Este PS é um descalabro, sem vergonha

24/12/2012

Reorganizar a administração do governo local […] 308 municípios e 4259 freguesias […] desenvolver plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades“. É isto que diz no Memorando de Entendimento com a Troika (MoU) na secção “Medidas Fiscais Estruturais – Administração Pública”

Acelerar o programa de privatizações […] transportes (Aeroportos de Portugal, TAP, carga da CP), da energia (GALP, EDP e REN), das comunicações (Correios de Portugal) e seguros (Caixa Seguros)“. É isto que diz no Memorando de Entendimento com a Troika (MoU) na secção “Medidas Fiscais Estruturais – Privatizações”

Como todos se devem lembrar foi o Partido Socialista (PS), na altura a Governar há cerca de 6 anos, que pediu ajuda externa à Troika. Foi o mesmo PS que negociou e assinou (tal como PSD e CDS) o MoU onde constavam estas medidas.

Como pode agora o mesmo PS votar contra a Reforma da Administração Local (Extinção de Freguesias) e bradar contra a Privatização da TAP? Será que este mesmo PS – com tantos ex-membros dos Governos Sócrates – não tem memória?

Existem muitos adjectivos para qualificar isto: Demagogia, Hipocrisia, Populismo, Eleitoralismo, Irresponsabilidade. E também falta de Coerência, falta de Vergonha na cara, falta de Sentido de Estado. Um descalabro este PS.


J. Couto já perdeu e JP. Machado já não é vereador

21/11/2012

A propósito do meu post sobre o PS Santo Tirso, entitulado “Sondagens e Notícias encomendadas. Vencedores antecipados“, tive acesso à carta que recentemente Ana Maria Ferreira enviou aos militantes do PS. Nela se lêem muitas coisas interessantes.

Ana Maria Ferreira diz que entendeu comunicar a sua decisão “de ser candidata pelo PS à presidência da CMST“. Confirma-se portanto a minha teoria de que já há um vencedor antecipado nas primárias do PS Santo Tirso. Joaquim Couto perdeu e ainda nem sabe.

Mais à frente Ana Maria Ferreira diz que “Castro Fernandes e os vereadores também me apoiam“. E então o José Pedro Machado não conta? É que da última vez que verifiquei, ele apoiava Joaquim Couto. José Pedro Machado já não é vereador e ainda nem sabe.

Ainda referindo-se aos apoios, Ana Maria Ferreira diz que tem “claro e inequívoco apoio (…) de vários líderes de opinião“. Alto! Esta interessa-me. Existem líderes de opinião em Santo Tirso? Há Tirsenses com opinião? E eu a pensar que estava sozinho nesta luta.

Curioso é também ver que diz ter “um projecto político com objectivos claros: continuar a contribuir para as vitórias do PS em Santo Tirso, no Distrito e no País“. Ou seja, Santo Tirso que se lixe, o importante é o partido e o objectivo é vencer eleições.

Para finalizar, diz que se apresenta “como a candidata melhor posicionada para vencer as próximas autárquicas“. Bem, presunção e água benta cada um toma a que quer, mas contrasta é com o que diz anteriormente onde refere que tem “humildade e verdade“.


As 10 propostas alternativas do PS de AJ Seguro

18/09/2012

Ontem pude assistir, através da app da RTP para iPhone, à entrevista de António José Seguro. Fiquei surpreendido pela positiva ao ver que o líder do PS finalmente apresentou propostas alternativas àquelas que o Governo escolheu para cumprir as metas do défice e o plano de ajustamento. Vejamos:

1 – Mais tempo e mais dinheiro
2 – Mais tempo e mais dinheiro
3 – Mais tempo e mais dinheiro
4 – Mais tempo e mais dinheiro
5 – Bombas de gasolina low cost em todas as regiões
6 – Mais tempo e mais dinheiro
7 – Mais tempo e mais dinheiro
8 – Mais tempo e mais dinheiro
9 – Mais tempo e mais dinheiro
10 – Taxa extraordinária sobre as PPPs

Apenas uma nota: É sabido, e António José Seguro confirma, que os portugueses se alimentam de GPL ao pequeno-almoço, gasolina ao almoço e gasóleo ao jantar. Mas não é certo, e António José Seguro admite não ter feito as contas, o impacto da taxa sobre as PPPs. Já mais tempo e mais dinheiro é o mesmo que dizer mais dívida, mais austeridade por mais tempo, mais sacrifício.


