difundindo nas redes sociais) essas mensagens ignóbeis com insultos e ameaças ao PM.

Como é possível uma pessoa de bem, inteligente, responsável e sensata gostar de ver ameaças físicas e de morte ao PM ou mesmo comentários como: “espero que a sua filha passe fome”.

De imediato condenei estas atitudes. Tanto as ameaças no Facebook do PM como também a sua difusão/aceitação por aqueles que deveriam ser responsáveis mas que, ao invés, deitam gasolina na fogueira.

Negligenciar estas ameaças e apoiar ou aceitar a violência como opção ou solução política é primitivo, imbecil, irresponsável e anti-democrático. Se Portugal seguir por esta via está condenado.

Em nenhum Estado de Direito, em nenhum Estado Democrático isto é aceitável. Portugal perdeu (há muito tempo) os seus valores e agora está a perder a noção e o senso. Mais um passo para o abismo.


Eleições PSD: Não haverá unanimidade e aclamação

01/03/2012

Estão aí, já no próximo sábado, as eleições directas para eleger o líder do PSD. Gorada a possibilidade de o “laranjinha humana” Nuno Miguel Henriques ser também candidato, Passos Coelho irá a votos sozinho.

Tal como já tive oportunidade de dizer, espero uma participação grande e um resultado expressivo. PPC pode e deve sair destas eleições com mais legitimidade, mais força, mais determinação, mais soluções.

No entanto, perante a situação do país, e conhecendo a riqueza intelectual do PSD, espero que no congresso sejam debatidos vários assuntos, mesmo que toquem em temas sensíveis da Governação PSD/CDS.

Não duvido que este período eleitoral no PSD vai ser muito diferente daquele que em 2009 teve lugar no PS. Não haverá em congresso, unanimidade e aclamação ao “querido líder”. Haverá, isso sim, debate sério.

Os congressos do PSD nunca foram palco de campanha eleitoral. Sempre foram espaços de debate interno, nos quais se discutiram soluções para o país e onde todos os militantes puderam expressar a sua opinião.

De resto, e já no congresso, espero que haja mais do que uma lista candidata ao Conselho de Jurisdição, e ao Conselho Nacional. Diversidade e pluralismo de opinião são extremamente importantes nestes órgãos.

Para finalizar, dizer que não me agrada nem um bocadinho, e tenho até dificuldade em compreender, as escolhas de Passos Coelho para Mandatário Nacional (Fernando Ruas) e Directora de Campanha (Teresa Leal Coelho).


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