A “febre” por Rui Rio

19/01/2014

O meu artigo de opinião, publicado na edição de Janeiro 2014 do Jornal Notícias de Santo Tirso:

Ao contrário do que muitos pensam, alguns dizem e outros tomam como válido, a política não é um jogo táctico onde se luta pelo Poder. Não é uma batalha de ideologias onde se tenta levar a melhor sobre os adversários. Não é uma luta em que uns estão de um lado e outros estão do outro, e quem não está comigo está contra mim. Não é um sistema em que o mais forte tem logicamente que ser mais beneficiado – a isso chama-se selva e não política. Na política não se pode querer responsabilizar sempre quem está no Poder e desculpabilizar a oposição. A política não é algo abstracto.

Nesse sentido, e como venho dizendo há muitos anos, Rui Rio é o melhor político da actualidade – no verdadeira sentido da palavra “político”. É competente na organização, na liderança, na administração dos assuntos públicos. É honesto, responsável, íntegro, rigoroso, exigente, de grande carácter e personalidade. Não tenta iludir os eleitores, cumpre a sua palavra e as suas promessas. Não cede a interesses pessoais, partidários ou corporativos. Tem sentido de missão e como objectivo último, na sua acção, o bem estar geral da população (estando plenamente consciente que nunca conseguirá agradar a todos).

Nos últimos 12 anos, sem grandes espectáculos, sem grande alarde, e sem sede de protagonismo, Rui Rio foi zelando pelo Porto e servindo os portuenses. Mais do que isso, em certas ocasiões saiu mesmo em defesa do Norte – região trabalhadora e tantas vezes desprezada pelo poder de Lisboa. Rui Rio fez no Porto um trabalho quase sempre invisível. Apenas porque o que ele faz não interessa aos meios de comunicação “dita” social de maior tiragem. É que a seriedade, a exigência, o rigor ou o trabalho não vendem. Só se falava em Rio quando havia polémica (Bolhão, Rivoli, etc.). Rio disse “O esforço da CM Porto tem sido investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“.

Rui Rio nunca ficou em silêncio quando o dever o chamava a dar opinião. Mesmo que ela atingisse o seu próprio partido, a sua própria região, o seu próprio país ou mesmo as suas instituições. Fê-lo sempre com um discurso coerente e firme, sempre de forma convicta e frontal, sem medo das palavras ou do que a comunicação “dita” social poderia retirar delas. E fê-lo sempre de forma respeitosa, nunca populista ou demagógica. Foi talvez o único que, após uma crítica negativa, apresentava uma alternativa ou solução viáveis. Nunca se deixou levar pela espuma dos dias ou pela pressão da opinião pública e publicada.

Conheci Rui Rio há 14 anos. Partilhamos o mesmo hotel (Hotel Montebelo) no Congresso do PSD de Viseu em que Durão Barroso venceu a liderança do PSD, tendo-a disputado com Santana Lopes e Marques Mendes. Acima de tudo tive a oportunidade de o ouvir enquanto discutia a política, o país e o partido com o meu avô – durante o jantar, ou no bar do hotel acompanhado de um café ou um digestivo. Fiquei logo com a impressão de que era um homem imbuído do tal sentido de missão que eu tinha aprendido ser fundamental, e que era desinteressado e honrado, com comportamento exemplar.

A sua acção nos últimos anos veio comprovar o que previ (não o que professei mas o que supus ou imaginei). Daí que por diversas vezes o tenha dado como exemplo, o tenha defendido e até sugerido para liderar o PSD e o país. Sem surpresa estive quase sempre isolado. A maioria não gostava de Rui Rio. Achava-o arrogante, altivo, cinzento, chato. Preferia o “circo” montado por “políticos” que, no fundo, iludiam as pessoas com máscaras de humildade, com discursos mentirosos e com realidades fantasiosas. O resultado está à vista: Portugal na bancarrota, os portugueses afundados em austeridade, e um futuro negro à vista.

Ao contrário do que muitos pensam, alguns dizem e outros querem fazer crer, estou convencido que Rui Rio nunca teve ambição de ser nada – aliás o próprio já o disse as mais variadíssimas vezes. As suas acções nunca tiveram aquela segunda intenção que é usual ver nos “políticos”: a de se manter no Poder a tudo o custo, ou a de se posicionar para o futuro. Eu sei que, para quem está habituado a Sócrates, Costas, Marcelos, Marques Mendes e afins, é difícil acreditar. Mas não são todos iguais. E estou convencido de que Rui Rio não é, definitivamente, igual a estes ou outros que passaram pelas cadeiras do Poder, e tanto mal fizeram ao país.