Sócrates faz escola… no PS (II)

04/11/2010

Ao visitar os sites das Câmaras Municipais podemos encontrar a habitual mensagem do Presidente da autarquia. Santo Tirso não foge à regra, e na área reservada ao tema, o site da CM de Santo Tirso tem um exercício a que os políticos nos têm habituado. Ou seja, o que lá escreveu o Engº Castro Fernandes não é mais do que a descrição de um concelho que só existe na sua imaginação. O concelho côr-de-rosa, a par do país côr-de-rosa tantas vezes desenhado pelo seu chefe, José Sócrates.

Na mensagem do presidente podemos ler que “Santo Tirso prossegue a sua inequívoca trajectória rumo ao futuro“. Ora se pensarmos que há cerca de 30 anos atrás – altura que coincide com a subida do PS ao poder local – Santo Tirso era um concelho com o dobro da população e o dobro da área, não vemos esse futuro risonho. Se pensarmos que Santo Tirso era um dos concelhos que mais produzia para o país, mercê da sua muita e competente indústria (nomeadamente têxtil e metelomecânica), duvidamos da trajectória que foi percorrida.

Castro Fernandes diz que existe uma “permanente aposta na criação de cada vez melhores condições de vida” para os Tirsenses. Ora se pensarmos que com uma aposta forte o concelho perdeu o Hospital novo, a maternidade e a urgência 24h no Hospital velho, a dependência da EDP, o Cine-Teatro, e outros serviços, o que seria se não tivesse havido aposta. Se em pleno século XXI continuamos em perigo de saúde pública – devido ao facto de mais de metade do concelho não ter sistema de saneamento e água canalizada – dá que pensar no que seria, se não fosse a tal aposta.

Diz o presidente da CMST que está “a construir um município mais bonito, mais verde e mais desenvolvido“. Apetece perguntar se o município mais bonito contempla mamarrachos como o prédio em ruínas numa das principais entradas da cidade. E será que na parte do município mais verde, se refere por exemplo à construção de prédios em massa, na zona do Picoto, sem sequer se acautelar (conforme exige a lei) os respectivos jardins? Quanto ao mais desenvolvido, basta dizer que no último ranking do Indicador de Desenvolvimento Municipal (estudo efectuado pela Municípia, SA) estavamos em 306º lugar entre 308 concelhos.

No entanto sou obrigado a concordar com o que Castro Fernandes diz mais à frente: “estamos a revolucionar o conceito de viver em Santo Tirso“. Isso está, com toda a certeza! Há uns anos os Tirsenses viviam desafogados, sossegados, em segurança, tinham emprego e estavam em família. Agora vivem no desemprego, preocupados, agitados e longe dos familiares. Se querem ter futuro têm de o procurar nos concelhos vizinhos ou ainda mais longe. É uma revolução no conceito de viver, sem dúvida alguma.

Imitanto os políticos a que estamos habituados o presidente da CMST diz ainda que “Santo Tirso está a crescer e a mudar para melhor“. É no mínimo revoltante, ouvir o Engº Fernandes proferir estas palavras. A “crescer” só se for o desemprego, já que população, indústria, juventude, cultura e serviços estão todos a diminuir a olhos vistos. A “mudar para melhor” só se for a vida de alguns iluminados (com cartão de militante) que à custa de bons empregos (pagos com o dinheiro dos nossos impostos) vão subindo na vida.


Deputados: a inversão das coisas

25/01/2010

Entendo que os deputados presentes na Assembleia da República devem defender acima de tudo o interesse nacional (ou seja, de todos os portugueses) e logo a seguir o interesse do círculo eleitoral pelo qual foram eleitos. Só assim estão verdadeiramente a representar quem os elegeu na assembleia representativa de todos os portugueses. Só assim estão verdadeiramente a representar quem os elegeu no orgão legislativo do país.

