António Costa ao melhor estilo socratiano

23/12/2011

O estado a que chegaram alguns (infelizmente muitos) prédios do centro de Lisboa torna imprescindível a aposta na reabilitação urbana. Podemos tentar esconder os prédios com graffitis ou com lonas de publicidade gigantes, mas não podemos dissimular a degradação de alguns prédios, e deixar assim uma má imagem da capital de Portugal.

Com toda a propriedade, Pedro Santana Lopes criticou recentemente a (falta de) política da CM Lisboa nesta área. O ex-presidente e actual vereador da CML defendeu que a reabilitação urbana “deve ser a prioridade” da CML e recordou que inclusivamente existe o PIPARU “um programa com verbas que ultrapassam os 200 M€“.

Em resposta, António Costa, revelou alguma desonestidade intelectual e fugiu ao problema. Disse que “A Câmara precisa de 8.000 M€ para fazer a reabilitação urbana em toda a cidade“. Ora, mas alguém disse que era preciso fazer tudo de uma vez? (fez-me lembrar Sócrates e o episódio de pagar a totalidade da dívida pública em 2012).

Pior do que isso, mesmo alertado para os factos, e com a realidade à sua frente, António Costa preferiu adoptar uma postura apática. Diz-se “confiante que Lisboa vai conseguir avançar uma vez ultrapassada a conjuntura que o País está a viver” e espera “que a nova lei do arrendamento inverta esta situação“. Ou seja, a única coisa que pretende fazer é, esperar.

Publicado também aqui.


10 anos de uma grande viragem política

16/12/2011

Faz hoje 10 anos que o país passou por um dos momentos políticos mais marcantes da sua história. No dia 16 Dezembro 2001 o PSD vencia de forma clara as eleições Autárquicas, levando mesmo à queda inesperada do Governo do PS liderado por António Guterres, que viria a ser sucedido pelo PSD e Durão Barroso.

Contra todas as expectativas e sondagens, o PSD venceu 159 dos 308 municípios portugueses. Sublinhar as vitórias surpreendentes em concelhos chave como Lisboa, Porto, Sintra, Cascais ou Coimbra. Era eleitos Pedro Santana Lopes, Rui Rio, Fernando Seara, António Capucho e Carlos Encarnação.

Passados 10 anos nota-se que todos estes concelhos chave evoluíram imenso, excepto um. É inegável que Porto, Sintra, Cascais e Coimbra beneficiaram da competência e continuidade dos seus presidentes de câmara. Já Lisboa, ficou a meio caminho, com a saída de Pedro Santana Lopes.

Valores e deveres mais altos se levantaram, e Pedro Santana Lopes foi chamado ao cargo de Primeiro-Ministro. Episódios menos claros de quem ficou na CML levaram à queda do executivo liderado por Carmona Rodrigues e precipitaram a eleição de António Costa, que se mantém até hoje.

Se Pedro Santana Lopes tivesse ficado na liderança dos destinos da autarquia nos últimos anos, talvez se visse algo mais em Lisboa e por Lisboa…

Ver para crer… A obra de Pedro Santana Lopes em Lisboa (2002-2004)


O Fado de Santana Lopes…

23/11/2011

Há muito poucas coisas que distinguem Portugal no Mundo. E nelas não se integram o Futebol ou a Dívida Pública. O que nos distingue são os Descobrimentos e… o Fado.

Não existe em mais lado algum, e nos últimos dias, temos assistido a uma grande operação de marketing envolvendo a Candidatura do Fado a Património da Humanidade.

O seu a seu dono. Foi Pedro Santana Lopes, como Presidente da Câmara de Lisboa, que em Maio de 2004, propôs o Fado para Património da Humanidade.

Por isso, nos testemunhos recolhidos, João Braga (reconhecido fadista) diz: “Neste dia tão importante para a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade na UNESCO, ocorrem-me 3 palavras para definir o meu estado de espirito: Pedro Santana Lopes“.

Esta é mais uma prova da sensibilidade Cultural e Social de Pedro Santana Lopes. Muitos criticam e atacam-no. Enquanto isso ele vai fazendo por Portugal e por Lisboa.


PSD e as dificuldades de resistir à máquina

12/09/2011

Já o disse várias vezes, apoiei Ferreira Leite e Aguiar Branco nas 2 últimas internas do PSD. Mas, depois de vencer, Passos Coelho surpreendeu-me pela positiva.

Aquando da constituição do Governo elogiei o facto de ter conseguido chamar excelentes independentes, mas critiquei ter cedido à máquina do partido em certas pastas.