Claro que eventos como os recentes – de uma vaga de fundo por Rui Rio, para suceder a Passos Coelho como presidente do PSD e Primeiro-Ministro – não ajudam a acreditar que ele está “inocente”. Porque – como é habitual nos “políticos” profissionais – há sempre a ideia de que é o próprio que está por detrás dos “testas de ferro” a orquestrar a sua ascenção ao Poder. Estou convencido que não. Quero acreditar que Rui Rio nada tem a ver com esta repentina “febre” à sua volta. Estou convicto que esta “febre” está assente em duas razões:

1) Os “tubarões” do PSD e do mundo empresarial ligado ao centro-direita estão a ver o tapete a fugir-lhes em 2015. Com as medidas que Passos Coelho e o seu Governo têm tomado começa a parecer evidente que o PSD irá perder as Legislativas 2015. A acontecer, esses “tubarões” perdem a sua influência, o seu Poder e a colher para continuarem a comer da gamela do Orçamento de Estado. Vai daí resolvem virar-se para aquela que lhes parece a única opção viável para continuarem a servir-se depois de 2015. Passos já deu o que tinha a dar, viram-se para Rio.

2) Os portugueses chegaram a um estado de desespero tal que já duvidam daquilo em que acreditaram nos últimos 20 anos. Aliás, muitos estão já definitivamente convencidos que andaram mesmo a eleger os políticos errados. Já deram conta que o país não vai sair do buraco com homens demagogos, populistas e mais interessados no seu umbigo e na luta partidária. Vai daí viram-se para aquele sobre o qual tem havido professias de que será o “messias” – o habitual “sebastianismo” português, tantas vezes visto e revisto ao longo das últimas décadas.

Estou em crer que Rui Rio não se deixará levar por esta “vaga de fundo”. Mas naturalmente, como homem responsável que é, e tendo um profundo sentido de missão, não se irá demitir das suas responsabilidades. Mas apenas se o país (e não um grupo de “notáveis”) o chamar a governar e, acima de tudo, lhe der as condições ideais para tal – não falo em maiorias no parlamento, mas uma mudança profunda de mentalidades.

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Se houvessem muitos destes, Portugal seria bem diferente

20/03/2013

Já por várias vezes escrevi aqui sobre Rui Rio. Defino-o como o melhor político português. Alguém que está na política para servir e não para se servir. Um homem íntegro, sério, honesto, humilde, corajoso. Sem sede de protagonismo e sem alardes zelou durante 12 anos pelo bem público, servindo a população do Porto (e do Norte) com sentido de missão, de forma competente, e cumprindo as suas promessas.

Tal como o próprio disse em 2010, o “Esforço da CM Porto” foi o de “investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“. Daí que a requalificação dos bairros sociais (onde vive 20% da população do Porto) tenha sido uma prioridade, e a revitalização da baixa da cidade tenha sido também cumprida. Defendeu-as sempre com um discurso coerente e firme.

No entretanto, entre outras coisas, combateu lobbys e corrupção, e reduziu em 20% os salários dos administradores remunerados nas 4 empresas municipais. Nunca se deixou levar pela espuma dos dias ou pela pressão da opinião pública e publicada. Denunciou situações irregulares e ilegais, dando o corpo às balas na praça pública e em vários processos em tribunal (muitos dos quais acabaria por vencer).

Nunca ficou em silêncio quando o dever de cidadão ou de Presidente da CM Porto o chamava a dar opinião. Mesmo que ela atingisse o seu próprio partido, a sua própria região, o seu próprio país ou mesmo as suas instituições. Fê-lo sempre de forma convicta e frontal, mas também respeitosa. Nunca populista ou demagógico. Foi sempre dos poucos que após uma crítica negativa apresentava alternativa ou solução.

Vai deixar a CM Porto após as eleições Autárquicas 2013, e que melhor maneira de sair – confirmando tudo o que escrevi sobre ele – do que deixando “um saldo positivo na Câmara do Porto“, uma “dívida da autarquia não chega aos 5% do orçamento“, um “prazo de pagamento a fornecedores nos 40 dias“, Isto depois de ter dispensado “a linha de crédito para ajudar as autarquias a saldar as dívidas“.

Mas naturalmente que a maioria do povo português não gosta. Acha Rio arrogante, altivo, cinzento, chato. E continua a preferir Mários Soares, Dias Loureiros, Isaltinos Morais, Josés Sócrates, Jorges Coelhos, Miguéis Relvas, Fátimas Felgueiras, Valentins Loureiros, e afins. Pelo que não é de admirar que Portugal esteja nesta situação e,  pior do que isso, dela não vá sair a bem.


