O “tuga”, uma espécie que prolifera – Parte IV

30/08/2011

Este post, sobre o “Tuga”, vem no seguimento destedeste e deste:

O Tuga é aquele que trabalha numa grande empresa (eventualmente até num cargo de chefia) e não se inibe de levar os filhos para o emprego.

O Tuga é aquele que come com o garfo virado para baixo, não levanta os cotovelos da mesa, e come a sopa e a sobremesa como se estivesse “à janela”.

O Tuga é aquele que faz as vontades todas aos filhos porque: “coitado, é pequenino e não se pode contrariar, porque pode ficar traumatizado“.

O Tuga é aquele que tem apenas três temas de conversa: Dizer mal dos colegas/chefe do trabalho, dos familiares menos chegados, e dos vizinhos lá do bairro.

O Tuga é aquele que critica Hospitais (com ‘n’ certificações) e Médicos (com anos de estudo/especialização) mas elogia o endireita/bruxo que atende em casa.

O Tuga é aquele que vai para a FNAC martelar os iPad’s em exposição com os dedos. Estraga-os, não vê nada, e nem deixa os interessados experimentarem.

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O “tuga”, uma espécie que prolifera – Parte III

16/08/2011

Este post, sobre o “Tuga”, vem no seguimento deste e deste:

Tuga é aquele que detesta o político porque “diz hoje uma coisa e amanhã o seu contrário“, mas idolatra o jogador de futebol que faz o mesmo.

Tuga é aquele que gosta de usar termos técnicos e palavras caras das quais não sabe o significado, construindo frases sem qualquer sentido.

Tuga é aquele que para calar a birra que o filho malcriado está a fazer no meio da rua, lhe enfia um bolicao pela goela abaixo.

Tuga é aquele que parece desconhecer a existência daquelas coisas modernas chamadas malas, e transporta tudo em sacos de plástico.

Tuga é aquele que não tem brio no trabalho, e que faz as coisas mal feitas sem questionar, apenas porque… “sempre se fez assim“.

Tuga é aquele que reenvia cadeias de e-mails que prometem sorte para a vida ou infortúnio durante anos, se enviados ou não para 10 amigos.

Tuga é aquele que na padaria pede o “pão branquinho”, na pastelaria pede o “pastel de nata branquinho” e no Natal come o “bacalhau branquinho”.


O “tuga”, uma espécie que prolifera – Parte II

23/07/2011

Há uma semana atrás escrevi um post sobre o “Tuga”. Tentei descrevê-lo ao máximo, mas não consegui. Acrescento mais algumas coisas que o caracterizam.

O tuga é aquele que, no casamento do familiar/amigo, por estar de fato e gravata já se sente patrão e trata o empregado de mesa com arrogância e sobranceria.

O tuga é aquele que, na festa da empresa ou baptizado do sobrinho, enche o prato como uma pirâmide e come até não poder mais porque… afinal é de borla.

O tuga é aquele que, numa acção promocional ou de marketing, fica horas em fila para jogar uma “roda da sorte” que oferece bonés, canetas ou porta-chaves.

O tuga é aquele que, durante 6 anos foi o mais acérrimo crítico de José Sócrates, e o “perdoou” como que automaticamente, no dia em que o pai faleceu.

O tuga é aquele que cochicha quando recebe uma chamada da mulher, mas fala para todo o restaurante quando lhe liga o amigo para recordar a saída de sábado.

O tuga é aquele que, no supermercado, compra o que não precisa, o que não gosta ou o que não usa, apenas porque está em promoção e “é de aproveitar“.

O tuga é aquele que acha perfeitamente normal, e não vê qual o problema, em o filho mais velho ir para a faculdade de chinelos e calções de praia.

O tuga é aquele que não educa o filho em casa, mas depois na rua quando o puto se porta mal, quer mostrar autoridade pelo meio de palmadas e berros.

O tuga é aquele que está no estacionamento, mas por estar dentro do carro (à espera de qualquer coisa, ou a passar tempo) acha que não tem de pagar parquímetro.

O tuga é aquele que adora reality shows com celebridades, porque é a mesma coisa que ler a TV Mais, mas sem pagar 1,25€ e com imagens reais.


O “tuga”, uma espécie que prolifera

16/07/2011

Há poucos dias saíram os resultados do Censos 2011. Muitas estatísticas foram lançadas, sendo que a mais geral é a de que somos hoje 10.555.853 portugueses.

Entre estes tem proliferado uma espécie, que é em muito responsável pela crise de valores que o país atravessa. Essa espécie chama-se “TUGA”.

O tuga é aquele que acha que ser patriota é torcer pela selecção nacional de futebol, em vez de pagar impostos e ser solidário com os seus concidadãos.

O tuga é aquele que acha ter alcançado uma grande vitória ao ter crashado o site de uma agência de rating ou ter inundado a sua caixa de emails.

O tuga é aquele que se endivida no banco por um BMW branco em vez de pedir dinheiro emprestado para o seu filho poder ir para a universidade.

O tuga é aquele que se atira para cima de uma passadeira sem parar e olhar, porque “se for atropelado o condutor tem de pagar uma grande indeminização”.

O tuga é aquele que compra (às prestações) um telemóvel de 400€ ou 500€, do qual aproveita 5% das funcionalidades, apenas porque pensa que dá status.

O tuga é aquele que chama ladrão ao político, mas sempre que compra/recebe algum produto/serviço, pede tudo sem factura para fugir aos impostos.

O tuga é aquele que chama incompetente e corrupto ao político mas não participa na democracia, nada faz para a mudar, e nem sequer vota.

O tuga é aquele que, mesmo ganhando mais, declara o ordenado mínimo e quando chega a reformado fica revoltado por ter uma reforma tão baixa.

O tuga é aquele que, em cargo de chefia, pratica um tipo de liderança baseado no temor do chefe ao invés de preferir ser respeitado.

O tuga é aquele que vai “tirar de esforço” da professora que expulsou o seu filho porque este foi malcriado e perturbava a sala de aula.

O tuga é aquele que vai ao futebol ou ao concerto e passa o tempo a tirar fotos que comprovem a sua presença, em vez de apreciar o espectáculo.

O tuga é aquele que sonha com as telenovelas e as transporta para a realidade. Aquele que passa o dia a ver reality shows à espera de enxovalhos.

O tuga é aquele para quem a notícia não é o sucesso, a inovação, o feito ímpar, mas sim a traição, a tragédia, a intriga, o crime.

O tuga é aquele que no retorno das férias é paciente para ouvir a história do colega, apenas para ter audiência quando for a sua vez de contar.

O tuga é aquele que acha um roubo quando o clube adversário é beneficiado, mas acha justo (“é para equilibrar”, diz) quando o seu clube beneficia.

O tuga é aquele que achava o Carlos Castro “um grande paneleiro”, e agora diz que era um velhinho indefeso que foi vítima de um drogado ambicioso.

O tuga é aquele que ao fim-de-semana, em vez de levar os filhos a um programa lúdico/pedagógico ou a passear/jogar, se enfia com eles num centro comercial.

O tuga é aquele que chega à praça de alimentação do Centro Comercial e senta a mulher/filho numa mesa a guardar lugar, enquanto demora meia hora a pedir a refeição.

O tuga é aquele que ao esperar numa paragem de autocarro vê passar um homem num Ferrari e, ao invés de pensar “um dia ainda vou ter um Ferrari” pensa “um dia ainda vais andar de autocarro”.


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