Quando os partidos estão no Poder é muito mais fácil ceder à máquina partidária, mas é imperativo resistir. Afinal, foi essa mesma máquina (incompetente e corrupta) que nos trouxe até aqui.

Ao ver o programa das Jornadas Parlamentares do PSD fico desiludido. Numa altura em que o PSD lidera o Governo e precisa de mais e melhores ideias para nos tirar da crise, as jornadas serão inócuas.

Oradores e temas são os que mais interessam ao partido numa lógica puramente circunstancial. Não irão acrescentar nada ao trabalho do PSD na AR, em prol do país e dos portugueses.

Compare-se nomes dos oradores (sua qualidade e capacidade), líder parlamentar, presidente PSD e condição do partido, nas últimas 3 jornadas parlamentares. É fácil ver as diferenças.

Ano 2008
Líder Parlamentar – Paulo Rangel
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: António Borges, Henrique Neto, Maria José Nogueira Pinto, Jacques Attali

Ano 2009
Líder Parlamentar – JP Aguiar Branco
Presidente PSD – Manuela Ferreira Leite
Condição PSD – Oposição
Oradores: Alexandre Soares dos Santos, José António Salcedo, Paulo Pinto de Albuquerque, João Duque

Ano 2010
Líder Parlamentar – Miguel Macedo
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Oposição
Oradores: Manuel Villaverde Cabral, Ernani Lopes, Luís Campos e Cunha, Vitor Bento

Ano 2011
Líder Parlamentar – Luís Montenegro
Presidente PSD – Pedro Passos Coelho
Condição PSD – Governo
Oradores: Miguel Relvas, Pedro Santana Lopes, Marco António Costa, Paulo Simões Júlio


José Sócrates versão 1.0 (última parte)

03/05/2011

Este é o último posta da saga “José Sócrates versão 1.0” que tem por objectivo demonstrar as cambalhotas, as mentiras, a demagogia, o descrédito e a incompetência de José Sócrates. Recordo que estas foram frases que proferiu, em 4 Fev 2005, num debate com Santana Lopes.

O país está pior […] E há 3 factos absolutamente indesmentíveis. Em 1º a economia portuguesa teve o pior crescimento desde 1944 […] 2º facto: a economia portuguesa foi aquela que registou a maior subida do desemprego na Europa […] 3º facto: as contas públicas em Portugal estão hoje piores do que estavam há 3 anos. Está pior o défice e está pior a dívida pública, que aumentou

Eu estou aqui para recuperar a confiança em Portugal. Eu estou aqui e tenho tido palavras de rigor, palavras de exigência e palavras de trabalho […] Eu estou aqui porque acredito em Portugal e porque acredito nos portugueses

Pois… mas ao invés, descredibilizaste Portugal, pioraste o défice e a dívida pública, mentiste e enganaste… e portanto os portugueses já não acreditam em ti.


José Sócrates versão 1.0 (parte VI)

02/05/2011

Esta será o penúltimo post com transcrições do que disse José Sócrates a 4 Fev 2005, no frente-a-frente com Santana Lopes, a duas semanas das Legislativas 2005:

Com maioria absoluta […] os portugueses sabem que o PS não quer esse poder para o utilizar apenas para ter mais poder, para desprezar as oposições ou para desprezar o parlamento […] quer a maioria no parlamento para que aquilo que é o interesse geral se possa sobrepor aos interesses particulares

Se o PS ganhar as eleições, o Governo que sair destas eleições será um bom Governo […] feito com pessoas credíveis e pessoas capazes […] Um bom Governo que tenha sentido de Estado, formado por pessoas credíveis, que não passe a vida a queixar-se do passado, a invocar pesadas heranças, e dizer mal de quem o antecedeu


José Sócrates versão 1.0 (parte V)

01/05/2011

Se houve temas prioritários nos anos de governação Sócrates/PS foram os temas fracturantes. Porquê? Talvez para desviar as atenções do essencial, para o acessório. Vejamos o que pensava Sócrates em 4 Fev 2005 no debate com Santana Lopes:

O Dr. Santana Lopes quis introduzir na campanha estes temas a que ele chama os temas da civilização. Clonagem, casamento homossexual, eutanásia […] não são estes os temas da agenda política […] É por isso que o programa do PS não prevê nada no domínio do casamento homossexual, nem da adopção de crianças

[…] tudo isso é apenas para não querer discutir aquilo que se deve discutir. E aquilo que se deve discutir são os resultados desta governação […] Transformar esses pontos naquilo que é o centro de debate político, verdadeiramente parece-me ser um engano […] os portugueses não estão à espera que essas sejam as questões fundamentais


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