As “balizas” da comunicação “dita” social

27/09/2012

A propósito de Rui Rio ter dito que eram necessárias “balizas” para a comunicação social – ou comunicação “dita” social como ele uma vez lhe chamou, e com a qual concordo plenamente – logo vieram uns arautos da liberdade berrar e, obviamente, acenar com o 25 Abril (lá está o trauma) e a liberdade de expressão.

Curiosamente estes são os mesmos que berram também contra os despedimentos e os cortes nos salários/subsídios por, na sua opinião, serem anti-constitucionais. E o que é a Constituição senão uma “baliza”, um limite, uma restrição? As “balizas” já valem neste caso? Ou é só por se tratar do seu umbigo, do seu quintal?

Numa sociedade desenvolvida tem de haver “balizas”, limites, restrições, leis. Senão era uma Anarquia! Não uma Democracia! Eu sou adepto da liberdade mas não a confundo com libertinagem. E seria adepto da existência de poucos limites (apenas os essenciais) desde que houvesse bom senso e respeito pelo próximo.

O problema é que isso não existe. Muito menos na comunicação “dita” social, como tem estado bem à vista nos últimos anos. Que me desculpem os meus amigos jornalistas, aqueles que são bons (e raros hoje em dia) mas a liberdade de expressão e de informação não pode servir de desculpa para o que muitas vezes chega a ser “terrorismo mediático“.

Está à vista a falta de capacidade para se auto-regularem, e pior do que isso estão cada vez mais à vista as manobras por detrás dos orgãos da comunicação social para que estes sirvam como veículos ou armas, numa guerra de poder (seja ele político, empresarial ou corporativo).

Do que conheço de Rui Rio, e pelo que pude interpretar das suas palavras (não apenas das de ontem mas por exemplo das que escreveu no livro “Politica, in situ“), ele não pretende calar ninguém. Não pretende censura. Pretende, isso sim, regular e responsabilizar quando ultrapassados os limites da liberdade.

Sim, porque a liberdade de uns acaba exactamente onde começa a liberdade dos outros. Neste momento tudo é permitido, e a maioria da comunicação “dita” social nem sequer tem pejo de escrever ou dizer certas coisas, mesmo que todos saibamos que isso pretende obedecer a certos lobbys ou interesses.

E para além de muitas vezes serem tendenciosos, são também incompetentes e incendiários. Não informam, nem querem! A única coisa que sabem fazer (salvo raríssimas excepções) é chafurdar no infortúnio e na desgraça dos outros. “Quanto pior melhor“. E depois dissertar sobre o sound bite e a “espuma dos dias“.

Quanto a mim, e agora pensando nos jornalistas que prezo e aprecio, penso que até era bom para eles haver “balizas” e responsabilização. Isso afastaria da profissão os maus jornalistas, e aí eles evitavam generalizações e serem todos metidos no mesmo “saco”. Tal e qual como fazem com os políticos.


10 anos de um Rio que ninguém vai parar

10/01/2012

Fez ontem 10 anos que Rui Rio lidera os destinos da cidade do Porto. Foi uma década de trabalho quase sempre invisível. E foi-o apenas porque o que ele faz não interessa aos meios de comunicação “dita” social. A seriedade, a exigência, o rigor ou o trabalho não vendem.

Rui Rio é, sem sombra de dúvidas, o melhor político no activo. Sem espectáculos, sem protagonismo e sem alarde, vai zelando pelo Porto e servindo os portuenses. Os que moram, os que vivem, os que trabalham, os que estudam ou os que apenas visitam a Invícta.

Há muitas coisas que distinguem Rui Rio dos outros políticos. A honestidade, a competência, a integridade, o carácter, o rigor, a exigência. Mas há uma que sobressai ainda mais nos políticos (nem sempre pelas melhores razões), o cumprimento de promessas.

Em 2001 Rui Rio fez duas promessas muito importantes para o Porto. Reabilitar os bairros sociais e a baixa da cidade. A verdade é que hoje, ambas as promessas foram cumpridas para benefício de todos aqueles que acima referi como sendo portuenses.

Com um modelo assente no investimento privado e não apenas nos dinheiros públicos. Fundou a Sociedade de Reabilitação Urbana, a Porto Vivo e criou um projecto integrado para a Baixa que reabilitou ruas e praças, ao mesmo tempo que atraiu investidores.

