A triste história do meu amigo Manuel (Parte 1 de 2)

16/10/2012

Há uns anos conheci o Manuel. Era um tipo engraçado, que gostava de uma boa borga. Vivia com os pais, pessoas conservadoras e exigentes, que lhe cortavam todos os vôos e sonhos. Queriam que ele tivesse os pés assentes na terra e vivesse apenas com aquilo que tinham lá em casa, na vila.

Passados uns anos, com a ajuda da prima Maria, conseguiu convencer os pais a ir viver para casa dos tios em Lisboa. Viviam bem suportados pelo sucesso do empresa que o Tio João tinha com o sócio. Mais tarde o Manuel ficaria mesmo à guarda dos Tios de Lisboa, que o sustentavam.

O Tio João era um homem inteligente, sensato e generoso. Vai daí fez uma espécie de contrato com o Manuel. Disse-lhe que, como os seus pais não tinham condições para apostar na sua educação, ele estaria disposto a dar-lhe dinheiro para estudar e emprestar-lhe algum para viver.

A ideia do Tio João era que o Manuel tivesse a oportunidade de construir fundações para um futuro de sucesso (tal como o seu) e que, após estar estabilizado na sua vida, lhe pagasse aos poucos o que devia. Da mesada e dos extras, porque as propinas da universidade eram oferecidas.

Aceite a proposta do Tio João, o Manuel inscreveu-se numa universidade, e todos os meses o Tio lhe dava o dinheiro. Mas o Manuel viu-se em Lisboa com dinheiro no bolso e deslumbrou-se. Tanto o dinheiro das propinas, como o da mesada gastava todo em noitadas e outras inutilidades.

Foram 5 anos maravilhosos para o Manuel. Faltava às aulas e chumbava o ano, mas divertia-se à brava com os amigos nos copos e nas férias. Como mentia sobre os resultados académicos, o Tio João premiava-o e dava-lhe mais dinheiro. Ele comprava consolas, viagens, uma mota e até um carro.

No ano em que era suposto ter acabado o curso e começar à procura de emprego, o Manuel começou a sentir-se um bocado entalado. Estava enterrado em mentiras junto do Tio João e naturalmente não conseguia arranjar um emprego que lhe permitisse liquidar as dívidas que tinha.

Durante esse ano eu e outros amigos dissemos-lhe que ele devia mudar de vida. Deixar de pedir dinheiro ao Tio João, evitar saídas à noite, tentar arranjar um trabalho honesto para começar a equilibrar as contas e, no limite, dizer a verdade. O Manuel preferiu continuar a mentir.

Passados uns meses a situação tornou-se incomportável e o Manuel teve mesmo de dizer a verdade ao Tio João. Obviamente o Tio João ficou furioso e abismado. A vontade era expulsar o Manuel de casa. Tinha-o tratado como um filho e agora descobria que o Manuel o tinha enganado.

(continua amanhã…)

Legenda:
Manuel – Portugal
Pais do Manuel – Estado Novo
Maria – MFA (Movimento Forças Armadas)
Lisboa – Pós 25 Abril 1974
Tio João – União Europeia


Governo “prostitui-se” para pagar dívida

05/11/2010

Até agora eram França e Alemanha, entre outros, que nos davam dinheiro e permitiam que vivessemos acima das nossas possibilidades. Era mau porque tínhamos uma dependência financeira, mas ao menos sabíamos que lidavamos com gente de bem, que tem bom senso, valores e princípios. Sempre é melhor depender do patrão honesto do que do patrão déspota. É que um é solidário e o outro, numa mudança de humor, despede-nos.

Deparamo-nos neste momento com o Governo português a “baixar as calças” a países como Angola, Venezuela e China. É engraçado e até irónico que nesta altura do campeonato – em pleno século XXI e pertencendo ao grupo de países do denominado 1º mundo – o Governo de Portugal venha agora “prostituir-se” junto de países do denominado 2º e 3º mundo, na ânsia de conseguir algum dinheiro para pagar as suas dívidas e não morrer de fome.

Alguns perguntarão “qual é o problema?“. Para começar é uma questão de princípio. Não acho correcto que o Governo português ande de braço dado com ditadores (mais ou menos camuflados). Todos sabemos que Angola, Venezuela e China são países que têm falsas democracias, onde as eleições são manipuladas. São países onde a repressão e miséria do povo contrasta com o livre arbítrio e a luxuosa vida dos seus líderes.

Por outro lado sabemos (e temos provas recentes) que as acções destes países dependem do humor e vontade de um homem só, o que por si só é péssimo. Podemos ter a sorte de num dia o “Querido Líder” acordar bem e estar disposto a ajudar-nos, como o azar de no dia seguinte ele acordar chateado, com um notícia qualquer que saiu na comunicação social portuguesa (e que não abona a seu favor), e cortar a ajuda que prometeu.


Festejou-se os 100 anos da República…

06/10/2010

Mas o que acho engraçado é que a república nasceu em Lisboa (agora está moribunda) e vai morrer em Lisboa sem sequer ter chegado ao resto do país.

Em 1910 alguém perguntou aos transmontanos, alentejanos, beirões, madeirenses, açorianos, algarvios, minhotos ou nortenhos, se queriam a república?

Estes, que nunca beneficiaram nada com todas as alterações do sistema político, raramente são consultados, mas depois são os que mais sofrem com as asneiras dos “cérebros” de Lisboa.


O Portugal que não quero (VII)

24/09/2010

Quem conhece, sabe que a rua que passa nas traseiras de Santa Apolónia afunila e se torna muito estreita. É difícil que um carro se cruze com um autocarro, quanto mais quando se tratam de dois autocarros.

Acontece amiúde estarem carros mal estacionados à entrada e à saída desse pequeno e estreito troço, dificultando a passagem aos automóveis e principalmente aos transportes públicos.