Ora, nos últimos tempos, alguns partidos e deputados têm invertido esta definição. Têm feito da AR um instrumento para se servirem, e não para servirem os portugueses. Os portugueses que, para eles apenas contam para colocar a cruzinha no boletim de voto.

Miguel Vale de Almeida (eleito pelo PS) usou a sua condição de deputado para fazer aprovar uma lei que lhe dava jeito, e aos “amigos” dele. A lei do casamento homossexual. Inês de Medeiros (eleita pelo PS) usou a sua condição de deputada para fazer aprovar uma lei que lhe dava jeito, e aos “amigos” dela. O novo regime de SS adaptável aos profissionais das artes e espectáculos.

Não tenho nada contra os homossexuais, nem nada contra os artistas. Aliás, penso que estes últimos precisavam mesmo de alterações na sua condição. Defendo que devem haver na AR iniciativas de deputados para todo e qualquer grupo de pessoas. Mas…

… Haja prioridades! Esteja o interesse nacional acima de tudo! Esteja o interesse colectivo em primeiro lugar! Esperarei por outras iniciativas destes dois deputados (se é que depois de concretizados os seus desejos não se irão embora, dando lugar a outros) e depois direi mais qualquer coisa.


Facto político para esconder incapacidade

17/12/2009

Portugal está hà muito mergulhado numa grave crise económica, financeira e social. A prova disso são os encerramentos de empresas e os desempregados que vemos diariamente. Além dos vários diagnósticos feitos, houve também do lado do Governo o anunciar de muitas soluções para o problema. Disse-se que a preocupação máxima era ajudar as pessoas que perdiam os seus empregos, e injectar confiança na economia para que fosse possível atraír novos investimentos empresariais. Como sempre, as promessas de José Sócrates falharam.

O Governo de Sócrates – tal como o de Guterres – sabe que está metido num pântano e não tem solução para de lá saír. Mas Sócrates não quer fugir como o seu antecessor socialista, porque tem interesses a mais, e não sabe agora viver de outra forma que não seja no poder. Sócrates construiu a sua posição com base nas amizades e compadrios. Ou seja, quando deixar de ter o lugar de destaque que lhe permite distribuir benesses, todos os amigos e apoiantes desaparecerão. O que acaba por ser natural, já que essas pessoas só são amigas de quem “lá está” (no poder, leia-se).

Mas o PM também corre o risco de ter de enfrentar umas eleições antecipadas se vir o seu Orçamento de Estado reprovado. E com tanta coisa que se tem vindo a passar – principalmente o esquecimento das promessas referidas acima – seria provável que as perdesse. Então a solução que vê para sair deste problema por cima é, mais uma vez, enganar as pessoas. Ou seja, tomar algumas medidas fáceis e mediáticas que tinha no seu programa (como casamento gay), para depois poder dizer que está a tentar cumprir promessas. E além disso, disfarçar a tomada de decisões importantes como a regionalização ou o carro eléctrico (coisas com valor, mas não prioritárias). Depois, a vitimização – em que Sócrates é experientíssimo – fará o resto.

Estou contra o casamento entre homossexuais, porque isso vai contra as bases antropológicas da sociedade em que vivemos. Não é uma questão religiosa (como alguns querem fazer passar, porque sabem a descrença na religião que prolifera na sociedade, tentando ficar assim em vantagem na opinião pública), mas cultural. Na nossa sociedade não se aceita (ao contrário de outras) que a mulher é um ser inferior, porque foi assim que a construímos. Da mesma maneira, a nossa sociedade não foi construída para que houvesse casamentos entre homossexuais. Alguma coisa contra eles? Nada. Daí os aceitarmos e até termos consagrado a figura da União de Facto.

Para que quer agora o PS fazer aprovar o casamento entre homossexuais? Algo que até hà bem pouco tempo os socialistas desprezavam tanto que até inventaram uma lei do divórcio que permitia aos casados descasarem mais rápida e fácilmente. Isto é de uma incoerência enorme, e só se justifica com a vontade de mostrar promessas cumpridas e criar factos políticos para desviar as atenções do essencial, a falta de capacidade de Sócrates para enfrentar a crise.


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