Fê-lo com um discurso coerente e firme. Muitos criticaram a rejeição do Corte Inglés na Boavista, mas não percebiam que Rui Rio não queria desviar o comércio da baixa. É assim que se faz política e que se defende a população e a economia de um concelho.

Se tivesse aceitado fazer mais um centro comercial na zona da Boavista, Rui Rio teria perdido a confiança dos portuenses e também dos potenciais investidores na baixa. Além do mais, a zona da Boavista já tem, pelo menos dois centros comerciais.

Para além disso, a revitalização da Baixa também foi feita ao nível cultural. O renovado Mercado Ferreira Borges tem sido estrela com um programa recheado de eventos de nível. Até os jovens voltaram à Baixa para a nova animação nocturna.

Graças à convicção de Rui Rio os bairros sociais da cidade vêm sendo recuperados, dando condições minimamente dignas às quase 50.000 pessoas (20% da população do Porto) que lá vivem. Um a um os bairros foram sendo reabilitados para benefício de todos.

Rui Rio fez fê-lo porque sabe que o mais importante são as pessoas, e deve ser para elas que se faz política. Nos bairros sociais vive muita gente com condições quase desumanas, gente com dificuldades financeiras e que vive em permanente risco.

Com a requalificação dos bairros sociais Rui Rio não só dá mais qualidade e dignidade à vida das milhares de pessoas que ali moram, como também evita que se formem guetos. Esses são quase sempre enormes incubadoras de criminosos e indigentes.

Esta é uma das melhores formas de coesão e integração social. Ao mesmo tempo evita-se e previne-se a criminalidade que está sempre ligada a estes locais e se espalha depois pela cidade. Desde 2001 a CM Porto investiu mais de 130 M€ na recuperação dos bairros.

Há uma frase, dita por Rui Rio, que define o seu perfil e a sua acção enquanto político: “O esforço da CM Porto tem sido investir onde é mais necessário, e não onde se consegue mais popularidade politica e mediática“.


As críticas e as intenções dos “barões” do PSD

07/09/2011

O PSD sempre foi um partido pluralista e, que me lembre, não houve até agora nenhum presidente do partido (mesmo os que foram PM’s) que tivesse tido o sossego que se vê no PS, PCP, BE ou mesmo no CDS.

É isto que distingue o PSD dos demais. Com ou sem leis da rolha, há no PSD muitos (e destacados) militantes que continuam a pensar e falar por si, sem obediências ou vassalagens ao “querido líder”.

Mas há críticas e críticas. As que pretendem ser construtivas e têm como objectivo o bem do País e do PSD são sempre bem vindas. As outras, que têm por base interesses/ódios pessoais, são péssimas.

Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes tinham a obrigação – até por já terem sido líderes (contestados) – de ter outro tipo de discurso. Calarem-se? Não! Mas falar doutra forma.

MFL parece ser movida por um ódio pessoal a PPC. Apoiei-a nas internas e gosto dela. Mas isto é demais. Não ia retirar-se da política? Então porque não o faz? Se quer ficar, este não é o contributo que se esperava.

MRS continua o periplo para a candidatura a PR. Utiliza o seu espaço dominical para (com muita demagogia e descaramento) afastar-se de todas as medidas impopulares do PSD, e passar imagem de homem independente e isento.

LMM também procura no futuro um “lugar ao sol”. Ainda é novo, o seu capital político é imenso, e as bases do PSD gostam dele. Tal como MRS, utiliza o seu espaço na TVI para passar imagem de homem sensato e equilibrado.

MFL disse que medidas do Governo “de justiça têm pouco e de eficácia nada“. MRS disse que “falta uma explicação […] isto não é o que foi prometido em campanha“. LMM diz que o Governo tem “prioridades invertidas“.

Para quê esta agressividade, demagogia e critica destrutiva fácil? Que ganha o PSD ou o País com isso? Nada! Nem a classe política (à qual pertencem), que continua a ser descredibilizada, numa altura fulcral.

Se fossem movidos por boas intenções, o que fariam era criticar sim, mas moderadamente e sem demagogia. Tomem como exemplo Rui Rio. Discorda do governo mas ao invés de atacar disse que “faria diferente“.

Além disso teve o cuidado de ser justo e relativizar as críticas, dizendo que é preciso dar tempo: “lá pelo facto de não estar bem ao cabo de 2 meses não quer dizer que não esteja bem daqui a 4 ou 5 meses“.

Principalmente de MFL (que já foi Min Finanças) esperava-se algo como o que Rui Rio disse: “há que atirar forte na redução da despesa, mas isso não é tão simples como dizem, ou como se diz quando se está na oposição“.