Hoje passava nessa rua, e a PSP tinha bloqueado meia-dúzia de carros mal estacionados e preparava-se para os rebocar.

À minha frente vinham dois homens de meia idade. Um disse “Olha, estes bófias já ganharam o dia“. Ao que o outro respondeu “É! Agora chegam à esquadra e dão-lhes um cheque“.

Esta visão quadrada, mesquinha e imbecil é infelizmente a mais habitual em Portugal. O típico tuga acha que a polícia multa para ganhar dinheiro e não para manter a ordem pública, garantir a segurança, fazer cumprir a lei e defender os direitos dos cidadãos.

O que mais me chateia é que aqueles dois imbecis que iam à minha frente, se eventualmente fossem a passar de carro e se vissem impedidos pelos mal estacionados, iriam comentar “É assim mesmo! Toca a rebocar tudo que isto é uma vergonha!


Coisas de que tenho a certeza (III)

01/09/2010

Costumava-se chamar “pé de chinelo” a alguém que não tinha educação, não tinha maneiras, não sabia estar, a alguém pobre. O povo português não está na miséria, longe disso, mas somos sem dúvida um país de pés de chinelo. Agora, no sentido literal.

Estou cheio de ver gente – homens e tudo! – que além de ser pobre (neste caso, de espírito) anda na rua de chinelas de enfiar o dedo (havaianas, chipas, como lhe queiram chamar).

É uma falta de gosto incrível…


Coisas de que tenho a certeza

14/08/2010

Depois de mais uma viagem comprida para o sul do país (Algarve), ainda por cima numa altura de muito trânsito (mudança de quinzena), cada vez tenho menos dúvidas que… Foram arrancadas – dos manuais do código da estrada – as páginas que têm a regra mais elementar de como conduzir numa auto-estrada: “é obrigatório andar na faixa mais á direita


O Portugal que não quero (VI)

05/08/2010

Somos, sem dúvida alguma, o país do chico-esperto. Isso vê-se em todo o lado. Na escola, no hospital, no comércio, nos serviços, na estrada, no trabalho, na praia, no restaurante, nos negócios, na política…

Chegamos a um ponto em que a chico-espertice é de tal ordem que a maioria elegeu (e re-elegeu), para colocar aos comandos do destino do país, um grupo da melhor estirpe dos chico-espertos.

Depois… claro… já não nos podemos admirar com notícias destas.


O Portugal que não quero (IV)

19/07/2010

Um presidente de junta de um concelho que conheço bem, cometeu um crime ambiental mandando arrancar uns carvalhos, devastar um eucaliptal e até destruir uns plátanos na sua freguesia. Foi naturalmente “condenado” pela população, mas já não havia nada a fazer.

Para limpar a face pensou mais tarde plantar umas árvores mas, para não cometer nova asneira, resolveu consultar alguém. Depois do que fez, ninguém ligado à área florestal o apoiaria e por isso virou-se para uma jovem recém-licenciada em Arquitectura Paisagista, que era moradora na freguesia e estava desempregada.

Vai daí o xôr Presidente prometeu-lhe um emprego em troca de um parecer favorável à nova plantação. Mas entretanto soube que a Portucel/Soporcel oferecia árvores para plantação. Assim sendo, oferecidas por tão credível empresa, achou que já não precisava da inocente menina, desprezando-a. De qualquer forma não deixou de espalhar que tinha consultado a “especialista”.


Estado de qual Nação?

15/07/2010

Por definição, uma Nação é um território onde vive um Povo. E esse Povo fala a mesma língua, tem os mesmos costumes, hábitos e tradições. O Povo tem consciência nacional e uma religião. Mas acima de tudo, uma Nação é a união das pessoas que formam este Povo e que, por sua determinação e convicção, quiseram viver colectivamente.

Hoje, se a língua ainda nos une tudo o resto nos separa. Há uns tempos atrás tinhamos os mesmos hábitos e costumes, mas agora isso não acontece, fruto de toda a informação que trazemos das nossas visitas ao estrangeiro ou que vamos buscar através da internet. Há uns anos atrás partilhavamos tradições e respeitavamos as do vizinho, mas agora radicalizamos posições e fazemos guerra.

Sobre religião não vale a pena falar muito. Os últimos tempos têm mostrado como muita gente não se contenta em borrifar-se para ela, como além disso tenta “criminalizar” quem tem uma. A consciência nacional não existe. Hoje, ninguém tenta perceber as diferenças, compreender os seus direitos e deveres, ou respeitar os direitos do próximo.

Nos dias que correm a única coisa que partilhamos é mesmo este pequeno território. Mas apesar de tudo conseguimos andar sempre “aos empurrões” tentanto “levar a melhor” sobre o espaço do outro. Pergunto: queremos mesmo viver colectivamente? ou somos apenas uma cambada de egoístas que tem “Nacionalidade: Portuguesa” no Bi?

Somando tudo isto, ao estado do Estado, ao estado do Governo, ao estado da Economia, ao estado das Finanças, ao estado da Saúde, ao estado da Educação, ou à grave crise social e de valores por que passamos… creio que o Estado da Nação (se é que ela existe) é muito preocupante.


O Portugal que não quero (II)

16/06/2010

Restaurante sobre o rio Tejo, esplanada e por do sol. Um copo de sangria, uns deliciosos amuse bouche e uma bela companhia. Bom ambiente, sossegado e distinto. Todos pareciam desfrutar o maravilhoso cenário.

Eis senão quando entram 2 gays com uma amiga. Sentaram-se e começou o espalhafato: berros, gargalhadas, faltas de educação e de civismo. Pela maneira como todos olhavam de lado para essa mesa era fácil de notar que o início de noite estava estragado.


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