A leitura terrestre do debate Rio-Costa

22/03/2011

Ontem, finalmente pudemos ver um programa “Prós e Contras” da RTP com discussão, debate de ideias e conteúdo, ao contrário dos habituais ataques pessoais, demagogia barata e remoques permanentes. Foi preciso ir ao Porto e convidar gente do Norte.

Fiquei portanto surpreendido quando, ainda antes do programa acabar, vi referência crítica ao mesmo no twitter. Apressei-me a ir ler o post no Albergue Espanhol com o título “O debate ‘alien’ Costa-Rio“.

Talvez o Francisco Almeida Leite não tenha assistido ao programa na íntegra. Uma coisa é certa, escreveu o post antes do final do programa. O que ele relata não se aproxima nem um pouco do que se passou naquela hora e meia de debate.

Todos os Governantes e Autarcas deveriam ter ouvido o que foi dito no programa. Há muito tempo que não se ouvia falar de política local e nacional com tanto desprendimento e sensatez. Por isso não posso deixar passar em claro a crítica do Francisco.

Dizer que o programa se resumiu a um ataque à comunicação “dita” social é no mínimo pouco preciso. Rui Rio apontou bem os erros do regime, da democracia, da política, dos políticos, do governo central, das autarquias locais, do povo e do país.

Tal como há muito tem vindo a fazer (aconselho leitura do livro “Política – In situ”) Rio apontou caminhos para solucionar os problemas. Fê-lo com o desinteresse que sempre o caracterizou. Fá-lo sempre de forma honesta e anti-populista.

Depois do meu comentário o Francisco admitiu que o programa foi algo mais, mas aponta o ataque à comunicação “dita” social como ponto de união entre Rio e Costa. Ora, se Costa disse algo insensato e injusto, Rio apenas criticou a falta de ética e regras em alguma imprensa.

Em tanta coisa boa que se disse o Francisco apenas se preocupou com o que “uniu” os dois oradores. Curiosamente era isso mesmo que Fátima Campos Ferreira também procurava. Porque era esse o furo jornalístico: “Com Rio e Costa, PSD e PS podiam-se entender“.

Mas o facto é que nem um nem outro quiseram ir por aí. Inteligente e sensatamente fugiram desse tema porque sabem que isso não é bom para o país e para a política. Colocaram o tão propalado “interesse nacional” à frente do interesse pessoal e abstiveram-se.

O que eu acho é que o Francisco (tal como muitos outros que tenho ouvido/lido) talvez empurrado pela vontade de “destruir” à partida qualquer tipo de sentimento positivo ou simpatia dos seus leitores em relação a Rui Rio, foi levado a rapidamente “deitar abaixo”.


Rui Rio. Como se faz alta política na baixa

09/12/2010

Logo no primeiro mandato, já lá vão quase 10 anos, Rui Rio assumiu com os portuenses o compromisso de reabilitar a Baixa do Porto. Essa zona da cidade estava deitada ao abandono e com vários edifícios a caír de podre.

Depois de tantos anos e com outros assuntos para pensar as pessoas provavelmente já se esqueceram disso, mas o presidente da CM Porto não. É um homem sério e honesto, um político competente e que cumpre as suas promessas (a excepção que confirma a regra).

Ao contrário do que fariam/fazem outros, Rui Rio criou um modelo assente no investimento privado e não apenas nos dinheiros públicos. Fundou a Sociedade de Reabilitação Urbana, a Porto Vivo e criou um projecto integrado para a Baixa da cidade.

O segundo passo foi a reabilitação das ruas e praças da Baixa, ao mesmo tempo que atraía investidores com um discurso coerente e firme. Muitos criticaram a rejeição do Corte Inglés na Boavista, mas não percebiam que Rui Rio não queria desviar o comércio da baixa.

Se tivesse aceitado fazer mais um centro comercial na zona da Boavista, Rui Rio teria perdido a confiança dos potenciais investidores na baixa. Além do mais, a zona da Boavista já tem, pelo menos dois centros comerciais. Para quê mais um?

Para além disso, a revitalização da Baixa também foi feita ao nível cultural. O renovado Mercado Ferreira Borges tem sido estrela com um programa recheado de eventos de nível. Até os jovens voltaram à Baixa para a nova animação nocturna.

Rui Rio continua a ser um exemplo, e o melhor político português. Talvez seja ele “o tal” que tantos desejam para salvar Portugal desta crise profunda. Mas para isso é preciso que o povo esteja disposto a mudar de vida, e o queira eleger.


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